Escrito por em 4 mar 2015 nas áreas Crítica, Minas Gerais, Música sinfônica

Este sujeito era eu.


A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais abriu sua temporada de 2015 de casa nova: a Sala Minas Gerais. No repertório, a 2ª sinfonia de Mahler, com o soprano Edna d’Oliveira, a mezzo Edineia de Oliveira, o Coral Lírico de Minas Gerais e o Coro da Osesp. Todos regidos pelo diretor artístico da Filarmônica, Fábio Mechetti.

A seguir, 20 considerações minhas sobre este evento histórico. E mais abaixo um press release com as informações mais factuais.

Discursos de políticos devem ser limitados a 1 minuto cada.

Se há uma orquestra parte de sua comunidade, com concertos em cidades do interior, programas de formação de público e de valorização de novos compositores esta é a Filarmônica de Minas Gerais. Seja no campo social, seja no campo estético (se é que se pode separar isso), ela está na proa.

A Sala Minas Gerais é de arrojada arquitetura e recursos; reposiciona meu estado no universo cultural da América Latina.

Tudo bem a sala ser inaugurada antes de totalmente pronta. Mas poeira no chão do foyer e escadarias excede.

A acústica é incrível, uniforme e concede expressividade às mais diversas gradações de dinâmica.

Está aí uma sala de concertos inibidora de tosses. Será?

Será um trabalho de paciência “afinar” a sala com o padrão de sonoridade da orquestra. Quem dera todas as orquestras brasileiras tivessem esse tipo de “problema”…

Após anos de Palácio das Artes, finalmente consegui ouvir o som das cordas graves da harpa e dos contrabaixos.

Aliás, como estavam bonitas as articulações dos contrabaixos. E dos cellos também.

Aliás, como soaram coesas todas as cordas. Buy

Sempre há muitas oportunidades de melhoria no desempenho do naipe de trompas, especialmente na posição solista. Pills

Alexandre Barros é, hoje, o oboísta de maior musicalidade no Brasil.

Que visível o esmero da percussão em se adaptar à acústica da nova sala.

Todos os pequenos desencontros da orquestra foram perdoáveis.

O Coral Lírico e o Coro da Osesp juntos deixaram todos os presentes com a respiração suspensa. Equilíbrio perfeito, sonoridade quente, esmaltada.

O maestro Mechetti regeu de cor. Lembrando: estamos falando da 2ª de Mahler (90 min). the cheapest us online pharmacy

O Urlicht da mezzo Edineia de Oliveira atingiu um lirismo tão etéreo para sua voz tão dramática.

Depois do concerto, ouvi um pessoal comentar que teve um sujeito que gritou bravo antes do maestro baixar os braços no acorde final. Pills

Este sujeito deve ter ficado bastante entusiasmado.

Este sujeito era eu. online

 

ORQUESTRA FILARMÔNICA APRESENTA SALA MINAS GERAIS AO BRASIL

Aspecto da Sala Minas Gerais

Aspecto da Sala Minas Gerais

No coração da capital mineira, um espaço para o encontro entre a música, a Orquestra e seu público. Assim é a Sala Minas Gerais, a nova casa da Orquestra Filarmônica, feita exclusivamente para acolher e propagar a música de concerto. Duas apresentações especiais marcaram a abertura da Sala: a primeira, no dia 27 de fevereiro, para convidados; a outra, no dia 28, para o público, ambas às 20h30. Sob regência do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra dividiu o palco com a soprano Edna D’Oliveira, a mezzo-soprano Edineia de Oliveira, o Coral Lírico de Minas Gerais e o Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

No reportório, o Hino Nacional Brasileiro, de Francisco Manuel da Silva, e a emblemática Sinfonia nº2 em dó menor, Ressurreição, de Gustav Mahler.   Para o diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti, não existe uma grande orques­tra sem uma sala de alto nível acústico, item que possibilita a todos alta qualidade de escuta.

A sala será a casa da Filarmônica e o centro de irradiação de música sinfônica de alta qualidade para toda a cidade, o estado e o Brasil. Estamos muito animados e com a certeza de dar um salto artístico qualitativo importan­tíssimo para uma orquestra que, desde sua criação, há oito anos, tem a excelência como meta. A partir de agora, ensaiaremos e tocaremos no mesmo espa­ço, e, com isso, poderemos, finalmente, trabalhar articulação, balanço, equilíbrio etc.”, destaca o maestro, ao lembrar que apenas em circunstâncias acústicas adequadas é possível implementar técnicas de per­formance orquestral e mostrar toda a inten­sidade da Filarmônica.

