Escrito por em 6 dez 2017 nas áreas Lateral, Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de MG dedica-se à família Bach no último concerto do ano da série Fora de Série.

 

Para encerrar a aventura barroca em 2017, a série Fora de Série da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresenta o concerto Bach e cia., com composições sacras da família Bach e um pouco da música profana escrita por Johann Sebastian, a Cantata do Café. A apresentação ocorre no dia 9 de dezembro, às 18h, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte. Sob regência do maestro Fabio Mechetti, a Filarmônica se apresenta com os solistas Lina Mendes (soprano), Flávio Leite (tenor) e Carlos Eduardo Marcos (baixo).

Com o objetivo de traçar um panorama geral do Barroco, a série Fora de Série, em seus nove concertos – sempre realizados aos sábados –, explorou esse período em suas diversas concepções: francesa, alemã, mineira e italiana. Além disso, foi abordada a influência do Barroco através dos tempos e interpretadas obras de compositores específicos, como Vivaldi, Haendel e Bach, bem como dos filhos de Bach.

 

REPERTÓRIO

Johann Ludwig Bach (1677-1731) e a Suíte em sol maior
Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784) e a Sinfonia em fá maior
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) e a Sinfonia em si menor, H. 661 (W. 182/5)
Johann Christian Bach (1735-1782) e a Sinfonia em si bemol maior, Op. 18, n. 2
Johann Sebastian Bach (1685-1750) e a Cantata n. 211 – Cantata do Café

Ótimo professor e exímio mestre dos teclados, Johann Sebastian Bach teve 20 filhos, dos quais apenas um não seguiu a carreira musical. A família Bach revelou-se, na verdade, um extraordinário exemplo de hereditariedade artística. Johann Ludwig Bach, compositor e violinista, era primo em segundo grau de Johann Sebastian e compôs muitas cantatas e outras obras sacras, suítes e concertos. Seu primo ilustre copiou e divulgou várias de suas obras.

Para além da formação musical, Wilhelm Friedemann, o filho mais velho de Johann Sebastian, estudou Matemática e Direito. Ocupou cargos de organista nas igrejas principais de Halle e Dresden, mas se decidiu pela carreira de músico autônomo. Já Carl Philipp Emanuel, o mais ilustre dos filhos do compositor, iniciou a vida profissional como cravista da corte da Prússia, sob Frederico II. Construiu fama como solista, compositor e professor. Em Hamburgo, atuou como diretor musical e escreveu abrangente tratado sobre técnica para teclados: A verdadeira arte de tocar o cravo.

Johann Christian, o filho mais novo, foi orientado por Carl Philipp Emanuel. Concluiu a formação na Itália, enquanto trabalhava para a família Litta, em Milão. Nomeado organista da catedral da cidade italiana, converteu-se ao Catolicismo e rompeu com a forte tradição luterana da família Bach. Bem-sucedido compositor de óperas, suas obras atraíram a rainha da Inglaterra, Charlotte, que lhe ofereceu o cargo de professor particular real. Tornou-se, ainda, compositor do Teatro Real de Londres, onde também se tornou amigo do pequeno Mozart. Se a música de Johann Sebastian alcançou pouco reconhecimento em vida, seus filhos Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel e Johann Christian agradaram ao público, principalmente, pela adoção do estilo galante, música que o futuro designou como clássica.

 

ARTISTAS

Desde 2008, Fabio Mechetti é diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti atuou como regente principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de 14 anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu regente titular emérito. Foi também regente titular das Sinfônicas de Syracuse e de Spokane. Desta última é, agora, regente emérito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Sinfônica de San Diego, foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as Sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madri, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca. Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

 

