Escrito por em 14 abr 2018 nas áreas Lateral, Minas Gerais, Ópera, Programação

Palácio das Artes sedia nova montagem de La Traviata, de Verdi, com Jaquelina Livieri, Fernando Portari e Paulo Szot.

 

Concebida como um melodrama, ou um retrato ousado e chocante de uma sociedade, La Traviata, de Giuseppe Verdi, é a nova montagem operística da Fundação Clóvis Salgado (FCS). Com libreto de Francesco Maria Piave, baseado no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, o título está de volta ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes após oito anos desde sua última encenação em Belo Horizonte. Para essa nova montagem, o clima romântico da Paris do século 19 é o grande destaque. Em meio a uma sociedade conservadora, uma mulher e um homem de mundos opostos se vêm aprisionados aos preconceitos e às tradições da sociedade local, em detrimento do amor que sentem um pelo outro.

Com direção musical e regência de Silvio Viegas, e concepção e direção cênica de Jorge Takla, La Traviata será apresentada em dois atos e conta com a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais, e a Cia. de Dança Palácio das Artes. Protagonizando a história, a soprano argentina Jaquelina Livieri, no papel de Violetta Valéry; e o tenor Fernando Portari, interpretando Alfredo Germont. Completam o elenco os solistas Paulo Szot (Giorgio Germont), Juliana Taino (Flora Bervoix), Fabíola Protzner (Annina), Thiago Soares (Gastone), Pedro Vianna (Barão Douphol), Cristiano Rocha (Marquês d’Obigny), Mauro Chantal (Dottore Grenvil), Lucas Damasceno (Giuseppe) e Thiago Roussin (Mordomo de Flora e Mensageiro).

Aclamada mundialmente como uma das óperas mais populares de todos os tempos, La Traviata é uma superprodução que envolve mais de 200 profissionais, no palco e nos bastidores. São 11 solistas, 140 músicos da Sinfônica e do Coral, 14 bailarinos da Cia. de Dança, além de mais de 60 técnicos de palco, assistentes, contrarregras, maquiadores e cabeleireiros. Esta é 5ª vez que a FCS produz La Traviata. A composição de Verdi deu início à veia operística da instituição, em 1971, e foi montada em novas versões em 1988, 1998 e 2010.

Para Silvio Viegas, regente da Sinfônica de MG e diretor musical desta produção, La Traviata atrai o público a partir de uma narrativa romântica que rompe barreiras. O fascínio por essa história vai além da musicalidade, uma das mais belas do repertório operístico. “Além do assunto, que trata das brigas entre camadas sociais e a paixão que as atravessa, a música da ópera é de uma beleza e intensidade extremas”, conta. A ária Libiamo ne’ lieti calici, canção mais famosa da ópera, é a combinação perfeita desse fervor musical e da suavidade do amor do casal. “A plateia entra em contato direto com essas nuances, e fica difícil não se apaixonar”.

A força da dramaturgia, transformada por Verdi em ópera, é um dos pontos altos do espetáculo. “Verdi costumava dizer que precisava encontrar a cor certa para cada ópera e, encontra-la, é sempre um grande desafio. Os tempos e contrastes corretos para cada personagem devem ser buscados com cuidado, analisando o texto e sua intenção, cada detalhe musical presente na partitura”, destaca Viegas. “Nada nesta ópera está ‘solto’, tudo possui um significado”, complementa o maestro.

Viegas promete uma produção belíssima, feita com uma direção cênica extremamente competente e rica. “Espero que a plateia se emocione e perceba que La Traviata poderia estar se passando hoje, onde a vilania não se encontra nos personagens, e sim na sociedade preconceituosa e intolerante que permanece entre nós”, conclui.

