Escrito por em 23 jan 2017 nas áreas Entrevista, Lateral, Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, maestro Fabio Mechetti fala da temporada 2017 da orquestra, que está com assinaturas à venda até 28 de janeiro.

 

Janeiro é o último mês para a compra de assinaturas da décima temporada de concertos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG). A campanha vai até o dia 28 e a expectativa da orquestra é ampliar o número de assinantes que, no ano passado, chegou a 3.320 pessoas.

“O programa de assinaturas possibilita ao público o planejamento anual de uma atividade de lazer associada a seu enriquecimento cultural e também de relacionamento social”, afirma Diomar Silveira, presidente do Instituto Cultural Filarmônica, organização da sociedade civil responsável pela administração da OFMG. O preço de uma assinatura depende do número de concertos e do lugar escolhido na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, indo de R$ 162 (valor de meia-entrada para nove concertos, balcão Palco) a R$ 2.862 (valor de inteira para 33 concertos, balcão Principal).

O ano de 2017 marca a primeira década de atividades da OFMG e, por isso, a temporada vem recheada de atrações. Entre seus convidados a orquestra recebe, pela primeira vez, o regente e violinista israelense Pinchas Zukerman, que irá reger e tocar, ao mesmo tempo, o Concerto para violino e violoncelo em lá menor, Op. 102, de Brahms. Também estreiam com a Filarmônica o pianista tcheco Lukás Vondrácek, vencedor do último Concurso Rainha Elisabeth, da Bélgica, e o norte-americano Robert Bonfiglio, que se apresenta com um instrumento pouco usual em concertos sinfônicos: a harmônica, conhecida como gaita. Dois colaboradores e amigos da Filarmônica desde sua criação, o pianista Nelson Freire e o violoncelista Antonio Meneses, também estarão presentes.

“Nossos convidados e repertório visam um trabalho levado à excelência, para que as pessoas se sintam tocadas pelo poder transformador da música. Creio que os resultados do programa de assinaturas são uma demonstração de que vamos pelo caminho certo”, comenta Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2008.

 

Maestro Fabio Mechetti (foto: Bruna Brandão)

Maestro Fabio Mechetti (foto: Bruna Brandão)

Natural de São Paulo, Mechetti foi regente principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de 14 anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu regente titular emérito. Foi também regente titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, regente emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. Regeu também a Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Sinfônica de Quebec, Canadá.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca. Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, o maestro Fabio Mechetti fala sobre as principais novidades desta temporada, que marca o início do décimo ano de atividades da OFMG.

 

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Movimento.com – O que o público pode esperar desta temporada, que marca os dez anos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais?

Fabio Mechetti – Primeiramente, para esclarecer, esta será nossa décima temporada, mas os dez anos acontecem, e serão comemorados, em fevereiro de 2018. De qualquer modo, a temporada 2017, a décima, marca o sucesso que a Filarmônica tem tido na sua missão de oferecer música de qualidade a um público cada vez maior, dentro e fora de Belo Horizonte. Nossos assinantes crescem a cada ano, e hoje contamos com cerca de 3.400 assinaturas distribuídas pelas cinco séries que oferecemos na Sala Minas Gerais. Além disso, vários de nossos concertos têm estado lotados, obrigando-nos a duplicar, além da programação estabelecida, concertos de toda ordem. Nossas séries educacionais, como Concertos para a Juventude, também têm se esgotado. Isso mostra o interesse da sociedade mineira pela Filarmônica, desde os mais jovens aos mais velhos, que nos incentivam com o seu aplauso e com a confiança no trabalho que realizamos.

 

Quais os principais convidados desta temporada?

Todos os nossos concertos são pensados com cuidado, para que o público tenha sempre uma experiência marcante. Poderia citar todos, mas concentraria na presença de Pinchas Zuckerman, Philippe Quint, Anna Vinnitskaya, Lukás Vondrácek, além dos nossos grandes músicos Nelson Freire, Antonio Meneses, Leonardo Hilsdorf, dentre muitos.

 

Sete compositores serão homenageados este ano pela Filarmônica por sua relevância para a música. Quais são eles e como a orquestra vê sua importância?

Em toda temporada, celebramos alguns aniversários importantes, a fim de dar foco a compositores que muitas vezes passam despercebidos das programações sinfônicas de muitas orquestras, mas que merecem ser conhecidos. Neste ano, além de nomes consagrados com os de (Zoltán) Kodály, (Georg Philipp) Telemann e (Johann) Stamitz, daremos ênfase aos aniversários de (Ferde) Grofé e dos brasileiros Francisco Mignone, Jorge Antunes e Padre José Maurício Nunes Garcia.

 

Grandes nomes brasileiros, como Nelson Freire e Antonio Meneses, tocarão com a orquestra este ano. Entre os musicistas em ascensão, quais são aqueles em que a OFMG aposta?

