Escrito por em 8 nov 2017 nas áreas Balé/Dança, Festival, Pará, Programação

Cia. de dança apresenta balés com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.

 

A Cisne Negro Companhia de Dança, uma das mais respeitadas do Brasil, apresenta-se no dia 9 de novembro, no Theatro da Paz, em Belém. Sob a regência do maestro Fuad Ibrahimov, natural do Azerbaijão, o programa é executado pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) e conta com duas renomadas obras do grupo: Revoada (2007), com música de Igor Stravinsky e coreografia do francês Gigi Caciuleanu; e Enigmas (2017), com música de Edward Elgar (Variações Enigma) e coreografia de Dany Bittencourt, diretora da Cisne Negro. O evento integra a programação do 7º Festival Música na Estrada.

As peças celebram a vitalidade da companhia: os 30 anos em 2007 e os 40 em 2017. Trata-se de um feito e para comemorar, a capital paraense entrou nesse circuito do grupo, após muito tempo sem apresentar trabalhos aqui no estado. “Estamos muito entusiasmados em voltar, mesmo sendo apenas uma apresentação”, comenta Dany Bittencourt. Os espetáculos demonstram a capacidade criativa para se reinventarem ao longo de todos esses anos. “São obras desafiadoras tanto para a orquestra quanto para os bailarinos, em cima de um tema original, já relacionado com a história das composições”, explica a diretora.

O coreógrafo Gigi Caciuleanu explica que a sua concepção para Revoada foi baseada na reunião de duas peças musicais de Stravinsky, ambas com o conceito de fogo: firebird (pássaro de fogo) e firework (fogos de artifício): “Tentei reinventar, traduzir em dança, um processo químico que faz com que a obra em negro, simbolizada por esta mesma cor, se transforme em pura energia, o fogo, simbolizado pela cor vermelha”.

Já em Enigmas (2017), coube à própria Dany Bittencourt fazer a concepção coreográfica da nova produção, que tem figurinos de Fábio Namatame. As 14 variações da música de Elgar são as inspirações para a proposta das cenas. No início, é possível perceber os bailarinos representando o próprio compositor e a sua esposa – tal qual a história do que ele pensou ao compor sua obra musical, e nas demais cenas, também se percebe essa conexão música-dança.

“Enigmas é uma obra muito importante para nós, pois fala da vida, desse enigma que é viver, assim como o compositor nos mostra com sua música. Ele fala da esposa, do seu círculo de amizade, de suas experiências cotidianas. E no palco, buscamos mostrar essas histórias, que é de muitos de nós também, por meio da dança. Em uma das variações, das 14, é um momento de comoção que se toca na Inglaterra, em enterros e cortejos fúnebres, como se ele estivesse se sentindo depressivo e não acreditasse na própria vida”, diz Dany Bittencourt.

 

Maestro Fuad Ibrahimov

Regência

Pela primeira vez no Brasil, o maestro Fuad Ibrahimov também celebra outro ineditismo em sua carreira: reger umas de suas composições favoritas junto à um corpo de balé, a obra de Stravinsky – que ele já é habituado a reger. Em sua carreira jovem como maestro, ele já regeu inúmeras orquestras de renome internacional tais como a Royal Philharmonic Orchestra (Inglaterra), Sinfônica de Mulhouse (França), Filarmônica Checa do Norte, Sinfônica de Leipzig e Orquestra de Câmara de Viena, dentre muitas outras. Em 2012, assumiu a sua primeira produção de ópera independente com a Orquestra de Gürzenich (Alemanha) na Ópera de Colônia como regente convidado. Atualmente, é regente da Nova Filarmônica de Munique.

“Estou muito feliz de estar no Brasil. Estive nesta área, na Venezuela, há 10 anos e pensei que por ser na mesma região, poderia encontrar coisas parecidas, mas não, para mim é totalmente novo e diferente. É mais estruturado, tudo funciona muito bem e as pessoas são maravilhosas. Todo concerto, não importa onde e como seja, me traz algo diferente. Aqui eu pude perceber que as pessoas são extremamente envolvidas, abertas para aprender, parece mesmo que amam seu trabalho e reagem a tudo de forma imediata, com gosto. Na forma que conduzi os ensaios, por exemplo, deu para perceber isso, eles querem tocar. E sobre o maestro Miguel [Campos Neto, regente titular da OSTP], foi fantástico tê-lo encontrado, é também a primeira vez que trabalho com ele e estou impressionado com seu trabalho junto à orquestra”, comenta.

 

Música na Estrada

O Festival Música na Estrada é um dos maiores projetos culturais no norte do país. Desde 2011, o projeto promove acessibilidade e aprimoramento através do intercâmbio e da valorização de conteúdos de inúmeras regiões brasileiras.

Inteiramente gratuito, esta 7ª edição do Festival ocorre de 25 de outubro a 31 de março de 2018, nas cidades de Boa Vista, Macapá, Belém, Santarém, Manaus, Porto Velho e Brasília.

A proposta artística contempla mais uma vez música clássica e instrumental, artes cênicas, e, em paralelo, as já tradicionais oficinas instrumentais e de dança, assim como palestras com professores e musicistas de várias partes do país.

Outras informações no site do Festival.

 

SERVIÇO:

 

7º Festival Música na Estrada

 

Cisne Negro Cia. de Dança

Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz

Fuad Ibrahimov, regência

 

9 de novembro, quinta-feira, às 20h

Theatro da Paz (R. da Paz, s/n, Centro – Belém. Tel.: 91 4009-8750)

 

Entrada gratuita

 

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