 

Revivendo uma história

Responsável pela concepção e pela direção cênica de La Traviata, Jorge Takla mantém a fidelidade do espetáculo à época em que foi escrito e produzido. Com mais de 100 espetáculos encenados no currículo, entre óperas, musicais e peças de teatro, o diretor vai ambientar a história de Verdi na Paris de 1865, para tratar dos assuntos centrais da sociedade burguesa, com destaque para o papel e a condição da mulher na sociedade, a estrutura familiar e das classes. Segundo Takla, a reprodução do espetáculo com as características de uma Paris no século 19 não restringe as interpretações a uma visão contemporânea.

“Ao reproduzir La Traviata nos dias de hoje, obtemos uma leitura muito importante sobre a liberdade da mulher frente ao patriarcado, sobre o mundo da prostituição, do machismo e do preconceito. Dessa forma, mantemos a época e preservamos o seu fascínio, sem necessariamente criar um espetáculo com cara de museu”, explica. Takla complementa que essa montagem deve procurar a verdade das emoções dos artistas. “Tento sempre atingir o coração do público. Tenho a honra de trabalhar com Jaquelina Livieri, que assisti no Teatro Colón, e Fernando Portari e Paulo Szot, parcerias que mantenho há 20 anos, desde o nosso primeiro espetáculo juntos”, conta.

Para o diretor, encabeçar uma montagem tão popular e resgatar as tradições do período em que foi composta é um desafio que envolve toda a produção do espetáculo, além de ser uma oportunidade para atrair um novo público apreciador do gênero. “A ópera é um conto contemporâneo, e buscamos produzi-la com amadurecimento e generosidade no olhar. É um desafio conquistar a presença de todas as gerações, mas acredito nessa montagem como um grande sucesso”, finaliza.

 

Amor transviado

La Traviata é a história de amor mais popular de Giuseppe Verdi. O compositor italiano se inspirou em outro clássico mundial, o livro A Dama das Camélias, escrito em 1848 por Alexandre Dumas Filho. No romance, de cunho semiautobiográfico, a paixão entre Armand Duval, membro da alta burguesia, e Marguerite Gautier, a mais bela cortesã de Paris, é o tema central da narrativa. O casal enfrenta o preconceito de uma França classista que não aceita o romance entre um jovem burguês e uma cortesã.

A solista argentina Jaquelina Livieri, que interpreta Violetta Valéry, se diz muito feliz em participar da montagem. “O Palácio das Artes possui um lindo teatro onde se trabalha com profissionalismo e todas as pessoas que levam à diante os projetos operísticos são maravilhosas. Além disso, amo a cidade e gostei muito de terem me chamado novamente para trabalhar aqui”, conta a cantora, que se apresenta pela segunda vez em Belo Horizonte após sua estreia nos palcos brasileiros com a ópera Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti, em novembro de 2015.

Para Livieri, o papel da protagonista é muito exigente, e ao mesmo tempo encantador, assim como tudo que a acompanha. “Mais difícil do que qualquer exigência vocal, é ser capaz de ‘dizer’ com o canto, falar, contar uma história, colocar-se na pele do personagem e desapropriar-se de seu próprio ser”. Acerca da narrativa de La Traviata e o papel que interpreta, a artista declara que as opressões sociais seguem existindo, ainda hoje. “Os preconceitos são de todos os tempos e é muito difícil desconectar situações que datam de tantos séculos atrás. Cabe esclarecer que as cortesãs eram pessoas cultas na época. Eram refinadas, cultivavam o glamour dos salões da burguesia e eram apreciadas pelos homens justamente pelo poder da conversação. Mas, por serem mulheres de todos e de ninguém, nunca se casavam com seus amantes”, conclui.

O grande amor de Violetta Valéry, Alfredo Germont, é interpretado por Fernando Portari, já familiarizado com esse papel. Com mais de dez produções de La Traviata pelo Brasil e pelo mundo, Portari afirma ter vivido muitas experiências com Germont. Segundo o solista, é necessário mergulhar na experiência proporcionada pela interpretação: “Muitas vezes me perguntam qual a minha ópera favorita, e eu digo sempre que é a que estou fazendo no momento. Preciso me apaixonar pelo personagem. Preciso que seja uma relação inteira para que o resultado seja completo. Tenho grandes expectativas com a nova montagem, que conta com um elenco entrosado, que já estabeleceu uma relação de confiança e intimidade, garantia de sucesso”.

