Escrito por em 16 ago 2017 nas áreas Balé/Dança, Ópera, Programação, São Paulo

O balé Pulcinella e a ópera Arlecchino com o maestro Ira Levin e direção cênica de William Pereira.

De 19 a 27 de agosto, a Orquestra do Theatro São Pedro e a São Paulo Companhia de Dança apresentam um programa duplo inédito com repertório do século XX, composto por Stravinsky e Busoni, que tem como tema a commedia dell’arte, com ingressos a preços acessíveis.

Neste mês, o Theatro São Pedro apresentará dois espetáculos inéditos em um mesmo programa: no sábado, dia 19 de agosto, às 20h, estreia o balé Pulcinella, de Igor Stravinsky, seguido da ópera Arlecchino, de Ferruccio Busoni. Sob a regência e direção musical do maestro norte-americano Ira Levin, direção cênica de William Pereira e coreografia de Giovanni Di Palma, a montagem será apresentada também nos dias 21, 23, 25, às 20h, e no dia 27, domingo, às 17h.

O Theatro São Pedro segue sua vocação operística dirigindo seu olhar, nesse primeiro programa, à contemporaneidade, com uma montagem que reúne dois títulos com repertório do século XX, cujos temas têm em comum a inspiração na commedia dell’arte, teatro de rua italiano que floresceu no século XVI.

Visando à conexão e ao diálogo entre as artes, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), dirigida por Inês Bogea, foi convidada a participar da produção, selecionando 14 bailarinos de seu elenco. Esta será a estreia da Companhia em cenário operístico, e a inédita parceria da Santa Marcelina Cultura com a Associação Pró-Dança, organização social responsável pela gestão da SPCD.

O objetivo é promover a ampliação de plateia com seus públicos, estabelecendo um diálogo entre as instituições e criando uma dinâmica de trabalhos em conjunto. “Estamos muito felizes por conseguir reunir, na primeira montagem do Theatro São Pedro sob a gestão da Santa Marcelina Cultura, a Orquestra do Theatro São Pedro e a São Paulo Companhia de Dança”, afirma Paulo Zuben, diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura. “Esse é o primeiro balé com canto da Companhia e o primeiro espetáculo do gênero realizado em conjunto por dois corpos estáveis do Governo do Estado. É uma obra na qual dança e música têm um forte diálogo e aqui em especial, com a presença dos cantores na cena interagindo com os bailarinos e a orquestra ao vivo intensificando a interação entre as artes”, diz Inês Bogéa, diretora artística da SPCD.

A Orquestra do Theatro São Pedro estará sob a batuta de Ira Levin, regente norte-americano aclamado internacionalmente, que já esteve à frente de importantes casas de ópera, como a de Bremen e Dusseldorf (Alemanha). Fábio Namatame assina os figurinos, Mirella Brandi a iluminação, e o diretor William Pereira os cenários.
ELENCOS

O balé Pulcinella será encenado pelos bailarinos Diego de Paula, no papel do protagonista Pulcinella, e Thamiris Prata como Pimpinella. Também participam Paula Alves (Prudenza), Luciana Davi (Rosetta), Yoshi Suzuki (Fourbo), André Grippi (Caviello), Nielson Souza (Florindo), Michelle Molina, Morgana Cappellari e Ammanda Rosa (Moças do Povo) e Hiago de Castro, Bruno Veloso, Mozart Mizuyama e Vinícius Vieira (Pequenos Pulcinellas).

Para a ópera Arlecchino foram selecionados cantores de destaque no país. Vinicius Atique interpreta o protagonista Arlequim, e Denise de Freitas sua esposa Colombina. Também integram o elenco Giovanni Tristacci (Leandro), Rodolfo Giugliani (Sr. Matteo del Sarto), Pepes do Valle (Doutor Bombasto) e Johnny França (Abade Cospicuo). Os bailarinos Luciana Davi, Bruno Veloso, Otávio Portela e Vinícius Vieira participam da obra interpretando a amante de Arlequim, soldados e rapaz com a carroça, respectivamente.
AS OBRAS

Escolhidas pelo seu diálogo com a contemporaneidade, Pulcinella e Arlecchino são duas importantes representantes da produção artística do século XX. Tanto o balé como a ópera buscam referências na commedia dell’arte, gênero italiano que surgiu no século XVI como contraposição à comédia erudita. Os espetáculos eram marcados pelo improviso e liberdade de interpretação. Renegada nos altos círculos por seu caráter popular, a commedia dell’arte renasceu séculos depois por meio de autores como Carlo Goldoni, Molière e Pierre de Marivaux.

