Escrito por em 27 maio 2015 nas áreas Entrevista, Lateral

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O diretor artístico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, de Belém, adianta novidades da programação.

O entrevistado Mauro Wrona é nascido em São Paulo onde efetuou seus estudos musicais com Marcel Klass, transferindo-se para Barcelona em 1978, onde iniciou a sua carreira lírica como tenor, tendo colaborado por três anos com o Royal Theatre de La Monnaie de Bruxelas, e posteriormente em outros importantes teatros europeus e brasileiros. De volta ao Brasil em 1997, iniciou intensa atividade na direção cênica de óperas.
Graduou-se em regência pela FASM, é coordenador do Ópera Estúdio, da Emesp. Trabalhou também como assessor artístico e diretor cênico residente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (2000-2001). Dirigiu em 2001, nesse mesmo teatro, a série Ópera do Meio-Dia, repetida no Theatro São Pedro/SP (2005-2008). Já há cinco edições é diretor artístico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, destacando-se a sua direção cênica em várias produções de óperas,  entre elas: Orfeu no inferno, de Offenbach; Viva la Mamma, de Donizetti; Der Freischütz, de Weber; A Flauta Mágica e Così fan tutte, de Mozart; Tosca, de Puccini; Salomé, de Strauss; Il Trovatore e Otello, de Verdi. Dirigiu também O menino e a liberdade, de Ronaldo Miranda, em estreia mundial, para o Theatro São Pedro.
 

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Movimento.com – Como vê as expectativas do público de Belém e do Pará com relação ao Festival de Ópera enquanto realização anual e permanente?


Mauro Wrona – A receptividade do público paraense ao festival é enorme e muito vibrante. Quando a bilheteria é aberta, as entradas se esgotam em poucas horas. D
evido à sua continuidade e qualidade, o Festival já é uma “celebração” cultural da cidade. Creio, porém, que deveria sair dos limites do teatro, como o concerto final ao ar livre, mais popular e abrangente.
Gostaria de levar espetáculos que estreamos no Theatro da Paz para outros municípios do Pará, onde existe grande demanda cultural, mesmo adaptados em espaços alternativos. É importante tornar os bens culturais mais acessíveis a toda a população do estado, criando assim um processo de formação de público. De todas as formas, o empenho da Secretaria de Cultura do Estado é notável, tendo em vista a grande crise que atravessamos, sobretudo no setor da cultura.

Movimento.com – Sabemos que a valorização do artista nacional é fundamental nesse Festival, envolvendo cantores,  maestros e regisseurs (diretores de cena),  iluminadores, coreógrafos, cenógrafos e figurinistas. Comente, se possível,  a participação de alguns destes.

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Mauro Wrona – Privilegiamos o artista nacional, pois é muito importante que os profissionais que trabalham com ópera no nosso país, tenham seu espaço. Nos últimos 25 anos, a ópera no Brasil  se desenvolveu com certa autossuficiência. Isto gerou uma nova leva de profissionais competentes, que contribuíram muito para a divulgação do gênero. Gilberto Chaves, com quem tenho a honra de dividir  a direção do Festival, incentiva, sobretudo, o artista paraense. São já vários cantores que se desenvolveram com o seu apoio, dando a oportunidade de se apresentar em concertos e óperas no teatro belenense, desde o início de suas carreiras. Só para citar: Atalla Ayan, Carmen Monarca e Adriane Queiroz, entre outros.

Também convidamos artistas, como o diretor e iluminador Caetano Vilela, que obteve grande sucesso na direção de O Navio Fantasma, de Wagner, e um singular e criativo Mefistófele, de Boito. Duda Arruk, minha parceira em sete montagens, indicada como a melhor cenógrafa de ópera pelo cenário de Otello, de Verdi, no Festival do Theatro da Paz em 2014, foi também uma grande revelação. Zampieri como diretor de cena da “Cavalleria Rusticana”. Nestes últimos quatro anos, os maiores nomes da arte lírica brasileira passaram pelo palco do da Paz: Eliane Coelho, Denise de Freitas, Fernando Portari, Leonardo Neiva, Rodolfo Giugliani, Laura de Souza, Sávio Sperandio, Luciana Bueno, Silviane Bellato, Erick Herrero, Rodrigo Esteves, os paraenses citados acima e vários outros. Perdão se me esqueço de alguém.  
Passagens importantes foram também o diretor de cena Iacov Hillel, com um iluminado de Elisir d’Amore, os maestros Sílvio Viegas, Jamil Maluf, Emiliano Patarra e Carlos Moreno, e os figurinistas Fábio Namatame e Elena Toscano. Quando se trata de obras com vocalidade muito específica, como foi o caso de Salomé, Trovatore e Otello, convidamos a cantora holandesa Anne Marie Kremmer (numa interpretação de tirar o fôlego), e o tenor italiano Walter Fraccaro. É sempre enriquecedor a troca de conhecimentos com profissionais de outros países.
Também apostamos nos novos talentos, como foi o caso de Josy Santos (Pajem em Salomé),  Gabriella Rossi (Desdemona em Otello) e Camila Titinger, que será Leila na nova produção de Os Pescadores de Pérolas, em setembro.