 

O flamenco e a tourada

Mais uma vez, a Cia. de Dança Palácio das Artes integra o elenco de uma montagem operística da FCS. Em La Traviata, o corpo artístico traz uma proposta coreográfica que mistura a dança flamenca, o balé clássico e a dança contemporânea. Criação de Cristiano Reis, regente da Cia., a coreografia reúne 14 bailarinos. “O momento de participação da Cia. explora a linguagem dos toureiros e das ciganas, buscamos elementos e informações que agregassem os movimentos corporais dos bailarinos”, ressalta Reis.

Os bailarinos puderam mergulhar no universo técnico e estético da dança flamenca a partir de uma oficina ministrada pela professora e bailarina Mila Conde. “A narrativa deve estar presente não só no figurino, mas também no jeito de se mover. Assistimos a alguns filmes para buscar referências, como Carmen (1983) e Bodas de Sangue (1981), do diretor espanhol Carlos Saura”.

Explorando o bastão carregado pelos bailarinos, que interpretam os toureiros, Reis buscou a movimentação. “O virtuosismo e a masculinidade, trazem esse universo da tourada, da arena, do risco. Os bailarinos fazem movimentos acrobáticos e até muito arriscados, relembrando uma luta”, explica. A preparação corporal das bailarinas envolveu de forma ainda mais intensa as características do estilo de dança espanhola. “A coreografia das mulheres bebeu muito no flamenco, por representarem ciganas. Elas revivem os movimentos com as posturas, os braços, explorando a marcação de ritmo com as mãos”, conclui.

 

Releituras oitocentistas

Os mais de 300 figurinos de La Traviata são assinados pelo paulista Cássio Brasil, que atua pela primeira vez em uma produção da Fundação Clóvis Salgado. Com o objetivo de resgatar a tradição e o glamour das vestimentas parisienses do século 19, Cássio desenhou um figurino que deixa em evidência a opressão, o conservadorismo e o preconceito daquela sociedade, além de ser um reflexo da exuberância da época.

“Tenho muito fascínio pelo estudo da indumentária. O modo como as pessoas se vestiam, para além do ponto de vista da moda, mas do ponto de vista sociológico, econômico, ideológico, e todas as questões complexas do mundo que passam pela roupa, pelo modo como as pessoas se vestem. E, nesta montagem, é muito importante o lugar que a mulher ocupa na sociedade, a classe social, a classe dominante e como ela se comporta – são fontes inesgotáveis de interesse e inspiração”, revela o figurinista.

As indumentárias reúnem características do período transitório na moda parisiense (1865), principalmente na configuração dos vestidos. “Esse foi um período em que a volumetria da saia é característica do período romântico – que parece uma xícara, ou o tradicional ‘bolo de noiva’. Nos preocupamos em não criar uma produção com cara de museu. Optamos por algo mais elegante, uma silhueta bem construída, com acabamentos sintéticos, enxutos”, destaca.

A iluminação é de Fábio Retti, que tem atuado em várias montagens da Fundação Clóvis Salgado nos últimos anos e é uma referência nacional na iluminação de óperas. Apesar da primeira vez em uma montagem de La Traviata, Retti diz já ser familiarizado com o estilo de Verdi. “Já consigo dialogar bem dentro da linguagem do compositor, que exige uma montagem com contrastes”, ressalta. “A narrativa de La Traviata mescla o glamour da Paris efervescente, seu brilho intenso, com a melancolia da doença de Violetta. Trabalho a partir disso com variações entre luzes quentes e alegres para momentos de festas e comemorações, e luzes frias para momentos mais íntimos que expõem a realidade dos personagens”, conclui.

O cenário remete ao clima da capital francesa oitocentista e é assinado pelo argentino Nicolás Boni, que também participa pela primeira vez de uma montagem mineira.

