Escrito por em 29 set 2017 nas áreas Crítica, Lateral, Ópera, Rio de Janeiro

Orquestra e tenor se destacam em montagem de Tosca no Municipal do Rio de Janeiro.

Na quarta-feira, 27 de setembro, assisti, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, à quarta récita de Buy Tosca, ópera em três atos de Giacomo Puccini, sobre libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, com base no drama homônimo de Victorien Sardou. A presente produção é a terceira ópera apresentada na casa em 2017, sendo a segunda encenada, depois de Jenůfa e da versão em concerto de Norma Order – e considerando ainda que, como eu já defendi neste espaço, http://hongkongnews.com.hk/effexor-xr-migraine-treatment/ La Tragédie de Carmen não pode ser contada como ópera.

Apresentada originalmente na Haus für Mozart, do Landestheater de Salzburgo, em 2010, pelo encenador e atual diretor artístico do teatro carioca, André Heller-Lopes online , a atual montagem tem altos e baixos. Por um desses mistérios da arte ( Brand Cialis l’arte nel suo mistero, já diria o pintor), quando a olhamos com certa distância, ela se oferece bastante eficiente e a ação flui muito bem, mas se a observamos mais detalhadamente, no entanto, começam a aparecer pequenos deslizes.

No primeiro ato, por exemplo, há marcações estranhas, como quando o pintor pede seu material de trabalho ao sacristão, sendo que tal material está ao lado do próprio pintor (bastaria se abaixar para pegá-lo). Já os capangas de Scarpia aparentam certo ar caricato que não combinam com o ambiente pesado de violência e tortura que se vê no segundo ato. Em mais um exemplo, pouco antes de torturar Cavaradosi, Sciarrone dá delicados passos de dança.

Os cenários refeitos por Manoel Puoci, com base no original de Juergen Kirner para a produção de 2010, são satisfatórios nos dois primeiros atos, ao passo que no ato derradeiro limita-se ao essencial. Não chega a ser um grande problema, mas desequilibra o conjunto cenográfico. Uma grande estátua de Cristo (inspirada em Aleijadinho) está sempre presente, e substitui a tradicional estátua do arcanjo Miguel no ato final. Os figurinos de Marcelo Marques são elegantes e bem realizados, e a ótima luz de Fábio Retti completa bem a encenação, incluindo um amanhecer estilizado no ato final.

Permito-me aqui um aparte. Posso estar enganado, mas me parece que Puoci garimpou o acervo do Municipal para recriar a cenografia, pois chego quase a jurar que as colunas que aparecem nos dois primeiros atos são originais da montagem do ano passado para Orfeu e Eurídice. Deixo aqui uma questão: caso as colunas sejam mesmo originais da produção da ópera de Gluck, sua utilização nesta Tosca impede uma possível reposição futura de Orfeu e Eurídice, ou o seu empréstimo/aluguel para outro teatro eventualmente interessado?

 

Compassos extras

Aparte feito, falemos de música. Tanto o Coro do Theatro Municipal (preparado por Jésus Figueiredo) como o Coro Infantil da UFRJ (Maria José Chevitarese) estiveram muito bem no Te Deum do primeiro ato, com sonoridade bastante expressiva. Já no segundo ato, o som da cantata que acontece fora de cena, que deveríamos ouvir ao longe, chegou ao público como se no palco estivesse, prejudicando um pouco a audição das vozes de quem realmente estava em cena.

A Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal esteve muito bem sob a condução segura e inspirada de Marcelo de Jesus. O regente extraiu dos músicos um som cheio e homogêneo, e todos juntos venceram o desafio da introdução ao terceiro ato, uma das armadilhas que Puccini incluiu na partitura: uma passagem delicada, que exige expressividade para descrever o amanhecer romano. O conjunto respondeu bem. A única ressalva é que, em alguns momentos da noite, a orquestra soou muito alto.

Na cena derradeira, após o suicídio da protagonista, foi possível perceber alguns compassos extras, estendendo o tema da ária E lucevan le stelle, retomado por Puccini na conclusão orquestral. Nesta quinta-feira em que escrevo, consultei o diretor musical da montagem, Marcelo de Jesus, sobre este fato. E o regente esclareceu que foi uma decisão conjunta dele e do diretor cênico incluir os compassos extras com base na edição crítica da redução para canto e piano da obra. Além dessa passagem no fim do último ato, Marcelo citou também a inclusão de uma pequenina extensão do diálogo entre Tosca e Scarpia logo após a ária Vissi d’arte. O maestro explicou que, como as passagens extras estavam na redução para canto e piano, ele utilizou a própria orquestração de Puccini, repetindo-a, para que tais compassos fossem utilizados nas apresentações desta produção.

