Escrito por em 31 jul 2017 nas áreas Artigo, Biblioteca

Excelente pianista, deu boa contribuição ao lied nacional. Escreveu mais de 50 canções, disputadas pelos melhores cantores de sua época.

DADOS BIOGRÁFICOS

Primeiros anos e estudos na Europa

Arthur Iberê de Lemos (1901-1967) foi, desde cedo, predestinado a caminhar com a Arte, já que além das qualidades musicais naturais que fariam dele um exímio pianista, em seu próprio nome há uma homenagem ao compositor campineiro Carlos Gomes (1836-1896): Iberê é o personagem herói da ópera Lo Schiavo.

Filho de mãe pianista e de pai amante da poesia e também músico amador, o compositor nasceu em Belém – Pará, no dia 09 de junho de 1901. Atuou como compositor, pianista, professor, maestro, violoncelista, crítico musical, secretário, tesoureiro e acadêmico da Academia Brasileira de Música, poeta, escritor, auxiliar de consulado. Sabe-se também que era amigo próximo de Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

O contato com o piano se deu por meio de aulas que recebeu, aos 10 anos de idade, da própria mãe, a pianista Maria Guajarina de Lemos (?-1915). Seu pai, Artur de Souza Lemos, tinha também uma ligação com a música, como compositor amador, chegando a ter publicada a polca Francisca Gonzaga, editada em 1896, no Rio de Janeiro, pela Casa Bevilacqua. A família de Arthur Iberê de Lemos foi reconhecida nos séculos 19 e 20 como de tradição literária e jurídica, sendo politicamente ativa em Belém do Pará. Seu avô materno, o Senador Antônio José de Lemos (1843-1913) concretizou, em 1902, o projeto de construção da Petit Paris, que resultou na construção de palácios, palacetes, igrejas, necrotério, grandes praças, bolsa de valores, grandes teatros, lagos e chafarizes, além de infraestrutura sanitária, alargamento de vias, aterramentos e plantação de centenas de mudas mangueiras para a arborização da cidade de Belém.

A ida de Arthur Iberê de Lemos para Londres deu-se por força de missões diplomáticas que o pai desempenhou na Europa. Alguns livros citam o ano de 1913, enquanto outros citam o ano de 1914 como o de transferência do então jovem músico para Londres. O único registro de época que confirma a presença de Iberê de Lemos na capital inglesa que pudemos encontrar é uma nota social incluída no jornal O Imparcial, datada de 20 de janeiro de 1914. A nota comenta sobre o aniversário da mãe do compositor.

Na capital inglesa, estudou violoncelo, instrumento que sempre admirou, com Sir John Barbirolli (1899-1970). Frequentou aulas de piano com o renomado Tobias Matthay (1858-1945). Foi ainda aluno regular na Royal Academy of Music, estudando piano sob a orientação de David Cooper (s.d.). As aulas de teoria e harmonia foram ministradas pelo professor Frederick Corder (1852-1932). Uma possível influência alemã nos anos de formação de Arthur Iberê de Lemos pode ser justificada por ter ele recebido orientação de Frederick Corder, já que o mesmo realizou estudos em Colônia, sob orientação de Ferdinand Hiller (1811-1885). Iberê de Lemos, ligado ao movimento Wagneriano, pode ter sido conduzido a este movimento pelas mãos de Corder.

Em 1914, com a idade de 13 anos, compõe a canção para canto e piano Sweet Caresses, Op. 1, com poesia de William Charles Mark Kent (1823-1902), dedicando-a a sua mãe.

O afastamento do Brasil não impediu que Arthur Iberê se interessasse pela produção poética nacional. Mesmo distante de seu país de origem, suas primeiras criações para a canção de câmara tiveram como base poetas brasileiros. Em 1918, aos dezessete anos, compõe a Canção Árabe, para canto e piano, com versos de Olavo Bilac (1865-1918), considerada um de seus melhores trabalhos. Compõe também a Serenata inútil, para piano solo, e ainda a Balada do pingo d’água, sob poesia de Ribeiro Couto (1898-1963). Em seu livro A canção brasileira de câmara, MARIZ (2002, p.113) afirma que: “Seu primeiro sucesso no setor foi com a Balada do pingo d’água, de 1918, que escreveu ainda muito jovem e na qual introduziu timidamente uma pontinha de dissonância”.