 

Principais artistas

Regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o maestro Silvio Viegas é professor de Regência na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi diretor artístico da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, de 2003 a 2005; maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro de 2008 a 2015 e diretor artístico interino do mesmo teatro de 2011 a 2012. Desde o início de sua carreira tem se destacado pela atuação no meio operístico, regendo títulos como O Navio Fantasma, L’Italiana in Algeri, O Barbeiro de Sevilha, Don Pasquale, Così Fan Tutte, Le Nozze di Figaro, A Flauta Mágica, Carmen, Cavalleria Rusticana, Romeu e Julieta, Lucia di Lammermoor, Il Trovatore, Nabucco, Otello, Falstaff, Salomé, La Bohème e Tosca. Como convidado, esteve à frente da Orquestra da Arena de Verona, Sinfônica de Roma, Sinfônica de Burgas (Bulgária), Sinfônica do Festival de Szeged (Hungria), Orquestra do Algarve (Portugal), Sinfônica Brasileira (OSB), Teatro Argentino de La Plata (Argentina), Filarmônica de Montevidéu e Sinfônica do Sodre (Uruguai), Amazonas Filarmônica, Petrobras Sinfônica, Sinfônica do Paraná, Sinfônica do Theatro São Pedro-SP, Orquestra do Teatro da Paz, Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, entre outras. Em 2001, obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional Jovens Regentes, organizado pela Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro. Natural de Belo Horizonte, Viegas estudou regência na Itália e é mestre em regência pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo sido discípulo de Oiliam Lanna, Sergio Magnani e Roberto Duarte.

Silvio Viegas

 

Jorge Takla é uma das personalidades mais ativas tanto no teatro como na ópera, sempre em grandes produções, ao lado de atores e músicos do primeiro time do panorama cultural brasileiro. Formado na École Nationale des Beaux-Arts (Paris) e no Conservatoire d’Art Dramatique (Paris), atuou e dirigiu no Teatro LaMama, em Nova York, de 1974 a 1976. No Brasil, dirigiu e produziu mais de 100 espetáculos de teatro, teatro musical e óperas, entre eles, Hulda, My Fair Lady, Vany e Sonia e Masha e Spike, Vermelho, Jesus Cristo Superstar, O Rei e Eu, West Side Story, Mademoiselle Chanel (Maria Adelaide Amaral), Vitor ou Vitória, Últimas Luas, Medeia, Electra, A Gaivota, O Jardim das Cerejeiras, Cabaret, Pequenos Burgueses, Madame Blavatsky, Lembranças da China, Fedra 1980 e dezenas de outras peças. Em ópera, dirigiu Don Quichotte (Massenet) (prêmio especial APCA 2016), The Rake’s Progress (Stravinski), Candide (Bernstein), La Traviata (Verdi), La Bohème (Puccini) e Madama Butterfly (Puccini), Il Tabarro (Puccini), As Bodas de Fígaro (Mozart), Cavalleria Rusticana (Mascagni), As Bodas de Fígaro (Mozart) I Pagliacci (Leoncavallo), Os Contos de Hoffmann (Offenbach), A Viúva Alegre (Lehár), e outras obras. Foi diretor da Divisão de Teatro da CIE-Brasil de 2002 a 2004, em que coordenou as produções de A Bela e a Fera (Broadway), Chicago (Broadway), A Flor de Meu Bem Querer (Juca de Oliveira), Suburbano Coração (Chico Buarque), Marília canta Ary e outras. Takla foi também administrador e diretor artístico do Teatro Procópio Ferreira, de 1983 a 1992. É Grande Oficial da Ordem do Ipiranga e detentor do título de Cidadão Paulistano.

