Escrito por em 20 out 2017 nas áreas Festival, Música contemporânea, Música sinfônica, Programação, Rio de Janeiro

Concerto de abertura, em 23 de outubro, tem, no repertório, composição do baiano Paulo Costa Lima.

 

A obra Tempuê para Orquestra Sinfônica, do baiano Paulo Costa Lima, faz parte do concerto de abertura da 22ª Bienal de Música Contemporânea Brasileira, que ocorre no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro. A obra foi criada especialmente para a Bienal e é apresentada pela Orquestra Sinfônica Nacional da UFF (OSN UFF), sob regência do maestro Tobias Volkmann.

“Tempuê é uma obra vibrante, com ritmos dançantes que se misturam a texturas típicas da música contemporânea. Sua estética investe em uma espécie de desconstrução dos limites entre produção de ideias musicais deles (contextos populares) e nossas (música de concerto). Não se trata de misturar coisas distintas, e sim de fazer crescer coisas que pretendem ser ouvidas como entrelugares, objetos transicionais causando encantamento e talvez alguma estranheza”, explica o autor da obra, que participa da Bienal pela 15ª vez, desde 1983.

A obra foi encomendada por indicação de dez intérpretes de renome nacional, entre músicos e regentes, como resultado de uma consulta feita pela Funarte. Os 15 compositores com maior número de indicações foram convidados a escrever uma obra e receberam o Prêmio Funarte de Composição Clássica. Além dos nomes selecionados por indicação, outros 30 foram selecionados por edital e concurso.

“A Bienal tem um nível profissional muito bom. É um evento grande em termos mundiais e se tornou uma marca brasileira muito forte. Esta é, praticamente, a única política pública nacional, no âmbito da cultura, de incentivo à criação, e um diferencial da criação no Brasil”, comenta Lima.

Tradicionalmente presente na programação da Bienal, a OSN UFF abre a programação com o único concerto sinfônico do festival. No repertório, além de Tempuê, obras dos compositores Eli-Eri Moura (Prismas, com solo do fagotista Aloysio Fagerlande), Ronaldo Miranda (Transfigurações, com o flautista Rubem Schuenck como solista), Liduino Pitombeira (Concerto para piano e orquestra n. 2, dedicado à pianista Maria Di Cavalcanti, que interpreta o solo), Marlos Nobre e Ernani Aguiar.

 

Bienal de Música Brasileira Contemporânea

Realizada desde 1975, a Bienal de Música Brasileira Contemporânea tem como objetivo contribuir para a formação de público e a atuação de artistas que primam pela inventividade e pela depuração formal, assumindo os riscos da experimentação estética.

Ao longo do festival, realizado pela Funarte será possível prestigiar obras inéditas, de compositores brasileiros, selecionadas por edital e por um colegiado especializado, que serão executadas por orquestras, coros, intérpretes solos e conjuntos variados de música eletroacústica.

Confira a programação completa neste link.

 

PROGRAMA:

Paulo Costa Lima (1954-)
Tempuê

Eli-Eri Moura (1963-)
Prismas, para fagote e orquestra sinfônica
Aloysio Fagerlande, fagote

Liduino Pitombeira (1962-)
Concerto para piano e orquestra n. 2, Op. 210
Maria Di Cavalcanti, piano

Ronaldo Miranda (1948-)
Transfigurações, para flauta e orquestra
Rubem Schuenck, flauta

Marlos Nobre (1939-)
Preambulum e Toccata para orquestra, Op. 126

Ernani Aguiar (1950-)
Abertura Minas Gerais

 

Paulo Costa Lima

Paulo Costa Lima

Membro da Academia Brasileira de Música (cadeira 21), tendo substituído Luis Paulo Horta, o compositor baiano possui um catálogo com mais de 100 obras e 490 performances registradas, em mais de 20 países. Suas composições já estiveram em festivais no Lincoln Center, Carnegie Hall (Nova York), MusikHaus (Berlim), Pavilhão do Brasil na Expo Xangai (2010), Centro Cultural Brasil-Chile, Sala São Paulo, entre outras. Sua obra mobiliza hoje mais de 60 vídeos no YouTube, e gerou mais de 50 mil visualizações, número bastante significativo no campo da música de invenção.

Foi homenageado pelo 3º Festival de Música Brasileira Contemporânea (FMCB), dedicado à sua vida e obra (Unicamp, 2016). É pesquisador pelo CNPq, produzindo obras sobre a cultura musical brasileira, a teoria da composição e análises de canções referenciais da música popular brasileira. Como escritor, é membro da centenária Academia de Letras da Bahia, que já abrigou nomes como Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro. Professor de uma nova geração de compositores da Bahia, nos últimos dez anos, mais de dez prêmios da Bienal foram concedidos a seus alunos de composição.

 

Outras estreias em outubro

Além da participação na Bienal de Música Contemporânea Brasileira, o ano de 2017 tem sido profícuo para Paulo Costa Lima. Ainda em outubro, outra composição sua, Cauíza, estreou na Universidade de Münster, na Alemanha, e seguirá em turnê pelo país com o maestro Stephan Froleyks.

A obra foi escrita sob encomenda do Conselho Musical da cidade de Düsseldorf e estreou em 7 de outubro. Será tocada outras três vezes este mês em uma turnê nas vizinhanças de Düsseldorf, por um grupo de percussionistas de três nacionalidades: alemães, coreanos e brasileiros, liderados pelo regente e compositor Froleyks, professor da Universidade. “A inspiração vem do verso da famosa canção ‘Tindolelê, auê, Cauíza… Tindolelê sangue real, eu sou filho eu sou neto de Aruanda, tindolelê auê Cauíza’, um chamado que convoca a energia da força cabocla”, explica Lima.

Outra obra sua, Cavalo Marinho, estreou em 14 de outubro no Festival de Ouro Branco, em Minas Gerais, pelo violoncelista brasileiro radicado em Berlim, Matias de Oliveira Pinto. Matias é professor da Universidade de Münster e solista em inúmeros eventos internacionais. Cavalo Marinho (dança típica do nordeste brasileiro) foi escrita inicialmente para violoncelo solo para Matias, e reescrita para violoncelo e orquestra de cordas.

Também na Alemanha será apresentada em outubro a Serenata-Ponteio para Orquestra de Cordas. A composição estreou em Campinas/SP, em setembro, pelo maestro Lars Hoefs, que seguirá em turnê no país europeu. “A obra revisita o nacionalismo do ponto de vista da Bahia, mostrando algumas rupturas entre o discurso musical nacionalista e as tradições afro-baianas, tudo isso circulando com certa proximidade das ideias contemporâneas”, conta o compositor.

Por fim, a obra Bembé, para quinteto de metais segue pelo Brasil durante o mês de outubro, através do Projeto Sonora Brasil do Sesc, com o Quinteto de Metais da Universidade Federal da Bahia.

 

Foto do post: Marina Linhares

 

SERVIÇO:

 

Concerto de abertura da 22ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea

 

Orquestra Sinfônica Nacional da UFF

Tobias Volkmann, regência

 

23 de outubro, segunda-feira, às 19h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191)

 

Entrada gratuita

 

Sugestão etária: livre

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