Escrito por em 19 abr 2017 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Concerto visitará os ares da Espanha, com obras de Chabrier e Proto, culminando com a lenda russa retratada por Stravinsky.

 

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebe o maestro sérvio Vladimir Kulenovic nos dias 27 e 28 de abril, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte. O contrabaixista principal da Orquestra, Nílson Bellotto, é o solista convidado a interpretar a Fantasia Carmen, de Proto, releitura do compositor norte-americano para a famosa ópera Carmen. Complementam o repertório as obras España, de Chabrier, e O Pássaro de fogo: Suíte, de Stravinsky, em sua versão de 1945.

Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público poderá participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. O revolucionário Stravinsky e seu pássaro são os assuntos dos dois encontros com o percussionista da Orquestra, Werner Silveira.

 

 

PROGRAMA:

Emmanuel Chabrier (França, 1841-1894)
España (1883)

Apesar de estudar música desde a infância, Emmanuel Chabrier atuaria por vinte anos na área do Direito. Tal fato não o impede, porém, de aproveitar a vida artística, principalmente, em Paris, onde participa dos meios mais progressistas. Em sua primeira viagem à Alemanha, em 1879, descobre a ópera Tristão e Isolda, de Wagner, que o comove a ponto de fazê-lo abandonar as outras atividades e se dedicar apenas à composição. Apesar de ter composto poucas obras, a alta qualidade de sua música influenciaria compositores franceses do início do século 20, como Debussy, Dukas, Satie, Ravel, Schmitt, Milhaud e Poulenc. Em 1882, Chabrier viaja à Espanha. Encantado com tudo o que presencia, decide transformar suas impressões em música de concerto. Nasce, assim, a abertura España – Rhapsodie pour orchestre, peça em um movimento, marcada por rítmica contagiante e colorido orquestral único. A obra estreia em 1883, em Paris, nos Concertos Lamoureux, com imenso sucesso.

 

Frank Proto (Estados Unidos, 1941)
Fantasia Carmen (1992)

Muitos compositores escreveram fantasias e variações para as belas melodias da ópera Carmen, de Georges Bizet. Dentre tantas, no século XX, a Fantasia Carmen de Frank Proto, composta para contrabaixo solista e orquestra, se destaca pelo caráter jazzístico e pela feliz exploração das possibilidades do instrumento solista. Nascido no Brooklin, em Nova York, Proto atuou na Symphony of the Air, em grupos de jazz e em musicais da Broadway. Sua obra inclui, ainda, partituras orquestrais, uma ópera e peças dedicadas a instrumentistas como Dave Brubeck, Duke Ellington e Gerry Mulligan. A Fantasia Carmen relembra vários trechos marcantes da ópera, dá-lhes uma roupagem do jazz e permite ao solista mostrar a sua virtuosidade em vários momentos.

 

Igor Stravinsky (Rússia, 1882 – EUA, 1971)
O pássaro de fogo: Suite

Em 1909, os Balés Russos tinham estreado, em Paris, sob liderança de Sergei Diaghilev, que mantinha artistas excepcionais em sua companhia. Para a temporada de 1910, Diaghilev propõe ao jovem Igor Stravinsky a criação de um balé baseado em certa fábula russa: aos 28 anos, o compositor escreve O pássaro de fogo, que o torna famoso em toda a Europa. O balé estrearia no dia 25 de junho daquele ano, na Opéra de Paris, sob direção de Gabriel Pierné, com coreografia de Mikhail Fokin – que também atua no papel do tsar Ivan – e Tamara Karsavina, como a personagem principal. Apesar do sucesso da obra, Stravinsky avalia que a coreografia não havia ficado à altura da música. Desejoso de revelar a universalidade da sua música, cria, em 1911, uma suíte orquestral quase idêntica à primeira partitura. Anos mais tarde, acaba por recriá-la, e, em 1945, compõe a terceira versão para orquestra – justamente a que será interpretada pela Filarmônica de Minas Gerais –, ainda mais fiel aos escritos originais do balé.

 

ARTISTAS

Vladimir Kulenovic, regente convidado

Vladimir Kulenovic (foto: Balazs Borocz)

Graduado em Regência pela Juilliard School e pelo Conservatório Peabody, Vladimir Kulenovic é bacharel em Piano Performance pelo Conservatório de Boston, onde também concluiu mestrado em Regência. Nomeado “Cidadão de Chicago do Ano na Música Clássica” em 2015, recebeu, no mesmo ano, o Solti Conducting Fellow, grande honraria para a regência nos EUA.

