Escrito por em 13 dez 2017 nas áreas Minas Gerais, Música coral, Programação

 Coral Ars Nova da UFMG faz concertos natalinos em Belo Horizonte.

 

Banquete de Vozes de Natal é o nome do concerto que o Coral Ars Nova da UFMG realiza nos dias 19 e 20 de dezembro, sempre às 19h30, no Museu Inimá de Paula e na Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Belo Horizonte. Na regência, o maestro Lincoln Andrade.

Este é um concerto de Natal com música coral acompanhada por um quinteto de metais, uma orquestra de cordas, harpa, órgão, piano ou a cappella.
O objetivo do Banquete de Vozes do Natal é divulgar clássicos de música erudita compostos para a ocasião, sem esquecer as canções tradicionais, para celebrar as festas de final de ano junto com a cidade. Por isso, as apresentações serão realizadas em dois pontos diferentes da capital mineira, dando maior oportunidade ao público de poder compartilhar com os músicos esta grande festa anual.

Sair de casa, ou deixar de ir ao shopping para fazer compras nesta época do ano é um grande desafio. Então, o Ars Nova propõe que o público, ao sair de casa ou deixar de fazer compras, assista a algumas obras raramente executadas nesta época do ano, além de outros hits do Natal. Assim, o conjunto divide com o público um cardápio de vozes que vai do moteto da Renascença ibérica, de Francesco Guerrero, a um hino tradicional Shaker do século 19; da abertura pré-barroca, de Cláudio Monteverdi, a uma canção brasileira do século 20, de Heitor Villa-Lobos; do popular barroco, de George Frederich Händel, ao romantismo francês, de Camille Saint-Saëns. A mensagem é a mesa posta para compartilhar a união, a alegria do canto em conjunto, o tradicional e o novo. A entrada, para ambos os banquetes, é franca.

O Ars Nova, orgulhosamente, intitula-se como Coral da UFMG. Todos os membros da sua equipe – maestros, cantores, músicos, técnicos administrativos, estagiários e bolsistas – deseja que a música feita com emoção, profissionalismo e ética seja um bálsamo para suavizar tempos tão difíceis, para amenizar as incertezas, para trazer mais alegria a todos.

 

PROGRAMA:

Cláudio Monteverdi (1567-1643)
Vespro della Beata Vergine: Deus in adjutorium meum | Domine ad adjuvandum
Júlio Chaves (tenor)
Técnicos e bolsistas de metais e de cordas da OSEMUFMG

Vespro della Beata Vergine, em português, Vésperas da Santa Virgem, é um conjunto de obras sacras, compostas e publicadas por Claudio Monteverdi em 1610, que se destinavam a atender a múltiplas funções e podiam ser executadas em variadas combinações vocais e instrumentais. Seus movimentos internos funcionam como peças avulsas e podem ser agrupados e remodelados conforme a necessidade da ocasião. Deus in adjutorium meum e Domine ad adjuvandum são usadas no concerto como uma abertura para esta noite de celebração e partilha.

 

Camille Saint-Saëns (1835-1921)
Oratório de Noël, Op. 12

No final do ano de 1858, a Igreja de Madeleine, situada na Praça da Concórdia, em Paris, encomendou a Camille Saint-Saëns, então um jovem compositor de 23 anos de idade, um oratório para a celebração de Natal daquele ano. Ele começou a escrever o oratório no dia 4 de dezembro e, onze dias depois, terminou a composição em dez movimentos que contava a história do nascimento de Jesus Cristo. Esta é uma obra intimista que requer solistas, coro e pequena formação instrumental: órgão, harpa e cordas. Neste Oratório de Noël, St.-Saëns combina uma série de estilos musicais: uma abertura ao estilo de Johann Sebastian Bach, recitativos narrativos, melodias folclóricas, passagens apassionatas de solo de ópera e a simples escrita coral. O cardápio é música francesa com pitadas de temperos brasileiros.

Trio Salmo 109, 3
Natalie Christine (soprano), Iolanda Camilo (mezzo-soprano), Sônia Apcon (contralto), Hendrigo del Freitas (tenor) e Samuel Goetz (barítono)
Marcelo Penido (harpa) e Robério Molinari (órgão)
Técnicos e bolsistas de cordas da OSEMUFMG

 

where to buy frozen acai london Francesco Guerrero (1528-1599)
Duo Seraphim

Este é o verdadeiro banquete de vozes! Em Duo Seraphim, Guerrero explora as possibilidades oferecidas pela textura polifônica: o moteto começa com dois sopranos cantando as palavras “dois serafins”. No trecho “há três que dão testemunho no céu”, o compositor utilizou uma textura de três vozes, e, quando texto apresenta “a Terra está plena de sua glória”, o coro canta em doze vozes simultâneas e independentes. Aqui, o Ars Nova mostra sua habilidade de “brincar” com as vozes em belo moteto para três coros, portanto 12 vozes a cappella, e convida a todos para participar de seu banquete musical.