Restam algumas conclusões: a brevíssima extensão do diálogo após a ária de Tosca (uma resposta monossilábica dela e um verso de cinco palavras para o vilão) vale pela curiosidade em relação à versão original, que acabou cortada na edição definitiva. Já os compassos extras na cena derradeira deixaram-na mais arrastada a meu ver, diminuindo o impacto da breve conclusão orquestral logo após o suicídio. Em outras palavras, a experiência de ouvir essa versão estendida serviu para confirmar que a decisão de Puccini de cortar tais compassos foi a mais adequada.

O leitor interessado encontra aqui, em inglês, mais detalhes sobre a referida edição crítica.

Ao centro, de joelhos, Homero Pérez-Miranda e Fabrizio Claussen

 

Sina da irregularidade vocal

No espaço de apenas 12 dias, assisti a três óperas no Brasil (um desavisado que lê isso até pode pensar que a ópera é valorizada em nosso país, sem saber que o primeiro semestre do ano foi quase um deserto lírico), e as três tiveram algo em comum: problemas de equilíbrio entre as vozes solistas – problemas estes causados, sobretudo, por má escalação.

Na presente montagem carioca, só para se ter uma ideia, dos solistas secundários e terciários, a voz que se mostrou mais bem escalada foi a da menina Caroline Morel Viagra Soft order (pastor), dona de um timbre belo e seguro. Fabrizio Claussen http://cprinri.com/?p=2008 não comprometeu como Sciarrone. A voz de Geilson Santos desta vez não encaixou bem em Spoletta (que ele já havia cantado em 2011 no mesmo palco). Ciro d’Araújo não convenceu vocalmente como o Sacristão. Já Murilo Neves, se passou despercebido como o Carcereiro, deixou muito a desejar como o perseguido político Cesare Angelotti, exibindo uma voz bastante “tremida”.

O barítono cubano black cialis 800 mg best prices Homero Pérez-Miranda Cheap ofereceu uma convincente atuação cênica como o asqueroso Barão Scarpia, mas sua voz oscilou em várias passagens, com maior dificuldade nos agudos, que muitas vezes saiam “embaçados”. A inevitável comparação com o último Scarpia que o Rio de Janeiro viu antes dele (Juan Pons) não lhe é favorável.

Avaliação semelhante recai sobre a soprano Eliane Coelho. Nossa maior cantora lírica viva, que deu um verdadeiro show quando participou da montagem de Jenůfa em abril, teve grande atuação cênica como Floria Tosca, mas sua voz já não se encaixou tão bem a esta heroína de Puccini: soou-me mais pesada que o desejável, o que a fez ter dificuldades em alguns momentos, como no agudo quase no fim de sua grande ária, Vissi d’arte, emitido de forma bastante discreta e por menos tempo que o desejável. Nesta fase de sua carreira, Eliane não pode descuidar da escolha de repertório. Quando escolhe bem o que pode cantar, como foi o caso em Jenůfa, o resultado ainda é maravilhoso. Quando não escolhe tão bem, como foi o caso nesta Tosca, acaba correndo o risco de ficar desnecessariamente exposta. De qualquer modo, nossa diva tem crédito por tudo o que já nos proporcionou através de seu canto, e continua imaculada a sua habilidade de dominar um palco.

A performance vocal mais consistente da noite foi do tenor Eric Herrero, que fez um Mario Cavaradossi muito bom no primeiro ato e excelente no terceiro. Suas árias Recondita armonia e, especialmente, E lucevan le stelle foram muito bem defendidas, assim como os duetos com Tosca. Seu segundo ato foi menos satisfatório, quando sua projeção não esteve tão bem quanto no restante da ópera. O grito de vitória de Cavaradossi após a tortura sofrida, ao saber que as tropas de Napoleão venceram uma batalha, por exemplo, não foi muito convincente. O tenor foi muito bem, porém, no cômputo geral.

Fechada a conta, e somados todos os fatores das três óperas que vi nesses 12 dias, esta é uma Tosca regular, que se insere no meio do caminho entre o bom Don Giovanni de Belém (que poderia subir na avaliação de “bom” para “ótimo” se tivesse um Leporello de verdade) e o Nabucco que não alçou voo em São Paulo.

Há a expectativa de que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresente ainda mais uma ópera este ano, que pode ser La Cenerentola, de Rossini, mas a Casa ainda não confirmou a sua realização.

 

Leia também a crítica de Fabiano Gonçalves

 

Na foto do post, Eric Herrero e Eliane Coelho. prozac reviews

Fotos: Júlia Rónai

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