Escrito por em 13 jun 2013 nas áreas Cinema, Lateral, Programação, Rio de Janeiro

A Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal executará a trilha sonora, de Dimitri Shostakovich, compilada por Frank Strobel.

 

 SERVIÇO

 

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano, s/nº – Centro
Informações: (21) 2332-9191

Dias 15 de junho, às 20h. (sábado), e 16 de junho (domingo), às 17h.

Ingressos:
Frisas e camarotes (6 lugares) ………………………. R$ 420,00
Plateia e balcão nobre ……………………….………….. R$    70,00
Balcão Superior ……………………………………………. R$     50,00
Galeria ………………………………………………………….. R$     18,00

Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou por telefone 21 4003-2330      

Desconto de 50% para estudantes e idosos

Classificação etária: Livre

 

Um dos maiores marcos da cinematografia mundial, O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, é a segunda atração do ano da série Música & Imagem, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro vinculado à Secretaria de Estado de Cultura –, dentro da programação artística assinada pelo Maestro Isaac Karabtchevsky. Mais importante e conhecida realização do diretor russo, o filme é considerado um divisor de águas na montagem cinematográfica. Rodado em 1925, o longa-metragem tem por base um fato histórico de 1905 – a rebelião de marinheiros de navio de guerra, um dos levantes da Revolução Russa – e foi transformado pelo cineasta em uma obra universal que fala contra a injustiça e sobre o poder coletivo que há nas revoluções populares. Nos concertos da série, criada em 2008 e um dos grandes sucessos de bilheteria do TM, a trilha sonora é executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, sob a regência do Maestro Sílvio Viegas. Nesta versão de O Encouraçado Potemkin, a música foi adaptada por Frank Strobel (compilação e sincronização) com base em cinco sinfonias compostas por Dimitri Shostakovich.

“Título obrigatório do cinema mundial, este clássico é não apenas uma aula de cinema, como manteve intactas sua força e poder de encantar as plateias ao longo do tempo. Além disso, o genial Eisenstein deixou instruções para que a trilha sonora fosse renovada a cada 20 anos, para revigorar a sua obra. Em 2004, o filme ganhou composições da dupla britânica pop Pet Shop Boys”, comenta Carla Camurati, presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ao elaborar a trilha com uma colagem das sinfonias de Shostakovich – nº 4, op. 43; nº 5, op. 47; nº 8, op. 65; nº 10, op. 93; e nº 11, op. 103 – Frank Strobel concretizou, postumamente, o desejo do compositor e do cineasta de trabalharem juntos, o que nunca ocorreu na prática. Além da excelência artística do compositor, o que motivou, porém, a escolha de Strobel para criar sua versão sonora foi o fato de Shostakovich ser considerado o autor que melhor soube traduzir para a música de concerto a sonoridade da Revolução Russa.

Uma das características principais da música de Schostakovich é, sem dúvida, sua força. Ela às vezes soa brutal, resgatando os sentimentos mais primitivos do ser humano, outras vezes soa como o grito de um povo extravasando seus desejos mais reprimidos. Ele foi símbolo de uma época e sua música, compilada para este filme entre cinco de suas sinfonias por Frank Strobel, descreve perfeitamente todo drama narrado neste épico filme de Eisenstein”, destaca o Maestro Sílvio Viegas.

Baseado em eventos históricos, o longa-metragem dirigido por um jovem Eisenstein de 27 anos, conta a história de uma rebelião no Navio de Guerra Potemkin. O que começou como um protesto gerou um levante depois que foram servidas carnes estragadas aos marujos no jantar. Os marinheiros erguem a bandeira vermelha e tentam levar a revolução no navio até a sua terra natal, a cidade de Odessa.

O filme é dividido em cinco partes, nas quais Eisenstein transformou em imagens ideias complexas e ideologias profundas. Para rapharmacy alcançar essa linguagem sofisticada, o cineasta chegou a empregar técnicas de montagem inspiradas nos ideogramas orientais. A clássica cena na escadaria de Odessa é a quarta parte do filme. As sequências iniciais banhadas em luz e alegria são substituídas pelas imagens chocantes de repressão violenta pela guarda do Czar. A própria escada já traz, em si, um símbolo da cruel hierarquia social e política, e da diferença entre as classes. A cena da mãe assassinada, cujo carrinho de bebê desce degraus abaixo, é sempre citada como uma das mais famosas da história do cinema. Eisenstein foi precursor no uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais.

 

Sergei Eisenstein

Sergei Mikhailovitch Eisenstein (Riga, 23/01/1898 – Moscou, 11/02/1948) é considerado o mais importante cineasta soviético. Originário de uma família de classe média, pai engenheiro descendente de judeus alemães convertidos e mãe russa ortodoxa, formou-se em engenharia e, depois, em arquitetura, atividade de sua preferência, por ser excelente desenhista. Participou ativamente da Revolução de 1917, juntando-se, em 1918, ao Exército Vermelho. Ocupando um posto de comando, em 1920 providenciou, com seus cartazes, uma exitosa propaganda da Revolução de Outubro.

