Escrito por em 17 dez 2012 nas áreas Crítica

“O quebra-nozes”: desde os anos 80, um dos felizardos da reposição!

O ballet O QUEBRA-NOZES, com suas histórias de Hoffmann e sua coreografia tradicional de Marius Petipa e Lev Ivanov muitas vezes ligeiramnte  modificada por muitos “sócios” e aproveitadores, no TMRJ é um dos felizardos itens de seu acervo que, não se sabe por quais desígnios da fada  da boa sorte, volta e meia retorna ao palco inteirinho, com todos os seus cenários, figurinos e adereços guardados, embalados, embrulhados e conservados em algum local apropriado, sob a interessada guarda e vigilância de ciosos protetores.

Não conhecemos óperas do acervo do TMRJ que tenham a mesma sorte. Desde a década de 80, esse ballet e alguns outros voltam regularmente em reposições, como COPPÉLIA, DOM QUIXOTE, LA FILLE MAL GARDÉE . Óperas raramente voltam em reposição. A ver, como diriam os argentinos.

Isto posto, o popular ballet voltou ao palco do TMRJ neste 15  de dezembro, como sempre sob alegria geral e com o teatro cheio. Torna-se difícil para um crítico achar ditos fora do comum quando à frente de tudo no grand pas-de-deux da Rainha das Neves se enconra a mítica figura de Cecília Kerche, legendário nome do ballet clássico no Brasil com afirmações mais que positivas em companhias estrangeiras. Cecília é grande artista, mais que grande bailarina. Vê-la dançar é um privilégio, uma boa sorte, um passeio  no arco-íris. Não funciona ficar rocurando errinhos de ataques, atrasos, errinhos de terminações, desconcentrações e posições equivocadas. Cecília está acima de observações desse tipo. Quando ela se apresenta, críticos e madames ensaiadoras deveriam ficar em casa vendo a TV Globo, deixando-a só com seu público. Este que escreve se sente feliz por ter sido um dos primeiros a reconhecer seu talento. Com efeito, sua Myrtha no TMRJ, já lá se vão vinte e tantos anos não sai da memória.
A seu lado, o bailarino Dennis Vieira mostrou que é também um artista, antes de ser bailarino. Sua infinidade de recursos o levam a exprimir mais que simples passos e audaciosas acrobacias.

No grand pas-de-deux da Fada Açucarada, Márcia Jacqueline esteve soberba, expressiva, virtuosistica. Um prazer de sonho vê-la dançar. A seu lado, o mesmo Dennis Vieira, repetindo o que se disse linhas acima.

Joseny Vieira foi um convincente Drosselmeyer e Karen Mesquita como espanhola conquistou o público com seu encanto e aprumo técnico. Como árabe, Deborah Ribeiro foi mais que convincente por seus recursos, e ainda por cima apareceu bonita e sensual na medida exata. Karina Dias, Rodrigo Neves, Paulo Muniz, Priscila Motta (um encanto como russa), Priscila Albuquerque e Tendo Pereira na Valsa das Flores  (técnica e expressão), e todos os demais estiveram excelentes.

Este que escreve já viu muitíssimos Quebra-Nozes, e muito poucos tão bem ensaiados quanto este. Bons ensaios dão no que deu: ótimas atuações, elogios da critica e xlpharmacy generic cialis aplausos do público que volta prá casa alegre, satisfeito, querendo fazer fouetées e grads jetés na calçada. De parabéns o diretor artístico Helio Bejani,os ensaiadores Eric Frederic, o ensaiador Sergio Lobato, a ensaiadora Celeste Lima, os quais todos devem, de uma forma ou de outra, ter contribuído para tão bem ensaiado e por isso tão bonito Quebra-Nozes.

A esplêndida música de Tchaicowsky caiu nas mãos certíssimas do regente Jesus Figueiredo, o qual conseguiu o que se espera dessa música: colorido e paixão. Mais não se pode querer. A  já veterana produção de José Varona continua linda.

Tudo no lugar nessa reposição, nome fatídico atualmente no TMRJ.

MARCUS GÓES – DEZ 2012

document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript);