Escrito por em 27 set 2015 nas áreas Artigo, Balé/Dança, Canto, Crítica, Festival, Lateral, Ópera

HA? muitos anos, da A?ltima semana de junho ao final de julho, tem lugar em Munique, a capital da Baviera. Purchase

O Festival de A�pera de Munique A�A�um dos festivais de A?pera mais relevantes, dentre os melhores existentes. Financiado por uma combinaA�A?o de verbas pA?blicas e contribuiA�A�es de muitas empresas do setor privado e de particulares, A� do mais alto nA�vel de qualidade, e A� dos mais diversificados.

O festival se realiza nos trA?s teatros mais tradicionais da cidade: no Teatro Nacional, que data do sA�culo 19, e A� a sede da Opera Estadual BA?vara; no Teatro PrA�ncipe Regente, construA�do no inA�cio do sA�culo 20; e no Teatro CuvilliA�s, um teatro da corte do sA�culo 18. TambA�m em mais algumas salas especiais.

Com A?nfase na A?pera,A�o festival oferece tambA�m espetA?culos de balA�, concertos de mA?sica de cA?mara, recitais de canto, A?pera para jovens, A?peras de vanguarda, palestras introdutA?rias, workshops, congressos, e premieres nacionais e internacionais.

As A?peras apresentadas desta vez foram Don Carlo (Verdi), Eugen Oneguin (Tchaikovsky), Lucia de Lammermoor e Roberto Devereux (ambas de Donizetti), Madama Butterfly e ManonA�Lescaut (ambas de Puccini), online TristA?o e Isolda (Wagner), on line viagra super active Elektra, Arabella, A mulher calada (as trA?s de Richard Strauss), Norma (Bellini), Pills O caso Makropulos (Leos JanA?cek) e Order PellA�as et MA�lisande (Debussy). De todas elas, eu sA? tive a oportunidade de assistir A�s cinco A?ltimas da listagem.

Foram oferecidos dois recitais de canto: o do tenor Pavel Breslik, e o da soprano Edita Gruberova. Consegui assistir aos dois. Cinco balA�s integraram a programaA�A?o: Oneguin (John Cranko/Tschaikovsky); Paquita (Petipa/vA?rios compositores); http://novianto-pn.mhs.narotama.ac.id/2018/02/02/cheap-levitra-drugs/ O BalA� TriA?dico (Oskar Schlemmer e Gerhard Bohner/mA?sica de H. J.A� Hespos), e A SagraA�A?o da Primavera (Mary Wigman/Igor Stravinskt).

SA? consegui assistir ao Oneguin. O libreto de Hugo von Hofmannstahl para Arabella, versa sobre a famA�lia do Conde Waldner, da alta sociedade vienense, que estA? A� beira da ruA�na. O pai, jogador, perdeu tudo, e a A?nica esperanA�a A� encontrar um marido rico para a filha mais velha, a bela e cortejada Arabella. O candidato ideal A� o recA�m-chegado estrangeiro Mandryka. Os dois se apaixonam, mas no baile de despedida de solteira, hA? um mal entendido e Mandryka, suspeita, sem razA?o, da fidelidade de Arabella. Depois de muito labor, o mal entendido se desfaz. Mandryka A� perdoado por Arabella, e o casamento se realiza.

A brilhante direA�A?o de Andreas Dresen, A?gil, inventiva, contou com um excelente elenco, do qual se destacaram os protagonistas Anja Artero e Thomas J. Mayer. Excelente regA?ncia de Philippe Jordan. Destaque especial para o cenA?grafo Mathias Fischer-Dieskau (filho do barA�tono), que criou um complexo conjunto de escadarias ondulantes, intercruzadas, que simbolizam claramente a ascensA?o, a queda e a reascensA?o na escala da vida social.

O libreto de Stefan Zweig para A mulher calada, inspirado na peA�a de Ben Johnson The Silent Woman, escrita em 1609,A� fala de Sir Morosus, solteirA?o rico que nA?o tolera ruA�dos, nem mA?sica. Ele quer casar com uma mulher que seja calada. Nisso, chega seu sobrinho, que A� cantor, acompanhado de uma barulhenta companhia de A?pera. Deserdado por essa razA?o, ele conta com a ajuda do barbeiro de Morosus para encontrar uma noiva de mentira para um casamento falso, que serA? seguido por um divA?rcio igualmente falso. Tudo isso para terem acesso ao dinheiro de Morosus.

