Escrito por em 6 fev 2018 nas áreas Balé/Dança, Lateral, Programação, São Paulo

Grupo apresenta espetáculos (estreia) e A Cabine em São Paulo.

 

“A gente não pretende contar uma narrativa linear ou concreta. O nosso universo criativo percorre os meandros do surreal, do estranho, do sonho, dos mitos universais, enfim”, diz Mariana Duarte sobre os espetáculos A Cabine e (estreia), do Núcleo Desastre. O grupo é fruto da parceria entre Mariana e Maria Carolina Oliveira, que já atuam no meio da dança e do circo há mais de uma década como criadoras, intérpretes e professoras.

A Cabine, apresentada nos dias 15 e 16 de fevereiro, no Sesc Pompeia, em São Paulo, inspira-se no nome dado as salas nos palácios ou em residências de aristocratas em que se guardavam e se expunham objetos ou seres que não podiam ser explicados pela ciência da época, conhecidas também como Câmara das Maravilhas. Na história cultural ocidental, há diversas personagens femininas que, por características peculiares, foram expostas como quimeras ou seres híbridos, despertando horror e fascínio. O foco específico em A Cabine está nessas formas femininas que foram passadas como “monstros”, reforçando, assim, o tema de pesquisa do Núcleo Desastre sobre representações femininas (abordagem presente nos trabalhos Atrás da Cortina e Avesso).

“Com isso, pretende-se abordar, como pano de fundo, questões relacionadas a representações e estereótipos associados à mulher, bem como despertar uma reflexão acerca das questões do preconceito e da aceitação”, explica Mariana.

Por meio de técnicas acrobáticas realizadas em um andaime, o grupo traz a experiência de existência de duas personagens confinadas em uma cabine. Assim, surgem imagens, pequenas ações e microrrelatos que se tecem e se desfazem num determinado recorte de espaço-tempo. “Fala-se sobre o normal e o anormal, mas sem deixar claro qual é qual. Fala-se sobre aquele que vê e aquele que é visto, sobre seus diferentes pontos de vista, e sobre a confusão desses dois lugares. Fala-se sobre o que existe de ordinário na anormalidade, e sobre o que existe de extraordinário na normalidade. Fala-se, sobretudo, do acolhimento de se sentir parte, do afeto que vem da cumplicidade, da troca de segredos e da confiança”, destaca Mariana.

Já nos dias 22 e 23 de fevereiro, o Núcleo Desastre estreia, também no Sesc Pompeia, o espetáculo , com as intérpretes convidadas Andréa Barbour, Bárbara Francesquine e Tatiana Guimarães. Por meio de técnicas de tecido acrobático, trapézio, malabarismo e mastro chinês, o espetáculo explora as relações entre os diferentes conceitos da palavra . Um laço apertado feito por fios, o cerne, a essência, o vínculo afetuoso, a sustentação, o impedimento e a dificuldade. “E é a partir dessas relações e do significado da palavra nö – em húngaro, mulher – que a gente conta as cenas tecidas de memórias, cheias de nó, cheia de nós, das nossas mães, irmãs, avós, e das tantas outras mulheres que nos habitam”, ressalta Mariana Duarte.

partiu de cinco fábulas, apresentadas por Clarissa Pinkola Estés, no livro Mulheres que Correm com os Lobos. A autora trabalha com fábulas relacionadas ao arquétipo do feminino selvagem em suas diferentes características. O elenco leu conjuntamente as fábulas e, da leitura, destacamos ideias, imagens, texturas e situações que poderiam ser transformadas em movimentos ou situações cênicas no solo e nos aparelhos aéreos”, conta Mariana sobre o processo de criação.

Cena de “Nö”

 

A Companhia

O Núcleo Desastre é resultado da parceria entre Mariana Duarte e Maria Carolina Oliveira, que já atuam no meio da dança e do circo há mais de uma década como criadoras, intérpretes e professoras. As duas artistas tiveram formação em dança e, posteriormente, estudaram técnicas circenses aéreas, incorporando-as à sua pesquisa de movimento.

Desde sua criação, o Núcleo também se dedica à produção e difusão de conhecimento, por meio de atividades artístico-pedagógicas (aulas, oficinas e laboratórios) e pela investigação sobre processos de criação. Em 2015, o Núcleo Desastre produziu um minidocumentário sobre processos de criação de alguns grupos e artistas que trabalham no chamado “circo contemporâneo” e que trazem conhecimentos de outras áreas para a sua pesquisa artística (como o teatro ou a dança). Esse minidocumentário, chamado No ar (pelo fato de os grupos e artistas entrevistados trabalharem com aéreos), teve participação de Rodrigo Matheus (Circo Mínimo), Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues (Solas de Vento), Ziza Brisola (Linhas Aéreas), Verônica Piccini (aerialista), Luciana Guimarães (arealista) e Marília Coelho (aerialista).

 

FICHAS TÉCNICAS

A Cabine
Concepção/interpretação: Maria Carolina Oliveira e Mariana Duarte (Núcleo Desastre)
Substituição: Verônica Rossetto Piccini
Direção: Bruno Rudolf
Direção de movimento: Tatiana Guimarães
Orientação de arte: Lu Bueno
Cenário e adereços: Michele Rolandi
Luz: Marcel Alani Gilber
Música: Mariá Portugal
Design: Fernando Sciarra
Duração: 50 minutos


Concepção: Núcleo Desastre
Interpretação e criação: Mariana Duarte, Maria Carolina Oliveira, Andréa Barbour Bárbara Francesquine, Tatiana Guimarães
Luz: Karine Spuri
Figurinos: Luciana Guimarães
Edição da trilha e tema original: Mariá Portugal
Design: Fernando Sciarra

 

Foto do post: Raphael Dutra ()

 

SERVIÇO:

 

“A Cabine”

Núcleo Desastre

 

15 e 16 de fevereiro, quinta e sexta-feiras, às 20h

Sesc Pompeia – Área de Convivência (R. Clélia, 93, Pompeia – São Paulo)

 

Entrada gratuita

Sugestão etária: maiores de 14 anos

 

“Nö”

Núcleo Desastre

 

22 e 23 de fevereiro, quinta e sexta-feiras, às 21h

Sesc Pompeia – Teatro (R. Clélia, 93, Pompeia – São Paulo)

 

Ingressos: R$ 20, com meia-entrada para pessoas com mais de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino; e R$ 6, para portadores de credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes

Venda online a partir de 6 de fevereiro, às 17h30; venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 7 de fevereiro, às 17h30

 

Sugestão etária: livre

 

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