Escrito por em 18 dez 2012 nas áreas Crítica

Stravinsky é um compositor revolucionário, compôs três grandes balés no início do século XX e sua obra A Sagração da Primavera deixou seus colegas de queixo caído, com a cara no chão.

Eclética e diversificada, sua obra tem de tudo. Contempla a dança, música sinfônica, ópera e oratórios. Stravinsky teve a sorte de viver na Europa ocidental e nos Estados Unidos, não se submetendo aos caprichos do regime comunista soviético e pôde usar toda sua criatividade em prol da música. Dizem as más línguas e as fofoqueiras de plantão que Stravinsky deu uns pegas na famosa estilista Coco Chanel, pegada com grife, perfumada com o número 5 , com garbo e elegância.

A ópera O Rouxinol, de Stravinsky, apresentada pelo Theatro Municipal de São Paulo na primeira semana de Dezembro mostra música com a riqueza melódica de seus grandes balés. A composição ficou paralisada alguns anos para a composição dos mesmos. Percebe-se a diferença na escrita entre o primeiro ato, escrito bem antes e os demais atos. A música é moderna e avançada para o tempo de sua composição. Utilizar temas fantásticos na ópera faz parte da tradição russa, temos o Galo de Ouro, de Rimsky-Korsakov, e Ruslan e Ludmila, de Glinka, entre outros.

Quando se juntam o maestro Jamil Maluf , a diretora cênica Lívia Sabag e o diretor de arte, cenários e figurinos Fernando Anhê sabemos que vem coisa boa por aí. Anos passado esse trio nos proporcionou a premiada O Menino e os Sortilégios, de Ravel. Montagem encantadora e cheia de criatividade, eleita pelo meu blog como a melhor ópera de 2011. Em 2012 o trio se reúne novamente.

A produção abusa da bela criatividade, transporta ao fantástico mundo do irreal com cores vivas e ideias inteligentes. Fernando Anhê mostra cenários belíssimos e figurinos adequados. Lívia Sabag dirige com competência , movimenta os cantores com precisão e mostra clareza ao desenvolver o libreto. Jamil Maluf rege, mais uma vez, com grande competência a Orquestra Experimental de Repertório. Mostrou musicalidade precisa, com a alma da música russa nas cordas e madeiras.

Os solistas estiveram à beira da perfeição. Esse crítico chato que aqui escreve se encantou com as vozes. Vou ficar careca de elogiar o soprano Caroline de Comi, a bela moça está cada vez melhor e fez um Rouxinol com coloraturas imperdíveis. A russa Olga Trifonova is disulfiram approved in canada tem linda voz de soprano e soube dar bela vivacidade ao seu Rouxinol. Saulo Javan fez um Bonzo com louvor, sua voz encanta pelos belos graves. Destaques ainda para os competentes Leonardo Pacce, Eric Herrero e Daniella Carvalho.

O Theatro Municipal de São Paulo teve uma temporada de altos e baixos, pode-se gostar ou não de alguns títulos apresentados, eu não gostei de muitos. A verdade única é que ele cumpriu a programação sem cancelamentos, adiamentos ou desculpas esfarrapadas. Esperamos para 2013 uma programação melhor. O público sempre quer mais e a ideia de remontar as óperas apresentadas em anos anteriores continua válida.

Ali Hassan Ayache

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