Escrito por em 5 out 2017 nas áreas Exposição, Festival, Música sinfônica, Programação, Rio de Janeiro, Teatro, Tecnologia

Quasi-Orquestra toca Haydn no Festival Multiplicidade, no Rio de Janeiro.

 

Uma orquestra em que os músicos abandonam o palco e vão se espalhando pelo prédio. Assim é a Quasi-Orquestra, projeto inédito do Festival Multiplicidade, que abre no dia 7 de outubro, no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. Vinte músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica da UFRJ e Orquestra Sinfônica Nacional tocam a Sinfonia A Despedida, de Haydn, criando uma peça musical que atravessa os vazios do espaço.

No momento que a obra é executada através do prédio, ela se transforma em um desafio e questiona a relação entre público e orquestra, assim como as convenções e necessidades de reinvenção.

“Nas crises são criadas novas possibilidades e processos artísticos que não podem ser descritos porque ainda não existem. O projeto Quasi-Orquestra tem função musical, poética e política para revermos o papel das artes e seus artistas na vida”, diz Batman Zavareze, curador do festival.

A inspiração da Quasi-Orquestra é a própria música da sinfonia. Quando ela foi apresentada primeira vez, Haydn também fez com que os músicos fossem parando de tocar, como uma forma de protesto em busca de melhores salários. No Multiplicidade, quem organiza a turma é a violoncelista Gretel Paganini, que também foi responsável pelos Concertos pela Democracia, no Ocupa MinC. A regência é do maestro Rafael Barros de Castro. A apresentação ocorre às 20h.

 

Festival Multiplicidade_2025_Ano 20

Em 2017, o Festival Multiplicidade continua o seu exercício da antevisão no imaginário ano de 2025 e parte do conceito de que, até lá, é possível transformar o mundo com arte, inquietação, curiosidade, experimentação e poesia. Com curadoria de Batman Zavareze, o evento que une imagem e música por meio da tecnologia vai fazer barulho, e esse rompante sonoro é a inspiração de toda a programação desta edição. O barulho que move, que incomoda e que paralisa vai estar entremeado às performances e atividades da 13ª edição do festival, que ocorre no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro, de 7 de outubro a 11 de novembro, encerrando com uma ocupação do Armazém da Utopia.

“O barulho que soa como um grito ensurdecedor, seja ele poético, visual ou sonoro, é a fonte que nos instiga. Estamos num momento de poucas escutas, muito ruído, muitos contratempos e uma tremenda dificuldade de comunicar com clareza e ser compreendido. Por isso, em tempos de crise, fazer barulho é muito além de bater panela e berrar com quem discorda de você. É sair de nossa zona de conforto, é preencher nossos silenciosos vazios com novas ideias”, explica Zavareze.

A edição de 2017 apresenta trabalhos inéditos e potentes. Sucesso na Europa, a dupla italiana Ninos Du Brasil apresenta pela primeira vez seu punk percussivo no país que é inspiração para o seu trabalho. Tem também o encontro entre a música de Paul Jebanasam (Siri Lanka) com a criação em videoarte de Tarik Barri (Holanda) na performance Continuum AV; o espetáculo megatecnológico de ruídos e luzes Field, de Martin Messier (Canadá); o minimalismo digital de Alex Augier (França) em _nybble_ e a Quasi-Orquestra, produzida pelo Festival Multiplicidade, que ocupa o Oi Futuro com um projeto inédito arregimentado pela violoncelista brasileira Gretel Paganini e outros 20 musicistas tocando em todos os andares do Oi Futuro.

A obra O Barulho é Visual / O Bagulho é Visual, da artista e poeta concretista Lenora de Barros; o cinema sensorial de Carlos Casas (Espanha); uma instalação do coletivo Manifestação Pacífica e obras de DMTR, Fabiano Mixo e Gabriela Mureb também são destaques na programação.