Fato importante na vida de Arthur Iberê de Lemos foi a amizade e o trabalho desenvolvidos com o compositor Heitor Villa-Lobos. Esta ligação teve início no Rio de Janeiro, numa época em que Iberê de Lemos também começava a ser reconhecido como compositor. Dentre as parcerias realizadas por ambos, citamos a revisão feita por Iberê de Lemos em toda a obra para banda, de Villa-Lobos. Villa-Lobos, 14 anos mais velho do que Arthur Iberê de Lemos, chegou a dedicar a Arthur Iberê sua composição para piano solo A lenda do caboclo, que teve sua estreia pelo próprio homenageado no dia 11 de junho de 1921. Por sua vez, Iberê de Lemos dedicou a Villa-Lobos a canção para canto e piano Música brasileira, com versos de Olavo Bilac, Opus 18. A amizade entre os dois compositores se estendia ainda às famílias, pois o pai de Iberê Lemos, Artur de Souza Lemos, deputado, apresentou um projeto junto à Câmara dos Deputados para angariar fundos para a viagem de Villa Lobos à Europa. Segundo AZEVEDO (1956, p.362-363), “Iberê Lemos era musicalmente maduro, já estava de posse de todos os seus recursos musicais, quando se aproximou de Villa-Lobos”.

A Lenda do Caboclo, de Heitor Villa-Lobos, dedicada a Arthur Iberê de Lemos

 

Berlim foi a cidade escolhida por Arthur Iberê de Lemos para dar continuidade aos estudos após passar no Brasil, desde sua estada em Londres. Partiu para a Alemanha em dezembro de 1921, residindo naquele país no período que compreende os anos de 1921 até o início de 1925. Aluno de Wilhelm Fork (s.d.), que fora discípulo de Max Reger (1873-1916), estudou contraponto e instrumentação. O período em que passou na Alemanha serviu também para que Arthur Iberê iniciasse uma carreira diplomática, ocupando o cargo de auxiliar do Consulado Brasileiro em Berlim.

No ano de 1922, uma publicação alemã organizada pelo pastor Alfred Funke (1869-1941) teve como intenção uma contribuição da Alemanha às comemorações do centenário da Independência do Brasil. Desta maneira, a coletânea O Brasil e a Allemanha – 1822 – 1922, publicada em Berlim, pela Editora Internacional, no ano de 1923, era dedicada às boas relações entre Brasil e Alemanha, contendo artigos diversos sobre os dois países. Arthur Iberê de Lemos foi convidado a escrever o seu, que intitulou “Da arte e da Humanidade em geral. Algumas de suas revelações com relação à civilização na Allemanha e no Brasil em particular”. Este material, hoje raro, nos diz muito sobre o senso estético musical que o jovem Iberê de Lemos já possuía, com apenas 21 anos de idade. Em sua escrita, percebemos um pouco de sua cultura e posição estética à época: Transcrevemos a seguir algumas de suas opiniões sobre a arte:

Indubitavelmente, a arte, pela sua natureza ao mesmo tempo individual, universal e sintética por excelência é o expoente mais perfeito, em todos os tempos, da atividade humana em geral. Ela é o registro mais fiel e o resumo mais substancial de todos os acontecimentos que se passam no homem e entre ele e o resto da natureza. Pode-se mesmo dizer que todas as produções de arte reunidas formam o livro histórico da humanidade. O que a natureza é para Deus, a arte é para o homem; – a criatura refletindo o criador. (LEMOS, 1922, p.169)

Nas décadas seguintes, após seu retorno da Europa, o compositor atuaria como crítico musical no Rio de Janeiro, no jornal A Manhã.

Após os estudos em Berlim, Arthur Iberê de Lemos escolhe a Itália, mais precisamente Milão, como mais um ponto de parada para a continuação de seus estudos. Para aquela cidade, o compositor partiu em meados de 1926, permanecendo em Milão até o ano de 1933. Esteve sob orientação de Vincenzo Ferroni (1858-1934), também mestre de outros três brasileiros: Alexandre Levy (1864-1892), Antônio Carlos dos Reis Rayol (1855-1905) e Francisco Mignone (1897-1986). As aulas com Ferroni aconteceram no Real Conservatório Giuseppe Verdi.

O livro Storia della musica nel Brasile, de Vincenzo Cernicchiaro, publicado em 1926, apresenta duas páginas sobre o então jovem compositor. Em futuras publicações sobre a música brasileira, o nome de Iberê de Lemos aparecerá com pouco destaque, com exceção do livro Música e músicos do Pará (1970, p.173-177), escrito por Vicente Sales. No entanto, o compositor figurou abundantemente em jornais do Rio de Janeiro, sendo seu nome citado em concertos, audições públicas e privadas, recitais, estreias, movimentos ligados às participações que teve como maestro, compositor e intérprete.