Eles conseguem seu intento, a noiva calada vira uma megera, os cantores ruidosos voltam, para tormento de Morosus. Agora ele quer divA?rcio. Depois de muita confusA?o, causada por personagens extravagantes, Morosus se corrige com bom humor, reconcilia-se com a companhia de A?pera, e consegue paz.

O espetA?culo, dirigido por Barrie Kosky, A� esfuziante, movimentado, muito colorido com os cenA?rios e figurinos de Esther Bialas, direA�A?o musical segura e dinA?mica de Kent Nagano da complexa partitura de Richard Strauss, e um excelente elenco de cantores-comediantes, dos protagonistas aos coadjuvantes.

A nota marcante na produA�A?o de Norma foi a atuaA�A?o da soprano norte-americana Sondra Rodvanovsky, um nome em evidA?ncia hoje em muitos paA�ses. Voz robusta e redonda de soprano dramA?tico, sonora e rica em modulaA�A�es, legatos fluentes, bem colocada e projetada. Sondra A� tambA�m atriz de muitos recursos, e tem presenA�a de palco majestosa. A Adalgisa da mezzo russa Ekaterina Gubenova tem muitos dotes, e esteve A� altura de Sondra. Seus timbres combinam com harmonia. Todo o elenco, aliA?s, projetou alto nA�vel vocal e de atuaA�A?o.

JA?rgen Rose foi o encenador, cenA?grafo, figurinista e iluminador. Esse fato deu unidade ao espetA?culo, sA?lido e tradicional, adequado ao drama que se passa na antiguidade. Excelente a regA?ncia de http://azone.greglane.me/purchase-anafranil-10mg/ Paolo Carignani, que soube tirar partido da bela partitura de Bellini, e trabalhou muito bem em consonA?ncia com os cantores.

O intricado enredo de O caso Makropulos gira em torno de um processo litigioso entre duas famA�lias, hA? quatro geraA�A�es, por uma grande heranA�a, mas nA?o se resolve por falta de testamento. A famosa cantora Emilia Marty, sabe, porA�m, onde ele estA?, mas impA�e suas condiA�A�es. Sedutora, ela atrai pais e filhos das famA�lias implicadas, mas os rejeita a todos. Contudo, em troca de um favor sexual frio, ela consegue o testamento e o documento que contA�m a receita do elixir da longa vida sem envelhecer, criado por seu pai, um alquimista grego, que foi obrigado a fazA?-la tomar, para provar que nA?o era veneno. O elixir deu certo, e ela nasceu em Creta, em 1595. A fA?rmula valia por 300 anos, e comeA�ava a expirar.

Ela queria recuperar e conseguiu a receita, para usA?-la de novo. Mas, em vista de tantos desenganos e de sua solidA?o ela desiste, e decide passar a receita para uma jovem e ambiciosa cantora, que A� aconselhada pelos demais personagens a nA?o usA?-la. Seu nome era, de fato, Elina Makropulos, e ela foi mudando de nome e de cidades, para nA?o levantar suspeitas, mas sempre conservando as iniciais E.M. Ela revela ser ancestral do beneficiado de grande parte da heranA�a, e morre, dizendo o Padre Nosso em grego.

A?rpA?d Schilling http://casasdelpuerto.com.ar/?p=13477 , o diretor do fascinante espetA?culo combinou, com acertados resultados, elementos reais e surreais,A� usando o palco em todas as suas dimensA�es. A mA?sica de JanA?cek e o libreto de sua autoria, baseado numa peA�a teatral de Karel Capek, foram executados com vigor, e cantado no original tcheco, com legendas em alemA?o. A orquestra do Teatro Nacional BA?varo A� de alto quilate.

Do elenco, homogA?neo e excelente, destacou-se muito Nadja Michael, uma inesquecA�vel Elina. A direA�A?o musical de TomA?s Hanus foi feita com grande empenho e com mergulho fundo na partitura e na interaA�A?o com os cantores.

