Escrito por em 28 ago 2017 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de Minas Gerais recebe Lukás Vondrácek, vencedor do último Concurso Rainha Elisabeth.

 

Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais divide o palco com o pianista tcheco Lukás Vondrácek, vencedor do último Concurso Rainha Elisabeth, da Bélgica. Em sua estreia com a Filarmônica, o pianista encara o virtuosismo da Rapsódia sobre um tema de Paganini, de Rachmaninov. O maestro Marcos Arakaki e a Orquestra apresentam também a Abertura em sol menor, de Bruckner; a neoclássica Sinfonia em dó, de Stravinsky, e o romantismo das valsas contidas em O cavaleiro da rosa, de Richard Strauss.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas que a Filarmônica promove antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o convidado é o spalla associado da Filarmônica de Minas Gerais, Rommel Fernandes. As palestras são gravadas e ficam disponíveis no site da Orquestra, no menu Concertos Comentados.

 

Os artistas

Musicalidade natural, autoconfiança, além de uma habilidade técnica notável, há muito marcam Lukás Vondrácek como um músico talentoso e maduro. O pianista fez sua primeira aparição pública aos quatro anos de idade. Em 2002, aos 15 anos, estreou profissionalmente com a Filarmônica Tcheca, sob a regência de Vladimir Ashkenazy. Entre os maestros conceituados com os quais já trabalhou estão Paavo Järvi, Gianandrea Noseda, Christoph Eschenbach e Vasily Petrenko. Seu trabalho se estende a vários conjuntos de renome, como as Orquestras Filarmônicas de Londres e de São Petersburgo; a Philharmonia e a Gulbenkian; a Wiener Symphoniker, Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, NDR, NHK e a Nacional de Washington. Lukás também se apresentou em recitais no Wigmore Hall de Londres, Carnegie Hall de Nova York, Konzerthaus de Viena, Concertgebouw de Amsterdã, dentre outros. Em 2016, venceu um dos mais importantes concursos musicais do mundo, o Rainha Elisabeth da Bélgica. Sua primeira gravação comercial, um álbum solo pela Octavia Records, com obras de Mendelssohn, Liszt, Janácek e Dohnányi, foi lançado em 2004. O segundo, com peças de Haydn, Rachmaninov e Prokofiev, saiu em 2012, pela Two Pianists Records. O disco mais recente, com obras de Brahms, intitulado Im Gläsernen Schloss, foi lançado em 2013, sob o selo ORF.

 

Marcos Arakaki é regente associado da Filarmônica de Minas Gerais e colabora com a Orquestra desde 2011. Sua trajetória artística é marcada por prêmios como o do 1º Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes 2001 e o Prêmio Camargo Guarnieri 2009, ambos como primeiro colocado. Foi também semifinalista no 3º Concurso Internacional Eduardo Mata, realizado na Cidade do México em 2007. Arakaki tem dirigido outras importantes orquestras tanto no Brasil como no exterior. Estão entre elas as Orquestras Sinfônicas Brasileira (OSB), do Estado de São Paulo (Osesp), do Teatro Nacional Claudio Santoro, do Paraná, de Campinas, do Espírito Santo, da Paraíba, da Universidade de São Paulo, a Filarmônica de Goiás, Petrobras Sinfônica, Orquestra Experimental de Repertório, orquestras de Câmara da Cidade de Curitiba e da Osesp, Camerata Fukuda, dentre outras. No exterior, dirigiu as orquestras Filarmônica de Buenos Aires, Sinfônica de Xalapa, Filarmônica da Universidade Autônoma do México, Kharkiv Philharmonic da Ucrânia e a Boshlav Martinu Philharmonic da República Tcheca. Foi regente assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira e regente titular da OSB Jovem e da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Natural de São Paulo, Arakaki é bacharel em Música pela Universidade Estadual Paulista e mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts, Estados Unidos. Recebeu orientações de David Zinman na American Academy of Conducting at Aspen e participou de masterclasses com os maestros Kurt Masur, Charles Dutoit e Sir Neville Marriner. Nos últimos dez anos, tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de setenta cidades brasileiras. Atua, ainda, como coordenador pedagógico, professor e palestrante em diversos projetos culturais, instituições musicais, universidades e conservatórios de vários estados brasileiros.

 

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Anton Bruckner (1824-1896) e a obra Abertura em sol menor
A vida e obra de Bruckner são todas guiadas pela fé, inquebrantável, devota, que é a sua fonte maior. Na sua linguagem, a herança de Beethoven e Schubert mistura-se à de Wagner, sem, no entanto, fazê-la perder a originalidade. Fato é que, com isso, Bruckner acaba sendo adotado pela modernidade, que o alça a uma espécie de lugar paradigmático. O autor da Pills Abertura em sol menor é, no entanto, relativamente diverso do compositor das extensas nove sinfonias. Sintético, quase clássico, é ainda a um jovem artista que se ouve (a despeito dos seus 38 anos), anterior à Primeira Sinfonia, cuja herança beethoveniana é inquestionável. Em Linz, estudando com Otto Kitzler, Bruckner compôs, em 1862, suas quatro primeiras obras orquestrais. A obra seguinte, composta entre 1862 e 1863, ainda sob a orientação de Kitzler, foi a justamente a Abertura em sol menor. Publicada e estreada somente em 1921, em Kolsterneuburg, Áustria, sob a batuta de Franz Moissl, a obra sofreu algumas alterações a partir de sua concepção, sempre orientadas por Kitzler.

