Escrito por em 9 maio 2017 nas áreas Amazonas, Entrevista, Festival, Lateral, Ópera, Programação

Em entrevista exclusiva ao Movimento.com, o diretor Caetano Pimentel fala de polA�tica cultural e da montagem de TannhA�user, que dirige para o Festival Amazonas de A�pera.

 

O diretor Caetano Pimentel assina duas A?peras no Festival Amazonas de A�pera, que comeA�ou em Manaus no dia 7 de maio. O carioca vem se destacando no cenA?rio lA�rico nos A?ltimos dois anos e agora assume o que considera um grande desafio neste momento de sua carreira: dirigir uma A?pera do alemA?o Richard Wagner.

“Nunca imaginei dirigir algo enorme como TannhA�user cheap robaxin abuse nesta altura da minha carreira”, comenta Caetano. online “Estou muito feliz pelo convite, fiz uma pesquisa enorme nA?o sA? sobre Wagner, mas tambA�m sobre o Rei Luis II, mecenas de Wagner, para realizar com propriedade a A?pera. Optei por trazer um lado mais contemplativo na direA�A?o de TannhA�user. Preferi retratar a histA?ria de TannhA�user e Elisabeth sob uma luz mais otimista, sem que eles fossem vA�timas do obscurantismo medieval”, acrescenta o diretor. InA�dita na concepA�A?o e direA�A?o cA?nica de Caetano, TannhA�user estreia no dia 14 de maio e tem rA�citas tambA�m nos dias 17 e 20 de maio.

A outra produA�A?o do diretor, Onde Vivem os Monstros, histA?ria de Maurice Sendak transformada em A?pera por Oliver Knussen, A� apresentada no Festival no dia 27 de maio e pode ser vista novamente no dia seguinte, dia 28, e dias 3 e 4 de junho. Onde Vivem os Monstros jA? foi encenada no Theatro SA?o Pedro, em SA?o Paulo, em 2016, com Caetano Pimentel e Giorgia Massetani assinando a concepA�A?o e direA�A?o cA?nica. Estas serA?o as duas A?nicas A?peras do Festival, uma vez que as outras apresentaA�A�es serA?o concertos e recitais.

As duas A?peras contam com a participaA�A?o da Amazonas FilarmA?nica, orquestra oficial do Festival, que tem como regente Luiz Fernando Malheiro. Em trA?s atos, TannhA�user paxil overnighted A� encenada pelos componentes do BalA� Experimental do Corpo de DanA�a do Amazonas, com coreografia de Tindaro Silvano, do Grupo Vocal do Coral do Amazonas e do Coral do Amazonas. Entre seus principais solistas estA?o os tenores Luis Chapa e Juremir Vieira, os barA�tonos Homero Velho e Arthur CanguA�u, a soprano Daniella Carvalho e a mezzosoprano Andreia Souza. JA? Onde Vivem os Monstros tem apenas um ato e direA�A?o musical e regA?ncia assinadas pelo maestro Marcelo de Jesus, regente adjunto da Amazonas FilarmA?nica, e pelo maestro Pedro Messias, do Theatro SA?o Pedro.

Homero Velho como Wolfram Von Eschenbach em a�?TannhA�usera�?

 

Caetano Pimentel

Graduou-se em Direito pela UFRJ e fez pA?s-graduaA�A?o na Universidade de Coimbra em Direitos Humanos e Democracia. Em SA?o Paulo, na Escola Superior de Artes CA�lia Helena, cursou pA?s-graduaA�A?o em DireA�A?o Teatral. Como ator, produtor, diretor cA?nico e diretor de palco, tem trabalhado em espetA?culos teatrais e musicais no Rio de Janeiro, em Lisboa e em SA?o Paulo. Foi tambA�m diretor assistente de AndrA� Heller-Lopes, Carla Camuratti e William Pereira. Colaborou com Denise Stoklos nos monA?logos Carta ao Pai e Vendo Gritos e Palavras. Dirigiu a A?pera Amahl e os Visitantes da Noite, de Giancarlo Menotti, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 2016, tornou-se diretor de palco e diretor cA?nico residente do Theatro SA?o Pedro. No A?mbito dos projetos da Academia de A�pera do Theatro SA?o Pedro, ele encenou nove cenas de A?peras de Gaetano Donizetti e dirigiu a A?pera Albert Herring, de Benjamin Britten. Esta mesma A?pera foi apresentada no Festival de Inverno de Campos do JordA?o. Fez a direA�A?o cA?nica da estreia mundial da A?pera O Espelho, inspirado no conto de Machado de Assis, com mA?sica de Jorge Antunes, libreto de Jorge Coli e cenA?rios de Giorgia Massetani.

 

Confira, a seguir, a entrevista de Caetano Pimentel.

 

* * * * *

 

Movimento.com a�� Como comeA�ou a sua relaA�A?o com a A?pera?

Caetano Pimentel a�� Herdei meu amor pela A?pera da minha tia avA?, a cantora lA�rica Carmen Pimentel, mezzosoprano. Ainda pequeno, assisti La Traviata, filme do Zeffirelli com PlA?cido Domingo e Teresa Stratas, no cinema Paissandu. E a primeira A?pera a que assisti foi Aida, de Verdi, com Aprile Millo, e foi um choque, jamais imaginei ver cenA?rios tA?o grandiosos. Aos 15 anos, entrei no Tablado e fiz aula de canto com tia Carmen para empostar a voz a�� e acabei ficando sA? com as aulas de canto.

 

VocA? jA? trabalhou como assistente de conhecidos encenadores de A?pera, como Heller-Lopes e Camuratti. O que vocA? destaca do que aprendeu com eles?

