Escrito por em 20 out 2017 nas áreas Balé/Dança, Programação, Rio de Janeiro

Temporada do espetáculo com música de Tchaikovsky e coreografia de Yelena Pankova começa em outubro.

 

Mais famoso dos balés românticos, O Lago dos cisnes volta ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com Balé e Orquestra Sinfônica do TMRJ nos dias 29 de outubro e 5 de novembro às 17h; além de 31 de outubro e 1, 3, e 8 de novembro às 20h. Com música de Piotr Tchaikovsky, a montagem é uma versão coreográfica de Yelena Pankova, criada especialmente para o Balé do Theatro Municipal, em 2006, e que teve como base a criação original dos coreógrafos Marius Petipa e Lev Ivanov. O Balé do TMRJ tem direção artística de Ana Botafogo e de Cecília Kerche. Na regência, o maestro titular da OSTM, Tobias Volkmann. A produção conta ainda com a participação de alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Essa montagem consagrada de O Lago dos cisnes ganhou um novo desenho de luz criado pelo premiado Fabio Retti.

O Lago dos cisnes é considerado um divisor de águas na história do balé clássico, por trazer uma série de inovações ao gênero. Essa obra fez sua estreia em 1877, com coreografia de Julius Reisinger, para o Teatro Bolshoi de Moscou. Apesar da beleza da música de Tchaikovsky, a temporada foi um fracasso, acentuado pelo fraco desempenho da protagonista, Pelageya Karpakova. Somente em 1895, dois anos após o falecimento do compositor russo, o balé ganharia uma nova versão consagradora. Em 1894 – quando outros balés com música de Tchaikovsky já eram sucesso, como A Bela Adormecida, de 1890, e O Quebra-Nozes, de 1892 –, o príncipe Ivan Alexandrovich, diretor do Teatro Mariinsky de São Petersburgo, decide prestar-lhe uma homenagem com uma nova versão de O Lago dos cisnes, apresentando apenas o segundo ato com coreografia de Lev Ivanov. Um ano depois, o balé ganha uma nova versão completa, mantendo o segundo ato coreografado por Ivanov, que é responsável também pelo bailado do quarto ato. Essa versão, que tornou a obra célebre, conta também com coreografia de Marius Petipa para o primeiro e terceiro atos. Desde então, tornou-se um dos mais populares balés do repertório clássico.

André Heller-Lopes, diretor artístico do Theatro Municipal, destaca: “Nessa temporada, as mulheres estão no centro da nossa programação: suas paixões e suas dores, seus sonhos e suas tragédias. Depois do sucesso de Carmina Burana, nada melhor do que a história de dois cisnes, dois lados de uma mesma ‘mulher’ para o primeiro grande balé clássico de 2017″. Nas palavras de Ana Botafogo, “O Lago dos cisnes – das multidões. Há mais de cem anos encantando gerações. É o balé mais popular de todos os tempos”.

 

Um balé inovador

Não foi à toa que O Lago dos cisnes se tornou tão emblemático para a dança clássica. Ele foi responsável por uma série de inovações que foram efetivamente responsáveis pela consolidação do gênero como hoje é conhecido. Entre essas inovações estão o fato de que esse balé imprimiu maior lirismo e virtuosismo ao papel feminino, exigindo da intérprete um exímio domínio da técnica aliado a uma alta capacidade interpretativa, apoiada principalmente no fato de que a mesma bailarina deve representar o Cisne Branco e o Negro. Trata-se de dois papeis com características quase opostas, o que impõe à solista interpretações ao mesmo tempo tão divergentes quanto contrastantes – lirismo e suavidade, quando representa Odette, magnetismo e fascinação provocativa, ao personificar Odile. Além disso, por ser um balé de grande habilidade técnica, houve necessidade de reformular os figurinos utilizados até então, onde imperavam as saias compridas, sendo criados pela primeira vez os tutus curtos (chamados tutus bandeja), que possibilitam maior leveza e flexibilidade. Também foi em O Lago dos cisnes que, pela primeira vez na dança clássica, foram executados os 32 fouettés seguidos (no pas de deux do terceiro ato – Cisne Negro) movimento que requer extrema maestria da intérprete e que, a partir daí, passa a integrar a coreografia da obra, como requisito obrigatório às aspirantes ao papel. A primeira bailarina a conquistar esse desafio foi a italiana Pierina Legnani. Em nossa temporada, ele caberá à primeira bailarina Claudia Mota e à solista Mel Oliveira.

