Escrito por em 4 out 2017 nas áreas Curso / Encontro, Festival, Música contemporânea, Notícia, São Paulo

Festival de Música Contemporânea Brasileira homenageará, em 2018, Egberto Gismonti e Marisa Rezende, e abre período de inscrições.

 

Marcado pelo pioneirismo, o Festival de Música Contemporânea Brasileira (FMCB) chega à sua quinta edição e já tem data marcada: de 20 a 24 de março de 2018. Nesta semana também divulgou os nomes dos homenageados da nova edição: Egberto Gismonti e Marisa Rezende, dois nomes consagrados da música contemporânea atual. As inscrições para apresentação dos trabalhos já estão abertas e podem ser realizadas até o dia 15 de novembro.

O evento, que é reconhecido como um dos principais festivais do país na música contemporânea brasileira, será realizado mais uma vez em Campinas, com atividades na Unicamp, no Instituto CPFL e no Teatro Municipal José de Castro Mendes.

Ao todo, serão cinco dias consecutivos de atividades gratuitas, com programação diversa e aberta ao público. A programação completa do evento inclui mesas-redondas, recitais e concertos que mergulham sobre as obras dos homenageados, uma mostra musical no Centro Infantil Boldrini e apresentações de trabalhos acadêmicos com análises sobre suas peças e estilos, unindo a pesquisa à performance.

 

Chamada para trabalhos

O edital acabou de ser aberto e convida pesquisadores(as), docentes, discentes e profissionais em geral da área de música para submeterem propostas de trabalhos para o V FMCB – Festival de Música Contemporânea Brasileira. Os trabalhos deverão versar em torno da temática Vida e obra de Egberto Gismonti e Marisa Rezende.

Serão aceitas inscrições nas categorias de Comunicação Oral e Apresentação Artística. Cada proposta deve ser enviada separadamente, mesmo que a Comunicação Oral seja complementar à Apresentação Artística. Serão selecionados até oito trabalhos de cada modalidade e as apresentações deverão ter 20 minutos de duração. As propostas poderão ser submetidas individualmente ou por grupos. Cada autor(a) ou coautor(a) poderá submeter no máximo dois trabalhos para avaliação.

As submissões deverão ser enviadas exclusivamente por sistema de formulário eletrônico disponível no site do festival a partir do dia 15 de setembro de 2017 até o dia 15 de novembro, com formulário disponível em português, inglês e espanhol.

 

Homenageados

Egberto Gismonti

Egberto Amin Gismonti nasceu no Rio de Janeiro em 1947 e começou seus estudos ao piano no Conservatório de Música de Nova Friburgo muito cedo. Com o tempo e de maneira autodidata, aprendeu a tocar instrumentos como a flauta, mas principalmente o violão, que o acompanha por toda a carreira. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Os anos 1980 foram o período de maior produção e ritmo criativo, gravando diversos discos e ampliando suas experiências com a música indiana e a erudita, o jazz, além de aprofundar antigas parcerias e realizar novas. Gravou 15 discos, de 1977 a 1993, para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. É um dos primeiros artistas brasileiros a tornar-se proprietário das matrizes de seus álbuns. Foi homenageado no Festival Villa-Lobos e Mimo Festival e, em 2010 recebeu o Prêmio Cuba Disco.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro. Além das atividades com gravação e espetáculos, faz inúmeras trilhas sonoras para teatro, cinema, balé e especiais de TV.

 

Marisa Rezende

Nascida no Rio de Janeiro, Marisa Rezende é compositora e pianista, com mestrado e doutorado realizados na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e pós-doutorado na Universidade de Keele, Inglaterra. De 1976 a 1987, foi professora da UFPe e professora titular de Composição da EM/UFRJ até 2002, onde fundou o Grupo Música Nova. Também trabalhou com artistas plásticos em instalações multimídia e recebeu, em 1999, a Bolsa Vitae de Artes para compor o espetáculo O (In)dizível. Participou de festivais nacionais e internacionais, como a Bienal de Música Brasileira Contemporânea, no Rio de Janeiro; o Festival Música Nova, em São Paulo; o Sonidos de las Américas, em Nova York; o Festival Brasilianischer Musik, em Karlsruhe (Alemanha).

Entre 2011 e 2017 compôs Olho d´água, para conjunto de câmera, Trama, para violoncelo e orquestra de câmera, Fragmentos, para orquestra de câmera, e Ciclo, para quinteto misto, como encomendas para as XIX, XX, XXI, e XXII Bienais de Música Contemporânea Brasileira da Funarte. Em 2016, recebeu a medalha Villa-Lobos da Academia Brasileira de Música, como reconhecimento por sua obra.

 

FMCB

O Festival de Música Contemporânea Brasileira é um encontro internacional de estudiosos da música brasileira, que a cada edição homenageia dois compositores ainda em vida que se destacam no cenário musical do país. Consolidado na agenda cultural de Campinas, a proposta promove um maior reconhecimento a quem se dedica à produção musical, além de difundir as contribuições virtuosas de seus trabalhos.

O FMCB proporciona uma visão global da obra dos homenageados por meio de apresentações complementares de pesquisa e performances, além da oportunidade de contato estreito com estes compositores que participam das atividades do evento. Os homenageados também apresentam suas próprias obras e contam como elas foram feitas, num momento especial para o público que tem a oportunidade de conhecer detalhes dos bastidores das produções e revelações das inspirações dos artistas.

A interação entre compositores, músicos, pesquisadores do Brasil e de outros países, e público em geral, incentiva, por meio deste contato, tanto a produção de mais pesquisas acadêmicas na área quanto o desenvolvimento de apresentações artísticas pelo mundo sobre as obras destes artistas.

Para Ronaldo Miranda, homenageado da terceira edição, o festival é hoje um evento de grande importância para a cultura do país. De acordo com ele, compositores contemporâneos têm, em geral, poucos meios de veiculação de suas obras, nem sempre possíveis nas temporadas tradicionais de concertos: “Tive a honra de ter sido homenageado em 2016, ao lado de meu colega Paulo Costa Lima. E o resultado foi maravilhoso. O festival apresentou os mais variados intérpretes executando uma parcela expressiva da minha produção instrumental e vocal, com obras solo e de câmera e duas peças sinfônicas de minha autoria, que foram executadas pela Orquestra de Campinas”.

 

SERVIÇO:

 

V Festival de Música Contemporânea Brasileira

20 a 24 de março de 2018

Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) | Instituto CPFL | Teatro Municipal José de Castro Mendes

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