Escrito por em 17 maio 2018 nas áreas Festival, Minas Gerais, Programação

Direção artística dos renomados pianistas Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini


Arrumar as malas para mais uma vez compartilhar da generosidade dos músicos que me fazem homenagem, dedicando a mim e às minhas obras uma atenção especial no 6º Festival de cordas e piano de maio em BH. De 14 a 20 deste mês. Obrigado Celina Szrvinsky e Miguel Rosselini, grandes músicos, pianistas e empreendedores culturais, sempre trabalhando em prol da música brasileira.” – Edino Krieger

A atual edição é dedicada ao consagrado compositor Edino Krieger. Figura de proa da música brasileira, sua presença entre nós, além de honrosa, oferecerá a feliz oportunidade de festejarmos com ele seu 90º aniversário. Para a homenagem, os programas dos três recitais finais foram integralmente destinados ao autor, abarcando a quase totalidade da sua produção para piano e parte significativa de suas obras de câmara.

Paulo Bosísio, Fábio Zanon, Sasha Boldachev e Antônio Meneses assumem os demais quatro recitais, enobrecendo a programação artística e pedagógica do festival. Agradecemos as colaborações da pianista Valéria Gazire, da Orquestra de Câmara Sesiminas, do maestro Marco Antônio Maia Drumond e de todos os intérpretes das obras de Edino Krieger.

Para as oficinas de cordas e piano, contaremos também com as importantes participações do violinista Edson Queiroz, dos violistas Emerson de Biaggi e Carlos Aleixo, da violoncelista Elise Pittenger, do harpista Marcelo Penido e dos pianistas Berenice Menegale, Ernesto Hartmann, Ronal Silveira, Mauricy Martin, Paulo Álvares e Luiz Senise.

O tributo a Edino Krieger estende-se pelo segundo semestre de 2018, com apresentações do Concerto para Cello, por Antônio Meneses, à frente das Orquestras Filarmônica de Goiás, Sinfônica do Espírito Santo, Jovem Vale Música Belém. Em Belo Horizonte, na Sala Sérgio Magnani, será apresentado recital de estreia de obras dedicadas ao compositor, especialmente encomendadas a Aylton Escobar, Oiliam Lanna e Sérgio Rodrigo.

 

Edino Krieger

Nascido em Brusque, Santa Catarina, a 17 de março de 1928, de ascendentes alemães e italianos por parte de pai e portugueses e índia por parte de mãe. Iniciou estudos de violino com seu pai aos 7 anos, realizando recitais no estado dos 9 aos 14, quando recebeu bolsa de estudos do Governo do Estado para o Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, onde, além do violino, estudou composição com H. J. Koellreutter. Ingressou em 1945 no Grupo Música Viva, ao lado de Cláudio Santoro, Guerra-Peixe, Eunice Catunda e outros discípulos de Koellreutter.

Em 1948, obteve bolsa de estudos para o Berkshire Music Center de Massachussets, nos Estados Unidos, onde estudou com Aaron Copland, frequentando em seguida, por um ano, como bolsista, a Juilliard School of Music de Nova York, sob a orientação de Peter Mennin. Em 1952, trabalhou com Ernst Krenek no III Curso Internacional de Férias de Teresópolis e, em 1955, obteve bolsa do Conselho Britânico para estudar em Londres com Lennox Berkeley, da Royal Academy of Music.

Entre os prêmios e honrarias destacam–se: Prêmio Internacional da Paz do Festival de Varsóvia (1955), Prêmio da Fundação Rottelini de Roma (1955), Medalha de Honra do Cinquentenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1959), Troféu Golfinho de Ouro (1969 e 1988), Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza, do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina (1997), Troféu Barriga-Verde (1977), Comenda da Ordem Cultural do Ministério da Cultura e Belas Artes da Polônia (1985), Medalha do Mérito Cultural Anita Garibaldi, do Estado de Santa Catarina (1986), Prêmio Nacional da Música do Ministério da Cultura (1994) e Medalha Pedro Ernesto, maior honraria concedida pela cidade do Rio de Janeiro, além de quatro títulos “Doutor Honoris Causa”, concedidos por: Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade do Ceará e Universidade de Santa Catarina.

