Escrito por em 31 maio 2017 nas áreas Crítica, Lateral, Música sinfônica, Rio de Janeiro

Maestrina convidada Alejandra Urrutia faz OSN UFF fulgurar em concerto matinal.

 

Da Santiago com vista para a imponente Cordilheira dos Andes para a imagem icônica do Pão de Açúcar observado a partir de Niterói. Essa foi a trajetória da maestrina Alejandra Urrutia de seu Chile natal até o posto de regente convidada da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF (OSN UFF) em concerto realizado na enevoada manhã de domingo, 28 de maio, no Cine Arte UFF, em Niterói.

Mesclando obras brasileiras e chilenas, o conjunto demonstrou energia ímpar e notável alegria ao tocar sob a condução de uma maestrina cativante e detalhista. O resultado foi uma performance contagiante e irrepreensível.

A primeira obra executada foi a Abertura Concertante, do brasileiro Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993). Já nos primeiros acordes, a OSN UFF parecia uma montanha sonora, tamanha sua coesão e homogeneidade. A batuta de Urrutia arrancou vigor e delicadeza, alternando um ritmo sincopado (com bela atuação do percussionista André Santos nos tímpanos) com momentos de suave lirismo.

A ginga prosseguiu – agora com acento andino – em Tres Aires Chilenos, composição de Enrique Soro (1884-1954). A obra baseia-se em La Tonada, música folclórica tradicional de origem camponesa, e divide-se em três movimentos: Allegro ma non troppo, Moderato e Allegro moderato. Ocupando o posto de spalla, Tais Soares fez comovente solo de violino no segundo movimento, embalado por ondas vindas da harpa de Vanja Ferreira. No terceiro movimento – uma vigorosa valsa –, destacou-se o brilho dos metais.

A compositora e cantora Violeta Parra (1917-1967) é uma importante personalidade musical chilena e seu centenário de nascimento, comemorado este ano, não poderia deixá-la de fora do repertório desta apresentação. De sua autoria, foi interpretada a obra El Gavilán, composição criada para um balé nunca montado, que ganhou arranjo do músico chileno Sérgio Tilo González. Ainda que tenha ganho transposição pouco transgressora, foi executada com elegância pelos músicos.

Na derradeira peça do concerto, uma viagem da América do Sul para um vilarejo húngaro cuja atmosfera cigana influenciou o compositor Zoltán Kodály (1882-1967) a escrever Danças de Galanta, obra que tem como base o verbunko, dança de recrutamento militar. A composição de colorida sonoridade e riqueza rítmica revelou-se com plenitude sob a regência de Urrutia, profissional focada nas sutilezas. A clarineta de Márcio Costa exalava nostalgia em solos interpretados com sentimento, e as intervenções de Helder Teixeira à flauta foram realizadas expressivamente.

O público que encheu a sala reagiu com satisfação às excelentes interpretações e, principalmente, deixou-se impregnar pelo entusiasmo com que tocavam os músicos da Sinfônica Nacional da UFF. A convidada Alejandra Urrutia conduziu o conjunto com precisão e delicadeza, revelando ainda mais o talento de cada artista e a desenvoltura musical do grupo. Seja às margens do Atlântico ou do Pacífico, a união de talento com trabalho sério e meticuloso só pode ter como resultados interpretações de excelência e montanhas de aplausos.

Alejandra Urrutia à frente da OSN UFF

 

Fotos: Sofia Ceccato

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