Escrito por em 10 mar 2018 nas áreas Música contemporânea, Música sinfônica, Programação, Rio de Janeiro

OSN UFF comemora os 90 anos de vida de Edino Krieger na abertura da temporada 2018.

A Orquestra Sinfônica Nacional da UFF (OSN UFF) homenageia a trajetória do compositor, crítico musical e produtor cultural Edino Krieger, que, em 2018, completa 90 anos. Duas apresentações marcam a homenagem: dia 11 de março, às 10h30, no Centro de Artes UFF, em Niterói; e dia 17 de março, aniversário de Edino, às 17h, na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro. A celebração é fruto de uma parceria com a Academia Brasileira de Música e terá como produto a gravação de um CD com as peças apresentadas.

Os concertos têm a regência do maestro Tobias Volkmann e a soprano Veruschka Mainhard como solista. No programa, obras que marcaram a carreira do homenageado em diferentes momentos: Canticum Naturale (1972), com participação de Veruschka; Passacalha para o novo milênio (1999); Terra Brasilis (A natureza e os povos da floresta | A viagem | O encontro) (1999); e a recente Fantasia cromática e fuga (2013).

 

Edino e a OSN

Edino Krieger

A OSN, hoje Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense, tem sua história afetivamente ligada a Edino Krieger. Fundada em 1961 como componente do Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério de Educação e Cultural (MEC), foi criada com o objetivo de cultivar e difundir a música sinfônica para o país. “A criação da OSN foi sugerida por mim ao então diretor da Rádio MEC, Mozart Araujo, quando a emissora recebeu dezenas de músicos da antiga Rádio Nacional que optaram por continuar funcionários. O presidente Juscelino Kubitschek autorizou, então, a realização de provas de admissão de instrumentistas para completar uma orquestra sinfônica. Foi o diretor da Rádio MEC quem deu o nome de Orquestra Sinfônica Nacional” , conta Edino que, além de organizador, foi diretor musical, membro do conselho artístico e regente assistente da OSN.

Ao longo de mais de duas décadas, grandes nomes do cenário nacional da música de concerto abrilhantaram a OSN, não só com participações como músicos, mas também na regência de suas próprias obras, como Guerra-Peixe, Hekel Tavares, Camargo Guarnieri, Mario Tavares e Francisco Mignone – primeiro maestro titular da orquestra, que, à época, convidou Edino para o posto de regente assistente.

Depois de a OSN participar de centenas de gravações e transmissões de obras de autores consagrados, o presidente João Figueiredo fez publicar o Decreto n. 87.062, de 1982, que, dentre outras medidas, extinguiu o Serviço de Radiodifusão Educativa do MEC, no qual a OSN estava lotada, transferindo seu acervo para a Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa (Funtevê). Segundo os próprios integrantes da OSN, foi considerado o momento mais difícil: com inatividade, profissionais em disponibilidade, salários diminuídos e o risco de extinção.

Em 1984, por meio do violonista mineiro José Epaminondas de Souza e da UFF, na gestão do reitor José Raymundo Martins Romeo, iniciou-se uma tentativa de manter a orquestra, buscando saída legal para alocar os profissionais no quadro da universidade e resgatar o acervo que havia sido destinado por decreto à Funtevê. Em 31 de maio do mesmo ano, foi oficializada a transferência dos 63 músicos para o quadro de servidores da UFF e, em 1986, o então presidente José Sarney assinou o decreto que incorpora de vez a OSN à UFF.

Já afastado da OSN, Edino prosseguiu com a carreira de compositor e atuou em diversas funções ao longo dos anos, dentre elas a de presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Música, diretor do Instituto Nacional de Música (INM) da Funarte e diretor da divisão de música clássica da Rádio Jornal do Brasil. Criou o Projeto Memória Musical Brasileira/Pro-Memus, junto ao Instituto Nacional de Artes da Funarte, e fundou, em 1975, as Bienais de Música Contemporânea do Rio de Janeiro, que se mantêm até os dias de hoje como espaço de promoção de novos talentos.

Sobre o panorama da música de concerto nos dias de hoje, Edino acredita que não é muito diferente das artes em geral que, segundo ele, nunca receberam o apoio que merecem. “A música de concerto sobrevive graças ao interesse dos músicos, do público e de alguns gestores públicos mais esclarecidos. A opção pela música como profissão, no Brasil, seja como intérprete ou compositor, é sempre uma opção que exige muito trabalho e sacrifício, mas vale à pena, pois tem suas recompensas e momentos gratificantes”, analisa o mestre, desejando coragem aos músicos, principalmente nos períodos de maior dificuldade, como é atualmente.