Entretanto, esse não é um balé desafiador apenas para seus solistas. O corpo de baile, em O Lago dos cisnes, tem também um papel fundamental. Uma das marcas da genialidade de Ivanov está justamente no fato de ele utilizar o conjunto não apenas como elemento decorativo, mas como parte fundamental de seu balé, com grande importância dramática. Vemos o corpo de baile refletir a tristeza de Odette, dando profundidade a seus sentimentos.

 

SINOPSE:

Prólogo: a princesa Odette, de beleza ímpar, passeia distraidamente, quando é capturada e enfeitiçada pelo cruel bruxo Von Rothbart, que a transforma num belo cisne.

Primeiro ato – Jardins do castelo: o príncipe Siegfried e seu bouffon predileto comemoram a maioridade do jovem nobre junto a amigos e convidados. O clima de alegria e descontração de todos é interrompido com a chegada da mãe de Siegfried e suas damas. A rainha-mãe presenteia o filho com uma arma de caça, e o adverte de que a maioridade significa transformar-se em homem adulto e responsável. Lembra ainda que, na noite seguinte, Siegfried deverá escolher uma noiva para desposar, tornando-se o rei tão esperado por seus súditos. A escolha será feita durante o baile em sua homenagem, que terá lugar no castelo. Embora apreensivo, o príncipe entrega-se novamente à companhia dos convidados e à alegria dos festejos. Com a chegada da noite, Siegfried fica sozinho e angustia-se. Uma voz interior lhe diz que algo importante está para transformar sua vida. Um bando de cisnes brancos cruza os céus em revoada. Siegfried parte em direção ao lago para caçar.

Segundo ato – Um lago na floresta: em busca dos delicados cisnes, Siegfried se aproxima do lago e vê um belíssimo cisne branco. Prepara-se para atirar. Subitamente, o pássaro se transforma na mais linda jovem que já vira: Odette, a rainha dos cisnes. Assustada, Odette tenta escapar, mas Siegfried a detém. A mais preciosa criatura de Rothbart narra então ao príncipe o encantamento de que foi vítima juntamente com suas amigas: condenadas a viverem como cisnes de dia, resgatando a forma humana apenas entre a meia-noite e a aurora. Somente um amor puro e verdadeiro será capaz de libertar Odette e suas amigas do malefício do tirano feiticeiro. Enlevado por sua beleza, Siegfried logo compreende que a bela e triste Odette é o grande amor que tanto esperava um dia conhecer. A jovem imagina ter encontrado seu salvador, mas, temendo os poderes de Rothbart, foge para reunir-se aos cisnes. O casal volta a se encontrar e Siegfried jura amor fiel e eterno. Apaixonados, eles prometem se unir. Com a aurora, as jovens se transformam novamente em cisnes. Odette e Siegfried se despedem.

Terceiro ato – O baile no castelo: na festa de seu aniversário, Siegfried deve escolher uma noiva entre as lindas donzelas presentes. Nenhuma das jovens atrai sua atenção. O príncipe pensa unicamente em Odette e em seu juramento de amor eterno e fiel. Subitamente, Rothbart é anunciado no baile e entra com uma comitiva: seus aliados, que chegam para confundir o príncipe. Acompanha-o sua linda filha Odile. Vestida de negro, ela é a própria imagem da rainha dos cisnes e a todo instante seduz o príncipe com seus atributos astuciosos de feminilidade e sensualidade. Enfeitiçado por sua beleza, Siegfried apaixona-se e, cego de paixão e desejo, não percebe a fugaz aparição do cisne branco, numa tentativa derradeira de alertar o jovem para a cilada montada por Rothbart. Odile conquista o coração de Siegfried que, a pedido do mago, jura amor eterno e fiel ao sedutor cisne negro. É o triunfo de Rothbart: a nova jura de amor anula a promessa feita à Odette, que permanecerá para sempre cativa do sortilégio do feiticeiro. Percebendo-se enganado, Siegfried se desespera e parte em direção ao lago, ao encontro de sua amada Odette.

Quarto ato – Noite no lago: as jovens cisnes, compadecidas da tragédia de Odette, dançam desalentadas em torno de sua rainha. Odette lhes conta que Siegfried quebrou o juramento. Profundamente pesarosas, elas não acreditam mais em Siegfried e consideram fracassada sua única possibilidade de redenção, restando apenas a resignação e a tristeza. Siegfried, porém, aproxima-se e implora o perdão de Odette por sua traição involuntária ao juramento de amor. Chorando sua sorte, a jovem rainha perdoa o amado. Pressente, no entanto, que seu destino está traçado. Rothbart tenta, com todas as forças que possui, separar os amantes. Animado pela força do amor, o Príncipe Siegfried enfrenta o terrível feiticeiro numa luta mortal, da qual sai vencedor. A magia que mantém cativas aquelas jovens está enfim desfeita. Logo virá a aurora anunciando um novo dia.

