Escrito por em 27 dez 2017 nas áreas CD/DVD, Lateral, Notícia

Carlos Alberto Figueiredo o realizador.

Capa do CD

Com regência geral de Carlos Alberto Figueiredo, a Osesp lança um CD com obras de José Maurício Nunes Garcia, comemorando seus 250 anos de nascimento. Uma obra que vem bem a calhar, pois ele é o maior compositor brasileiro desta escola. Isso só faz bem à memória brasileira.

A destacar as atuações especiais da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e do Coro da Osesp, um dos melhores do Brasil, sem dúvida alguma.

Na verdade, todos contribuíram de maneira decisiva para mais este ato de preservação de nossa música de concerto.

 

REPERTÓRIO

José Maurício Nunes Garcia [1767-1830]
– Abertura em Ré
CORO DA OSESP
CARLOS ALBERTO FIGUEIREDO: REGENTE

– Ofício Fúnebre a Oito Vozes
Responsório I. – CREDO QUOD REDEMPTOR MEUS VIVIT
Responsório II. – QUI LAZARUM RESUSCITASTI
Responsório III. – DOMINE QUANDO VENERIS
Responsório IV. – MEMENTO MEI DEUS
Responsório V. – HEI MIHI DOMINE 
Responsório – NE RECORDERIS PECCATA MEA
Responsório VII. – PECCANTEM  ME QUOTIDIE
Responsório VIII. – DOMINE SECUNDUM ACTUM MEUM
Responsório IX. – LIBERA ME DOMINE
CORO DA OSESP
CARLOS ALBERTO FIGUEIREDO: REGENTE
ALESSANDRO SANTORO: ÓRGÃO
MARIALBI TRISOLIO: VIOLONCELO

Missa de Réquiem
Introit and Kyrie  
Gradual
Offertory
Sanctus
Agnus Dei
Communion 

 

Abertura em ré

A obra de José Maurício é em sua grande maioria formada por peças sacras, sendo que apenas três obras instrumentais profanas são conhecidas. A Abertura em Ré é uma delas. Escrita para cordas, trompas, clarinetes e flauta, a Abertura se estrutura a partir de dois temas, o primeiro apresentado pelas cordas e o segundo pelos sopros, que se alternam em um Allegro em tonalidade maior. Antes disso há uma breve introdução em que as durações mais longas predominam, organizando lentamente e passo a passo os primeiros sons, em ré menor, como no oratório de Haydn.

Ao estabelecer as primeiras bases mais consistentes, como compositor, professor e regente, para a prática musical na transição colônia-império, José Maurício inaugurou, de certo modo, um caminho para toda a música de concerto que seria feita no Brasil desde a segunda metade do século 19; o caminho por onde passariam Villa-Lobos, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri e tantos outros. (Sérgio Molina – abril 2017)

 

Ofício Fúnebre a 8 vozes

O padre mulato carioca José Maurício Nunes Garcia é considerado o mais importante compositor do chamado período colonial brasileiro, tendo sido mestre de capela da Sé do Rio de Janeiro, a partir de 1798, e mestre da Capela Real, a partir de 1808. Seu infatrim obat apa Ofício Fúnebre a Oito Vozes, composto em data desconhecida, é uma das suas obras mestras. Este ofício estaria provavelmente associado com um Réquiem em Fá Menor, obra, entretanto, perdida. O Ofício é composto por nove responsórios, subdivididos cada um em responsos e versos, com os responsos sempre escritos para oito vozes e os versos, para quatro vozes. A transmissão textual da obra é complexa, sendo conhecida apenas a partir de cópias do século 19. Os problemas textuais envolvem, principalmente, a colocação do texto litúrgico e das dinâmicas. A edição utilizada foi feita por mim, a partir da cópia de Bento das Mercês (1804-5/87), produzida em data desconhecida. Trata-se de uma edição musicológica, com elementos críticos no que diz respeito a alturas, durações e colocação do texto litúrgico, mas sem excluir aspectos práticos, a partir de minha concepção inter¬pretativa da obra. (Carlos Alberto Figueiredo – junho 2015)

Missa de Requiem

A Missa de Requiem apresentada neste programa foi composta para a Capela Real, por José Maurício (1767-1830), em 1809, sendo uma de suas várias obras fúnebres. Já está dentro da esfera de influência do gosto da família real portuguesa, instalada no Rio de Janeiro desde março de 1808. A obra está escrita em estilo concertato, alternando seções para todas as vozes com outras para duos ou trios, sempre acompanhadas apenas pelo baixo contínuo, executado pelo órgão. Algumas seções apresentam resquícios de um estilo mais estrito, como é o caso da fuga Quam Olim Abrahae. As seções são curtas, de forma geral, e nota-se a ausência da sequência Dies Irae, essencial em qualquer Requiem. Embora não explicitamente composta por José Maurício, sua presença está indicada na partitura para execução em cantochão, o que, normalmente, era feito pelos capelães cantores da Capela. A obra tem escrita predominantemente homófona, ou seja, com as vozes caminhando em blocos simultâneos, com exceção da fuga já mencionada. Embora o diatonismo prevaleça, há largo uso de harmonias e linhas melódicas cromáticas. O ambiente de grande austeridade alterna com seções de grande simplicidade e ingenuidade, com frequente utilização de uníssonos para todas as vozes. Para a execução, foi utilizada a edição de Jetro Meira de Oliveira, não publicada.  (Sérgio Molina – junho 2017)

 