A tradição foi resgatada no século XX, quando Stravinsky e Busoni compuseram, respectivamente, o balé Pulcinella (1920) e a ópera Arlecchino (1917). William Pereira, diretor cênico do espetáculo, explica as semelhanças e contradições das peças. “Em comum, estão os encontros e desencontros amorosos, tema básico da commedia dell’arte”, destaca. “Se no balé existe um olhar afetuoso e quase nostálgico na partitura neoclássica de Stravinsky, a ópera de Busoni carrega uma grande dose de ironia, numa espécie de anti-ópera”, completa.
AS HISTÓRIAS

O balé Pulcinella, de Igor Stravinksy (1882-1971), estreou na Ópera de Paris em 1920. Para escrever a obra, o compositor russo estudou documentos inacabados de Giovanni Pergolesi (1710-1736) e outros autores italianos do século XVIII e elaborou, à sua maneira, uma peça nova e inovadora para os Ballets Russes. O espetáculo reuniu além de Stravinsky e do empresário Sergei Diaghliev, o bailarino Léonide Massine, responsável pela coreografia, e Pablo Picasso, que assinou os figurinos e os cenários. Pulcinella tem todas as mulheres a seus pés, mas a concorrência e sua namorada não gostam nada disso. Após ser atacado e dado como morto. Pulcinella cria uma elaborada farsa para enganar toda a cidade. Ao final, os casais se rendem ao amor e se casam.

Já Arlecchino, com música e libreto do compositor e pianista ítalo-germânico Ferruccio Busoni (1866-1924), estreou em 11 de maio de 1917, na Casa de Ópera de Zurique (Suíça). Na ópera, Busoni transforma o tradicional personagem e exacerba suas qualidades. O Arlequim apresentado não é apenas um astuto galanteador, mas um conquistador um tanto inescrupuloso que se eleva sobre a moral, mostra a vida como ela é e deixa eventuais julgamentos a cargo do público. Musicalmente, é notável que Busoni parte dos conflitos artísticos que traz em si, do lirismo da Itália paterna à
substância da Alemanha de sua mãe, da restauração do Classicismo à nova música do século XX.

A ópera em um ato divide-se em quatro tempos, correspondendo cada um a determinada faceta do protagonista: trapaceiro, soldado, marido e conquistador. O astuto Arlequim não mede esforços para atingir seu objetivo: seduzir Annunziatta, mulher do alfaiate sr. Matteo del Sarto. Como bom casanova, ilude também Colombina, sua própria mulher – e não hesita em entrar em combate mortal com Leandro, cavaleiro que se apaixona por Colombina e promete vingar a honra da mulher traída. O aparente assassinato de Leandro confunde os tipos da cidade, o abade Cospicuo e o doutor Bombasto. Resignado com a perda da mulher e sem entender muito bem o destino que lhe foi imposto, sr. Matteo volta à triste labuta sem questionamentos.
A PRODUÇÃO

De acordo com William Pereira, um dos grandes desafios da produção foi conceber um espetáculo duplo, para que uma obra estabeleça diálogo com a outra. Pensando na unidade entre o balé e a ópera e trazendo para uma linguagem contemporânea, foi criado um espaço cênico único, minimalista, neutro e de arquitetura própria.

A obra de arte em destaque são os bailarinos e cantores. Dessa forma, o cenário se torna mais um espaço de suporte para a atuação do que um elemento descritivo e realista das ruas de uma cidade italiana antiga, Nápoles ou Bergamo. Colunas circundam a cena e bolas e luminárias pendem do teto. As estruturas se transformam quando movimentadas, ganhando volumes e formas. Tudo é amparado pela luz, elemento fundamental do espetáculo que auxilia a narrativa. Na mesma proposta foram concebidos os figurinos: uma releitura dos trajes tradicionais da commedia dell’arte em que são mantidos o padrão e cores originais, recriando-se a forma.
OS PROFISSIONAIS

