Escrito por em 13 nov 2017 nas áreas Música sinfônica, Programação, Rio de Janeiro

Filarmônica de MG e seu clarinetista principal, Marcus Julius Lander (na foto), apresentam-se com regência de Bruno Procopio.

 

Ao celebrar os 250 anos do padre José Maurício Nunes Garcia, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresenta, nos dias 16 e 17 de novembro, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, uma de suas raras obras exclusivamente instrumentais, a Abertura Zemira. O clarinetista principal da Orquestra, Marcus Julius Lander, interpreta o célebre Concertino para clarinete, de Weber. E o regente convidado Bruno Procopio explora a Sinfonia n. 1, de Weber, e a Grande Sinfonia Heroica, escrita por Sigismund von Neukomm, pianista e compositor austríaco que viveu alguns anos no Brasil, conviveu com Nunes Garcia e contribuiu para a formação de vários músicos brasileiros.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas que a Filarmônica promove antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o palestrante será o maestro e cravista Bruno Procopio, regente convidado das duas noites. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

PROGRAMA:

José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) e a obra Abertura Zemira
Desde cedo, o músico José Mauricio Nunes Garcia, filho de pai e mãe alforriados, enfrentou, em período escravocrata, as contradições de sua ascendência negra. Apesar das dificuldades, estudou música com Salvador José de Almeida e Faria, e, aos 26 anos, despontou como profissional, ao se tornar Mestre de Capela da Sé e da Catedral do Rio de Janeiro. Já aos 31, com a chegada da família real em território brasileiro, foi nomeado Mestre da Real Capela. Sua produção foi hegemonicamente religiosa, mas há obras de caráter secular, ligadas a um viés dramático. Estruturada em forma sonata e com dois grupos temáticos, a Abertura Zemira (1803) insere-se nesse sofisticado leque e confirma a intimidade de José Maurício com a música de concerto praticada na sua época.

Carl Maria von Weber (1786-1826) e as obras Concertino para clarinete em mi bemol maior, Op. 26, e Sinfonia n. 1
Aos 17 anos, Weber já havia composto duas óperas, e, aos 18, tornou-se Kapellmeister (diretor de música de monarca ou nobre) em Breslau. Entre 1811 e 1813, embrenhou-se pela Europa como pianista, compositor, maestro e crítico musical. Em Munique, tornou-se amigo de artistas como o escritor E.T.A. Hoffmann e o eminente clarinetista Heinrich Bärmann, para quem o músico compôs o Concertino para clarinete e orquestra, obra que marcou o restabelecimento de sua carreira artística e foi estreada por Bärmann junto à Orquestra da Corte de Munique, sob regência do compositor. Compacta, com introdução, tema e pequeno grupo de variações, a obra se estrutura em movimento único.

Weber compôs duas sinfonias em sua curta vida, ambas concluídas em 1807 e criadas para a corte do conde von Württenberg, onde trabalhava. Sucinta, a Primeira Sinfonia não possui grandes desenvolvimentos temáticos. Pequenas ideias musicais, retomadas e justapostas, revelam um autor que não se alinhou ao modelo beethoveniano, que, na época, se impunha ao sinfonismo romântico. Em sua Primeira Sinfonia, merece destaque o lirismo do segundo movimento, que marca a presença de Weber na música do século 19.

Sigmund Ritter von Neukomm (1778- 1858) e a obra Grande Sinfonia Heroica
Ao chegar ao Brasil, em 1816, Neukomm integrava a comitiva do Duque de Luxemburgo, cujo objetivo era estreitar as relações entre França e Brasil. O músico torna-se professor público de música, compositor e instrumentista, além de instrutor de D. Pedro I, Dona Leopoldina e princesa Isabel. Dá aulas, ainda, a Francisco Manoel da Silva e convive com José Maurício Nunes Garcia. O músico compôs mais de 1.200 obras, além de canções, obras para coro e aberturas. No Rio, escreveu música de câmara e harmonizou modinhas de Joaquim Manoel Gago da Câmara. A Grande Sinfonia Heroica (1820) foi composta, ao que tudo indica, em solo brasileiro, nos anos em que o compositor trabalhou para Dom João VI. Na peça, Neukomm potencializa o caráter dramático e aposta em contrastes, sugerindo sonoridades grandiosas ou temas delicados.

 

ARTISTAS:

Cravista e maestro, com sólida formação no Conservatório de Paris, Bruno Procopio, regente convidado, conjuga a aclamada carreira internacional ao raro domínio de projetos culturais. É fundador do selo Paraty e coproprietário do portal classiquenews.com, dedicado à música clássica. Atua como regente e diretor de projetos no Centro de Música Barroca de Versalhes, junto a orquestras e instituições da América do Sul. Em 2012, regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), na première, em tempos modernos da ópera O ouro não compra o amor, de Marcos Portugal. Frequentemente, é convidado pelas orquestras vinculadas ao El Sistema da Venezuela, com destaque para a Orquesta Sinfónica Simón Bolívar, com a qual gravou o disco Rameau in Caracas, cinco estrelas pela revista Diapason, álbum da semana pelo jornal Le Figaro e pela rádio Classic FM, de Londres. Em 2014, dirigiu a Orchestre Philharmonique Royal de Liège e o coro e orquestra Les Siècles, uma das mais renomadas formações com instrumentos de época da Europa. Sua temporada 2017 inclui regência da Orchestre Lamoureux no Théâtre des Champs Élysée, turnê com a Orchestre National des Pays de la Loire, residência na Orchestre d’Auvergne e estreias com Osesp e Filarmônica de Minas Gerais.

Bruno Procopio (foto de Jean-Baptiste Millot)

 

Bacharel em Clarinete pela Unesp, na classe de Sérgio Burgani, Marcus Julius Lander foi aluno de Luis Afonso “Montanha” na USP e de Jonathan Cohler no Conservatório de Boston. Atuou, ainda, como spalla na Banda Sinfônica Jovem de São Paulo e como chefe de naipe nas orquestras Jovem de Guarulhos, do Instituto Baccarelli e na Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Integrou a Orquestra Acadêmica da Cidade de São Paulo e o Quarteto Paulista de Clarinetas. Na China, foi artista residente no 8º Festival Internacional de Clarinete e Saxofone de Nan Ning e no Festival Internacional de Clarinetes de Pequim, além de professor palestrante nos conservatórios de Shenyang e Tai-Yuan. Recentemente, foi artista residente no Dream Clarinet Academy e jurado da Royal Musical Collection International Clarinet Competition, ambos na cidade de Baoding. Marcus Julius Lander juntou-se à Filarmônica em 2009 e hoje é seu Clarinete Principal.

 

Foto do post: Mariana Garcia

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Marcus Julius Lander, clarinete

Bruno Procopio, regência

 

16 e 17 de novembro, quinta e sexta-feiras, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 105 (balcão principal), R$ 85 (plateia central), R$ 62 (balcão lateral), R$ 50 (mezanino) e R$ 40 (balcão palco e coro), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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