 

Sobre a soprano Jaquelina Livieri, os críticos dizem: “a performance de Livieri é excepcional, sua voz corre em todos os registros com naturalidade, fluência, afinação perfeita, brilho. A soprano rosarina dominou a cena desde a sua primeira aparição, tanto na parte vocal quanto na sua aptidão para a encenação, apresentando as coloraturas com brilho e clareza, mas acima de tudo brincando com elas, ou seja, usando-as como meio para capturar o caráter de seu personagem. Sua Violetta foi esmagadora”. Natural de Rosário, na Argentina, começou seus estudos de piano em 1997 na Escola Provincial de Música e na Escola de Música da Faculdade de Humanidades e Arte da Universidade Nacional de Rosário. Estudou no Instituto Superior de Artes do Teatro Colón de Buenos Aires, onde hoje faz aperfeiçoamento operístico. Em 2017, interpretou a Violetta de La Traviata (Verdi) no Colón, com a direção de Evelino Pido, recebendo grandes ovações ao longo de suas performances, consagrando-se como uma das artistas argentinas mais importantes da atualidade. O mesmo papel foi interpretado com grande sucesso no Theatro Municipal de Santiago do Chile, em 2016, com direção de Konstantin Chudovsky e, em março de 2018, no Teatro del Bicentenario, no México, com direção musical de Ramón Shade. Tem cantado também com sucesso os papéis de Lucia di Lammermoor, Adina, Norina, Pamina, Isabella, Zerlina, Oscar e Susanna. Trabalhou com regentes de prestígio como Evelino Pido, Roberto Paternostro, Frederic Chaslin, Oliver von Dohnanyi, Francesco Ivan Ciampa e Ira Levin e com diretores como Kasper Holten, Franco Zeffirelli, Marcelo Lombardero, Davide Livermore e Hugo de Ana. Livieri foi a escolhida para cantar com José Carreras na sua turnê A Life in Music e também com o barítono uruguaio Erwin Schrott no concerto de abertura do 64º Festival de Ljubljana, na Eslovênia, em 2016.

 

Fernando Portari é um artista versátil que, ao longo do tempo, aliou a arte de seu canto à força de sua voz para tornar-se intérprete dos mais variados gêneros musicais. Internacionalmente reconhecido, cantou no Teatro Alla Scala de Milão e ao lado da maior soprano da atualidade Anna Netrebko, em Berlim, onde interpretou Des Grieux na ópera Manon (J. Massenet) sob a regência do maestro Daniel Barenboim. Cantou em mais de quarenta montagens como óperas, concertos, musicais, novela, shows e espetáculos em teatros do Brasil e do mundo, como West Side Story e Candide (Bernstein), Magdalena (Villa-Lobos), La Bohème (Puccini), Romeu e Julieta (Gounod), La Traviata (Verdi), A Flauta Mágica (Mozart), Werther (Massenet), no Teatro São Carlos de Lisboa, Fausto (Gounod), no Alla Scala de Milão e no Liceu de Barcelona, entre tantas outras. Já se apresentou em recitais e óperas nos teatros de Moscou, Veneza, Bolonha, Varsóvia, Hamburgo, Colônia, Tóquio e Helsinki. Na temporada lírica e de concertos de 2017, esteve na abertura do Theatro Municipal de São Paulo, cantando a sinfonia Lobgesang (Mendelssohn), com regência de Roberto Minczuk, e na ópera Norma (Bellini), na Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte, com regência do maestro Silvio Viegas. Na Sala Cecilia Meirelles, no Rio de Janeiro, interpretou o ciclo Dichterliebe (Schumann), ao lado do pianista Eduardo Monteiro. Realizou ainda os shows Un Amore Così Grande e Um Tributo a Tony Bennett. Segue com o projeto Imagens Líricas, produzido pela ETE Produções Artísticas em parceria com o Sesc-SP, unindo cinema e canto. Em Belém/PA, em setembro de 2018, interpretará Ricardo em Un Ballo in Maschera (Verdi). Portari também se dedica à direção de espetáculos e ao ensino do canto.