Segundo CERNICCHIARO (1926, p.583), é em Londres que o jovem Iberê, “dotado de uma alma sublimemente poética”, traz à luz seus primeiros trabalhos composicionais juvenis: Suíte e Duas fantasias, ambas para piano solo, e duas canções para canto e piano. O autor registrou ainda sua admiração por algumas composições de Arthur Iberê de Lemos, com ênfase em suas obras vocais, citando as canções com textos em português: A roca do meu sonho, O Vale, Música brasileira, Canto de Ophelia, Seio de Deus, Crepúsculos de ouro, Madrigal, Desejo, Sonhando, O amanhecer, A canção de Romeu e Vento noturno. São citadas ainda as canções com texto em francês: Pour la Princesse lointaine (Ballade pour la princesse lointaine – Op. 4), Musique sur l’eau e Ma vie. Para CERNICHIARO (1926, p.584), tanto a Balada do pingo d’água como A canção árabe, ambas compostas para canto e piano, e a Serenata inútil, para piano solo, foram definidas como repletas de uma “beleza esquisita, nas quais se reflete o sentimento poético e os intrínsecos valores musicais do jovem compositor”.

As informações fornecidas sobre a vida e a obra de Arthur Iberê são valiosas por terem sido escritas ainda em vida do compositor. Constituem, até hoje, a base para todos os escritos que encontramos sobre ele. Em linhas cheias de elogios, Cernicchiaro define algumas criações de Arthur Iberê com sendo “escritas com beleza de estilo, clareza dos pensamentos, rica lógica das modulações e originalidade dos ritmos”. Ao final dos dados fornecidos sobre Iberê de Lemos, o autor italiano prevê para o futuro do jovem compositor:

Nestas obras, escritas entre os campos onde se colhem flores e conceitos sublimes, está a bela expressão da arte do valoroso jovem Iberê de Lemos, a ser contado entre os talentos mais brilhantes que pode se gabar o noticiário de arte nacional. (CERNICCHIARO, 1926, p. 584)

Em 1925, Arthur Iberê volta ao Brasil e apresenta no ano seguinte, 1926, uma única audição de suas obras no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, no dia 16 de janeiro. O programa foi organizado exclusivamente com peças para canto e piano, e teve o compositor ao piano com a participação dos cantores Elza Barroso Murtinho (s.d.-1966) e Adacto Filho (s.d). Sobre a primeira audição com obras próprias, resgatamos uma crítica sobre o evento, assinada por J.M., publicada no dia 17 de janeiro de 1926, no jornal O Paiz, que aponta qualidades do compositor, ressaltando o apoio do mesmo recebido pela plateia, como podemos ver a seguir:

Audição Iberê de Lemos
Suas composições apresentam aquelas qualidades que não se aprendem, nem se adquirem – originalidade, expressão, sentimento, vigor, colorido – mas que são próprias, naturalmente próprias, dos que já nascem com a centelha da arte e a chama viva do espírito. (…)

Após este concerto, Arthur Iberê retorna à Itália e lá permanece até 1933. Dando por concluídos seus estudos musicais, retorna ao Brasil, residindo na cidade do Rio de Janeiro.


Retorno definitivo ao Brasil e permanência no Rio de Janeiro

Embora reconhecido como uma pessoa reservada, seu nome foi amplamente citado em recitais, audições, programas transmitidos por rádio, como A Hora do Brasil, a 28 de março de 1939, quando o compositor chegou a ter um recital inteiro contendo composições próprias. Suas canções para canto e piano compõem a parte de sua obra mais explorada e divulgada até hoje. Em vida, Iberê de Lemos pôde vivenciar o sucesso de diversas canções, como nos mostra o Ex.1. Segundo MARIZ (2002, p.112) as canções de Iberê de Lemos eram “disputadas pelos melhores cantores de sua época”. Ainda, para MARIZ, a obra-prima de Iberê de Lemos é a canção Ismália, com texto de Alphonsus de Guimarães, que foi dedicada a Cherubina Rojas Ovalle de Carvalho, irmã do compositor Jayme Ovalle: “Ismália é uma das mais belas canções compostas em sua época. Nos anos quarenta todos os recitalistas a cantavam”.

Na década de 1940, com Villa-Lobos, Arthur Iberê participou da criação de dois institutos de suma importância para a música no Brasil: o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico (1942) e a Academia Brasileira de Música (1945).