Ira Levin, diretor musical e maestro convidado

Mundialmente aclamado pela sua versatilidade musical, Ira Levin já regeu centenas de concertos e montagens de 75 óperas, além de ter um vasto repertório sinfônico. Trabalhou com os mais conhecidos instrumentistas, cantores e diretores de todo o mundo, e regeu em importantes casas de ópera e salas de concerto na Europa e nas Américas. Ira Levin gravou discos com a Sinfônica de Londres, a Orquestra Nacional da Escócia e a Orquestra Sinfônica de Norrland (Suécia). Foi maestro principal das Casas de Ópera de Bremen e Dusseldorf (1988-96, 1996-2002), o principal maestro convidado do Teatro Colón de Buenos Aires, entre 2011 e 2015, e diretor artístico e musical do Theatro Municipal de São Paulo, entre 2002 e 2005. Atualmente, trabalha como o principal maestro convidado da Ópera Nacional de Sofia, onde conduzirá O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner em 2018, bem como no Teatro Bolshoi de Moscou.
William Pereira, diretor cênico e cenógrafo

Iniciou sua formação artística com o estudo de piano. Graduou-se em direção teatral pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Estagiou em teatro lírico na English National Opera e Royal Opera House em Londres. Tem se destacado nas temporadas líricas e teatrais do país em espetáculos com grande repercussão de público e crítica.

Entre seus principais trabalhos destacam-se as estreias mundiais das óperas A Tempestade de Ronaldo Miranda, Olga de Jorge Antunes, Onheama e Natividade de J.G. Ripper. No teatro dirigiu grandes sucessos como Leonce E Lena de Büchner, O Burguês Fidalgo e Dom Juan de Molière, Luzes Da Boemia de Valle-Inclán, Livro Do Desassossego de Fernando Pessoa, Romeu E Julieta de Shakespeare. Ganhador dos prêmios Carlos Gomes, APCA, Governador do Estado e Shell.
Giovanni Di Palma, coreógrafo

É um dos grandes nomes do cenário da dança. Após graduar-se pela Academia Nacional de Dança de Roma, foi contratado pelo Teatro da Ópera de Roma para dançar a versão de Romeu e Julieta de John Cranko (1927-1973). Em 2000, juntou-se ao Leipzig Ballet como primeiro bailarino, sob direção de Uwe Scholz (1958-2004). Ao longo de sua carreira participou de montagens de coreógrafos como Scholz, Balanchine (1904-1983), Cranko, Jirí Kylián, John Neumeier, Marco Goecke, entre outros. Criou Romeu e Julieta (2013), para a São Paulo Companhia de Dança, para quem remontou Pássaro de Fogo (2010), Supernova (2009), ambas de Goecke, e Suíte para Dois Pianos (1987), de Sholz.

Diego de Paula (Pulcinella)

Natural de Suzano (SP), iniciou seus estudos em dança em 1995, no Studio Márcia Belarmino. Em 2001, foi admitido na Akademie des Tanzes, dirigida por Birgit Keil, em Mannheim (Alemanha). Em 2003, foi contratado pela Badisches Staatstheater Karlsrule, também na Alemanha, onde foi promovido solista em 2006 e primeiro bailarino em 2008, cargo que ocupou até 2011. Já dançou obras de Uwe Scholz, Jean-Christopher Maillot, Hans Van Manen, Mac Millian, Balanchine, Peter Wright, Ashton e outros. Entrou para a São Paulo Companhia de Dança em 2011.

Thamiris Prata (Pimpinella)

Natural de Santos (SP), formou-se em balé clássico pela Escola de Bailado Municipal de Santos no ano de 2002. Em 2006, participou do espetáculo O Quebra Nozes pela Cisne Negro Cia. de Danca. Ganhou medalha de ouro no Festival de Dança de Joinville em 2001 e participou do Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York. Licenciou-se em Educação Física, em Santos, no ano de 2008. Integra o elenco da SPCD desde 2008.

Vinícius Atique (Arlequim)

Apresentou-se nos principais teatros do país, tendo cantado obras como L’enfant et les sortilèges, I Puritani, La Bohème, Carmen, O Morcego, Madama Butterfly, Werther, O Barbeiro de Sevilha. Em 2016 debutou como Silvio em I Pagliacci e Don Giovanni em Ribeirão Preto e em 2017 interpretou Stárek em Jenufa, de Léos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e estrelou o ciclo de canções Winterreise no Theatro Municipal de
São Paulo com o Balé da Cidade. Atualmente se aperfeiçoa com a mezzo-soprano norte-americana Dolora Zajick nos EUA. Estudou com os barítonos Carmo Barbosa no Brasil e Mark Pedrotti no Canadá.

