Escrito por em 12 set 2017 nas áreas Música contemporânea, Música sinfônica, Programação, Rio de Janeiro

Duo Santoro apresenta obra inédita de João Guilherme Ripper, com a Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, no domingo, 17 de setembro, no Cine Arte UFF.

 

Enquanto o compositor João Guilherme Ripper saboreia o sucesso da estreia internacional de sua ópera Piedade no Teatro Colón, em Buenos Aires (saiba mais), e os violoncelistas do Duo Santoro estão ainda envoltos com o recente CD Paisagens Cariocas, segundo disco de sua carreira, lançado no primeiro semestre, os artistas preparam-se para a estreia de Duplum, composição do primeiro para dois violoncelos e orquestra. Dedicada ao Duo Santoro, Paulo e Ricardo são os solistas, acompanhados pela Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, regida pelo maestro Tobias Volkmann, no domingo, dia 17 de setembro, às 10h30 no Cine Arte UFF, como parte da série OSN Alvorada VIII – Mostra de Música da Atualidade.

O concerto da OSN UFF tem ainda a apresentação do Concerto para fagote e orquestra, Op. 88, de Liduino Pitombeira, com execução a cargo de Jeferson Souza, integrante da OSN, além de obras de Cláudia Caldeira e Rafael Piccolotto de Lima.

Duplum inicia com uma introdução orquestral, na qual a trompa enuncia o primeiro tema. Segue-se uma cadência para os violoncelos sem acompanhamento que leva a uma nova seção, em que o primeiro tema é apresentado e desenvolvido pelos violoncelos em diálogo com a orquestra. A seção seguinte, mais movida, é marcada por trechos rítmicos contrastantes e pelo virtuosismo marcante das partes dos solistas. Segue-se uma seção mais lenta, que retoma e desenvolve o tema inicial, terminando em uma transição com um tutti orquestral que leva à passacaglia. O novo tema é inicialmente apresentado pelos violoncelos com acompanhamento de clarinetes e trompas para depois ser desenvolvido em variações sucessivas de crescente virtuosismo, culminando com o tutti final que encerra a obra.

 

Artistas

Paulo e Ricardo Santoro iniciaram os estudos musicais com o seu pai, o contrabaixista Sandrino Santoro. Em 1989, graduaram-se pela Escola de Música da UFRJ com nota máxima e dignidade acadêmica magna cum laude, e hoje são mestres pela UFRJ e pela UniRio. Pertencem aos quadros da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Sinfônica da UFRJ, nas quais já se apresentaram várias vezes como solistas, além de participar de outras formações camerísticas distintas, tais como trios, quartetos e outros duos – entre os quais está o Duo Santoro.

Único duo de violoncelos em atividade permanente no Brasil, o Duo Santoro estreou em 1990 e já se apresentou nas principais salas de concerto de todo o país. Seus recitais incluem um leque eclético de estilos, que vai do erudito ao popular. Uma das principais metas do Duo Santoro é a divulgação da música brasileira. Para isso, conta com a colaboração de vários compositores, que dedicaram algumas de suas principais obras ao Duo, tais como Edino Krieger, Ronaldo Miranda, Ricardo Tacuchian, Dimitri Cervo, Villani-Côrtes, Nestor de Hollanda e Sergio Roberto de Oliveira, entre outros.
Por unanimidade, Paulo e Ricardo Santoro receberam da União Brasileira de Escritores os prêmios Personalidade Cultural do ano de 1995 e a Medalha do Mérito Cultural de 2014, além de medalhas de ouro e de prata conferidas pela Escola de Música da UFRJ em 1992.

Nas comemorações dos seus 20 anos, se apresentaram em praticamente todo o Brasil e na República Dominicana, coroando o ano com um recital no famoso Carnegie Hall de Nova York. Em 2013, lançaram o seu primeiro CD, Bem Brasileiro, totalmente dedicado a compositores brasileiros do século 20 e contemporâneos, obtendo grande repercussão na imprensa nacional e internacional. Em 2017, lançaram seu segundo CD, Paisagens Cariocas, dedicado à música brasileira erudita e popular.

 

João Guilherme Ripper é compositor, regente, gestor cultural e professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Obteve seu doutorado em Composição na The Catholic University of America, em Washington D.C., onde estudou com Helmut Braunlich e Emma Garmendia. Frequentou curso de Perfeccionament en Direccón Orchestal na Argentina, com o maestro Guillermo Scarabino, e Économie et Financement de la Culture, na Université Paris-Dauphine.

Foi diretor da Escola de Música da UFRJ de 1999 a 2003. Em 2004 aceitou o convite do Governo do Estado do Rio de Janeiro para dirigir a Sala Cecília Meireles, onde permaneceu por 11 anos e empreendeu uma ampla reforma. Em 2015, foi nomeado presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, cargo que ocupou até o início de 2017. É membro e vice-presidente da Academia Brasileira de Música.

Colabora frequentemente com orquestras, conjuntos de câmara, teatros e festivais no Brasil e exterior criando novas obras ou atuando como compositor residente. Em sua produção mais recente destacam-se a série From My Window, encomenda do Artist Program da Kean University (EUA), Desenredo e Cinco poemas de Vinicius de Moraes, encomendas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Jogos Sinfônicos, encomenda da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Natividade – Cantata Cênica, encomenda do Teatro Amazonas, e Gloria Concertato, que encerrou recentemente o 1º Congresso Internacional de Música Sacra no Rio de Janeiro. Seu catálogo de obras inclui ainda as óperas Augusto Matraga, Domitila, Anjo Negro, O Diletante, além de Onheama, produzida no Festival Terras Sem Sombra em Portugal no ano passado, e Piedade, que integra a Temporada 2017 do Teatro Colón.

 

SERVIÇO:

 

Concerto da série “OSN Alvorada VIII – Mostra de Música da Atualidade”

 

Orquestra Sinfônica Nacional da UFF

Duo Santoro (violoncelos) e Jeferson Souza (fagote), solistas

Tobias Volkmann, regência

 

17 de setembro, domingo, às 10h30

Cine Arte UFF (R. Miguel de Frias 9, Icaraí – Niterói. Tels.: 21 3674-7511 e 3674-7512)

 

Ingressos: R$ 14, com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos e servidores da UFF

 

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