O Governo Federal estabeleceu o funcionamento do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico pelo Decreto-Lei nº4.993, no dia 26 de novembro de 1942. No Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, Arthur Iberê trabalhou como convidado de Villa-Lobos (diretor do Conservatório) na parte organizacional do conservatório. Já a Academia Brasileira de Música, fundada no dia 14 de julho de 1945, no Rio de Janeiro, contou com a participação de Arthur Iberê de Lemos como segundo secretário e tesoureiro.

Sessão inaugural da Academia Brasileira de Música, em 1945. José Siqueira (1º esquerda frente) e Eurico Nogueira França (2º esquerda trás). Arthur Iberê de Lemos encontra-se ao cento, de terno branco. Restante listado mas não relacionado com a imagem: Fructuoso Vianna, Antonio de Sá Pereira, João Baptista Julião, Brasílio da Cunha Luz, Antonio Garcia de Miranda Neto, Frei Pedro Sinzig e Francisco Curt Lange.

 

Estabelecido como performer e compositor, Iberê de Lemos também atuou como professor, lecionando composição e harmonia, tendo o compositor Altino Pimenta (1921-2003) como seu discípulo mais conhecido. Segundo VIANA (2008, p.19):

O compositor Artur Iberê Lemos (1901-1967) desempenhou significativa importância na formação musical de Altino Pimenta. Foi o seu professor mais referenciado, ensinando-lhe composição e harmonia. Sendo ele o interlocutor da ligação pessoal de Altino Pimenta com Villa-Lobos, tornou-se o responsável pela influência villalobiana (QUEIROZ, 2002) na composição de Pimenta. É importante salientar que Iberê Lemos, além da tradicional formação italiana, que predominava entre os músicos paraenses de sua época, recebeu também a influência germânica do início do séc. XX.

Embora ainda seja citado por livros de história da música brasileira durante a década de 1940, Iberê de Lemos já não é reverenciado como compositor promissor. Segundo ALMEIDA (1942, p.481), em seu livro História da Música Brasileira, registra uma breve crítica a Iberê de Lemos como compositor:

A sua melodia é fluente e os processos interessantes e pessoais. Tem demonstrado pendores para um nacionalismo moderado, procurando, nas suas próprias palavras, a ‘fusão de elementos nacionais e universais’, formula que me parece, aliás, pouco explícita, pois não sei bem que sentido dar à expressão ‘elementos universais’, a menos que signifique a cultura universal (…).

Já nos anos de 1950, com uma carreira musical reconhecida e estável, teve duas composições para coro premiadas no Concurso de Melodias para o Natal, organizado e promovido pela prefeitura do Distrito Federal, em 1957: Salve, oh santa luz e Assim cantavam os anjos, escritas sob poesia do próprio compositor. Neste concurso, nenhuma das 15 composições apresentadas obteve o primeiro lugar. Segundo a banca, em comunicado oficial datado do dia 24 de agosto de 1957, através do jornal Correio da Manhã:

Das cinco composições selecionadas para o julgamento final, somente duas foram consideradas (por unanimidade de votos) as que possuíam “fino lavor artístico”. A Comissão, tendo em vista que nenhuma das duas escolhidas tinha cunho nacional deixou de atribuir o primeiro prêmio a qualquer delas. Tomando por base a opinião geral, foram assim classificadas: segundo prêmio – a de número cinco – Salve Oh Santa Cruz, terceiro prêmio – a de número quatro – Assim Cantavam os Anjos (…)

Posteriormente, no ano de 2011, as duas peças supracitadas foram gravadas pelo coral Collegium Cantorum, de Curitiba, sob regência de Helma Haller.

Foi na década de 1960 que Arthur Iberê de Lemos pôde ver seu sonho realizado ao ver encenada a ópera A Ceia dos Cardeais, o que ocorreu em Belo Horizonte, no ano de 1963, no Teatro Francisco Nunes. Tal acontecimento deu-se poucos anos antes da morte do compositor. A ópera A ceia dos cardeais, também intitulada pelo compositor de “Poema Lírico”, foi estruturada em apenas um ato, contendo a participação de três personagens masculinos, cardeais no Vaticano que compartilham suas experiências e opiniões sobre o amor laico, escolhendo três vozes masculinas distintas: de tenor, barítono e baixo. Arthur Iberê de Lemos preservou o texto original da peça homônima do escritor português Julio Dantas (1876–1962) em quase sua totalidade, suprimindo pouco do original, não caracterizando, desta maneira, a criação de um libreto.