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Movimento.com – Quais são os títulos escolhidos para compor o Festival 2015?

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Mauro Wrona – Abriremos o Festival com um concerto lírico com as grandes cantoras Eliane Coelho e Denise de Freitas, no dia 7 de agosto. Na ocasião, terei o prazer de reger a OSTP, em um repertório que vai de Bellini a Wagner, com duetos de Norma, Gioconda, Aída e Contos de Hoffman Order , e árias de Macbeth, Samson et Dalila, Tannhäuser, Carmen Pills , Andrea Chenier, Madama Butterfly, Lucrezia Borgia, I Puritani e Semiramide. Formei-me em regência há alguns anos atrás e fiquei lisonjeado com o convite feito por Gilberto Chaves e pelo M. Miguel Campos Neto.
Dia 8, faremos uma masterclass ministrada por Eliane Coelho.

Nos dias 17, 18 e 19, estreia, na Igreja de Santo Alexandre, a ópera A Ceia dos Cardeais, de Iberê de Lemos, compositor paraense, falecido na década de 1960, levada até agora só em forma concertante. A direção cênica será minha e a regência será de Carlos Moreno. Os três solistas são Paulo Mandarino, Inácio de Nono e Carlos Eduardo Marcos. No dia  da estreia, haverá uma palestra de Mauro Chantal, grande conhecedor da obra.

Haverá um concerto de cantores paraenses dia 3 de setembro.

Dia 9 de setembro, estreia Os Pescadores de Pérolas, de Bizet, dirigida pelo premiado cineasta Fernando Meirelles. Os solistas serão Camila Titinger, Fernando Portari, Leonardo Neiva e o paraense radicado em São Paulo, José Maria Cardoso. A regência será do jovem e talentoso maestro paraense, Miguel Campos Neto, titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz. Os Pescadores terá três récitas, nos dias 11, 13 e 15.

No dia 14 de setembro haverá um concerto de Carmen Monarca e, no dia 19, nosso tradicional concerto de encerramento ao ar livre.

Movimento.com – Qual a sua opinião sobre um possível intercâmbio de produções líricas entre os teatros brasileiros, que não vem ocorrendo, considerando-se a diversidade do  nosso país?

Mauro Wrona – Na edição de 2012 do nosso festival, foi-nos gentilmente cedida pelo Theatro Municipal de São Paulo a belíssima produção de João e Maria buy celoxib , de Humperdinck. Tivemos apenas que restaurar algumas peças do cenário. Creio que a resistência  dos dirigentes e a necessidade de propriedade da criação, impede este intercâmbio.

Fizemos uma belíssima e comentada produção de Salomé. Essa ópera foi levada em duas novas produções no ano seguinte. Cada um quer fazer a sua.
O mundo da ópera no Brasil já é minúsculo e isolado. A ópera não é popular, por mais que afirmemos o contrário. Quantas vezes se veem críticas ou matérias sobre óperas nos principais jornais? Se não fossem pelas  estações especializadas, como a rádio Cultura de São Paulo, por exemplo, ouve-se ópera no rádio? Na televisão? Em vídeo clipes?
Todos nós conhecemos neste meio, mas cada um é uma ilha soberana. Não creio que a diversidade entre norte e sul seja o motivo. É claro que os palcos de Manaus e Belém são de menor tamanho que os Municipais do Rio, de São Paulo ou de Belo Horizonte, mas não existe a vontade, nem política e nem artística, para tais intercâmbios. Felizmente temos estes informativos cibernéticos que nos dão a oportunidade de falarmos um pouco a respeito.
Algumas coproduções, ou mesmo produções de outras cidades foram remontadas no Palácio das Artes, de Belo Horizonte. Lembro também que Manaus remontou e trouxe algumas produções para São Paulo, mas todos poderíamos  fazer muito mais. Seria ideal a cessão de produções entre os teatros, com um aluguel justo. Ou também  restaurações de produções, pois gastam-se quantias descomunais para que tudo apodreça nos galpões das centrais técnicas dos teatros, geralmente mal acondicionadas.

Quem sabe um dia se estabelecerá este “corredor cultural” tão almejado, e para o qual inúmeras reuniões foram feitas anos atrás.
 
Matéria cedida pelo blog Ópera & Ballet

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