Em PellA�as et MA�lisande, Debussy baseou seu argumento na peA�a teatral homA?nima de Maurice Maeterlinck. Perdido na floresta, Golaud, neto do Rei Arkel conhece MA�lisande. Embora insegura ela o segue, e eles se casam. Golaud informa seu meio irmA?o PellA�as, por carta, do casamento. PellA�as, que ia visitar um amigo doente, A� aconselhado a nA?o ir. MA�lisande se queixa com a sogra GA�neviA?ve sobre o clima pesado de sua nova casa. Brincando com PellA�as, MA�lisande perde o anel de casamento. Golaud, acidentado na queda de um cavalo, volta para casa e vA? MA�lisande sem o anel. Ele a obriga a procurA?-lo e o achar, com a ajuda de PellA�as. Na busca, os dois se dA?o conta de que sentem atraA�A?o mA?tua. Golaud os surpreende e desconfia de que hA? um caso entre eles.

Ele ordena a PellA�as que se afaste de sua mulher, e diz que ela estA? grA?vida. Golaud contrata um espia, que nada constata. Depois, os irmA?os vA?o A� procura do anel e nA?o o acham. PellA�as anuncia sua partida a MA�lisande, e os dois admitem seus sentimentos. Golaud os surpreende, e por ciA?me, mata PellA�as. MA�lisande adoece gravemente e Golaud quer saber dela o que houve entre os dois. MA�lisande morre sem nada dizer, e Golaud A� consolado pelo avA?. A A?pera termina, com o mistA�rio pairando no ar.

Apesar de certa semelhanA�a com o TristA?o e Isolda, Debussy seguiu caminhos musicais muito diferentes, e o regente Constantinos Caryadis transmitiu toda a beleza lA�rica da partitura.A� A diretora Christiane Pohle optou por cenA?rios e figurinos contemporA?neos, muito bem concebidos por Maria Alice Bahle e Sara Kittelmann. A atmosfera lA�rica e poA�tica da obraA� foi mantida, e os cantores-atores bem dirigidos. Decisiva foi a iluminaA�A?o deA�Benedikt Zehn. Do excelente elenco, destacaram-se os protagonistas: Elena Tsellagova e Elliot Madora, nos papA�is-tA�tulos e Markus Erine, como Galaud.

Em Oneguin, o saudoso John Cranko concebeu sua coreografia baseado no poema de Pushkin, como fez Tchaikovsky em sua A?pera. Cranko usou mA?sica de vA?rias obras de Tchaikovsky para criar uma narrativa danA�ada, sintA�tica, essencial. O resultado foi A?timo, tambA�m graA�as ao alto padrA?o dos solistas e do conjunto do BalA� Estadual BA?varo. Um senA?o: a divisA?o do espetA?culo em trA?s atos de meia hora cada, com longos intervalos, quebrou, de certa forma, a fluA?ncia da aA�A?o. Mas nA?o chegou a prejudicar o todo.

Os dois recitais de canto foram primorosos. O tenor Pavel Breslik, de Bratislava, tem todas as qualidades imaginA?veis de um grande recitalista. No seu programa, canA�A�es de Schubert, Tchaikovsky, Rachmaninov e Richard Strauss. O multipremiado pianista israelense Amin Katz soube sublinhar todos os matizes da voz do tenor.

Para encerrar, a grande surpresa foi o aguardado recital da jA? lendA?ria Edita Gruberova. Seu substancioso programa reuniu canA�A�es de Tchaikovsky, Rimski Korsakov, DvorA?k, Richard Strauss e Gustav Mahler, alA�m de A?rias de A?peras como extras. Aos 70 anos, ela estA? de plena posse de todas as suas dimensA�es de grande diva. Ao piano, o excelente Peter Valantovic. Os dois nasceram e cresceram em Bratislava.A� Uma noite memorA?vel.

O pianista Peter ValentoviA? e a soprano Edita Gruberova (direita) apA?s recital

O pianista Peter ValentoviA? e a soprano Edita Gruberova (A� direita) apA?s recital

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