Escrito por em 7 fev 2018 nas áreas Minas Gerais, Música coral, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de Minas Gerais celebra dez anos nos dias 17 e 18 de fevereiro, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte.

 

Que rufem os tambores para o início da segunda década de uma trajetória de excelência em música clássica. Nos dias 17 e 18 de fevereiro, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais realiza dois concertos comemorativos dos seus dez anos e interpreta a Nona Sinfonia, de Beethoven, peça também executada a 21 de fevereiro de 2008, no Grande Teatro do Palácio das Artes, quando do início desta reconhecida história de sucesso.

Com regência do maestro Fabio Mechetti, a Filarmônica se apresenta com grande elenco: Gabriella Pace (soprano), Denise de Freitas (mezzo-soprano), Matheus Pompeu (tenor), Licio Bruno (baixo-barítono), Coro da Osesp, com regência de Valentina Peleggi, e Concentus Musicum de Belo Horizonte, com regência de Iara Fricke Matte. Ainda no programa, o Hino Nacional Brasileiro, de Francisco Silva, e a Suíte Vila Rica, de Guarnieri. Os ingressos para os concertos de aniversário estão esgotados.

Para o diretor artístico e regente titular do grupo, maestro Mechetti, a Filarmônica de Minas Gerais foi criada não para ser simplesmente mais uma orquestra, mas para que nela se espelhasse uma filosofia da busca constante da excelência: “Desde os primeiros passos, buscamos sempre a rara oportunidade de começar algo novo com o pé direito. O sucesso indiscutível desta orquestra deve-se, essencialmente, a acreditar nos princípios básicos que a criaram, na persistência em focar em sua missão artística como veículo cultural de verdadeira emancipação da sociedade. Nos dez anos que se passaram, isso só veio a se consolidar, tanto internamente, em sua equipe, como no reflexo desse trabalho, ou seja, no reconhecimento artístico que ela vem obtendo, no aplauso, no carinho e na aceitação incondicional do público brasileiro”.

 

Programa

Francisco Manuel da Silva (1795-1865) e o Hino Nacional Brasileiro
Nascido no Rio de Janeiro, Francisco Manuel da Silva foi discípulo de dois músicos notáveis da época: José Maurício Nunes Garcia e Sigismund von Neukomm. Com sólida formação musical, Silva foi professor, mestre da Capela Imperial, diretor do Conservatório Imperial de Música do Rio de Janeiro, maestro e compositor da Imperial Câmara. O hino patriótico que viria a tornar-se o nosso Hino Nacional foi composto em 1822 para celebrar a Abdicação de D. Pedro I. Foi tocado pela primeira vez no dia 13 de abril de 1831. A letra atual, de Osório Duque Estrada, escrita em 1909, oficializou-se no centenário da Independência, em 1922, já consagrada pelo uso popular. Francisco Manuel da Silva morreu em 1865, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado com muitas homenagens.

Camargo Guarnieri (1907-1993) e a Suíte Vila Rica
A Suíte Vila Rica foi composta a partir da trilha sonora produzida por Guarnieri em 1957 para o filme Rebelião em Vila Rica. A peça, inicialmente escrita para ilustrar as cenas do filme, foi reelaborada, no ano seguinte, sob formato orquestral e estreada em 1958 pela Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, sob a regência do autor. A obra desse período de Guarnieri constituiu-se em uma expressão emblemática de aspectos peculiares do “nacional-modernismo” por meio de configurações rítmicas e melódicas diretamente ligadas à identidade brasileira. É possível reconhecer, na Suíte, elementos inspirados nas modinhas, toadas, cantigas infantis, rodas das violas caipiras e danças de origem africana – há, inclusive, o tema da canção folclórica mineira Tim, tim oi lá lá. Em ambiente sonoro singular, os temas apresentados na Suíte ilustram o contexto dramático do filme inspirado nos ideais da Inconfidência Mineira, transpostos para os anos de 1940 em Ouro Preto, onde estudantes universitários se rebelam em tempos opressivos de ditadura reivindicando a demissão de um tirânico reitor. Os personagens da trama são batizados com nomes de personalidades históricas da Inconfidência, como o poeta Gonzaga, a musa Marília, o herói Xavier e o traidor Silvério. Este ciclo foi a única obra produzida por Guarnieri com finalidade cinematográfica. Rebelião em Vila Rica foi um dos primeiros filmes coloridos produzidos no Brasil, com roteiro dos mineiros Geraldo e Renato Santos Pereira.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) e a Sinfonia n. 9 em ré menor, Op. 125 – Coral
Poucas obras de Beethoven tiveram gênese tão trabalhosa quanto a última das nove sinfonias. Ao que parece, a ideia de pôr música na Ode à Alegria, de Schiller, já apareceu em 1792, poucos anos após o grande poeta romântico ter publicado seus versos. Em 1807, Beethoven concebeu a Fantasia Op. 80 para piano, coro e orquestra, concluída no ano seguinte, a qual revela aspectos que aparecem como uma espécie de ensaio para procedimentos que serão utilizados na Nona. Em 1823, o compositor já havia escrito os três primeiros movimentos da sinfonia e, ao final desse mesmo ano, ganhou corpo a ideia de concluí-la com o uso de vozes humanas e o emprego do poema de Schiller. Esse monumento da música ocidental só foi completado em 1824. A Nona estreou em maio do mesmo ano em Viena, no Theater am Kärntnertor, com A Consagração da Casa, Op. 124, e três partes da Missa Solemnis. Foi um evento emocionante, em que Beethoven, após doze anos sem subir ao palco, dividiu-o com o regente Michael Umlauf. Por esta, e pela obra, Beethoven foi várias vezes ovacionado.

