Escrito por em 28 abr 2018 nas áreas Canto, Programação, Rio de Janeiro

Aclamado por crítica e público, tenor paraense faz apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

Um dos mais requisitados cantores da sua geração, o tenor brasileiro Atalla Ayan se apresenta no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na quarta-feira, dia 2 de maio, às 20h, acompanhado da pianista Priscilla Bonfim. Dono de voz potente, o cantor alia ao seu grande carisma uma presença cênica das mais marcantes. Ayan é a segunda atração da edição 2018 da série O Globo/Dell’Arte Concertos Internacionais, que completa 25 anos em 2018.

O talento do tenor faz com que seja convidado constante nas principais cenas líricas do mundo, como a Royal Opera House, Covent Garden, o Scala de Milão e a Deutsche Opera de Berlim, em papéis como o Alfredo de La Traviata, Rodolfo de La Bohème, Lenski de Eugene Onegin e o papel-título de Faust.

No programa carioca, Ayan interpreta Beethoven, Händel, Mozart, Tosti Ideale, Rossini, Tchaikovsky, Flotow, Donizetti e Puccini, além dos compositores brasileiros Waldemar Henrique e Carlos Gomes.

 

Bodas de prata

Para comemorar os 25 anos da série, a Dell’Arte montou uma seleção de oito atrações de primeira linha do universo clássico mundial, entre elas a pianista chinesa Yuja Wang, celebrada como um dos fenômenos da atualidade e darling da mídia internacional.

A temporada terá ainda cinco grandes orquestras: a Orchestre de la Suisse Romande, que comemora seu centenário em 2018 e traz como solista o pianista argentino Nelson Goerner; a celebrada formação alemã Internationale Bachakademie Stuttgart; a Orquestra Filarmônica de Dresden, com seus mais de 150 anos de tradição; a Junge Deutsche Philharmonie, formada por mais de 100 músicos, jovens e promissores talentos; e a Orquestra de Câmara de Viena, conduzida pelo também jovem e promissor pianista Stefan Vladar.

A abertura da série ficou por conta do pianista russo Nikolai Lugansky, que se apresentou em março (leia crítica).

 

Atalla Ayan

O paraense Atalla Ayan não demorou a se estabelecer como um dos tenores mais requisitados de sua geração. Em julho de 2011, foi pego de surpresa para sua estreia no Metropolitan Opera. Tendo apenas 24 horas para se preparar, cantou cinco árias na apresentação da companhia na abertura do Concerto de Verão, no Central Park. Comentando sua estreia no Met, Allan Kozinn, do New York Times, disse ser ele “um achado; possui um timbre cálido e redondo, com uma qualidade que nos traz à lembrança o jovem Plácido Domingo”.

Ayan teve recepção semelhante nos principais teatros líricos do mundo, aí incluídos a Royal Opera House – Covent Garden, Teatro alla Scala de Milão, Grand Théâtre de Genebra e Deutsche Oper de Berlim.

Na temporada de 2016/17 cantou Alfredo em La Traviata e Christian em Cyrano de Bergerac, no Metropolitan Opera; Alfredo no Covent Garden e no Festival de Glyndebourne; Nemorino em L’Elisir d’Amore, na Ópera da Baviera; o papel-título em Faust, Lenski em Eugene Onegin e Ismaele em Nabucco, na Ópera de Stuttgart; e Rodolfo em La Bohème, na Ópera de Colônia. Compromissos futuros incluem três estreias significativas de Ayan: na Ópera de Paris como Rodolfo, na Ópera de San Francisco como Alfredo, e na Ópera de Colônia como o Des Grieux de Manon. Também voltará a Stuttgart como Fausto e ao Covent Garden como Rodolfo.

Natural de Belém do Pará, Ayan desenvolveu sua paixão pelo canto ouvindo gravações de Luciano Pavarotti. Ainda adolescente foi aceito no Conservatório Carlos Gomes da capital paraense. Cantou seu primeiro papel principal aos 21 anos: o Rinuccio, no Theatro da Paz, em Belém. Sua estreia europeia se daria um ano depois, como Rodolfo, na produção de Graham Vick de La Bohème. No mesmo ano ingressaria na Scuola della Opera Italiana, em Bolonha, na qual permaneceu por uma temporada. Neste período, apresentou-se no Teatro Comunale como Ruggero, em récitas de La Rondine regidas por José Cura. Na temporada de 2009/10, tornou-se membro do programa Lindemann Young Artists Development, do Metropolitan Opera. O cantor integra a companhia da Ópera de Stuttgart desde a primavera de 2012.

 

Priscila Bomfim

Iniciou seus estudos musicais em Portugal, onde nasceu e venceu seu primeiro concurso de piano aos 9 anos de idade. Graduou-se em piano com a distinção máxima Summa cum Laude na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na qual concluiu o curso de Regência Orquestral e mestrado em Piano, desenvolvendo trabalho sobre estratégias de leitura à primeira vista ao piano.

Devido à sua sensibilidade e refinamento musicais, Priscila vem sendo uma das pianistas mais requisitadas em concertos e masterclasses com artistas e cantores líricos, tanto do Brasil como do exterior. Além de concertos em importantes salas, como a Opera Kameralna (Varsóvia) e Carnegie Hall/Weill Hall (Nova York), desenvolve, paralelamente, carreira como regente, tendo sido, inclusive, a primeira mulher a reger óperas da temporada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro — casos de Serse, de Händel (2016), e La Tragédie de Carmen, de Bizet/Constant (2017).

Destacou-se na condução de orquestras como a Sinfônica de Santo André (SP), Filarmônica de Minas Gerais, Sinfônica Nacional do Chile, Sinfônica Jovem de São Petersburgo (Rússia), Sinfônica Cesgranrio (RJ) e Camerata Antiqua de Curitiba; em cursos com renomados maestros, além de recentes concertos com a Orquestra Sinfônica da Bahia. Sua agenda para 2018 inclui também a estreia brasileira da ópera Piedade para orquestra de câmara, de João Guilherme Ripper. É pianista preparadora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e atuou como maestrina preparadora da Academia de Ópera Bidu Sayão do mesmo teatro (2016-2017), orientando jovens cantores solistas.

 

PROGRAMA:

Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Adelaide

Georg Friedrich Händel (1685-1759)
Ombra mai fu, de Serse

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Il mio tesoro, de Don Giovanni

Francesco Paolo Tosti (1846-1916)
Ideale
Non t’amo più
L’alba tua separa

Gioacchino Rossini (1792-1868)
La danza

Waldemar Henrique (1905-1995)
Minha terra

Antônio Carlos Gomes (1836-1896)
Quem sabe
Quando nascesti tu, de Lo Schiavo

Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893)
Kuda, kuda, de Eugene Onegin

Friedrich von Flotow (1812-1883)
M’appari tutt’amor, de Martha

Gaetano Donizetti (1797-1848)
Una furtiva lagrima, de L’Elisir d’Amore

Giacomo Puccini (1858-1924)
Nessun dorma, de Turandot

 

SERVIÇO:

 

Atalla Ayan, tenor

Priscila Bomfim, piano

 

2 de maio, quarta-feira, às 20h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191)

 

Ingressos: R$ 320 (plateia e balcão nobre), R$ 160 (balcão superior) e R$ 80 (galeria), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos e membros do Clube Sou+Rio O Globo; e 30% de desconto para compras feitas pelo site da Dell’Arte

Ingressos promocionais: R$ 50

 

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