Escrito por em 16 mar 2017 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de Minas Gerais recebe solista norte-americano para concerto de Villa-Lobos.

 

Nos dias 16 e 17 de março, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se dedica à dança. No repertório, estão obras de Kodály – Danças de Galanta – e Rachmaninov, as Danças Sinfônicas, Op. 45. O programa se completa com Villa-Lobos e o Concerto para harmônica, instrumento raro em uma orquestra, interpretado pelo norte-americano Robert Bonfiglio. A regência é do diretor artístico e regente titular da orquestra, Fabio Mechetti.

Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público poderá participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. O palestrante das duas noites é o maestro Mechetti.

 

Repertório

Zoltán Kodály (Hungria, 1882-1967) e a obra Danças de Galanta (1933)
Ao lado do compositor Béla Bartók (1881-1945), Zoltán Kodály é um dos mais importantes representantes do nacionalismo musical húngaro. Em sete décadas de carreira, além de resgatar o repertório folclórico do leste europeu, Kodály criou obras camerísticas e para instrumento solo, dedicando-se, mais tarde, a peças orquestrais. As Danças de Galanta foram compostas para o 80º aniversário da Sociedade Filarmônica de Budapeste, a partir de melodias ciganas relacionadas à cidade de Galanta (antigo Império Austro-Húngaro, atual Eslováquia), onde o compositor morou. Trata-se de poema sinfônico em forma rondó: uma série variada de seções intercaladas, com a primeira delas recorrente, de maneira similar a um refrão. A peça é concebida a partir de “verbunkos” – até o século 19, as danças nacionais tipicamente húngaras, apresentadas durante os recrutamentos compulsórios do exército Habsburgo. Apesar de associadas aos ciganos, tais obras são realmente húngaras, e delas derivam as famosas “csárdás” do século 19. Danças de Galanta estreou em 23 de outubro de 1933, com a Orquestra da Sociedade Filarmônica, sob regência de Ernest von Dohnányi, tornando-se a mais popular das obras orquestrais de Kodály.

 

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 1887-1959) e a obra Concerto para harmônica (1955/1956)
Larry Adler (1914-2001), John Sebastian (1914-1980) e Tommy Reilly (1919-2000) introduziram e consolidaram a harmônica como instrumento orquestral. Ao criar o Concerto para harmônica, Heitor Villa-Lobos dedica a obra, justamente, a John Sebastian, primeiro harmonicista a adotar repertório inteiramente dedicado à música de concerto. Na verdade, o compositor brasileiro já desfrutava de reconhecimento internacional quando Sebastian lhe encomenda um concerto para harmônica e orquestra. A obra estrearia em 27 de outubro de 1959, em Jerusalém, por John Sebastian, à frente da Kol Israel Orchestra, sob regência de George Singer. Mais neoclássico e menos nacionalista, o Concerto para harmônica conta com três movimentos: um Allegro moderato, um Andante melancólico e um Allegro final. A primeira apresentação da peça na América do Sul ocorreu em Belo Horizonte, no Instituto de Educação, em 13 de dezembro de 1964, durante o Festival Villa-Lobos, com a Orquestra Mineira de Concertos Sinfônicos, o solista Aluisio Rocha e o regente Sebastião Viana.

 

Sergei Rachmaninov (Rússia, 1873 – Estados Unidos, 1943) e a obra Danças Sinfônicas, Op. 45 (1940)
Um dos mais importantes pianistas de sua época, Sergei Rachmaninov foi obrigado a se dividir entre duas carreiras, de instrumentista e de compositor. A criação das Danças Sinfônicas permitiu-lhe mergulhar nas lembranças da sua antiga Rússia. Último de seus trabalhos, a obra, de certo modo, resume a sua vida de compositor. De colorido orquestral ímpar, grande vitalidade rítmica e intenso lirismo, a peça conta com reminiscências dos cantos da Igreja Ortodoxa Russa e citações de obras do próprio Rachmaninov, além de vestígios de Rimsky-Korsakov e Stravinsky, dentre outros. A criação da peça ocorre em período de extrema tensão na vida pessoal do compositor, fruto de sua impossibilidade de voltar à Europa e de se encontrar com a filha, devido à invasão alemã de 1940. O compositor desejava que as Danças fossem transformadas em balé, sonho que não pode realizar em vida. A obra estreou em 3 de janeiro de 1941, pela Orquestra da Filadélfia, sob regência de Eugene Ormandy.

 

Fabio Mechetti

Desde 2008, Fabio Mechetti é diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, Mechetti posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, serviu recentemente como regente principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de 14 anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu regente titular emérito. Foi também regente titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, regente emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Sinfônica de San Diego, foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as orquestras sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così Fan Tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O Barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello. Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

 

Robert Bonfiglio

Robert Bonfiglio é considerado um reinventor da harmônica. Solista com mais de 200 orquestras – como Minnesota Orchestra, Orchestre de la Suisse Romande, Filarmônica de Buenos Aires, Filarmônica de Luxemburgo, Filarmônica de Hong Kong, Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse, Filarmônica da Cidade do México, Sinfônica de Pittsburgh, e Filarmônica de Los Angeles –, apresentou-se nas principais salas de concerto do mundo, como Carnegie Hall, Gewandhaus, Teatro Colón, Teatro Amazonas, Kennedy Center, Boston Symphony Hall, Lincoln Center e Hollywood Bowl. Sua primeira gravação pelo selo RCA, do Concerto para harmônica de Villa-Lobos, com Gerard Schwarz e Orquestra de Câmara de Nova York, foi aclamada pela crítica. O músico trabalhou, ainda, com os selos Arista, CBS, Sine Qua Non, High Harmony e QVC, e participou do álbum Ragtime, vencedor do Grammy.

Na música popular, Bonfiglio apresentou-se e gravou com Bernadette Peters, Chaka Kahn, Mandy Patinkin, Marvin Hamlisch, John Sebastian, Phoebe Snow e Roberto Carlos. Outro compositor contemporâneo com quem colabora é o norte-americano Paul Moravec, ganhador do prêmio Pulitzer de Composição, que, no momento, escreve um concerto para o harmonicista. Lowell Liebermann também está compondo um concerto para harmônica, a ser estreado com a Orquestra de Minnesota. Bonfiglio recebeu Master’s Degree em Composição pela Manhattan School of Music; estudou harmônica com Cham-ber Huang; composição, com Aaron Copland, e foi orientado, durante 12 anos, por Andrew Lolya, flauta principal do Balé de Nova York. Bonfiglio também é fundador e diretor do Grand Canyon Music Festival.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Belo Horizonte, 21 de fevereiro de 2008. Após meses de intenso trabalho, músicos e público viam um sonho tornar-se realidade com o primeiro concerto da primeira temporada da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, nasceu com o compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal.

De lá para cá, 820 mil pessoas ouviram a Filarmônica ao vivo em 641 concertos, nos quais foram tocadas 835 obras de 242 compositores brasileiros e estrangeiros – sendo 52 estreias mundiais e 11 encomendas. Em 2017, a Filarmônica inicia sua décima temporada e continua contando com a participação de grandes músicos para celebrar a música e o respeito conquistado junto ao público.

 

Foto: Ron Zak

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Robert Bonfiglio, harmônica

Fabio Mechetti, regente

 

16 e 17 de março, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 105 (balcão principal), R$ 85 (plateia central), R$ 62 (balcão lateral), R$ 50 (mezanino) e R$ 40 (balcão palco e coro), com meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);

Faça seu comentário