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Desde seu primeiro concerto, em 1954, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo — Osesp — passou por grande desenvolvimento, até se tornar uma instituição hoje reconhecida internacionalmente pela excelência. Com mais de 80 CDs lançados, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. Atividades educativas na Sala São Paulo atraem a cada ano milhares de crianças e adolescentes. Em 2012, Marin Alsop assumiu o posto de regente titular. Neste mesmo ano, em sequência a concertos no festival BBC Proms de Londres e no Concertgebouw de Amsterdã, a Osesp foi considerada pela crítica especializada estrangeira como uma das orquestras de ponta no circuito internacional. Em 2013, Marin Alsop foi nomeada diretora musical da Osesp e a orquestra realizou sua quarta turnê europeia, apresentando-se pela primeira vez — e com grande sucesso — na Salle Pleyel, em Paris; na Berliner Philharmonie, casa da Filarmônica de Berlim; e no Royal Festival Hall de Londres. Em 2014, celebrando os 60 anos de sua criação, fez a estreia latino-americana da coencomenda do Concerto Para Saxofone de John Adams, e mais recentemente (2016) apresentou-se nos principais festivais de verão da Europa (Edimburgo, BBC Proms e Lucerna).

Valentina Peleggi – regente assistente

Valetina é Regente Titular do Coro da Osesp e Regente em Residência da Osesp no biênio de 2017-2018. Após atuar em 2016 como Regente Assistente, professora da classe de regência na Academia da Osesp e preparadora do Coro, finalizou o ano aclamada pela crítica, recebendo o Prêmio de Melhor Regente do Ano pela APCA. Formada em regência pelo Conservatório Santa Cecília, em Roma, radicou-se em Londres, onde estudou na Royal Academy of Music. Valentina trabalhou como assistente do maestro Bruno Campanella em produções na Itália, na França e nos Estados Unidos. Já atuou também com a Orchestra della Toscana, Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, BBC Concert Orchestra, Tonhalle Orchester, Baltimore Symphony Orchestra e outras. Regente honorária do Coro da Universidade de Florença, onde foi diretora musical por dez anos, venceu o prêmio de regência do Festival Internacional de Campos de Jordão (2014) e a Taki Concordia Conducting Fellowship (2015-7).

Coro da Osesp

Criado em 1994, como Coro Sinfônico do Estado de São Paulo, o Coro da Osesp (como é chamado desde 2001) reúne um grupo de cantores de sólida formação musical e é uma referência em música vocal no Brasil. Nas apresentações junto à Osesp, em grandes obras do repertório coral-sinfônico, ou em concertos a cappella na Sala São Paulo e pelo interior do estado, o grupo aborda diferentes períodos musicais, com ênfase nos séculos 20 e 21 e nas criações de compositores brasileiros, como Almeida Prado, Aylton Escobar, Gilberto Mendes, Francisco Mignone, Liduíno Pitombeira, João Guilherme Ripper e Villa-Lobos. Entre 1995 e 2015, o Coro da Osesp teve Naomi Munakata como coordenadora e regente. Em 2009, o Coro da Osesp lançou seu primeiro disco, Canções do Brasil, que inclui obras de Osvaldo Lacerda, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Marlos Nobre e Villa-Lobos, entre outros compositores brasileiros. Em 2013, lançou gravação de obras de Aylton Escobar (Selo Osesp Digital) e, em 2015, gravou obras de Bernstein junto à Orquestra Sinfônica de Baltimore regida por Marin Alsop, para CD do selo Naxos. Para as temporadas 2017 e 2018, a italiana Valentina Peleggi tornou-se Regente Titular do Coro da Osesp.

Carlos Alberto Figueiredo – regente

Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Alberto Figueiredo estudou regência coral com Frans Moonen, no Conservatório Real de Haia, e fez cursos complementares com Jan Eelkema e Rainer Wakelkamp, na Fundação Kurt Thomas da Holanda. Estudou com Helmuth Rilling, na Bachakademie de Stuttgart, e repertório barroco com Philippe Caillard, em Paris. Participou de diversos projetos de edição de partituras brasileiras e é autor do catálogo Música Sacra e Religiosa Brasileira – Obras dos Séculos XVIII e XIX (disponível em musicasacrabrasileira.com.br) e do livro Música Sacra e Religiosa Brasileira dos Séculos XVIII e XIX – Teorias e Práticas Editoriais (Edição do Autor, 2014). É professor da UniRio e regente do Coro de Câmara Pró-Arte, com o qual gravou José Maurício Nunes Garcia (Pró-Arte, 1994) e Missa de São Pedro de Alcântara – 1809 (Pró-Arte, 1998).

Alessandro Santoro – órgão

Estudou no Conservatório Tchaikovsky de Moscou e fez mestrado em cravo no Conservatorium de Haia (Holanda). Foi premiado com o Diapason D’Or (2005) pela sua gravação das Sonatas Para Violino de Jean-Marie Leclair. Apresenta-se regularmente na Europa e no Brasil como membro de conjuntos como a La Petite Bande, Orchestra of The 18th Century, entre outras. É professor de cravo e baixo contínuo na Escola de Música de São Paulo (EMESP).

Marialbi Trisolio – violoncelo

Integrante do naipe de violoncelos da Osesp, iniciou os estudos musicais aos cinco anos no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí. Estudou com João Del Fiol, Gretchen Miller, Tânia Lisboa, Zigmund Kubala e Alceu Reis. Como camerista, desenvolveu intensa atividade junto ao Quinteto D’Elas, com o qual gravou dois CDs e participou de concertos pelo Brasil e exterior.

 

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