Desenvolveu, em sua trajetória, intensa atividade como dirigente de instituições oficiais e particulares, como Rádio MEC, Rádio Jornal do Brasil, Fundação dos Teatros do Rio de Janeiro, FUNARTE, Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles e Academia Brasileira de Música. Exerceu também, durante muitos anos, a atividade de crítico musical no Rio de Janeiro, primeiro na Tribuna da Imprensa (1950 a 1952) e depois no Jornal do Brasil (até a década de 1970).

Em março de 2012, o SESC lançou, na cidade do Rio de Janeiro, o livro da pesquisadora Ermelinda A. Paz sobre o compositor, intitulado “EDINO KRIEGER: Crítico, produtor musical e compositor”.

Além de obras para piano, canto e piano, música de câmara, coro e música incidental para teatro e cinema, algumas de suas obras são:
– Divertimento, para cordas, primeiro prêmio do Concurso Nacional de Composição do MEC, 1959;
– Variações Elementares, para orquestra de câmara, encomenda do III Festival Interamericano de Música de Washington, 1964;
– Ludus Symphonicus, para orquestra, encomenda do Festival de Música de Caracas, 1965, onde foi estreado pela Orquestra de Filadélfia sob a regência de Stanislaw Skrowaczewski;
– Rio de Janeiro, oratório cênico estreado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como parte das comemorações do IV centenário da cidade, 1965;
– Canticum Naturale, sobre cantos de pássaros e ruídos ambientais da Amazônia, encomenda da Orquestra Filarmônica de São Paulo para as comemorações do Sesquicentenário da Independência, 1972;
– Ritmata, para violão, estreada por Turíbio Santos em Paris, 1974;
– Três Imagens de Nova Friburgo, para orquestra de câmara, encomenda da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, 1988;
– Romance de Santa Cecília, para narrador, soprano, coro infantil e orquestra, encomenda da Sala Cecília Meireles para a abertura da temporada de 1989;
– Concerto para dois violões e cordas, estreado pelo Duo Assad e a Orquestra de Câmara do Festival Sonidos de las Americas, Nova York, 1993;
– Te Deum Puerorum Brasiliae, encomenda da Secretaria Estadual de Cultura para as comemorações da visita do Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro, 1997;
– Passacalha para o Novo Milênio, estreada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) sob a regência de Roberto Minczuk, 1999;
– Terra Brasilis, painel sinfônico estreado em Porto Seguro, Bahia, no dia 21 de abril de 2000, como parte das comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil;
– A Era do Conhecimento, cantata, para as comemorações dos 80 anos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2000;
– Concerto para violoncelo e orquestra, composto em 2005 e estreado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro por Antônio Meneses e a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Roberto Minczuk em 2007;
– Quatro Imagens de Santa Catarina, para orquestra de câmara, encomenda da Camerata Florianópolis, 2005;
– Abertura Solene, para orquestra, encomenda da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro para as comemorações da chegada ao Brasil da Corte Portuguesa, 2008.

Sua participação em dois Festivais da Canção Popular – em 1967, com Fuga e Anti-Fuga, parceria com Vinícius de Moraes, e em 1968 com Passacalha, ambas tendo conquistado o 4º lugar – fez que ele sonhasse com um Festival para a música contemporânea brasileira com um maior alcance de público. Nasceu assim o Festival de Música da Guanabara, que teve 2 edições (1969 e 1970) com importante repercussão nacional e internacional e que deram origem, em 1975, à Bienal de Música Brasileira Contemporânea, que, em 2017, completou sua XXII edição ininterrupta existindo, portanto, há 42 anos.
Edino Krieger é considerado pelos seus pares – como escreveu a direção artística da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF em seu programa deste ano – “uma personalidade nacional referência para musicistas e estudiosos de música por sua consagrada trajetória profissional, caracterizada por forte cunho socioeducativo e que percorre múltiplas dimensões: como crítico, produtor musical e compositor. Seu trabalho é marcado pela compreensão da importância da música na educação e, através dela, da sua eficácia para a inserção dos indivíduos nas problemáticas da vida e do mundo”.

 

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