 

Artistas

Diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a 15 capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como regente principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, esteve 14 anos à frente da Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu regente titular emérito. Foi também regente titular das Sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é regente emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York. Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escandinávia, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fabio Mechetti é mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

 

Vencedora do Prêmio Carlos Gomes 2010 pela participação na ópera A Menina das Nuvens, a soprano Gabriella Pace já cantou sob a regência de maestros como Lorin Maazel, Isaac Karabtchevsky, John Neschling, Roberto Minczuk, Rodolfo Fischer, Luiz Fernando Malheiros, Fabio Mechetti, Sílvio Viegas e Abel Rocha. Foi Ilia em Idomeneo, Eurídice em Orfeo ed Euridice, Giulietta em I Capuleti e i Montecchi, Susanna em As Bodas de Fígaro, Ceci em Il Guarany e Pamina em A Flauta Mágica, dentre muitas outras. Desde 2005 faz parte do trio Duetos e Canções, ao lado do pianista Gilberto Tinetti e da mezzo-soprano Adriana Clis, apresentando-se em recitais de música de câmara por todo o país. Gabriella iniciou os estudos com o pai, Héctor Pace, e foi aluna de Leilah Farah e Pier Miranda Ferraro.

 

Ganhadora do Prêmio APCA 2017, Denise de Freitas possui uma das mais importantes e sólidas carreiras líricas do Brasil na atualidade. Além de extenso repertório sinfônico, tem grandes personagens para a voz de mezzo-soprano, destacando-se Carmem, Dalila, Laura de La Gioconda, Fenena de Nabucco, O Compositor em Ariadne auf Naxos, Fricka de A Valquíria e Siebel em Faust. Em 2017 interpretou grandes obras. Com a Filarmônica de Minas Gerais, cantou Il Tramonto, de Respighi, e El Amor Brujo, de Falla, sob regência de Fabio Mechetti. Interpretou Carmem com a Filarmônica de Goiás e Neil Thomson. Na Sala São Paulo cantou a Nona, de Beethoven, com Marin Alsop; Herodíades em Salomé, com Thomas Dausgaard, e Sheherazade, de Ravel, com Markus Stenz. Em Berlim, Paris e Lisboa cantou Yerma, de Villa-Lobos. Apresentou o Stabat Mater, de Dvorák, com Helmut Hilling em turnê europeia. Na Ópera de Bogotá, esteve em As Bodas de Fígaro, Os Contos de Hoffmann e O Barbeiro de Sevilha. Ao longo de sua carreira, recebeu três vezes o Prêmio Carlos Gomes, além dos prêmios Bidu Sayão, Talentos da Rádio MEC e o Concurso de Interpretação da Canção Brasileira. Com o CD Lembrança de Amor foi premiada pela APCA.

 

O tenor Matheus Pompeu iniciou seus estudos vocais em Belo Horizonte, com Mauro Chantal, seguindo para São Paulo, onde foi instruído por Isabel Maresca. Recebeu reconhecimento internacional por seu trabalho em 2015, quando foi duplamente premiado no V Concorso Internazionale Marcello Giordani, na Itália. No Brasil venceu o 8º Concurso Carlos Gomes e o 4º Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Recentemente fez sua estreia europeia com Pequena Missa Solene, de Rossini, sob a batuta do maestro Fabio Biondi, no Palau de les Arts Reina Sofía, Espanha. Desde 2017 é membro do Centre de Perfeccionament Plácido Domingo, no qual tem se destacado em importantes produções de ópera, concertos e recitais. Foi Tamino em A Flauta Mágica, Corrado em O Corsário, Alfredo em La Traviata, Don Alvaro em O Guarani, Rodolfo em La Bohème, entre outros. No repertório sinfônico, destaque para a Grande Missa em dó menor, de Mozart, e a Nona Sinfonia, de Beethoven. Em setembro de 2018 Pompeu debuta na Alemanha com Fabio Biondi e sua Orquestra Europa Galante no Musikfestival de Bremen.