Denise de Freitas (Colombina)

Com apresentações nas mais renomadas salas do Brasil, Denise tornou-se intérprete dos grandes personagens para a voz de mezzo-soprano, destacando-se Carmen, Laura de La Gioconda, Charlotte de Werther, entre outros. Na Sala São Paulo, já se apresentou sob regência do Maestro Thomas Dausgaard, (Herodias-Salomé) e do Maestro Markus Stenz (Sherazade de Ravel). No plano internacional, Denise de Freitas cantou a ópera Yerma de Villa-Lobos em Berlim, Paris e Lisboa; em tour por várias cidades europeias, sob regência do Maestro Helmut Hilling, apresentou a obra Stabat Mater, de Dvořak.

Giovanni Tristacci (Leandro)

É bacharel em música pela UFRJ e estudou em consagradas escolas da Europa como o Conservatório do Liceu em Barcelona, Centro de Perfeccionamento Placico Domingo e a Chapelle Musicale Reine Elizabeth (Bruxelas). Atuou em grandes teatros do Brasil e Europa. Com destacada atuação dentro do repertório operístico, sinfônico e camerísticos, tendo se apresentado com grandes orquestras e maestros, e em importantes salas no Brasil e no exterior. É orientado por Isabel Maresca.
Rodolfo Giugliani (Sr. Matteo del Sarto)

Não faltam elogios ao sólido trabalho do barítono Rodolfo Giugliani. Em 1999, durante uma apresentação de La Traviata, recebeu excelente crítica da revista Ópera Internacional de Paris. Desde então, o barítono tem se destacado nos principais teatros do Brasil e do exterior. Apresentou-se na Espanha, Chile, Itália e Áustria. Vencedor do Concurso de Canto Aldo Baldin, Concurso de Canto Bidu Sayão, Concurso de Canto Maria Callas e o Concurso de Canto Jaume Aragall.
Pepes do Valle (Doutor Bombasto)

Considerado um dos mais representativos baixos-barítonos no cenário lírico brasileiro, teve como professores de canto Neyde Thomas e Rio Novello. Com uma respeitável extensão vocal, são históricas as suas atuações. Suas performances como baixo buffo são hilárias, deixando marcas impagáveis como Dr. Bartolo em As Bodas de Fígaro. Com mais de 45 óperas em seu repertório, Pepes do Valle atua nos principais teatros brasileiros. É solista permanente da Companhia de Ópera Curta, onde se apresenta em quatro espetáculos do repertório em circulação.

Johnny França (Abade Cospicuo)

Vencedor do Concurso de Canto Maria Callas em 2014 e 2016, Johnny França é formado pela Academia de Ópera do Theatro São Pedro e Ópera Estúdio EMESP. Interpretou Fígaro, em As Bodas de Fígaro, e Einsenstein, em Die Flerdemaus, dirigido por Mauro Wrona e com regência de Emiliano Patarra. Sob o comando de Roberto Duarte, atuou em O Menino e o Liberdade, de Ronaldo Miranda. Participou de As Bodas de Fígaro, Bodas no Monastério e Adriana Lecouvreur, sob a batuta de Luiz Fernando Malheiro. Com regência de André dos Santos, atuou em Gianni Schicchi.

São Paulo Companhia de Dança (SPCD)

Criada em janeiro de 2008, pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – gerida pela Associação Pró-Dança – é dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, bailarina, documentarista e escritora. A São Paulo é uma Companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos 19, 20 e 21 de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes
companhias de dança da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação já foi assistida por um público superior a 600 mil pessoas em 15 diferentes países, passando por 119 cidades, em mais de 700 apresentações.

 

SERVIÇO:
Arlecchino e Pulcinella com Orquestra do Theatro São Pedro e participação especial da São Paulo Cia de Dança

Dias 19, 21, 23, 25 e 27 de agosto
Horários: domingo, às 17h e nos demais dias, às 20h

Theatro São Pedro (R. Albuquerque Lins, 207 – Campos Elíseos, São Paulo/SP)
Ingressos: R$ 15 a R$ 80
Plateia: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)
1º Balcão: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
2º Balcão: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Classificação indicativa: 12 anos

Acessibilidade: Sim

 

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