Escrito por em 8 abr 2016 nas áreas Crítica, Lateral, Minas Gerais, Música sinfônica

A� A contrataA�A?o de SA�lvio Viegas para regente titular da OSMG A� garantia de seriedade e apuro estA�tico.


Os dias 29 e 30 de marA�o foram muito importantes para a cena erudita mineira. Finalmente, apA?s anos de quase prostraA�A?o, a Orquestra SinfA?nica de Minas Gerais iniciou uma temporada estruturada, com um conceito e concertos previamente programados. Longe de ser ainda uma programaA�A?o ideal, nA?o deixa de ser meritA?ria e uma alternativa ao jA? consolidado projeto da co-irmA? FilarmA?nica, a a�?prima ricaa�? das alterosas.

MA�ritos polA�ticos A� parte, o fato A� que a contrataA�A?o de SA�lvio Viegas online para regente titular da OSMG A� garantia de seriedade e apuro estA�tico. Em entrevistas A� imprensa local, Viegas falou do grande privilA�gio de ter A� disposiA�A?o uma orquestra completa, um coral lA�rico e um corpo de baile. Ele pretende combinar os corpos estA?veis da FundaA�A?o ClA?vis Salgado/PalA?cio das Artes, entidade estatal que os administra, ao programar obras sinfA?nico-corais ou A?peras das quais o pA?blico mineiro A�, ainda, pouco assistido.

Por este caminho, Viegas abriu 2016 com o poderoso Requiem, de Verdi, o menos sacro e mais operA�stico da literatura musical. Uma escolha ousada pelo tA?nus dramA?tico da partitura, mas de muito apreA�o para este maestro a�?apegado A� voza�?. Teria sido mais prudente comeA�ar por algo menos desafiador, a fim de apurar melhor as sonoridades da orquestra ao longo do tempo. Mas nA?o. E o maestro estA? certo. Para se chegar ao mA?ximo, nA?o A� necessA?rio partir do mA�nimo! A� preciso ousar, mostrar a que veio…

A� fato: hA? muito o que se fazer para melhorar a sonoridade da OSMG, a coesA?o entre os naipes, as sutilezas…falta aquela conexA?o inominA?vel que tinge o ar ao se fazer mA?sica junto. E nA?o podia ser diferente: boa parte disso se deve A� falta de uma programaA�A?o regular e desafiadora, problema que comeA�a finalmente a ser atacado. Time fora de forma joga com irregularidade. Para ficar num exemplo simples: enquanto os cellos fizeram um pianA�ssimo dos sonhos na soturna abertura, no OfertA?rio o mesmo naipe vacilou tristemente na afinaA�A?o.

Outro aspecto nocivo A� sonoridade A�, sem dA?vida, a acA?stica muito seca do nosso belo PalA?cio das Artes, que faz os trompetes soarem menos brilhantes, que faz o som dos contrabaixos praticamente desaparecer, quando eles deveriam estar furiosos no Dies Irae, que torna inaudA�vel o bonito pizzicato das violas e dos segundos violinos no Sanctus, etc…

Enfim, entre problemas passA�veis de soluA�A?o e outros nem tanto, o certo A� que a vinda do maestro Viegas com um conceito de trabalho e um a�?norte estA�ticoa�?, alA�m de sua comprovada competA?ncia em terras fluminenses, realA�arA? as qualidades da OSMG e a colocarA? em um prumo melhor do ponto de vista tA�cnico e artA�stico. Tenho poucas dA?vidas disso.

Por seu lado, o Coral LA�rico de Minas Gerais (leia-se maestro generic cialis proffesional comparision Lincoln Andrade) nA?o evoluiu e nem regrediu. Continua em seu monA?tono e prazeroso padrA?o de excelA?ncia a�� nA?o A� toa os grandes corais do eixo RJ-SP estA?o repletos de vozes mineiras. Sonoridade quente, clareza dinA?mica, equilA�brio entre os naipes, belo timbre. E ponto.

Entre os solistas, a presenA�a marcante de Eliane Coelho, o que, por si sA?, agrega valor a qualquer espetA?culo. Em contraste a um Recordare um pouco hermA�tico demais, soube a nossa grande soprano dar-nos uma Lacrimosa linda, repleta de nuances e pianA�ssimos bem colocados. Uma redenA�A?o total! No Cheap Libera Me, o registro grave sempre impressionante, sem os exageros daquele tipo de voz de peito artificial. Mas (que pena!) o si bemol agudo nA?o saiu afinado. NA?o sou daqueles fetichistas que se entregam a avaliar uma A?nica nota, em detrimento do valor artA�stico como um todo. Mas A� que se trata do momento mais sublime do Requiem Buy delivery caverta e, por isso, cantar aquela nota com perfeiA�A?o sublime responde por uma parte da expressA?o e da identidade da obra. Enfim, coisas a que todo grande artista estA? submetido. Ou, nas palavras do maestro Viegas: a�?fazer mA?sica ao vivo, ainda mais uma obra como o Requiem, de Verdi, A� um desafio enorme. Os cantores vA?o ao seu limite. SA?o como atletas olA�mpicos que precisam sempre estar batendo seus prA?prios recordes. O que dificulta as coisas ainda mais para a gente A� que, no nosso caso, sA? temos uma chancea�? Pills . O crA�tico que escreve estas linhas teve duas chances, mas nA?o pode estar presente A� segunda rA�cita, a do dia 30, quando soube que Eliane esteve A?tima. Falta de sorte!

Eliane dividiu a partitura com a jovem mezzo Ana LA?cia Benedetti. Timbre escuro, bonito, esmaltado, mas ainda sem as inflexA�es dramA?ticas que a partitura oportuniza. Nos duetos com soprano, a fusA?o dos timbres nA?o funcionou tA?o bem, nA?o raro com Ana LA?cia encobrindo. A questA?o aqui nA?o A� de talento ou limitaA�A?o tA�cnica. A� apenas de maturidade e intimidade com a partitura.

Cheap Paulo Mandarino tem uma voz de tenor metalizada que A�s vezes fura em quarteto. Mas ele se redimiu com um Ingemisco Cheap todo expressivo, um dos pontos altos deste Requiem. JA? o baixo SA?vio Sperandio comeA�ou frio, com uma voz excessivamente entubada, mas que foi se ajustando no decorrer da obra.

Este foi o Requiem belo-horizontino. Com falhas, a maioria justificA?veis, mas que acena com um grande otimismo. SA�lvio Viegas regeu com gestos largos, com clareza de intenA�A�es, buscando a mA?xima expressA?o e comunicaA�A?o. Esperamos que ele nA?o desanime em seu projeto e que nos brinde cada vez mais com sua coragem. E que livre a nossa orquestra, nosso coral e nosso balA� da morte eterna! A morte eterna que o ostracismo, a falta de recursos e a mA? polA�tica levam ao nosso patrimA?nio cultural.

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