A Filarmônica tem sido pioneira em reconhecer e dar oportunidade às jovens gerações de solistas, compositores e regentes nacionais. Dos que têm despontado recentemente, apresentaremos o talento de Fabio Martino, de Ronaldo Rolim e de Leonardo Altino, além de vários músicos da própria Filarmônica como o contrabaixista Nilson Bellotto, o clarinetista Marcus Julius Lander e o trompetista Marlon Humphreys, que, assim, têm a oportunidade de mostrar ao nosso público suas qualidades como solistas, além daquelas demonstradas dentro da Orquestra semana após semana.

 

Os concertos Fora de Série, que em 2017 são dedicados à música barroca, já estão com ingressos esgotados. Por que uma série dedicada a esse estilo musical?

A série Fora de Série não é focada nesse estilo, mas é uma série que, a cada ano, se concentra num compositor ou num aspecto da história da música, contextualizando, assim, a experiência do concerto com um entendimento cada vez maior daquilo que enriquece sobremaneira nossa atividade. O Barroco, pelas próprias características da Filarmônica, tinha sido um período pouco explorado. Na tentativa de sempre oferecer diversidade ao nosso público, decidimos dar destaque ao Barroco, mas oferecendo uma visão bastante expandida daquele período e também abordando sua repercussão em outros estilos e compositores.

 

Que ações a OFMG planeja e implementa para popularizar a música de concerto?

Com concertos praticamente esgotados, um incremento de mais de 80% no número de assinaturas nos últimos dois anos e recordes de público batidos a cada ano, não há dúvida quanto à capacidade e legitimidade da Filarmônica em se contrapor à percepção, que infelizmente ainda existe, de que a música erudita não tem interesse amplo por parte do público. Não é estratégia da Filarmônica popularizar a música de concerto a qualquer custo. Mas sempre foi nossa crença que a música de qualidade, executada com qualidade, pode atingir e contagiar um número crescente de admiradores. Acreditamos que é assim que a música erudita conquistará cada vez mais espaço entre as inúmeras opções que a sociedade tem hoje em dia. É na transformação de um projeto de orquestra em projeto cultural de uma sociedade emancipada que o sucesso reside.

 

Em tempos de crises, no qual salas de concerto e orquestras vêm lutando para se manter, a Filarmônica de Minas Gerais anuncia crescimento de assinantes. Qual o crescimento e a razão desse sucesso?

Sempre digo que cultura não é evento, mas um processo voltado à propagação para toda a sociedade daquilo que há de melhor na sociedade. Acredito firmemente que a estratégia artística descrita acima, associada à ideia de transformar a sociedade pela excelência daquilo que fazemos em todos os níveis (musical, administrativo, educacional, social), foi o que levou ao sucesso da Orquestra nessas dez temporadas.

Não se pode divorciar uma orquestra de sua missão essencial de força civilizatória que busca, dentro de suas atividades intrínsecas, a emancipação da sociedade. A Filarmônica, a Sala Minas Gerais e os êxitos palpáveis obtidos nesses anos todos são resultado desse processo, que se autoalimenta, e que, acredito, venha a criar raízes cada vez mais fortes dentro da sociedade mineira e brasileira.

Temos que acreditar sempre que a música de qualidade tem a força da transformação, e que por isso ela é relevante. Mas, ela só é relevante se sua força estiver ligada à qualidade não só do momento, mas crescente, dentro desse contínuo processo de emancipação do qual nós, artistas, somos responsáveis.

 

Nestes dez anos de atividades, que lições foram aprendidas? E o que virá na próxima década?

Acho que a lição que sempre se associa à viabilidade de uma orquestra é a de que, por mais bem-sucedida e relevante que ela seja, existe sempre uma fragilidade extrema relacionada à sua existência. Se a excelência fosse fácil, ela seria a norma e não a exceção. Para que ela, excelência, exista, é necessário que haja convicção, foco, devoção, competência e apoio da sociedade. A Filarmônica conseguiu muito nesses primeiros dez anos de vida, mas ainda temos muito a fazer artisticamente – no fortalecimento de seu conjunto enquanto instrumento –, administrativamente – na manutenção e aprimoramento do modelo que propiciou tudo isso que conquistamos –, educacionalmente – na ampliação de oportunidades para a formação de músicos e público através de nossa tão sonhada Filarmônica Jovem e a Academia –, e socialmente – na transformação cada vez maior daqueles que servimos numa sociedade melhor. Para que isso venha a acontecer temos que contar com o apoio crescente do Governo de Minas Gerais, de nossos atuais e futuros patrocinadores e do público cada vez maior e mais entusiasmado que justifica nossa existência.

 

Orquestra Filarmônica de MG (foto: Rafael Motta)

Orquestra Filarmônica de MG (foto: Rafael Motta)

 

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais – temporada 2017

Novas assinaturas até 28 de janeiro

 

Pela internet: no site da OFMG 

Pessoalmente: na bilheteria da Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto, Belo Horizonte), de terça a sexta, das 12h às 21h, e aos sábados, das 12h às 18h (exceto feriados)

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