A soprano Lina Mendes recebeu o Prêmio Revista Concerto 2014 na categoria Jovem Talento pelo júri popular e, no mesmo ano, integrou o Centre Perfeccionament Plácido Domingo, na Espanha. Foi Gilda em Rigoletto (Verdi), Blonde em O Rapto do Serralho (Mozart), Marzeline em Fidelio (Beethoven), Oscar em Um Baile de Máscaras (Verdi), Cunegundes em Candide (Berstein), Nannetta em Falstaff (Verdi), Micaela em Carmem (Bizet), Eurídice em Orfeu e Eurídice (Gluck). Solou em Carmina Burana (Orff), A Criação (Haydn) e Messias (Haendel). Apresentou-se conduzida por Alejo Perez, Isaac Karabtchevsky, John Neschling, Silvio Viegas, Alan Guingal, Marin Alsop, Federico Maria Sardelli, entre outros. Atuou ainda sob a direção cênica de André Heller-Lopes, Fernando Bicudo, Jorge Takla, Livia Sabag, Stefano Poda e Davide Livermore nos principais teatros e salas de concertos do Brasil. Em 2015 fez seu début no Palau de les Arts de Valencia, na Espanha, como Musetta em La Bohème (Puccini). Em 2016, fez seu début como Ilia em Idomeneo (Mozart) no Palau de les Arts de Valencia, sob a regência de Fabio Biondi. Foi solista com a Osesp no ciclo Les Nuits d’Été (Berlioz), sob a regência de Thierry Fischer, e no oratório As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz (Haydn), conduzida por Valentina Pelleggi. Estreou como Delia na ópera Fosca (Gomes) em uma nova produção de Stefano Poda para o Theatro Municipal de São Paulo. Em 2017, com a Filarmônica de Minas Gerais, sob regência de Marcos Arakaki, apresentou o Te Deum, de Lobo de Mesquita, e o Requiem, de Nunes Garcia.

 

Diplomado pelo Conservatório Superior del Liceu, em Barcelona, Espanha, o tenor gaúcho Flávio Leite tem se firmado como um dos mais atuantes e versáteis cantores líricos brasileiros. O artista acumula experiência em títulos como Lulu, de Berg; A Flauta Mágica Così Fan Tutte, de Mozart; Cenerentola e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini; La Fille du Régiment e Rita, de Donizetti; Romeu e Julieta, de Gounod; Turandot, de Puccini; A Menina das Nuvens, de Villa-Lobos; e Ariadne auf Naxos, de Richard Strauss, totalizando mais de 40 papéis em seu repertório. Ele desenvolve, ainda, ampla atividade como solista em oratórios e obras sinfônicas, entre elas O Messias, de Haendel; A Criação, de Haydn; a Nona Sinfonia, de Beethoven; Stabat Mater e Petite Messe Solennelle, de Rossini; Messa di Gloria, de Puccini; Carmina Burana, de Orff, tendo se apresentado com as principais orquestras brasileiras. O cantor é também presença frequente nas temporadas das principais casas de espetáculo brasileiras, como o Theatro Municipal de São Paulo, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Palácio das Artes, Teatro Amazonas, Theatro da Paz e Theatro São Pedro – tanto o de São Paulo como o de Porto Alegre. Com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresentou, em 2017, o Te Deum, de Lobo de Mesquita, e o Requiem, de Nunes Garcia, sob regência do maestro Marcos Arakaki.

 

Presença constante nas principais casas de ópera do Brasil, o baixo Carlos Eduardo Marcos fez as estreias mundiais das óperas brasileiras Anjo Negro, de João Guilherme Ripper; A Tempestade, de Ronaldo Miranda; Eros!Ion, de Paulo Chagas; Olga, de Jorge Antunes; e O Rei que Ninguém Viu, de Alexandre Travassos. Na música sacra e sinfônica destacam-se as suas atuações em O Messias e Saul, de Haendel; A Paixão Segundo São João e A Paixão Segundo São Mateus, de Bach; A Criação, de Haydn; A Infância de Cristo, de Berlioz; Sinfonia n. 9, de Beethoven; Requiem, nas versões dos compositores Fauré, Haydn, Liszt, Mozart e Garcia, além do Stabat Mater, de Rossini e de Dvorák. Carlos Eduardo apresentou a ópera Aída, de Verdi, e o concerto Les Noces, de Stravinsky, no Teatro Municipal de Santiago do Chile. Cantou o Te Deum, de Bruckner, no Theatro Municipal de São Paulo, e as óperas Tosca, de Puccini; Nabucco, de Verdi; e O Amor das Três Laranjas, de Prokofiev, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Apresentou-se com a Filarmônica de Minas Gerais em 2009, no oratório A Criação, de Haydn, sob regência do maestro Aylton Escobar. Em 2017, sob regência de Marcos Arakaki, interpretou o Te Deum, de Lobo de Mesquita, e o Requiem, de Nunes Garcia.

 

Imagem do post:  Morning hymn at Sebastian Bachs’, de Toby Edward Rosenthal (1870)

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Lina Mendes (soprano), Flávio Leite (tenor) e Carlos Eduardo Marcos (baixo), solistas

Fabio Mechetti, regência

 

9 de dezembro, sábado, às 18h

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 105 (balcão principal), R$ 85 (plateia central), R$ 62 (balcão lateral), R$ 50 (mezanino) e R$ 40 (balcão palco e coro), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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