Neste ano começou a trabalhar no Teatro Proletário como cenógrafo e figurinista, passando depois para o teatro do célebre teórico e diretor teatral e cinematográfico Vsevolod Mayerhold. Seu primeiro filme, em 1924, foi A Greve, no qual mostrava que arte e política podiam andar juntas. Isto fez com que Eisenstein tivesse constantes atritos com o regime de Josef Stalin, devido à sua visão do Comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes, posição que não era aceita pelos poderosos chefes do Partido Comunista Russo.

Com 27 anos, a partir de um projeto para comemorar a revolução de 1905, surgiu O Encouraçado Potemkin, que deu ao mundo a obra que é considerada, até hoje, como uma das mais representativas de toda a história do cinema. Com o advento do som, Eisenstein foi mandado numa turnê pela Europa para fazer conferências sobre sua discutida visão do cinema sonoro, mas que, na realidade, tinha como objetivo principal examinar equipamentos sonoros. Durante a viagem ele, graças ao sucesso extraordinário de O Encouraçado, foi chamado a Hollywood pela Paramount, partindo para os Estados Unidos em 1930. Só que lá seus projetos não foram adiante, apesar dos esforços de amigos poderosos como Chaplin e Flaherty, devido à mútua incompreensão entre o diretor e os produtores, além de uma disputa interna pelo controle da Paramount.

Eisenstein resolveu afastar-se de Hollywood indo para o México filmar Que Viva México, obra ambiciosa sobre a história de um país, sua cultura e sua Revolução. Infelizmente as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros, criados por Eisenstein. Desolado, o cineasta voltou para o seu país (1932), que não o perdoava por seu afastamento e pelo seu – curto – idílio capitalista. E, agora, eram os tempos do obrigatório Realismo Socialista com seus filmes leves, saudáveis, enaltecedores da nova ordem social.

Tendo caído politicamente em desgraça, sua carreira parecia perdida quando, após ter-se penitenciado de seus filmes “formalistas”, recebeu a ordem de Stalin de filmar Alexander Nevsky, enaltecendo a vitória de Alexander sobre os Cavalheiros Teutônicos. Eisenstein realizou o filme em 1938. O objetivo de Stalin era que o filme se tornasse uma propaganda política para alertar os soviéticos contra o perigo nazista. Entretanto, como o filme fora lançado pouco antes do ditador firmar um pacto de não agressão com a Alemanha, a obra foi tirada de cartaz e arquivada. No entanto, em virtude do ataque da Alemanha à União Soviética em 1941, o filme foi relançado às pressas em todos os cinemas soviéticos. Como acontecera com Potemkin, Eisenstein havia realizado outra obra-prima, universalmente considerada como tal. Ao “reformado” Eisenstein foi-lhe entregue outro grandioso drama histórico – Ivan, o terrível, filmado no Cazaquistão, e cuja Parte I foi exibida em 1944, agradando a Stalin, que consentiu que se filmasse a Parte II. Mas esta desagradou ao ditador que reverteu sua opinião e o filme só pôde ser exibido em 1958, cinco anos após sua morte e dez depois da de Eisenstein, de ataque cardíaco, em Moscou, a 11 de fevereiro de 1948.

 

 
Sílvio Viegas, regência

É Mestre em Regência pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Com apenas 22 anos, foi agraciado com uma bolsa de estudos, indo estudar regência na Itália. Em 2001, ficou com o primeiro lugar no Concurso Nacional “Jovens Regentes”, organizado pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).  Sílvio Viegas tem uma ligação estreita com a dança, tendo dirigido, no Theatro Municipal do RJ, os ballets Giselle, Coppélia, O Quebra-Nozes e Carmen de Roland Petit. Tem atuação de destaque no meio operístico regendo óperas como Così fan Tutte, Le Nozze di Figaro e A Flauta Mágica de Mozart, Tiradentes de Manuel Joaquim de Macedo, La Bohème de Puccini, O Barbeiro de Sevilha de Rossini, Carmen de G. Bizet, Cavalleria Rusticana de P. Mascagni, Il Trovatore e Nabucco de Verdi, Romeu e Julieta de Gounod, Lucia di Lammermoor de Donizetti e Tosca de Puccini.

Esteve à frente das Orquestras Sinfônica Brasileira, Petrobras Sinfônica, Orquestra do Teatro da Paz, Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, Sinfônica de Minas Gerais, Filarmônica do Espírito Santo, Sinfônica do Paraná, Jazz Sinfônica de São Paulo, Sinfônica de Burgas (Bulgária), Sinfônica do Festival de Szeged (Hungria), Orquestra do Algarve (Portugal), Coro e Orquestra Sinfônica del Sodre (Uruguay) e Orquestra Sinfônica do Teatro de La Plata (Argentina), entre outras. Foi Diretor Artístico da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes de 2003 a 2005 e, atualmente, é o Maestro Titular da Orquestra Sinfônica da casa. É também Professor de Regência na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Entre suas apresentações na temporada 2012/2013 estão concertos com a Orquestra Sinfônica de Roma, Filarmônica do Amazonas e dois concertos dentro da Temporada Sinfônica da Arena de Verona, na Itália.

 

 

PROGRAMA

Música original: Dimitri Shostakovich, adaptação de Frank Strobel a partir de cinco sinfonias do autor:

– Sinfonia nº 4, op. 43
– Sinfonia nº 5, op. 47
– Sinfonia nº 8, op. 65
– Sinfonia nº 10, op. 93
– Sinfonia nº 11, op. 103

 

 

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