Escrito por em 6 dez 2012 nas áreas Crítica

Massenet é compositor que tem características únicas em sua escrita orquestral.

Influenciado pela next day pills com viagra online canada escola francesa tem nas melodias a força emotiva de sua composição. Muitos acusam Massenet de wagneriano, ele utiliza o recurso do motivo condutor (leitmotiv) em diversas passagens. A música de Massenet pode ser, às vezes, açucarada demais. As suas melodias fixam-se na mente e provocam diversos estados de emoção no público.

Os “Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, é a obra que inspira a ópera, escrita em cartas a um narrador temos nela as características iniciais do romantismo: o amor e a morte. Outra característica de Massenet é a obra intimista, que está presente com mais força no Werther. Tudo acontece em pequenos espaços. A versão do Theatro São Pedro/SP dirigida por André Heller-Lopes mostra o lado intimista da ópera e realça a escrita de Massenet.

Transportada para meados do século XX, leva ao verdadeiro amor entre os personagens e a morte como única solução. Werther está em outra dimensão no final da ópera, morto na cadeira e de costas para o público, dialogando com Charlotte grávida através de um Werther vestido da época de Goethe.

A versão para barítono cantada pela primeira vez no Brasil – nem sabia que ela existia – mostra um Werther impactante e uma escrita orquestral robusta. Leonardo Neiva deu dramaticidade ao personagem, voz de barítono com fartura de agudos. Neiva sofre por amor e morre por ele em duas dimensões, terrena e passada. Mostra nuances do personagem que são invisíveis com tenor, mais incisivo, dramático e com maior força. A maioria prefere os belos agudos do tenor, mas assistir à versão para barítono modifica completamente a dramaticidade musical.

O restante do elenco apresenta a mesma qualidade vocal da estreia. Luisa Francesconi continua soberba, seu desafio na ópera francesa foi vencido. Especialista em óperas italianas a moça mostrou que a música francesa cai bem em sua voz. A orquestração do maestro Malheiro reflete as sutilezas da partitura. O coro de guris se sai melhor, com vozes mais audíveis e o soprano Gabriela Pacce tem bela voz lírica.

O Theatro São Pedro fecha com chave de ouro a programação de óperas em 2012. Espero que 2013 tenhamos mais títulos com a mesma qualidade apresentada nesse ano. Seria interessante a direção do teatro buscar montagens de outras casas, como Manaus e Belém que possuem o mesmo tamanho de palco do teatro paulistano, mas com plateias maiores. Teatro pequeno e criatividade enorme.

Ali Hassan Ayache

} else {

Faça seu comentário