Escrito por em 20 mar 2018 nas áreas Notícia

Orquestra Sinfônica Brasileira homenageia seus músicos recém-falecidos. viagra order

 

Antes do concerto do Festival Mozart ocorrido na tarde de 11 de março, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) rendeu homenagens a dois componentes que, há pouco, deixaram de fazer parte do grupo: Noel Devos e Rudolf Kroupa.

Devos foi um fagotista francês nascido em 1929, em Calais, que chegou ao Brasil em 1952 e, nos anos 1960, naturalizou-se brasileiro. Aqui desenvolveu importante carreira como músico de orquestra, solista, camerista e educador. Teve dezenas de obras para fagote a ele dedicadas e tocou sob a batuta de grandes regentes nacionais e internacionais. Seu falecimento ocorreu em 3 de março, no Rio de Janeiro.

No dia seguinte, 4 de março, faleceu o contrabaixista tcheco Kroupa. O músico deixou seu país de origem em 1968, atendendo ao chamado para integrar uma orquestra sinfônica que se firmava na América do Sul no fim dos anos 1950: a OSB. Kroupa tinha 77 anos e contribuir para a formação de várias gerações de instrumentistas no Brasil.

O diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, Pablo Castellar, proferiu um discurso em homenagem aos mestres, que reproduzimos abaixo, expressando também as homenagens do cheap Amoxicillin Movimento.com a esses importantes artistas.

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Senhoras e senhores, boa noite. Gostaríamos de dedicar o concerto desta noite a memória de nossos queridos Noel Devos e Rudolf Kroupa. Dois colegas que juntos somam mais de 110 anos de presença nos palcos com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Músicos que ajudaram não só a escrever a história de nossa querida OSB, mas da música de nossa cidade e nosso país. Mestres que abriram caminhos para formação musical de tantos talentos que por eles passaram. Amigos que nos deixaram uma saudade imensa, um sentimento de admiração e enorme gratidão por tudo o que fizeram.

A história de Noel Devos com a OSB começa em 1952, quando Eleazar de Carvalho trouxe este jovem fagotista francês que tinha recém ganho o 1º prêmio do Conservatório de Paris. Quase que de imediato, Devos conquistou, com seu talento, a Capital Federal fluminense. Em artigo publicado no jornal O Correio da Manhã justamente sobre o Festival Mozart da OSB de 1954, no Theatro Municipal, o jornalista Eurico Miranda França escreveu: “Noel Devos demonstra a perfeição da sua técnica e amplitude de registro do instrumento, na amável obra de Mozart adolescente. O relevo musical do fraseado, a diversificada beleza de sonoridade e a nitidez dos traços ágeis do rondó final, em tempo de minueto, do fagote de Devos, criaram para o interprete um clima caloroso de sucesso”.

No mesmo artigo, o jornalista parece ser mediúnico ao falar que Devos e outros instrumentistas estrangeiros que vieram para OSB na mesma época, como a flautista Odette Ernest Dias, suscitariam no futuro um núcleo instrumentista de sopros de primeira ordem.

Esta semana, durante os ensaios no Theatro Municipal, alguns membros desse núcleo de primeira ordem, como Paulo Andrade, Ariane Petri, Mauro Avila fluoxetine cheapest e Elione Medeiros, lembraram de alguns momentos em que tiveram o privilégio de conviver e trabalhar com Devos. Nas palavras deles: “Para nós, a gentileza, a educação, o acolhimento e a simplicidade foram marcas dessa pessoa maravilhosa”.

Lembraram também de um fato curioso: as caixinhas de palhetas que Devos levava para os ensaios. Como todo bom francês, ele apreciava um bom vinho que, com a guarda e o tempo, vai adquirindo qualidades. Da mesma maneira, suas palhetas, que ele carinhosamente intitulava “reserva”, eram palhetas de “mais de trente doxycyclin order anos” como ele dizia em seu sotaque inconfundível. Eram palhetas que guardavam uma qualidade sonora, uma “cor” especial de várias épocas de sua carreira e que ele usava para fazer solos especiais com a orquestra. Havia a palheta que ele tinha tocado quando Stravinsky regeu a OSB ou a de quando tocou com o Leonard Bernstein. “Quando ele pegava uma dessas palhetas de sua caixinha mágica, era como se voltássemos no tempo e uma sonoridade delicada, doce, sutil, dava liberdade para que Devos expressasse toda sua musicalidade, nos deixando maravilhados”.

Em homenagem ao seu mestre e amigo, nosso fagotista Paulo Andrade, junto com a família OSB, nos brindará com um trecho do primeiro movimento do doxycyclin online Concerto para fagote, K. 191, de Mozart – o mesmo que Devos tocou no Festival Mozart de 1954 com a Orquestra Sinfônica Brasileira.

 

Rudolf Kroupa chegou ao Brasil em 1968 junto com outros 13 colegas da então Tchecoslováquia que vieram integrar os naipes da OSB que haviam ficado carentes devido ao grande número de músicos que haviam se aposentado. Era uma pessoa fechada, de biotipo grande e forte, mas os que o conheciam tinham sempre a mesma impressão: uma pessoa muito dócil e, acima de tudo, muito sincera.

Assim como Devos, Kroupa formou gerações de músicos brasileiros. Saulo Melo, aluno de Kroupa e concertino dos contrabaixos da OSB, lembra: “Nosso Kroupa ficava irritado quando um maestro não executava a música da terra dele direito. Isso acontecia sempre com Dvorak. Ele já dizia logo: ‘Tá erado! Não é assim que se toca!’. Já era até motivo de piada quando íamos tocar Dvořák, sempre perguntávamos: ‘E aí, Kroupa?’ order doxycycline . ‘Tá erado!!’”. Saulo também lembra outra frase emblemática de Kroupa, que sempre dizia: “Maestro bom termina o ensaio cedo!”.

Para homenagear nosso Kroupa, o contrabaixista Saulo Melo tocará agora o movimento Elefante, do Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns. Um tema que ele sempre tocava no aquecimento antes dos ensaios.

 

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