Autorização do escritor Julio Dantas para o uso do texto de sua peça teatral A Ceia dos Cardeais para a composição de sua ópera homônima.

 

Em 2015, após mais de cinco décadas da estreia da ópera A Ceia dos Cardeais em Belo Horizonte, o Festival de Ópera do Theatro da Paz, realizado em Belém – Pará, levou à cidade natal do compositor sua encenação completa. Essa montagem contou com a participação dos solistas Paulo Mandarino, Inácio de Nonno e Carlos Eduardo Marcos. A direção cênica foi concebida por Mauro Wrona. A regência da obra esteve sob as mãos do maestro Carlos Moreno, que conduziu a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz em montagem histórica para a história da ópera brasileira. A seguir, detalhe da interpretação dos cantores Inácio de Nonno, como Cardeal Ruffo, e Carlos Eduardo Marcos, como Cardeal Gonzaga.

Primeira representação completa da ópera A Ceia dos Cardeais, de Arthur Iberê de Lemos, na igreja de Santo Alexandre, Belém – PA.

 

Como compositor, Arthur Iberê escreveu para diversas formações, tais como piano solo, canto e piano, coro, orquestra, violino solo, violino e piano, violoncelo solo, vozes e orquestra. Sua obra excede o volume de uma centena de peças manuscritas e editadas.

Arthur Iberê de Lemos faleceu em Petrópolis, no dia 13 de fevereiro de 1967. Foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, o mesmo cemitério que abriga os restos mortais de sua mãe. O compositor foi homenageado ainda naquele ano, junto com outros dois acadêmicos falecidos naquele ano, Paulo Silva, nascido em 1892, e Brasílio Itiberê da Cunha Luz, nascido em 1896, na última sessão da Academia Brasileira de Música. Após seu falecimento, toda sua produção musical foi doada para a Biblioteca Nacional, onde encontra-se disponível para pesquisa.


Referências

– ALMEIDA, Renato. História da Música Brasileira. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1942, p.481.

– AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa. 150 anos de música no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1956.

– CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della musica nel Brasile. Milão: Fratelli Riccioni, 1926.

– FUNKE, Alfred. O Brasil e a Allemanha 1822-1922. Berlim Internacional: 1923

– LEMOS, Arthur Iberê de. Da arte e da Humanidade em geral. Algumas de suas revelações com relação à civilização na Allemanha e no Brasil em particular. O Brasil e a Allemanha – 1822 – 1922. 1923, p.168-171.

– MARIZ, Vasco. A canção brasileira de câmara. 4.ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2002.

– SALLES, V. Música e músicos do Pará. Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1970, p.173-177.

– SANTOS, MAURO CAMILO DE CHANTAL. A CEIA DOS CARDEAIS, ÓPERA EM 1 ATO, DE ARTHUR IBERÊ DE LEMOS: RESGATE HISTÓRICO ATRAVÉS DE EDIÇÃO CRÍTICA E DADOS BIOGRÁFICOS DO COMPOSITOR. TESE PARA O CURSO DE DOUTORADO EM MÚSICA. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP), CAMPINAS. 2013.

– VIANA, Elias Ferreira. O cancioneiro de Altino Pimenta (Belém – 1921 – 2003). Dissertação para o curso de Mestrado em Música. Universidade Estadual Paulista (UNESP). São Paulo: 2008.

– Artigos de jornal
O imparcial (1914), “Notas sociais”, 19 de janeiro, p. 7.
J. M (1926). “Artes e artistas”: Música. O Paiz, 17 de janeiro, p. 10.
Correio da manhã (1957), “Aproveitadas duas composições no concurso de melodias para o natal”, 24 de agosto, p. 14.
Partituras

– LEMOS, Arthur Iberê de. A Ceia dos cardeais: poema lyrico, em ato único com 4 quadros e 3 episódios: [op. 22] versos de Julio Dantas; adaptação e música de Iberê Lemos. Manuscrito cedido através de microfilmes pela Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Partitura para canto e orquestra.

– ______. A Ceia dos cardeais, poema lyrico, em ato único com 4 quadros e 3 episódios: [op. 22] versos de Julio Dantas; adaptação e música de Iberê Lemos. Partitura para canto e piano. Arquivo particular do Maestro Luiz Aguiar, Belo Horizonte.

– VILLA-LOBOS, Heitor, A Lenda do Caboclo. Partitura para piano. Rio de Janeiro: Araújo, 1920.

 

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