Cícero Gomes e Mel Oliveira

 

SOLISTAS:

Claudia Mota
Formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, é primeira bailarina do TMRJ desde 2007, protagonizando todo o repertório da companhia. Com grande destaque em seu país, representa o Brasil em galas internacionais dançando em diversas cidades da Argentina, Paraguai, Cuba, Estados Unidos, Canadá e, recentemente, a convite de Julio Bocca, estrelou a versão de La Bayadère de Natalia Makarova junto ao Balé Nacional Sodre, em Montevidéu. Recebeu o prêmio de melhor bailarina da América Latina pelo Conselho Latino-americano de Dança e, por seu desempenho artístico e técnico e representatividade no cenário internacional da dança, conquistou o título de membro do Conselho Internacional de Dança da Unesco.

Cícero Gomes
Formado na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, tem passagens pela Escola de Dança da Ópera de Vienna e Elmhurst School for Dance by Birminghan Royal Ballet. Seu nome está na Calçada da Fama do Festival de Joinville, onde conquistou prêmio de melhor bailarino em 2005. Trabalhou na Cia. Jovem de Balé do RJ. Bailarino Solista do Theatro Municipal desde 2007, foi nomeado primeiro bailarino na temporada 2016. Estreou em O Lago dos cisnes, no papel de Bobo da Corte, obtendo sucesso de público e crítica nos papéis principais das temporadas, incluindo Coppelia, O Quebra-Nozes, Don Quixote, Romeu e Julieta, Onegin, L’Arlésienne de Roland Petit e Le Spectre de la Rose, de Fokine. Convidado em galas de dança no Brasil e América Latina. Trabalhou com nomes de peso do cenário mundial da dança.

Filipe Moreira
Paulistano, iniciou seus estudos de dança clássica no Núcleo de Dança de São Paulo. Em 2003 ingressou no Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, na temporada em 2016, foi nomeado primeiro bailarino. Vem se destacando ao dançar todos os primeiros papéis dos balés de repertório da companhia, como O Lago dos cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra-Nozes, Raymonda, Coppelia, Giselle, Floresta Amazônica, Onegin, Romeu e Julieta, Carmen e La Bayadère. É convidado para representar o Balé do Theatro Municipal e o Brasil em galas internacionais. Recentemente apresentou-se na Gala de Miami. Foi reconhecido pela crítica e pelo público como um dos maiores talentos dos últimos tempos, dada a sua virilidade, excelência técnica, física e interpretativa.

Mel Oliveira
Natural de Ourinhos/SP, iniciou seus estudos aos 7 anos de idade na Escola Municipal de Ourinhos. Em 2009 ingressou no Conservatório Brasileiro de Dança ano em que integrou ao elenco da Cia Brasileira de Balé, participando de temporadas pelo Brasil, EUA, Colômbia, Israel e China. Em 2014, passou a fazer parte do Balé do Theatro Municipal, ano em que foi promovida a segunda solista. Atua em galas ao redor do país e, em 2017, foi convidada para representar o Balé do TMRJ na gala do Festival Internacional de Miami.

 

BIOGRAFIAS:

Pyotr Ilyich Tchaikovsky, compositor
Tchaikovsky nasceu na província de Votkinsk, na Rússia, em 7 de maio de 1840. Aprendeu a tocar piano aos 5 anos de idade. Aos sete escrevia poemas em língua francesa. A personalidade frágil fez com que sua governanta o considerasse “uma criança de vidro”. Aos 14 anos perdeu a mãe, sendo afetado por forte depressão e crise nervosa. Estudou Direito e tornou-se funcionário público. Seu gosto pela música, todavia, era maior. Com pouco mais de 20 anos abandonou seu posto no Ministério da Justiça e ingressou no Conservatório de São Petersburgo, no qual estudou com o pianista e compositor Anton Rubinstein (1829-94). Em 1866, mudou-se para Moscou e tornou-se professor do conservatório, consolidando sua reputação, compondo obras orquestrais como os poemas sinfônicos Romeu e Julieta (1869) e Hamlet (1889), a Marcha Eslava (1876), o Capricho Italiano (1880), seis sinfonias, três concertos para piano, um para violino, canções, música coral e de câmara e, dentre outras, as óperas Eugene Onegin (1878), Rainha de Espadas (1890) e Iolanta (1891). São de sua autoria três dos mais importantes balés de todos os tempos: O Lago dos cisnes (1877), A Bela Adormecida (1890) e O Quebra-Nozes (1892). Apesar do sucesso crescente, o temperamento amargurado e a homossexualidade o mantinham sempre em constante tensão. Por ocasião da composição de sua Sinfonia n. 1 – Sonhos de Inverno, chegou a afirmar em carta: “Tenho os nervos completamente em frangalhos. Minha sinfonia não progride. […] Vou morrer logo, bem o sei, antes mesmo de acabar minha sinfonia. […] Odeio a humanidade e desejo me retirar para um deserto”. Com a esperança de resolver seus problemas emocionais, contraiu um desastroso casamento, que não se consumou, separando-se em pouco tempo. Tchaikovsky faleceu em 6 de novembro de 1893, aos 53 anos, vitimado pela cólera.

