Escrito por em 7 out 2011 nas áreas Crítica

que consecuen xenical orlistat Na noite primaveril de 06 de Outubro vimos a interpretação da OSESP desta que é conhecida como a Sinfonia dos Mil, a 8ª de Gustav Mahler (1860-1911) na Sala São Paulo.

Com lotação plena do espaço físico, via-se uma plateia ansiosa para o início do concerto. Grandiosa foi a distribuição das secções da orquestra e dos coros, para que se efetuasse uma boa execução e acústica musical. Observavam-se mudanças nas fileiras dos sopros de madeiras e percussão, para que houvesse espaço para os cantores solistas ao centro da orquestra, garantindo assim, perfeita sintonia com as centenas de executantes, entre orquestra e coros.

Na batuta do maestro russo com mais de oitenta anos,  Gennady Rozhdestvensky, cujas mãos têm um poder carismático e, sobretudo, revelam alto conhecimento daquilo que está dirigindo, a OSESP brilhou rotundamente. É o autêntico Mahler, um dos mais belos compositores do romantismo alemão, cujas sinfonias se transformaram num legado para a humanidade, com belezas indescritíveis. Suas sinfonias, em número de dez, suas canções e todas as outras composições para canto e instrumentais são de uma beleza fundamental. Regeu com autoridade musical e ao mesmo tempo, com uma certa descontração, justificada pelo seu domínio de comando e profundidade no gênero apresentado naquele concerto.

A Parte I é uma espécie de forma-sonata, com uma recapitulação condensada, cujas estruturas polifônicas são concebidas em linhas arcaicas paralelas ao texto latino, e seu efeito geral é austero, com exceção de uma passagem em ré menor, no fim da exposição e continuando no desenvolvimento, que retorna à atmosfera mahleriana de torturada introspecção. Nesta parte, a participação dos coros é de suma importância: eles são o ponto central da obra, onde atuou como convidado o Coral Lírico Municipal, de vozes  nobres e encorpadas,  emprestando uma magistral colaboração na massa vocal junto ao coro da Osesp; regidos respectivamente por Mario Zaccaro e Naomi Munakata. Suntuosas foram as sonoridades emitidas pelos corais. ” Bravi”.

A Parte II faz uma extraordinária tentativa para condensar em termos musicais a ascensão da consciência através de patamares de intuição mística. Goethe indica uma cena algo parecida ao Monte do Paraíso de Dante, com suas alturas mergulhando no empíreo. O texto contém todos os horrores, amores e decepções da humanidade, outrossim a morada dos santos e dos deuses, dos bem-aventurados; os supremos celestiais…

Aqui é que se pode então observar a beleza lírica do timbre vocal dos cantores, representando personagens simbólicos, cantando ideias, relacionando-se basicamente com o progressivo desdobramento da percepção espiritual através da penitência (Margarida), do perdão e da redenção das três Marias, do êxtase (Pater Ecstaticus), da intuição intelectual do  (Pater Profundus) e daquela especial tendência de idealização espiritual que se expressa na canção do Dr. Marianus.

Jon Villars cantou com  raça,  numa tessitura vocal ingrata,  mediante a pesada orquestração que Mahler lhe sobrepõe ao canto. Destacaram-se ainda as participações, entre os solistas (8); o baixo Nikolai Didenko e o soprano Lisa Milne de voz brilhante e ágil técnica. Entre as brasileiras participantes, há que se registrar problemas de emissão e desafinação em Manuela Freua (soprano);  e aceitáveis participações de Talia  Or (soprano), Edneia de Oliveira e Sílvia Tessuto (mezzo e contralto respectivamente), salientando-se que todos os cantores encontravam-se microfonados; portanto bastante favorecidos em função da grandiosidade da obra, onde associados às vozes dos coros,  que crescem em ondas sucessivas, em ritmos lentos e medidos, produzindo assim, algumas das passagens mais majestosas e monumentais da obra coral-sinfônica do repertório universal.

Escrito por Marco Antônio Seta, em 07 de Outubro de 2011.

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