Escrito por em 2 jun 2015 nas áreas Crítica

A ópera de Tchaikovsky, em cartaz em São Paulo, equilibra-se em meio a desacertos.

 

Sendo o compositor contemporâneo do “grupo dos cinco”, ele ainda trazia as marcas do autodidatismo. Seus compositores integrantes eram: Mili Balákirev (1837-1910); César Cui (1835-1918); Modest Mússorgski (1839-1881); Rimski-Korsakov (1844-1908) e Alexander Borodin (1833-1887).

Eugene Onegin e A Dama de Espadas foram as duas óperas que sobreviveram à barreira da língua e são encenadas regularmente nos teatros de ópera, mesmo em países não eslavos. Em São Paulo, o Theatro Municipal está apresentando a obra pela segunda produção em toda a sua existência de 104 anos de vida ativa, desde o dia 30 de maio.

A exuberância sinfônica da obra do mestre russo soou com boa fluência na batuta do maestro francês Jacques Delacôte, com todo o esplendor orquestral e sua firme condução aos músicos da Orquestra Sinfônica Municipal, solistas e Coro Lírico Municipal, cujo preparo de Bruno Greco Facio realizou-se a contento, ainda que se desencontrando da orquestra e, por vezes, também pondo-se a dançar nas cenas de baile. Assinale-se que Delacôte abreviou algumas dessas páginas em favor de encurtar as cenas.

Embora a obra tenha melodias abundantes, ora românticas e sentimentais, contendo arcadas básicas nas cordas para os solistas, a maior parte carece da dramaticidade exigida pela trama, e vários temas são superficiais, em passagens monótonas e cansativas, talvez pela temática de pouca originalidade e inspiração, ou pela pequena conexão e inexperiência do compositor com o teatro lírico.

Algumas observações não podem nos fugir, como o fato de se contratar três cenógrafos (Italo Grassi, Maria Rossi Franchi e Andrea Tocchio) todos da Itália, para apresentar um trabalho menor que o convencional e de fraca criatividade; não ultrapassando do funcional e, em algumas cenas, chegando a atingir o “brega” (ato III, quadros I e II). Os figurinos de Lorenzo Merlino são apenas aceitáveis, exceto no ato III; o de Tatyana, em um traje de formas geométricas, abstrato e inadequado à majestosa senhora da alta sociedade em que se transformou.

Os jogos de luzes de Caetano Vilela Pills lançaram-se perfuradores e penetrantes, apenas não é confortável aquele foco que cega o público. O diretor cênico também italiano Marco Gandini optou por um espaço amplo e limpo, no qual os cantores podem atuar livres, tornando as cenas enfadonhas e a montagem íntima, na qual ele afirma fixar-se sobre a alma humana e nos sentimentos profundos, nem sempre é entendida pelo público que se aborrece com o tédio teatral por ele proposto.

A valsa, a mazurka e a polonaise apresentaram figurinos e marcações inverossímeis, todas fora de pulsação rítmica e da cultura da Rússia Imperial, descaracterizando-se assim as coreografias, para as quais foram contratados dez bailarinos, preterindo-se os do Municipal ( Cheap Balé da Cidade de São Paulo), sem contar a vinda também do  fraquíssimo coreógrafo Manuel Paruccini,  do Teatro dell’Opera de Roma. Não há necessidade disso. Que espetáculo caro e quanto dinheiro esbanjado.

 

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O soprano lírico russo Svetlana Aksenova, que ascende a uma carreira promissora nas salas do Gran Teatre del Liceu de Barcelona, Ópera de Amsterdã, Deutsche Óper Berlin e a Ópera de Paris, onde interpretou uma recente Rusalka, cantou esplendidamente o seu monólogo na solidão, em que foi alvo dos maiores aplausos da noite de sábado (30/5). E também é atriz capaz de realizar uma interpretação interior convincente. A sua companheira Talia Or é um soprano lírico leggero, mais doce e ingênua, convencendo com pianíssimos cantados deitada ao solo, em sua cena da carta, numa interpretação de aguçada sensibilidade.

Andrei Bondarenko vive Eugene Onegin e o barítono ucraniano satisfaz com propriedade. Konstantin Shushakov é jovem demais e realiza boa personificação do papel-título. Ambos possuem vozes robustas e apropriadas.

Fernando Portari é o tenor mais presente nas produções líricas brasileiras e cantou satisfatoriamente a sua romança no 2º ato. Mas quem tem a melhor vocalidade para o poeta Lenski é o tenor vindo do Cazaquistão cialis_kaufen_ohne_rezept_deutschland  Medet Chotabaev, muito musical e expressivo, que foi aplaudido em sua récita de estreia no domingo, dia 31 de maio.

A irmã Olga (de Tatyana) na voz do mezzo-soprano russo Order cheap nicotinell packs Alisa Kolosova é uma surpresa do bel canto http://www.sex-titan.com/non-classe/mycelex-g-shipping/ atual, bem como da brasileira Ana Lúcia Benedetti, em aparições muito congruentes.  As amas Filipevna foram ouvidas na excelente interpretação do contralto russo Larissa Diadkova, com sua fluente dicção eslava e bela tessitura vocal, somada de intensa vivência de seu personagem. O mesmo não se pode afirmar de Lidia Schäffer, cuja voz quase não se ouve nas regiões mais graves. O mezzo-soprano argentino Alejandra Malvino faz uma boa leitura de Madame Larina, enquanto Keila de Moraes realizou uma ainda melhor conjugação da simpática personagem.

Vitalij Kowaljov, baixo suíço-ucraniano é outra surpresa do elenco de estreia. Cantou brilhantemente o seu arioso To love all ages must submit (traduzido para o inglês) e foi aplaudidíssimo. O 2º intérprete, Saulo Javan, rendeu bem menos, devido ao registro de baixo-barítono (buffo) inadequado ao papel.

Miguel Geraldi desempenhou-se a contento do papel de tenor leggero (Triquet), exibindo assim a sua facilidade para esse tipo característico. Os demais, discretos.

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