Balé da Cidade de São Paulo tem coreografia do grego Andonis Foniadakis inspirada em obras de Bosch.
SERVIÇO
Teatro Municipal de SP
Praça Ramos de Azevedo, s/no.
Fone: 11 3397 0327Dias 27, 28 e 30.09, às 21h.
Ingressos entre R$ 10,00 e R$ 40,00
- Coreografia ANDONIS FONIADAKIS
- Música e partitura original JULIEN TARRIDE
- Desenho de luz GUILHERME BONFANTI
- Concepção cenográfica e vídeo ANDONIS FONIADAKIS e JULIEN TARRIDE
- Figurinos JOÃO PIMENTA
Inspirado no movimento dos corpos e na histeria da obra “Paraíso Perdido”, do pintor holandês Hieronymus Bosch, o coreógrafo grego Adonis Foniadakis apresenta o evento no Teatro Municipal de SP.
A releitura de Foniadakis mostra 30 bailarinos que usam máscaras e trabalham o tom lúdico da obra de Bosch em figurinos desenhados pelo estilista mineiro João Pimenta. A trilha sonora do espetáculo acompanha a obra e tem trechos mais acelerados em contraste com melodias mais leves criadas por Julien Tarride.
“Paraíso Perdido” explora desejos animalescos do ser humano
O pintor Hieronymus Bosch (1450-1516) empresta suas cores obscuras à dança de “Paraíso Perdido”, espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo, que trouxe o grego Andonis Foniadakis para coreografar o grupo de bailarinos.
Seres fantásticos, meio homem meio bicho, corpos semi nus, movimentação frenética, gritos e grunhidos. Essa é a imagem capturada das obras de Bosch e regurgitada em cena. Um paraíso infernal repleto de prazeres carnais.
PECADO ORIGINAL
O profano em “Paraíso Perdido” aparece na representação dos desejos voluptuosos. Basicamente, circunda a sexualidade exacerbada em suas possíveis perversões. Através de movimentos sinuosos e ritmo acelerado, entrega as vontades animalescas que habitam o imaginário humano.
A sinuosidade vira sensualidade ligada fortemente ao universo feminino; ainda temos muito bem introjetada a concepção de que a mulher carrega o pecado em seu seio, lembrando que na mitologia cristã, Eva é quem leva Adão à perdição.
Em cena, a feminilidade pecaminosa fica escancarada. A figura mítica vestida de preto com os seios à mostra que aparece dando o grito inicial do espetáculo, já é o indício da aliança entre o pecado original e a forma da fêmea.
Em clima de trevas, o coletivo perverte. Comparável aos quadros de Bosch, corpos agrupados e pulsantes aparecem sucessivamente. A pervesão aqui é bonita de se ver, e a face bicho do ser humano se afasta do que poderia ser grotesco.
O nu vem para seduzir, assim como nos filmes eróticos norte-americanos, se vê o ato sexual mas não se vê os órgãos sexuais, pois são neles que o feio se revela.
A coreografia de “Paraíso Perdido” por mais profanadora que tente ser, ainda carrega as raízes pudicas do balé clássico, o que não é mal, mas impõe seus limites.
Flávia Couto
(texto adaptado a esta nova data)
No vídeo abaixo, o Balé da Cidade de SP, apresenta parte da obra Paraíso Perdido

enviando...