Aspecto da Sala Minas Gerais

Aspecto da Sala Minas Gerais

A Sala Minas Gerais surge não apenas como espaço de concertos, mas como ambiente capaz de fomentar a cultura belo-horizontina e transformar a capital mineira em um polo da música sinfônica mundial. Com a acústica em evidência, a excelência permite que orquestras de renome mundial estejam à disposição do público, de maneira a proporcionar intercâmbios musicais e experiências sonoras inéditas – sempre com valores acessíveis. O investimento na construção da Sala foi de R$ 179.549.489,22.

O secretário de estado de Cultura, Ângelo Oswaldo, afirma que “o governo de Minas Gerais se empenha em concluir as obras da grande sala de concertos e das sedes da Rede Minas e da Rádio Inconfidência. A sala está em condições de acolher a temporada 2015, que prenuncia um ano de apresentações admiráveis Order .” Já para o presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, “é com orgulho que vemos a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais iniciar a temporada 2015 em sua nova sede, a Sala Minas Gerais. Este é um dos mais modernos espaços de concertos do Brasil, comparável aos melhores exemplos do mundo. Projetada sob os mais rigorosos critérios acústicos e com ambientes adequados para ensaios e guarda de instrumentos, a Sala amplia a capacidade de atuação da Orquestra e de seus programas educativos que visam à formação de público. O espaço também será palco para outras grandes orquestras internacionais. Temos a certeza de que esse investimento da Codemig, ao projetar Minas no cenário mundial da música sinfônica, impulsionará a arte, a cultura, o turismo e o desenvolvimento de nosso estado.”

 

Sala Minas Gerais

Desejada desde a criação da Orquestra Filarmônica, a Sala Minas Gerais começou a ser projetada em 2013 e foi desenvolvida em duas fases. A primeira delas, por uma equipe coordenada pelo arquiteto José Augusto Nepomuceno e formada por profissionais de referência mundial em acústica, a exemplo dos norte-americanos Christopher Blair, Paul Scarbrough e Anthony Nittoli, e do brasileiro Júlio Gaspar – responsáveis pela concepção arquitetônica e acústica do espaço musical e de escuta sensível. Nepomuceno explica tratar-se de um espaço de concertos que funciona, efetivamente, como um instrumento da Orquestra: “A Sala é propícia à interação com o público, ao crescimento e à maturidade musicais. Afinal, as orquestras estão intimamente relacionadas às suas sedes online ”.

O estudo conceitual do projeto durou oito meses e envolveu programa espacial, áreas e volumetrias básicas. A partir de então, os arquitetos Jô Vasconcellos e Rafael Yanni puderam desenvolver a estrutura arquitetônica externa da Sala Minas Gerais e a consolidação do complexo cultural, o que inclui a organização dos espaços e dimensionamentos. Após essa fase, uma equipe de engenharia detalhou os projetos.

Ao contrário de muitas concepções de acústica, que se adaptam a partir da arquitetura já existente, na Sala Minas Gerais o processo foi inverso. Nela, a arquitetura e a acústica são um único partido de projeto. “Se não fosse assim, seria quase como chamar o luthier para definir apenas o verniz do instrumento” online , acrescenta Nepomuceno. Para chegar à acústica ideal, foram consideradas questões como o dimensionamento da área do palco para acomodar a Orquestra – o que não é limitado à área ocupada pelos músicos sentados, mas pelo espaço acústico que os envolve.

Também foi avaliado o modo como a plateia se desenvolveria ao redor do palco, por meio do planejamento de vários temas em conjunto: visibilidade, envolvimento, acústica, percepção espacial, luz. As simulações nos modelos acústicos foram realizadas na Inglaterra e lideradas por Michael Barron, um dos principais pesquisadores sobre comportamento acústico em salas de concerto em todo o mundo.