Um dos pontos altos do Multiplicidade ocorre de 17 a 21 de outubro, quando dez representantes da comunidade Kuikuro, no Xingu, chegam ao Rio de Janeiro para uma imersão artística e diversas apresentações no festival. Batman Zavareze participou de uma residência expedicionária na aldeia Ipatse em agosto, junto com artistas cariocas e ingleses. Os Kuikuros ficarão imersos no Multi_Lab, laboratório de pesquisas que será instalado em um aquário de acrílico no térreo do Oi Futuro Flamengo abrigando artistas e a equipe do Multiplicidade. Eles apresentarão ritos espirituais e performances, participarão de debates e exibirão filmes produzidos na aldeia.

O Projeto Xingu – que inclui também a instalação Xingu Ensemble, de Clelio de Paula – é o resultado de uma parceria com o People’s Palace Projects, dirigido pelo britânico radicado no Brasil, Paul Heritage, com o centro de pesquisa britânico da Queen Mary University of London, com a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (Aikax) e com o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (Neccult/UFRGS). Financiado pelo Arts & Humanities Research Council (AHRC) e pelo Global Challenges Research Fund, ambos do Reino Unido, o projeto tem como objetivo promover a cultura indígena, fomentar parcerias com a indústria criativa brasileira e do Reino Unido e desenvolver um modelo economicamente sustentável e ético para futuras residências na aldeia, que já desenvolve projetos audiovisuais.

Através de uma produção cinematográfica consistente, os Kuikuros defendem e preservam sua cultura, usando esta linguagem artística para se apresentar ao mundo. Alinhado com a ancestralidade dos povos indígenas e sua autoralidade audiovisual, o Multiplicidade levou à aldeia tecnologias modernas como o cinema 4K, scanner 3D, equipamentos de realidade virtual, além de registros sonoros captados em vários pontos da floresta – dentro do rio, debaixo da terra ou no ar, com drones. O resultado dessa intensa troca de experiências será mostrado no Multiplicidade, com projetos de fotografia, vídeo, literatura, artes cênicas e tecnologias imersivas.

Além de Batman Zavareze, mais de 15 pessoas viajaram para a aldeia, entre eles os artistas Clelio de Paula, Conrad Muray, Ellen Rose, Evelyn Falcão Queiroz de Andrade, Marcia Farias e Myllena Araújo sob a curadoria de Jailson de Souza (Observatório de Favelas), Gringo Cardia (Spetaculu), Marcus Faustini (Redes da Juventude) e Factum Foundation.

 

Programação

Na abertura, dia 7 de outubro, o Festival Multiplicidade apresenta a Quasi-Orquestra. O maestro Rafael Barros de Castro e vinte músicos de instituições como a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica da UFRJ e Orquestra Sinfônica Nacional se apresentarão de uma maneira diferente da tradicional.

De 10 de outubro a 11 de novembro, o Multiplicidade vai ocupar o Oi Futuro Flamengo com o Multi_Lab, um laboratório de ideias, com artistas, produtores, técnicos e convidados vivendo a experiência de ser o próprio objeto vivo da exposição. No térreo do prédio, será construído um aquário expositivo, numa performance em tempo real em que artistas e equipe do Multiplicidade estarão criando, produzindo e testando tecnologias. Às sextas-feiras, as paredes serão abertas ao público transformando o espaço em um estúdio de gravação com lives e convidados. O jornalista Carlos Albuquerque (Calbuque) vai conduzir as entrevistas, além de escrever resenhas, e compartilhar as pesquisas do festival.

“A ideia do Multi_Lab é inspirada na Fabrica, escola criativa e experimental criada por Oliviero Toscani, na Itália, onde vivi no final dos anos 1990, um modelo de laboratório criativo que a palavra chave era liberdade. Seremos conteúdos vivos desta exposição, mas a ideia não é estar isolado por uma parede e sem comunicação. Nossos experimentos e investigações serão compartilhados ao vivo, com câmeras abertas e conectadas na internet, estimulando que as descobertas, sucessos e fracassos sejam acompanhados virtualmente o tempo todo”, conta Batman.

Os residentes do Multi_Lab são Fabiano Mixo, Clelio de Paula e DMTR. Os três vão ocupar o laboratório durante todo o festival. Fabiano é cineasta e explora novas tecnologias de realidade virtual com uma proposta autoral. Já Clelio é artista digital, e tem trabalhos com instalações interativas que proporcionam experiências sensoriais, e DMTR é designer gráfico e utiliza a programação de computadores como principal meio de expressão em suas instalações audiovisuais.