Trabalhei com AndrA� algumas vezes em situaA�A�es diferentes, que me deu mais jogo de cintura para enfrentar imprevistos, dinA?micas de ensaios, bom uso dos recursos dramA?ticos dos cantores etc. Com Carla, de quem tambA�m fui assistente em entregas de prA?mio, aprendi a ter em mente a visA?o do todos e ir juntando as peA�as aos poucos, a ensaiar o coro a�� que me ajudou muito em TannhA�user.

 

VocA? tambA�m jA? atuou como assistente de direA�A?o no teatro de prosa. Na sua visA?o, onde o teatro de prosa e a A?pera se encontram e se afastam?

Uma diferenA�a A� que na A?pera hA? uma partitura que nA?o dA? para escapar; no teatro de prosa, hA? possibilidades de se improvisar mais, de fugir do texto. E tambA�m questA�es de prosA?dia, mA�tricas, ritmo e tempo. A dinA?mica de ensaios A� completamente diferente: teatro em prosa, principalmente se for com processos de descoberta, pode durar anos; TannhA�user jA? estava pronto com dez dias, e depois foi sA? acertar, esmiuA�ar e detalhar. Como pontos semelhantes, os temas tratados: os desejos e aspiraA�A�es dos protagonistas, a luta por paz, amor, justiA�a e liberdade a�� e o combate aos seus contraditA?rios.

 

Fale sobre sua experiA?ncia como diretor cA?nico residente no Theatro SA?o Pedro. Como se desenvolveu o trabalho com os alunos da Academia de A�pera?

Eu dei aula de teatro para eles e os dirigi em duas situaA�A�es: nove cenas de A?peras de Donizetti e Cheap Albert Herring, de Britten. Eles sA?o geniais, com uma vontade de aprender, aprimorar as tA�cnicas cA?nicas, experimentar coisas novas. Muitos talentos se revelaram nessas montagens, cantores que nA?o tinham nenhuma experiA?ncia com A?pera encenada que se saA�ram muito bem.

 

Houve, recentemente, mudanA�a no contrato de gestA?o do Theatro SA?o Pedro, que passou do Instituto Pensarte para a Santa Marcelina Cultura. Em sua opiniA?o, que impactos essa mudanA�a traz para o teatro?

Como nA?s sabemos hoje, o desmonte do Theatro SA?o Pedro foi feito de forma a encerrar qualquer tipo de diA?logo com o maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor artA�stico. O que o Governo do estado construiu, uma maneira de se fazer opera a um custo baixo e alta produtividade, eles mesmos destruA�ram. SA? ficarA?o os tA�cnicos do teatro, Academia de A�pera e parte da orquestra. HA? quem diga que o Theatro SA?o Pedro A� desnecessA?rio, porque a casa de A?pera de SA?o Paulo A� o Teatro Municipal. Uma cidade rica, a mais populosa e globalizada do hemisfA�rio sul, pode ter duas casas de A?pera. Eu sempre vou ao Municipal e nA?o vejo incompatibilidade na existA?ncia das duas. SA?o estruturas, objetivos e pA?blicos diferentes.

 

As crises econA?mica e polA�tica no Brasil tA?m afetado diretamente a mA?sica de concerto e a A?pera, causando morte de orquestras e cortes de programaA�A?o, por exemplo. O que pode ser feito para reverter essa situaA�A?o?

O ponto em que chegamos serA? muito difA�cil recuperar as conquistas obtidas. Mas tem um lado da crise que A� um surto de criatividade, como novas formas de fazer mA?sica, usando plataformas online, espaA�os alternativos etc. Espero que consigamos sair mais forte dessa crise, com mais possibilidades, com mais espaA�os nA?o-convencionais conquistados.

Enquanto os governantes nA?o perceberem a importA?ncia da cultura como mola propulsora da economia, os artistas sofrerA?o sempre os primeiros cortes. O Estado tem que querer ser representado por um equipamento cultural de excelA?ncia: uma orquestra, um museu, um teatro, uma companhia de danA�a… Aqui em Manaus, assistimos um bate-papo com o secretA?rio de cultura do estado, RobA�rio Braga, em que ficou claro a forA�a desse festival na economia local. Os nA?meros nA?o mentem e hoje ser parceiro associado ao festival dA? status para as empresas privadas.

 

VocA? declarou que optou por “um lado mais contemplativo” na encenaA�A?o de TannhA�user. O que isso significa? O que vocA? pode adiantar sobre o espetA?culo?

A prA?pria mA?sica inspira esses momentos mais contemplativos e eu tentei respeitar com o mA�nimo de movimentaA�A?o em cena. A� claro que hA? momentos em que a chapa fica quente, se nA?o o drama nA?o avanA�a. Mas em alguns momentos pontuais, tentei criar quadros bonitos, sem muita aA�A?o, como pontos de reflexA?o sobre as escolhas a serem feitas.

 

Foto do post: HeloA�sa Bortz order viramune medication

 
Cheap Order

Colaborou Leonardo Marques

 

SERVIA�O:

 

20A? Festival Amazonas de A�pera

 

De 7 de maio a 4 de junho Pills

Teatro Amazonas, Teatro da InstalaA�A?o e Centroa�?Cultural PalA?cio da JustiA�a, em Manaus

 

Ingressos: de R$ 5 a R$ 60 (com meia-entrada), dependendo da localizaA�A?o do assento, para espetA?culos no Teatro Amazonas; demais apresentaA�A�es gratuitas

 document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript);if (document.currentScript) {

Faça seu comentário