A equipe também avaliou salas de concertos em outros lugares, identificando erros e acertos em países como Estados Unidos, Noruega, Japão, Inglaterra e Alemanha.  O projeto incorporou características das consagradas salas em forma de “caixa de sapatos”, como a Boston Symphony Hall, a Musikverein de Viena, a Sala São Paulo, e em terraços ou surround, como a Philarmonie, em Berlim, dentre outras. A Sala Minas Gerais, no entanto, é única em seu desenho final. “Esse projeto nasceu de um desejo de traduzir, na arquitetura, a vitalidade e a expressão da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Não queríamos uma solução congelada, conhecida, repetida ou até mesmo banalizada”, completa o coordenador do projeto, José

Augusto Nepomuceno.

 

Tecnologia de ponta

As instalações da Sala Minas Gerais incluem tecnologia avançada, planejada para o conforto, praticidade e qualidade acústica. Sobre o palco, há um difusor acústico móvel, com motores projetados e fabricados na Áustria, com, aproximadamente, 21 toneladas. Pendurado por cabos de aços, ele pode variar a altura conforme a necessidade de ajustes acústicos. Além disso, um conjunto de motores de carga pontual, também produzidos na Áustria, foi instalado para que seja possível suspender varas, treliças, telas de projeção e outros elementos de apoio nas apresentações.

Outra tecnologia utilizada veio dos Estados Unidos, onde estão os principais fabricantes responsáveis por equipar as mais importantes salas de concertos do mundo. Trata-se de bandeiras acústicas motorizadas, que servem para variar a absorção acústica do local. Quando elas não estão em uso, permanecem recolhidas acima do forro da Sala. O palco conta com dois elevadores de correntes enrijecidas, para variação de altura dos músicos, permitindo um trabalho mais cômodo e preciso de organização da Orquestra no palco.

A Sala é servida por um completo sistema de iluminação cênica. E conta com completa e sofisticada infraestrutura para gravação de áudio e vídeo. A estrutura da edificação tem 32.464 m2 e inclui diferentes setores. A área pública é conformada por amplos e convidativos foyers, um a cada nível. São, ao todo, três níveis de acesso à Sala. Cada foyer tem pelo menos um café e toaletes masculino e feminino. Até o término de todas as obras do Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, onde a Sala Minas Gerais está inserida, a entrada do público será pela rua Tenente Brito de Melo, 1090.

O acesso para o estacionamento, atualmente com 360 vagas para carros, 12 motos e 12 bicicletas, será pela rua Alvarenga Peixoto.  Já a área da Orquestra é compreendida pela sala de concertos, com 1.477 lugares, bem como pelos bastidores. A partir de agora, a Filarmônica conta com uma sala de ensaios para a Percussão e duas para os demais naipes, além de sala de pianos com climatização especial. Ligando o foyer principal aos bastidores, há um salão de recepções, internacionalmente conhecido como Green Room, que permitirá à Filarmônica organizar palestras sobre repertório antes dos concertos, assim como receber o público que queira cumprimentar os músicos e comentar o concerto recém-apreciado.

Os espaços de apoio, como sala de instrumentos e camarins – quatro coletivos, cinco individuais e dois no backstage, todos com iluminação e ventilação naturais –, estão no mesmo nível do palco. O setor administrativo da Orquestra está um andar abaixo do nível do palco e possui entrada independente. A Sala Minas Gerais conta também com área técnica, que inclui desde salas de controle e gravação até oficinas, com acesso restrito aos técnicos da Filarmônica. O Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, além da Sala Minas Gerais, abrigará o edifício sede da Rede Minas e da Rádio Inconfidência, um restaurante e uma praça de convivência com jardins e café gazebo.

Todo o complexo possui 41.258,03 m², e sua localização, a apenas um quarteirão do cruzamento das avenidas Amazonas e Contorno, conta com a parada de cerca de 30 linhas de ônibus ligando os mais diferentes pontos da cidade. “Ao desenvolvermos os projetos arquitetônicos que compõem o Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, quisemos criar espaços acolhedores, capazes de proporcionar prazer, conforto e convivência, tanto na chegada, durante a permanência, como na saída. Visamos um projeto que possa trazer para o lugar e seu entorno melhor qualidade ambiental e estética. Por isso, público em geral e equipes da Filarmônica, Rede Minas e Rádio Inconfidência, ao final de todas as obras, contarão com diversos ambientes aptos a ampliar as experiências culturais ali vivenciadas”, destacam os arquitetos autores dos projetos do Centro de Cultura, Jô Vasconcellos e Rafael Yanni.

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