Igor Stravinsky (1882-1971) e a obra Sinfonia em dó
Os primeiros esboços de Stravinsky do que viria a ser a Sinfonia em dó foram anotados num caderno de hotel em Evanston, Illinois, em 3 de março de 1937, durante a terceira turnê do compositor pelos Estados Unidos. Ele os retomou no outono de 1938, em Paris, quando sua vida doméstica começou a desintegrar-se: a filha Ludmila e a esposa Catarina morreram, ambas vitimadas pela tuberculose. Stravinsky internou-se por cinco meses um uma clínica na Suíça, diante do Monte Branco, onde concluiu os dois primeiros movimentos. No ano seguinte ele perdeu a mãe. Dos Alpes, escreveu: “Minha casa, minha família está destruída – já nada tenho a fazer em Paris…” E deixou a clínica na véspera da declaração de guerra. Na Alemanha, passara a ser tido por etnicamente judeu e artisticamente degenerado; na França, a crítica já não lhe era favorável; e, por toda a Europa, os concertos rareavam. Três semanas mais tarde, embarcou para a quarta turnê norte-americana, que se iniciou com um ciclo de palestras em Harvard. Em abril de 1940, Stravinsky completou a partitura, dedicada à Sinfônica de Chicago, que a estreou no dia 7 de novembro do mesmo ano. A Sinfonia em dó parte da imagem da sinfonia clássica e paga tributo a suas formas e procedimentos, mas faz algo em essência diferente: dar prosseguimento aos métodos de Stravinsky em um exercício de modelagem que toma uma ideia forte por ponto de partida de uma jornada criativa pessoal.

Sergei Rachmaninov (1873-1943) e a obra Rapsódia sobre um tema de Paganini, Op. 43 buy aldara without a script Cheap
Aos artistas criadores e aos musicólogos, em sua grande maioria, o legado de Rachmaninov não causa entusiasmo ou desprezo. Por outro lado, aos intérpretes e ao público em geral, ele soa atraente, desafiador e comovente. Rachmaninov foi, antes de tudo, um pianista. Essa ligação visceral com o seu instrumento o faz adotar uma estética ultrarromântica, que leva a graus exponenciais o tratamento pianístico. À parte as pequenas peças para piano, nota-se isso sobretudo em seus concertos e na celebrada online Rapsódia sobre um tema de Paganini Purchase . Escrita em 1934, foi estreada no mesmo ano em Baltimore, Estados Unidos, pela Orquestra da Filadélfia, sob a regência de Leopold Stokowski, tendo como solista o próprio compositor. Trata-se de uma obra concertante, para piano e orquestra, constituída de 24 variações sobre o tema do vigésimo quarto Capricho Viagra Soft cheap de Paganini (composto para violino solo). A figura mítica de Paganini, que ajudou a moldar a mentalidade romântica, transparece em suas criações, de grande dificuldade, cujo exemplo mais célebre são justamente os ciprofloxacin cheap Caprichos. De alguns deles, Schumann e Liszt fizeram transcrições para piano, e Brahms elaborou, com o tema principal do último, duas séries de variações para piano. É nessa mesma tradição romântica que Rachmaninov compõe sua Rapsódia.

Richard Strauss (1864-1949) e a obra O cavaleiro da rosa, Op. 59 Cialis Professional : primeira sequência de valsas
O cavaleiro da rosa é um tributo de Richard Strauss a Mozart. A música é uma fusão do estilo refinado de Strauss com a leveza mozartiana, com espaço para vários momentos da encantadora valsa vienense. A ópera foi composta entre 1909 e 1910. A primeira apresentação se deu na Ópera de Dresden, no dia 26 de janeiro de 1911. O sucesso foi tão grande que, nos anos que se seguiram à estreia, ela era apresentada nos principais teatros da Europa e dos EUA para uma plateia cada vez mais apaixonada. Mais de um século depois, é possível ainda perceber que a paixão do público por esta ópera não parece diminuir em nada. As valsas não existem como peças isoladas na ópera, mas estão presentes em várias cenas. Em 1944, Strauss criou uma sequência de suas valsas favoritas. Por conter valsas dos atos I e II, esse agrupamento acabou levando o nome de Sequência de Valsas n. 1, embora ele já tivesse composto, em 1911, uma sequência de valsas extraídas dos atos II e III (agora renomeada Sequência de Valsas n. 2). Em ambas, o compositor reordenou a ordem de aparição das valsas, dando prioridade ao sentido musical. Uma vez que se trata de música instrumental, e o argumento teatral encontra-se ausente, o compositor sentiu-se livre para acomodar os diversos trechos musicais de acordo com sua fantasia. Nessas Sequências, a mestria orquestral de Strauss salta imediatamente aos ouvidos.

 

Foto: Irene Kim

 

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Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Lukás Vondrácek, piano

Marcos Arakaki, regência

 

31 de agosto e 1 de setembro, quinta e sexta-feiras, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 105 (balcão principal), R$ 85 (plateia central), R$ 62 (balcão lateral), R$ 50 (mezanino) e R$ 40 (balcão palco e coro), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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