 

Artistas

Veruschka Mainhard

Veruschka Mainhard é doutora em Música pela UniRio, mestre em flauta transversa barroca e música antiga pela Escola Superior de Utrecht (Holanda) e pianista laureada em vários concursos. Realizou seus estudos de canto com Carol McDavit e Martha Herr, no Brasil; Uta Spreckelsen, na Alemanha; e Marianne Blok, na Holanda. Participou de diversas masterclasses ministradas por Jean-Paul Fouchécourt, Susie Le Blanc, Monique Zanetti, Maria Venuti e Laura de Souza. Como bolsista da Fundação do Estado de Baden-Württemberg, aperfeiçoou-se ainda com Roland Hermann, Mitsuko Shirai, Hartmut Höll, Hilde Zadek e Jeffrey Gall, na Alemanha, e com Jorge Chaminé, na Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

É professora de Dicção e Canto da graduação e faz parte do corpo docente do Promus – Mestrado Profissional em Música da Escola de Música da UFRJ. É preparadora vocal do Coro de Câmara Pro-Arte, do qual é integrante há quase 30 anos.

Como camerista, vem se apresentando nas mais importantes salas de concerto do país e no exterior. Atuou como solista em óperas, oratórios e cantatas no Brasil, Alemanha e Holanda, sob a regência de, Leo Meilink, Carlos Alberto Figueiredo, Lígia Amadio, Susanne Paulsen, Aylton Escobar, João Guilherme Ripper, Ricardo Rocha, Luiz Gustavo Petri, Marco Aurélio Lischt, Ernani Aguiar, André Cardoso e Luiz Fernando Malheiro, entre outros. Em 2011 participou, como Helmwige, da montagem da ópera A Valquíria, de Wagner, no Teatro Municipal de São Paulo. Em 2012 foi Carlota na estreia mundial em tempos modernos de L’Oro non Compra Amore, de Marcos Portugal, sob a regência de Bruno Procópio. Participou de A Valquíria também em 2013, no TMRJ, sob a regência do maestro Luiz Fernando Malheiro.

Gravou diversos discos e programas para rádio e TV. Entre eles, destacam-se o Réquiem do Padre José Maurício Nunes Garcia, sob a regência de Ernani Aguiar, e o Réquiem de Marcos Portugal, sob a regência de Ricardo Rocha.

Recentemente esteve nos Estados Unidos, na Alemanha e em turnê nas Antilhas Holandesas, onde apresentou-se em recitais, tendo se apresentado também em séries importantes como os Concertos Didáticos da UFMG, Concertos Tribanco de Uberlândia e por várias vezes na Sala Cecília Meireles como solista da Sociedade Bachiana Brasileira, assim como do Ciclo Bach, entre outros, e como solista da OSB, em várias Bienais de Música Contemporânea Brasileira, e estreando obras de compositores de renome, assim como obras escritas para sua voz.

Veruschka cantou como solista a obra Les Noces, de I. Stravinsky, regida pelo maestro argentino Guillermo Scarabino, assim como o oratório Elias, de F. Mendelssohn, regido por Ricardo Rocha.

 

Tobias Volkmann

Maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e principal regente convidado da Orquestra Sinfônica Nacional UFF, Tobias Volkmann é um dos destaques da nova geração de regentes orquestrais do Brasil. Desde a conquista dos principais prêmios concedidos no Concurso Internacional de Regência Jorma Panula 2012, na Finlândia, e do Prêmio de Público no Festival Musical Olympus de São Petersburgo, em 2013, vem atraindo atenção para uma carreira internacional em ascensão.

Em 2015, estreou na Sala Gewandhaus de Leipzig, como convidado da temporada oficial do Coro e Orquestra Sinfônica da Rádio MDR. Esteve também, como convidado, à frente da Sinfônica do Porto Casa da Música, Sinfônica Estatal do Museu Hermitage, Sinfônica Estatal de São Petersburgo, Sinfônica de Brandemburgo, Sinfônica do Chile, Sinfônica do Sodre, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Sinfônica do Paraná e Sinfônica de Porto Alegre.

No Theatro Municipal do Rio de Janeiro vem recebendo reconhecimento de público e crítica. Em 2015, a produção As Bodas de Fígaro foi escolhida como um dos dez melhores espetáculos de 2015 e sua interpretação da Missa Solemnis, de Beethoven, foi eleita um dos dez melhores concertos de 2016.

Com a OSN UFF desenvolve o repertório sinfônico, com especial enfoque na música brasileira, tendo gravado dois CDs em 2016. Sua discografia se completa com Whisper, CD gravado ao vivo na Alemanha, com a harpista Cristina Braga e a Sinfônica de Brandemburgo. Com especial atenção à música contemporânea, dirigiu estreias nos EUA, Alemanha, Rússia e Brasil.

Volkmann realizou sua formação com grandes nomes da regência em masterclasses internacionais ministradas por Kurt Masur, Jorma Panula, Ronald Zollman, Isaac Karabtchevsky, Guillermo Scarabino e Fabio Mechetti.

 

SERVIÇO:

 

Homenagem a Edino Krieger

 

Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (OSN UFF)

Veruschka Mainhard, soprano

Tobias Volkmann, regência

 

11 de março, domingo, às 10h30

Cine Arte UFF (R. Miguel de Frias, 9, Icaraí – Niterói. Tels.: 21 3674-7511 e 3674-7512)

 

Ingressos: R$ 14, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

17 de março, sábado, às 17h

Sala Cecília Meirelles (Largo da Lapa, 47, Centro – Rio de Janeiro. Tels.: 21 2332-9223 e 2332-9224)

 

Ingressos: R$ 40, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Sugestão etária: livre

 

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