 

O barítono paulista Paulo Szot começou sua educação musical aos 5 anos de idade, com aulas de piano, às quais somaram-se aulas de violino e balé clássico. Optou pelo canto aos 21 anos. Estudou como bolsista na Universidade Jaguelônica, na Polônia, país de origem de seus pais, e começou a cantar profissionalmente em 1990, com o Conjunto Nacional de Canto e Dança Śląsk. Fez sua estreia lírica em uma produção de O Barbeiro de Sevilha, no Teatro Municipal de São Paulo, em 1997. Desde então, já se apresentou com a Metropolitan Opera, New York City Opera, San Francisco Opera, Canadian Opera Company, Grande Teatro do Liceu de Barcelona, Ópera Garnier de Paris, Ópera Nacional de Bordeaux, Ópera Municipal de Marseille, Opéra de Nice, entre outras, cantando em L’Elisir d’Amore, La Bohème, Don Giovanni, Cavalleria Rusticana, I Pagliacci, Carmen, Così Fan Tutte, Le Nozze di Figaro e Maria Golovin. Com carreira também em musicais, foi premiado, em 2008, com o Tony Award, premiação máxima do teatro nos Estados Unidos, por seu papel como Emile de Becque no musical South Pacific, na Broadway. Já ganhou também os prêmios Drama Desk Award, Outer Critics Circle Award e a Medalha Zasłużony Kulturze (Medalha do Mérito Cultural) Gloria Artis.

 

Considerada uma das mais ativas do país, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre, na capital e no interior mineiro. Seu atual regente titular é Silvio Viegas. Criada em 1976, a OSMG foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais em 2013. Participa da política de difusão da música sinfônica promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Concertos Comentados, Sinfônica ao Meio-Dia, Sinfônica em Concerto, além de integrar as temporadas de óperas realizadas pela FCS. Mantém permanente aprimoramento da sua performance executando repertório que abrange todos os períodos da música sinfônica, do barroco ao contemporâneo, além de grandes sucessos da música popular, com a série Sinfônica Pop. Já estiveram à frente da Sinfônica os regentes Wolfgang Groth, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Aylton Escobar, Emílio de César, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej, Charles Roussin, Roberto Tibiriçá e Marcelo Ramos.

 

O Coral Lírico de Minas Gerais é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Sua atual regente titular é Lara Tanaka. Participa da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Lírico Sacro, Sarau ao Meio-Dia, Lírico ao Meio-Dia, Lírico em Concerto, além de integrar as temporadas de óperas realizadas pela FCS. O objetivo desse trabalho é fazer com que o público possa conhecer e fruir a música coral de qualidade. Os concertos que o Coral realiza em cidades do interior de Minas e capitais brasileiras contribuem para a democratização do público ao canto coral. As apresentações têm entrada gratuita ou preços populares. Já estiveram à frente do Coral Lírico os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes e Lincoln Andrade.

 

A Cia. de Dança Palácio das Artes (CDPA) é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação. Sua história faz parte do processo de grandes transformações ocorridas no campo da dança. Fundada em 1971, iniciou seus trabalhos com um repertório clássico. Em 1985 houve uma ruptura do Grupo com a linguagem clássica e, em 1999, deu-se o início dos trabalhos com o método bailarino-pesquisador-intérprete, que propõe a legitimação do bailarino como sujeito de sua própria dança. A Cia. de Dança possui um método singular de criação dos espetáculos, que inclui um profundo processo de pesquisa e concepção por parte dos bailarinos. Já se apresentou em várias cidades do interior de Minas, capitais do Brasil e também em países como Cuba, França, Itália, Palestina, Jordânia, Líbano e Portugal.

 

SERVIÇO:

 

“La Traviata”, ópera de G. Verdi

 

Com Jaquelina Livieri (soprano), Fernando Portari (tenor), Paulo Szot (barítono) e grande elenco

Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais, e Cia. de Dança Palácio das Artes

Jorge Takla, concepção e direção cênica

Silvio Viegas, direção musical e regência

 

20, 24, 26 e 28 de abril, às 20h30; 22 de abril, domingo, às 19h

Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro – Belo Horizonte)

 

Ingressos: R$ 60, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Faça seu comentário