Atual diretor artístico da Lake Forest Symphony, foi regente associado da Sinfônica de Utah e da Ópera de Utah, assistente da Ópera Lírica de Chicago e residente na Filarmônica de Belgrado. Atuou, ainda, como regente convidado das sinfônicas de Chicago, Columbus, Grand Rapids, Houston, Indianápolis, Knoxville, Alabama, Jacksonville e São Francisco. Em outros países, apresentou-se, dentre outras, com Beethoven-Orchester, de Bonn, Bilkent Symphony, Turquia, Leipziger Symphonie Orchester, Filarmônica da Malásia, Filarmônica da Eslovênia e Sinfônica de Taipei.

Suas participações em festivais incluem Aspen, Cabrillo, Round Top, Mozarteum de Salzburgo, Verbier e Festival de Música de Câmara Kuhmo da Finlândia. Atuou, ainda, como regente principal do Festival Internacional de Música de Kyoto, no Japão. O maestro recebeu excelentes críticas em colaborações com solistas como Leon Fleisher, Augustin Hadelich, Mischa Maisky, Joaquín Achúcarro, Philippe Quint, Joseph Silverstein, Akiko Suwanai e os conterrâneos sérvios Maja Bogdanovic e Stefan Milenkovich. Em 2012, foi reconhecido com a Mendelssohn-Bartholdy Scholarship, tornando-se regente assistente na Orquestra Gewandhaus de Leipzig, onde trabalhou com o maestro Kurt Masur. Foi assistente de Bernard Haitink na Sinfônica de Boston e preparou orquestras para Zubin Mehta. Entre as premiações que recebeu estão três edições do Prêmio para o Desenvolvimento de Carreira da Solti Foundation e o Prêmio Charles Schiff de Excelência em Regência.

 

Nílson Bellotto, contrabaixo

Nílson Belotto

Um dos principais nomes da nova geração de contrabaixistas brasileiros, desenvolve importante papel na literatura do instrumento, por meio de seu trabalho como instrumentista, arranjador e compositor. Desde 2016, é Contrabaixo Principal da Filarmônica de Minas Gerais – da qual é membro desde 2010. Fundador e diretor artístico do quinteto de contrabaixos DoContra, passou a colaborar, a partir de 2011, com a Orquestra Ouro Preto. Como professor, organiza masterclasses e oferece cursos com foco em audição de orquestra. Foi professor e músico convidado da 11ª Semana de Música de Ouro Branco. Apresentou-se como solista em diversas grupos profissionais no Brasil, o que inclui a Filarmônica de Minas Gerais, com a qual interpretou duas obras de Giovanni Bottesini – o Concerto para contrabaixo nº 2 e o Gran duo concertante, junto ao violinista Rommel Fernandes.

Bellotto começou a estudar música na infância, em sua terra natal, Bragança Paulista, e aos 14 anos, passou a aperfeiçoar-se com Fábio Calzavara Júnior. Ingressou, então, na Universidade Livre de Música, em São Paulo, onde foi orientado por Sergio de Oliveira. Em 2005, participou, como Primeiro Contrabaixo, da Orquestra Sinfônica de Bragança Paulista e da Orquestra Jovem de Atibaia. Em 2006, tornou-se Contrabaixo Principal da Sinfônica de Heliópolis, com a qual acompanhou artistas renomados e frequentou várias masterclasses. Nilson Bellotto estudou, ainda, com Ana Valéria Poles, na Academia de Música da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) – com a qual já se apresentou sob regência de maestros como Fabio Mechetti, Frank Shipway, Yan Pascal Tortelier e outros. Em 2010, concluiu os estudos, em São Paulo, com o professor Pedro Gadelha.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Belo Horizonte, 21 de fevereiro de 2008. Após meses de intenso trabalho, músicos e público viam um sonho tornar-se realidade com o primeiro concerto da primeira temporada da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, nasceu com o compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal.

Agora, em 2017, a Filarmônica realiza sua décima temporada e continua contando com a participação de grandes músicos para celebrar a Música e o respeito conquistado junto ao público.

 


SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Nílson Bellotto, contrabaixo

Vladimir Kulenovic, regência

 

27 e 28 de abril, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte)

 

Ingressos: R$ 40 (Balcão Palco e Coro), R$ 50 (Mezanino), R$ 62 (Balcão Lateral), R$ 85 (Plateia Central) e R$ 105 (Balcão Principal), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência

 

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