Yelena Pankova, coreógrafa
Yelena é russa de nascimento e formada pela Escola Vaganova de Balé em São Petersburgo. Ainda jovem, foi uma das mais promissoras bailarinas do Kirov, dançando, como convidada, de Nova York a Sidney e nas maiores capitais da Europa. Estreou em São Petersburgo no papel de Kitri, em Don Quixote. Foi escolhida como solista do balé Scoth Symphony, de Balanchine, pela primeira vez dançado na Rússia. A partir de 1990, passou a dançar como convidada permanente do Kirov, e também em Cincinnati, Florence e no English Ballet de Londres. Foi nomeada bailarina do ano em Londres em 1992 e, em 1995, em Munique, onde adquiriu um extenso repertório, como Romeu e Julieta e Onegin (J. Cranko), Zakouski e Fearful Summetries (P. Martin), A Dama das Camélias e O Quebra-Nozes (J. Neumeier), Brief Fling (T. Tharp), Black Cake (Hans van Manen), Mozart Piano Concerto (U. Scholz) e Nikiya em La Bayadère, montada por Patrice Bart. Integrou também as seguintes companhias: Het Nationale Ballet de Amsterdã, Ópera de Bordeaux, Teatro Maximo em Palermo, Carlo Felice em Gênova, Teatro Alla Scalla de Milão, Balé da Arena di Verona e Hungarian State Ballet em Budapeste. Em 2005, recebeu o diploma de professora de dança da Escola Vaganova, de São Petersburgo. Como maître de ballet, trabalhou em Maribor, na Eslovênia, em Praga, Seul, Tóquio e Verona. Como coreógrafa, foi responsável pela criação de inúmeros balés, entre os quais se destacam O Corsário, em Kazan/Rússia, Les Sylphides, em Brasília (2005) e Munique (2006), O Lago dos cisnes, para o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (2006), Papillion, em Praga (2010), Raymonda, em Plzeň, na República Checa (2011), e A Bela Adormecida, em Split, na Croácia (2012). Como bailarina, constam de seu repertório DVDs de O Corsário, La Vivandière, Les Sylphides e Paquita, com o Kirov Ballet, e Black Cake, com o Bayerisches Staatsballett.

Tobias Volkmann, regente
Maestro titular da Orquestra Sinfônica do TMRJ e principal regente convidado da Orquestra Sinfônica Nacional UFF, Volkmann é um dos destaques da nova geração de regentes orquestrais do Brasil. Desde a conquista dos principais prêmios concedidos no Concurso Internacional de Regência Jorma Panula 2012 na Finlândia e do Prêmio de Público no Festival Musical Olympus de São Petersburgo em 2013, vem atraindo atenção para uma carreira internacional em ascensão. Em 2015 estreou na célebre sala Gewandhaus de Leipzig como convidado da temporada oficial do Coro e Orquestra Sinfônica da Rádio MDR. Esteve também à frente da Orquestra Sinfônica do Porto Casa da Música, Sinfônica Estatal do Museu Hermitage, Sinfônica Estatal de São Petersburgo, Sinfônica de Brandemburgo, Orquestra Sinfônica do Chile, Sinfônica do Sodre, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Sinfônicas do Paraná e de Porto Alegre. Sua discografia inclui dois CDs de música brasileira gravados om a OSN UFF e Whisper, CD gravado ao vivo na Alemanha com a harpista Cristina Braga e a Sinfônica de Brandemburgo.

 

Fotos: Júlia Rónai

 

SERVIÇO:

 

Balé “O Lago dos cisnes”

 

Balé e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Papeis principais: Claudia Mota, Mel Oliveira, Cícero Gomes, Filipe Moreira e Diego Lima

Tobias Volkmann, regência

 

29 de outubro e 5 de novembro, domingos, às 17h

31 de outubro, 1, 3 e 8 de novembro, às 20h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191)

 

Ingressos: R$ 80 (plateia/ balcão nobre), R$ 60 (balcão superior) e R$-30 (galeria), com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Duração aproximada: 3h

Capacidade: 2.226 lugares

Sugestão etária: livre

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