Escrito por em 4 jan 2016 nas áreas Crítica, Lateral, Música sinfônica

Um certo entusiasmo…

Escrevo com algum atraso para resenhar um dos concertos mais interessantes da temporada 2015 da Orquestra FilarmA?nica de Minas Gerais. Com regA?ncia do titular FA?bio Mechetti, o conjunto apresentou o Divertimento, de AndrA� Mehmari; o Concerto 1A? para Cello, de Shostakovich; e a 1A? Sinfonia, de Mahler (a�?TitA?a�?).

Mehmari compA?s sua obra por encomenda da prA?pria orquestra. Foi a estreia de Divertimento. E ele esteve lA?, nas primeiras fileiras da Sala Minas Gerais. Regeu mentalmente sua mA?sica e reagiu a todo o vigor rA�tmico com pequenos movimentos na cabeA�a e nas mA?os. AndrA� A� um mA?sico jovial, do seu tempo, que catalisa influA?ncias do popular, do jazz e do erudito de modo mais elaborado, sem incorrer no ecletismo fA?cil a�?meio casaca, meio sapato bicolora�?. Nesse sentido, Divertimento perpassa todos os afetos estA�ticos do compositor; o resultado nA?o A� uma colcha de retalhos, mas uma matriz hermA�tica como discurso e livre como forma, com tratamento harmA?nico e rA�tmico capaz de despertar curiosidade em relaA�A?o ao que se ouvirA? no compasso seguinte.

AntA?nio Meneses… isso por si jA? basta. Interpretando um concerto cA�lebre com seu Gagliano do sA�culo 18 A�, entA?o, um privilA�gio renovado. E com que densidade emocional ele ataca Shostakovich, quase possesso por fazer realA�ar todo o carA?ter da mA?sica russa. A� uma torrente de cores e acentuaA�A�es que tem como pontos altos a dolorosa cadA?ncia e o movimento final, a�?eslavoa�? por natureza. No bis, claro… Bach, quando o mundo suspende a respiraA�A?o por quatro ou cinco minutos…

Veio a TitA?. RazA?o de afirmaA�A?o de uma orquestra, A?vida por buscar um padrA?o de sonoridade capaz de chamar de seu. AliA?s, foi este 2015 o rito de passagem de uma orquestra adolescente para uma orquestra definitivamente madura. Obviamente, pelo trabalho esmerado de Mechetti e de seus mA?sicos. Mas aA� destaco dois pontos: 1) a nova sala de concertos da FilarmA?nica, com sua beleza, funcionalidade e inspiraA�A?o; 2) a realizaA�A?o de um Ciclo Beethoven, ao qual nenhuma orquestra que se preze emancipada pode desconhecer.

Mas voltando a Mahler, o que se ouviu foi uma orquestra realmente equilibrada, com metais maciA�os, cordas intensas, madeiras coloridas e percussA?o entusiasmada. Mechetti soube bem extrair as ironias e contrastes do universo mahleriano. Por vezes, uma alusA?o A�s A�picas interpretaA�A�es de Leonard Bernstein, mas guardando uma individualidade controlada, sem arroubos.

Em 2016, a FilarmA?nica de Minas Gerais promete repetir o sucesso obtido no ano passado. A� um projeto que vem dando certo. Os mA?sicos, invariavelmente ao final de cada concerto, exibem sorrisos e abraA�os como que saA�dos depois de um gol na final do campeonato. A� o melhor sinal. E isso se reflete na mA?sica a�� um certo entusiasmo que sinto falta em outras a�?orquestronasa�? brasileiras.

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– Excelente a notA�cia disponA�vel neste mesmo movimento.com Cheap da contrataA�A?o do maestro SA�lvio Viegas para dirigir a SinfA?nica de Minas Gerais e conferir ao PalA?cio das Artes uma programaA�A?o anual, aliA?s, interessantA�ssima. ProfissionalizaA�A?o e busca por qualidade A� o que se espera. E ganhamos nA?s, os mineiros, com mais oportunidades de programaA�A?o.

– Triste com a partida de Gilberto Mendes. PorA�m, mais triste ainda pelo fato de a imprensa ter reservado parcas linhas para homenagear sua memA?ria. Amenizar isso seria as orquestras e os coros executarem mais Gilberto (a OSESP, por exemplo, o gravou). Acho que seria a forma que ele, humilA�ssimo, mais gostaria de ser lembrado.

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