Na primeira semana, de 10 a 13 de outubro, o coletivo anônimo Manifestação Pacífica apresenta uma instalação audiovisual, no teatro do Oi Futuro. O grupo nasceu do ativismo online para gerar uma reflexão, com interferências em vídeos, memes e pronunciamentos políticos. É um coletivo de artistas ocultos que não tem uma comunicação presencial com a equipe do festival em momento algum.

No final de semana, nos dias 14 e 15, o francês Alex Augier faz a performance audiovisual _nybble_ no Teatro do Oi Futuro. Augier é músico e seu trabalho está voltado para a estética digital, em que design, programação e tecnologia são parte integrante do projeto artístico. Ele está rodando o mundo com essa performance, que utiliza um sintetizador, quatro telas transparentes e quatro pontos de difusão de som, e oferece ao público uma experiência para todos os sentidos.

Na semana seguinte, de 17 a 20, os Kuikuros vão fazer uma residência artística e cada dia um tema será abordado: forças da natureza, cinema, rituais e linguagens. No final de semana, dias 21 e 22, Clelio de Paula exibe o Xingu Ensemble no teatro. Ele participou da residência artística no Xingu e vai mostrar sua experiência e impressões com instalações interativas e filmes 360º.

Nos dias 28 e 29, o designer gráfico DMTR se apresenta com Fabiano Mixo no teatro. DMTR vai apresentar uma obra baseada em seu trabalho Estilhaços, com cacos de espelhos e projeções de led. Já Fabiano exibe obra baseada no filme cubista experimental A mulher sem bandolim, inspirado no quadro A mulher com bandolim, de Pablo Picasso.

No último final de semana, nos dias 4 e 5 de novembro, a artista Gabriela Mureb faz uso de performances, vídeos, máquinas, sons e ruídos que evocam experiências limítrofes do corpo – humano e maquínico.

 

Ocupa Porto

No último dia do festival, 11 de novembro, o Multplicidade vai ocupar a Zona Portuária em um grande evento. O Armazém da Utopia, Galpão 6 e Anexo 5, receberão uma sequência de artistas, de 23h às 4h.

“Nos últimos seis anos, o Festival Multiplicidade vem continuamente abraçando a cidade, ocupando novos lugares emblemáticos da arte e da cultura carioca. Parque Lage, Planetário, Centro de Artes da Maré, Bela Maré, Centro de Artes Helio Oiticica, Parque do Flamengo, dentre muitos outros e agora um espaço simbólico, a Zona Portuária. O festival nasceu no Oi Futuro Flamengo, mas hoje ele é um festival de arte, tecnologia e linguagens híbridas da cidade”, conta Batman.

A noite começa com o canadense Martin Messier. Depois de passar por festivais internacionais como o Sónar (Barcelona), o Mutek (Montreal) e o Intermediale (Berlim), ele se apresenta com a performance Field, uma composição de ruídos e luzes. Em seguida, Paul Jebanasam e Tarik Barri realizam uma experiência audiovisual, com a apresentação Continuum AV, derivada do álbum homônimo de Paul e cheio de melodias fragmentadas.

Pela primeira vez no Brasil, os italianos do Ninos du Brasil fazem um show de percussão com um fundo de arte visual. A dupla mistura música de carnaval com punk e eletrônico. A brasileira Lenora de Barros também participa do Ocupa Porto com a instalação audiovisual O Barulho é Visual / O Bagulho é Visual. Para encerrar, o espanhol Carlos Casas mostra o projeto Avalanche, um filme que explora a relação entre paisagem, universo sonoro, música e novas formas artísticas de representação.

 

SERVIÇO:

 

Festival Multiplicidade

 

De 7 de outubro a 11 de novembro, das 11h às 20h, de terça a domingo

Oi Futuro Flamengo (R. Dois de Dezembro, 63, Flamengo – Rio de Janeiro)

 

Entrada gratuita

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