 

O sucesso e amplitude da carreira do baixo-barítono Licio Bruno são notáveis entre os cantores brasileiros por suas atuações em ópera, música sinfônica, de câmara e teatro aqui e também no exterior. Aperfeiçoou-se na Academia Franz Liszt, Budapeste, e foi membro da Ópera Estatal Húngara. Já cantou na Itália, Espanha, Alemanha, Suíça, Colômbia e Argentina. No Brasil, com mais de 50 personagens em óperas de diferentes autores, períodos e estilos, os teatros de ópera e salas de concerto são sua casa. Já foi dirigido por Amir Haddad, Jorge Takla, Gianni Rato, Werner Herzog, Hugo de Anna, Aidan Lang, entre outros. Cantou com diversos maestros, entre os quais Lorin Maazel e Isaac Karabtchevsky, das paixões de Bach até Beethoven, Kodály, Stravinsky e Britten, bem como ciclos de Schubert, Mahler, Ravel e Poulenc, entre outros. Licio é detentor de mais de dez primeiros prêmios em concursos nacionais e estrangeiros e recebeu, em 2004, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Cantor Erudito.

 

O Concentus Musicum, idealizado pela maestrina Iara Fricke Matte, é um grupo vocal/instrumental que se dedica à interpretação de obras dos períodos barroco, clássico e renascentista, bem como contemporâneas. É formado por músicos altamente qualificados em prol da difusão da música erudita. O Concentus foca seu trabalho na compreensão do discurso musical e sua íntima relação com o texto poético, sonoridade, articulação, rítmica das palavras e o contexto histórico das obras. Sua estreia foi em dezembro de 2016 com o Requiem, de Mozart, ao lado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Projetos futuros incluem peças de Bach e também do repertório instrumental do século 18.

 

Regente coral e orquestral, Iara Fricke Matte dedica-se ao estudo de obras dos períodos barroco, renascentista e contemporâneo, com ênfase na performance historicamente embasada. Professora de Regência na Escola de Música da UFMG, é doutora e mestre em Regência Coral pelas universidades de Indiana e de Minnesota, Estados Unidos. Especializou-se em Música Antiga e História da Música. Estudou com os maestros John Pool, Jan Harrington, Collin Metters, Kathy Romey, Thomas Lancaster e Henrique Gregori. Foi regente titular e diretora artística do Ars Nova – Coral da UFMG, premiado em 2016 com o Troféu JK de Cultura e Desenvolvimento e terceiro colocado na categoria coro misto no 34º Festival de Música de Cantonigròs, Espanha. Atualmente, dirige a série Fermata, da UFMG, com repertório para coro e orquestra.

 

Criado em 1994 como Coro Sinfônico do Estado de São Paulo, o Coro da Osesp – como é chamado desde 2001 – reúne um grupo de cantores de sólida formação musical e é uma referência em música vocal no Brasil. Nas apresentações com a Osesp, em grandes obras do repertório coral-sinfônico, ou em concertos a cappella na Sala São Paulo e pelo interior do estado, o grupo aborda diferentes períodos musicais, com ênfase nos séculos 20 e 21, e nas criações de compositores brasileiros, como Almeida Prado, Aylton Escobar, Gilberto Mendes, Francisco Mignone, Liduino Pitombeira, João Guilherme Ripper e Villa-Lobos. Entre 1995 e 2015, o Coro da Osesp teve Naomi Munakata como coordenadora e regente. Em 2014, ela foi nomeada regente honorária do grupo. Em 2009, o Coro da Osesp lançou seu primeiro disco, Canções do Brasil, que inclui obras de Osvaldo Lacerda, Mignone, Guarnieri, Marlos Nobre e Villa-Lobos, entre outros nomes nacionais. Em 2013, lançou gravação de obras de Aylton Escobar (Selo Osesp Digital) e, em 2015, registrou obras de Bernstein com a Sinfônica de Baltimore, regida por Marin Alsop, para o selo Naxos. A italiana Valentina Peleggi foi convidada a assumir a regência do Coro para as temporadas 2017 e 2018.

 

Valentina Peleggi é regente titular do Coro da Osesp e regente em residência da Osesp no biênio de 2017-2018. Após atuar em 2016 como regente assistente, professora da classe de regência na Academia da Osesp e preparadora do Coro, finalizou o ano aclamada pela crítica, recebendo o prêmio de melhor regente do ano pela APCA. Formada em Regência pelo Conservatório de Música Santa Cecília, em Roma, radicou-se em Londres, onde estudou na Royal Academy of Music. Trabalhou como assistente do maestro Bruno Campanella em produções na Itália, na França e nos Estados Unidos. Já atuou também com a Orchestra della Toscana, Sinfônica de Porto Alegre, BBC Concert Orchestra, Tonhalle Orchester, Baltimore Symphony Orchestra e outras. Regente honorária do Coro da Universidade de Florença, em que foi diretora musical por dez anos, venceu o prêmio de regência do Festival Internacional de Campos de Jordão (2014) e a Taki Concordia Conducting Fellowship (2015-17).

 

Foto: Rafael Motta

 

SERVIÇO:

 

Concertos de aniversário – 10 anos

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Gabriella Pace (soprano), Denise de Freitas (mezzo-soprano), Matheus Pompeu (tenor) e Licio Bruno (baixo-barítono)

Concentus Musicum de Belo Horizonte e Coro da Osesp

Fabio Mechetti, regente

 

17 e 18 de fevereiro, sábado e domingo, às 20h30 e 19h, respectivamente

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos esgotados

 

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