Escrito por em 9 maio 2018 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Sob regência do maestro Fabio Mechetti, pianista e Filarmônica de MG interpretam obras de Clara Schumann, Wagner e Richard Strauss.

 

Nos dias 10 e 11 de maio, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebe a pianista canadense Angela Cheng para interpretar o Concerto para piano em lá menor, Op. 7, de Clara Schumann, compositora que se destacou como pianista e foi reverenciada por músicos, críticos e pelo público. Sob regência do maestro Fabio Mechetti, a orquestra executa ainda O idílio de Siegfried, WWV 103, de Richard Wagner, e Uma vida de herói, Op. 40, de Richard Strauss.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público pode assistir aos comentários do maestro Mechetti, diretor artístico e regente titular da Filarmônica. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da orquestra.

 

Solista

Angela Cheng (foto de Lisa Kohler)

Frequentemente elogiada por sua técnica brilhante, beleza tonal e musicalidade extraordinária, a pianista Angela Cheng é considerada um tesouro nacional. Conquistou medalha de ouro no Concurso Internacional de Piano Arthur Rubinstein e foi a primeira canadense a vencer o Concurso Internacional de Piano de Montreal. Ganhou também a cobiçada bolsa para desenvolvimento de carreira concedida pelo Canada Council for the Arts e uma medalha de excelência por interpretações marcantes de obras de Mozart, outorgada pela Mozarteum, em Salzburg.

Em 2012, fez sua estreia no Carnegie Hall com a Sinfônica de Edmonton e no Festival de Salzburgo, em recital com Pinchas Zukerman, com quem atua como pianista colaborativa no projeto Zukerman Trio. Em turnês pela Europa, Ásia e América do Sul, realizou performances no Musikverein em Viena, no Concertgebouw em Amsterdã e nos festivais de Schleswig-Holstein e de Ravinia. Já gravou diversos álbuns, dentre eles um disco solo com obras de Clara e Robert Schumann, e outro com peças de Chopin. Cheng se apresentou com a Filarmônica de Minas Gerais em 2013 e 2016.

 

REPERTÓRIO:

Richard Wagner (1813-1883) e O idílio de Siegfried
É raro ouvir um Wagner tão terno, tão intimista e sem tantos arroubos melodramáticos como o que se vê em O idílio de Siegfried. Nessa obra, o compositor soube registrar em música um desses raros momentos epifânicos da psiquê humana em que realidade e sonho se confundem, os problemas se dissolvem e os desejos brevemente não precisam existir. Wagner escreveu o Idílio como um presente de aniversário para sua segunda esposa, Cosima, que havia dado à luz Siegfried, filho do casal, nascido em 1869. Os Wagner residiam em Tribschen, na Suíça, em uma villa pitoresca às margens do lago Lucerna. Ele intitulou a obra, antes de sua publicação, apenas Idílio, mas acresceu-lhe um rebuscado subtítulo: Idílio em Tribschen, com o canto de passarinho de Fidi e um nascer do sol alaranjado. Trata-se quase de uma sinopse, que faz referência à villa dos Wagner, ao filho do casal (cujo apelido familiar era Fidi), ao lago e até ao papel de parede ao lado da porta do quarto de Cosima. Mais íntima ainda foi a primeira execução da peça: na manhã de Natal de 1870, Wagner agremiou um pequeno conjunto da Orquestra do Tonhalle de Zurique e a fez executar nas escadas da casa da família. Ao que parece, Cosima foi desperta naquela manhã pela melodia de abertura.

Clara Schumann (1819-1896) e o Concerto para piano em lá menor
Batizada Clara Josephine Wieck, Clara Schumann nasceu em Leipzig. O pai mantinha em sua residência uma espécie de “estabelecimento musical”, em que lecionava piano e teoria, alugava pianos, vendia partituras e que servia ainda de pensão para seus alunos. A mãe, filha e neta de músicos, era cantora lírica e foi aluna de piano de Wieck. Dotada de prodigioso talento, Clara foi encorajada desde cedo a compor. Suas primeiras obras foram publicadas quando ela tinha apenas 12 anos. Aos 13, já pianista internacional, iniciou a composição do Concertsatz – “movimento de concerto” – que viria a se tornar o finale de seu Concerto para piano em lá menor. Por dois anos Clara trabalhou na composição desse Concerto, seguindo à risca os planos do pai. Ele considerava a obra um adequado “cartão de visitas” que garantiria à filha uma posição entre os virtuosi pianistas-compositores. Em 1834, o concerto foi orquestrado por Robert Schumann – futuro esposo de Clara e aluno de Wieck. Em novembro de 1835 a obra estreou com grande sucesso no Gewandhaus de Leipzig, tendo ao piano a jovem compositora, então com 16 anos, sob a regência de Felix Mendelssohn.

Richard Strauss (1864-1949) e Uma vida de herói
Composta em 1898, Uma vida de herói é a última obra de um período de grande fertilidade para poemas sinfônicos demonstrada por Richard Strauss, quando explorou ao limite as potencialidades e a complexidade do gênero. Se, em trabalhos anteriores, o motivo literário podia ser percebido em certas evocações musicais – seja em aspectos narrativos, seja em aspectos psicológicos das personagens –, em Uma vida de herói isso é significativamente menos evidente e menos importante. Aqui Strauss parece levar a termo e a cabo o papel de mero pretexto do motivo literário, em razão de colocar soberanamente em primeiro plano a realidade sonora da construção musical. Isso revela uma posição particular sua, interessada em dar ao mundo apenas a realidade sonora da música, sem a interferência de sugestões extramusicais. Estreada em 1899, a peça marca definitivamente a entrada de Strauss na aurora do século 20, já ensaiada por investidas anteriores, genialmente bem-sucedidas. Se com Don Quixote e, principalmente, Till Eulenspiegel, Strauss demonstra amadurecimento e maestria na consolidação de sua linguagem, enraizada no Romantismo, mas prodigamente ramificada pelo século em curso, em Uma vida de herói ele afirma e endossa um posicionamento musical que extrapola suas fontes românticas e abre caminho para novas possibilidades, que culminarão em obras como as óperas Salomé e O cavaleiro da rosa.

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Angela Cheng, piano

Fabio Mechetti, regência

 

10 e 11 de maio, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (coro, comercializados somente após a venda dos demais setores), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

Faça seu comentário