Escrito por em 3 out 2017 nas áreas Minas Gerais, Música contemporânea, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de Minas Gerais recebe o pianista Fabio Martino e apresenta obra do compositor Pedro Lutterbach, do Festival Tinta Fresca 2016.

 

Nos dias 5 e 6 de outubro, o pianista Fabio Martino é o solista convidado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e interpreta o Quinto Concerto para Piano, de Villa-Lobos. Na mesma noite, será apresentada a obra O Coração do Curupira, do compositor Pedro Lutterbach, finalista do Festival Tinta Fresca de 2016. Sob regência do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra interpreta ainda a Sinfonia n. 12, de Shostakovich, conhecida como O ano 1917 e inspirada na vida do líder russo Vladimir Lenin. Também no dia 5 de outubro, a Filarmônica de Minas Gerais apresenta sua temporada 2018 ao público e lança a campanha de assinaturas.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas que a Filarmônica promove antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o palestrante das duas noites é o percussionista da Filarmônica e curador dos Concertos Comentados, Werner Silveira. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

Repertório

Pedro Lutterbach (1982-) e a obra O Coração do Curupira
Residente no Rio de Janeiro, o mineiro Pedro Lutterbach é pianista, professor e compositor. Graduou-se em Piano em 2006 no Conservatório Brasileiro de Música, no qual frequentou as classes de Maria Tereza Soares e Maria Teresa Madeira. Foi Madeira quem lhe despertou o interesse pela música brasileira, sua principal referência e fonte de inspiração. Ao ler para seu filho o livro Lendas e Mitos do Brasil, de Theobaldo Miranda Santos, Lutterbach deu-se conta de que certas narrativas brasileiras jamais haviam inspirado a composição de música de concerto. Isso o levou a escrever duas peças baseadas nas histórias de Miranda Santos, O Pássaro Mágico e O Coração do Curupira, obra que recebeu menção honrosa no Festival Tinta Fresca de 2016. Curupiras são geralmente representados como anões de cabeleira ruiva, corpos peludos e com os pés para trás. Na mais antiga referência a essa figura, datada de maio de 1560, José de Anchieta os descreve como demônios da floresta. Com assobios e rastros falsos, eles ludibriam caçadores, seringueiros e roceiros. Apreciadores de fumo e pinga, são ambivalentemente bons e cruéis, bem-humorados e violentos. Concebida em duas grandes seções que recombinam motivos melódicos e fragmentos, O Coração do Curupira (2012) explora o jogo entre o lúdico e o sombrio característico das lendas brasileiras.

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e a obra Concerto para piano n. 5
Na vasta obra de Villa-Lobos, os concertos para instrumentos solistas se destacam pelo número e pela variedade. A personalidade do compositor se adaptava bem ao gênero, ele próprio se projetando no papel de solista e idealizando a orquestra como um cenário. A maior parte dessa produção concentra-se nos últimos 14 anos de sua carreira, quando escreveu 12 concertos — entre eles, os cinco para piano. Em 1923, Villa-Lobos dava um passo importante em sua carreira, trocando o Rio de Janeiro por Paris, a metrópole das vanguardas artísticas. Na voga de “exotismo selvagem” que dominava a capital francesa, assumindo o papel de “compositor dos trópicos”, normatizou sua estética nacionalista, associando-a aos procedimentos composicionais eruditos característicos do século 20. De volta ao Brasil, em 1930, Villa exerceu uma atividade abrangente no cenário musical do país, desdobrando-se em múltiplas tarefas. E continuava compondo muito. A partir de 1945, com o final da 2ª Guerra, retomou sua carreira internacional, principalmente nos EUA, mantendo contato com célebres intérpretes e maestros. O Concerto n. 5 (1954), dedicado a Felícia Blumenthal, pianista polonesa residente no Rio de Janeiro, é o mais popular dentre as obras desse gênero do autor, com um movimento lento de grande efeito e a exuberância virtuosística de sua escrita pianística.

Dmitri Shostakovich (1906-1975) e a obra Sinfonia n, 12 em ré menor, Op. 112 – O ano 1917
A gênese do opus 112 de Shostakovich remonta aos anos 1930, quando o então jovem compositor vivia a dualidade de criar uma música engajada, estimulada pelo regime soviético, ou adotar a postura naturalmente subversiva de todo artista verdadeiro. Foi, portanto, em pleno regime stalinista que Shostakovich teve a ideia de compor uma obra em homenagem a Lênin. O projeto inicial, que nunca foi executado, era o de escrever uma cantata. No verão de 1959, mais uma vez o compositor diz estar engajado em uma obra comemorativa a Lênin, mas que ainda não tem ideia de que forma ela teria: se oratório, cantata, sinfonia ou poema sinfônico. No ano seguinte, a partitura começa a tomar corpo e a Sinfonia n. 12 fica pronta em 1961. Sua estreia não poderia ser mais simbólica: deu-se em outubro do ano de sua conclusão, pela Filarmônica de Leningrado, sob regência do antológico Yevgeny Mravinsky. Guardadas as devidas proporções, não é exagerado dizer que a impressão que causa “O ano 1917” é a de se estar diante de uma obra herdeira da linguagem revolucionária de Stravinsky, elaborada, porém, por uma personalidade criadora forte, presente e original. Não é à toa que Shostakovich foi considerado o maior compositor russo depois de Prokofiev.

 

Os artistas

Desde 2008, Fabio Mechetti é diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional, e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu como regente principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de 14 anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu regente titular emérito. Foi também regente titular das Sinfônicas de Syracuse e de Spokane. Desta última é, agora, regente emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Sinfônica de San Diego, foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as Sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

 

O pianista Fabio Martino

Já aos 5 anos de idade Fabio Martino começou a tocar piano no instrumento de sua avó, uma professora em São Paulo. Dezessete anos mais tarde – após uma rigorosa formação no Brasil e da Alemanha –, recebeu o primeiro lugar no concurso do BNDES. No ano seguinte, 2011, conquistou o primeiro lugar no concurso internacional de piano do Círculo Cultural da Economia Alemã. Em 2013, lançou seu primeiro álbum solo com obras de Brahms, Schumann e as primeiras audições mundiais da Terceira sonata para piano, de York Höller, e dos Três estudos intervalares, de Edino Krieger. Seu segundo álbum, Passion, recebeu elogios da revista Klassikheute. Seus concertos e recitais, nas principais salas de concerto ou em festivais como Festival Internacional de Piano de Miami, no Gilmore Festival ou no Heidelberger Frühling, na Rádio NDR, em Hannover, ou no Gasteig, em Munique, deixaram o público e a crítica especializada extremamente impressionados. Detentor de mais de vinte premiações, em 2017 obteve segundo lugar no Prêmio Alemão de Pianistas e foi agraciado no 4º Concurso Internacional de Concertos para Piano e Orquestra de Shenzhen, China. Como uma marca registrada, apresenta-se com uma gravata borboleta de laço feito à mão.

 

Fotos: Friedrun Reinhold

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Fabio Martino, piano

Fabio Mechetti, regência

 

5 e 6 de outubro, quinta e sexta-feiras, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 105 (balcão principal), R$ 85 (plateia central), R$ 62 (balcão lateral), R$ 50 (mezanino) e R$ 40 (balcão palco e coro), com meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

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