 

Heitor Villa Lobos (1887-1959)
Presaeppe (texto de Pe. José de Anchieta)
Iolanda Camilo (mezzo-soprano)

Por volta de 1952, Heitor Villa-Lobos tinha, em mão, o poema Beata Virgine Dei Mater Maria ou Virgem Maria, Mãe de Deus, da autoria de José de Anchieta (1534-1597), missionário jesuíta, pioneiro, nascido em Tenerife, Ilhas Canárias, que chegou ao Brasil, em 1553 e, aqui, permaneceu até a sua morte. Villa-Lobos decidiu, então, escrever Presaeppe, uma obra para mezzo-soprano solo acompanhada pelo coro a cappella, como se fosse um órgão de vozes humanas. É impossível não reconhecer o paladar, o aroma e a textura das harmonias de Villa-Lobos nesta obra raramente executada no Brasil.

 

Canção tradicional Shaker
The Gift (arr. Bob Chilcott)
Robério Molinari, piano

Os Shakers formavam uma comunidade cristã fundada no século 18, na Inglaterra. Praticavam um estilo de vida celibatário e comunitário, pregavam o pacifismo e um modelo próprio de igualdade entre os gêneros. Também eram conhecidos por seus hábitos simples, sua arquitetura e mobiliário funcionais. A vida moderna causou o desaparecimento das comunidades Shakers, e algumas de suas vilas são preservadas como museus abertos à visitação pública atualmente. A música The Simple Gifts, ou The Gift, ou O Presente, era amplamente conhecida fora das comunidades dos Shakers. O compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990) usou a melodia em seu balé sinfônico Appalachian Spring. O Ars Nova apresenta esta emotiva canção em seu cardápio, para este banquete, com a adaptação da letra feita por Tony Vincent Isaacs e o arranjo para coro e piano de Bob Chilcott.

 

George Frederich Händel (1685-1759)
Joy to the World (arr. Gordon Langford, adap. Lincoln Andrade)
Técnicos e bolsistas de metais da OSEMUFMG

Joy to the World é uma canção de Natal composta por Händel com texto do escritor inglês Isaac Watts, baseado no Salmo 98 da Bíblia. Este é um hino que saúda a volta triunfante de Cristo no final dos tempos, em vez de uma canção que celebre a sua primeira vinda como um bebê nascido em um estábulo. O arranjo para coro e quinteto de metais é de Gordon Langford e passou por uma adaptação feita pelo maestro Lincoln Andrade.

 

ARTISTAS:

Ars Nova – Coral da UFMG
Fundado em 1959, o Ars Nova é referência na área de canto coral, no Brasil e no exterior. Sob a regência do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca – de 1962 a 2004 –, o coro conquistou inúmeros prêmios e condecorações em importantes festivais nacionais e internacionais e fez mais de 1.400 apresentações no Brasil e em outros 17 países. Desde a sua retomada, em 2013, o Ars Nova realizou inúmeros concertos no Brasil e exterior, alcançando um público de mais de 18 mil pessoas. Destacam-se, além disso, dois prêmios obtidos em 2016: o Troféu JK de Cultura e Desenvolvimento e a conquista do terceiro lugar na categoria coro misto, no 34º Festival Internacional de Música de Cantonigròs, realizado em Vic, Catalunha, Espanha. O Ars Nova – Coral da UFMG tem como regente atual o maestro Lincoln Andrade.

Lincoln Andrade
Doutor em Regência pela University of Kansas, EUA, mestre em Regência pela University of Wyoming, EUA, e licenciado em Música pela Universidade de Brasília, foi professor e diretor do Centro de Educação Profissional Escola de Música de Brasília; professor assistente premiado na University of Wyoming, na University of Kansas e na Indiana State University; professor no curso de pós-graduação da Faculdade de Artes do Paraná. Foi regente titular do Madrigal de Brasília e maestro titular do Coral Brasília. Ganhou medalha de ouro no Festival Internacional de Coros, em Atenas, Grécia, em 1994 e em 2004. Regeu concertos em países, como Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal e Turquia. Foi regente titular do Coral Lírico de Minas Gerais e regeu concertos como maestro convidado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e da Orquestra de Câmara Opus. Foi, durante 12 anos, o produtor musical e apresentador do programa Conversa de Músico, produzido e veiculado pela TV Senado. É professor de regência e coordenador da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG.

 

SERVIÇO:

 

Concerto “Banquete de Vozes do Natal”

Coral Ars Nova, solistas e músicos

Lincoln Andrade, regência

 

19 de dezembro, terça-feira, às 19h30

Museu Inimá de Paula (R. da Bahia, 1.201, Centro – Belo Horizonte. Tel.: 31 3213-4320)

 

20 de dezembro, quarta-feira, às 19h30

Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem (R. Sergipe, 175, Funcionários – Belo Horizonte. Tel.: 31 3222-2361)

 

Entrada gratuita

 

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