Escrito por em 17 maio 2018 nas áreas Distrito Federal, Música coral, Programação

Apresentação ocorre em Brasília no dia 25 de maio.

O Ars Nova – Coral da UFMG apresenta, no dia 25 de maio, às 20h, na Casa Thomas Jefferson, em Brasília, recital com algumas obras inéditas em seu repertório. O foco do grupo neste ano é a música composta no século 20, além de divulgar não só os compositores brasileiros, mas também novos repertórios de compositores internacionais, com ênfase em obras ainda consideradas inéditas em território brasileiro. Esta é uma maneira de incentivar a produção de novas obras para coral, além de garantir que cantores e público pratiquem e escutem a música de nosso tempo, com suas idiossincrasias, seus contrastes e suas coerências e incoerências.

O repertório está dividido em três blocos. No primeiro, o Ars Nova explora o aspecto camerístico do canto coral e abre o concerto com Ave, Generosa, do compositor norueguês Ola Gjeilo (1978) e com texto de Hildegard von Bingen (1098-1179), considerada uma das primeiras mulheres compositoras da história da música. Este moteto, escrito em 2016 para vozes femininas a cappella, se caracteriza por sua delicadeza melódica sem abrir mão da linguagem contemporânea que explora contundentes dissonâncias.

Em seguida, o Ars Nova interpreta De Profundis, do compositor estoniano Arvo Pärt (1935) com texto do Salmo 130. Esta é uma obra para coro masculino a quatro vozes e órgão e que propõe o estilo pessoal do compositor, o tintinnabuli, no qual as vozes soam como sinos.

A próxima obra é a única do repertório que não foi escrita no século 20: Crucifixus, do compositor italiano Antonio Caldara (1670-1736), é um
moteto finamente forjado em 16 vozes, na verdade, 17, se considerarmos a voz independente do baixo contínuo. É uma obra de grande expressividade e as vozes são escritas e entrelaçadas com grande habilidade.

No segundo bloco, o Ars Nova explora um repertório mais complexo, com grande grau de dificuldade. Three Madrigals, da compositora norte americana Emma Lou Diemer (1927-), para coro e piano traz três poemas de William Shakespeare, cada um deles explorado de maneira diferente: harmonias transparentes em O Mistress Mine, Where Are You Roaming?, harmonias pesadas em Take, O Take Those Lips Away e rápidas provocações ao piano em Sigh No More Ladies, Sigh No More!.

Timor et tremor e Tristis est anima mea, do francês Francis Poulenc (1899-1963) são, respectivamente, o primeiro e o último dos quatro motetos do ciclo Quatre Motets pour un Temps de Pénitence. O compositor explora dissonâncias dolorosas, estresses cromáticos, pinta quadros com gestos rítmicos e melódicos, numa grande e envolvente alegoria.

O moteto estrófico Corpus Christi Carol, do norueguês Trond Kverno (1945-) possui como texto um hino medieval inglês. O significado do texto está relacionado ao Santo Graal, lenda arturiana que fala sobre o cálice usado por Jesus Cristo na última ceia.

Encerrando este bloco, o Ars Nova apresenta My Flight for Heave , do norte-americano Blake R. Henson (1983-), com texto do poeta inglês Robert Herrick (1591-1674). Esta obra a cappella é profundamente comovente que fala sobre a busca de conforto no abraço da morte como saída para uma nova vida sem dor, sofrimento, guerra ou fome.

No terceiro e último bloco, o Ars Nova faz uma homenagem a dois compositores brasileiros. Cancioneiro de Lampião – Três Corais Brasileiros para coro misto a cappella, Op. 52, do pernambucano Marlos Nobre (1939-) é uma trilogia escrita em 1980, com canções baseadas no folclore nordestino, com alusões ao famoso cangaceiro Virgulino Ferreira,  o Lampião (1898-1938). Com esta obra, o conjunto celebra os 120 de nascimento e 80 anos de morte de Lampião.

Em 1964, o maestro mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca fundou o Ars Nova – Coral da UFMG, que foi considerado, pelo compositor e crítico de arte José Antônio Resende de Almeida Prado como o “maior conjunto vocal do Brasil”. O maestro Carlos Alberto o regeu por 41 anos. Como compositor, deixou um vasto acervo de peças para coro e inúmeros arranjos de peças do folclore popular brasileiro. Sua obra Missa Afro-Brasileira de Batuque e Acalanto foi composta em 1971. Dela o Ars Nova extraiu o belíssimo Dona nobis Pacem para encerrar o concerto, desejar paz ao mundo e celebrar os 85 anos do fundador.

O concerto tem regência de Lincoln Andrade e participação do pianista Thiago André.

 

Ars Nova – Coral da UFMG

Desde 2016, quando passou a ser regido pelo maestro Lincoln Andrade, o Ars Nova tem buscado ampliar a área de atuação do coral e divulgar não só os compositores brasileiros, mas também novos repertórios de compositores internacionais, com ênfase em obras ainda consideradas inéditas em território brasileiro. É uma maneira de incentivar a produção de novas obras para coral, além de garantir que cantores e público pratiquem e escutem a música de nosso tempo, com suas idiossincrasias, seus contrastes e suas coerências e incoerências, mas acima de tudo, com o registro de uma leitura atual do movimento coral  mundial.

 

Lincoln Andrade 

É natural de Leopoldina, Minas Gerais, mas foi em Brasília onde começou seus estudos em música e iniciou uma sólida carreira como professor e maestro. Possui doutorado em Regência pela University of Kansas, EUA, mestrado em Regência pela University of Wyoming, EUA, e é licenciado em Música pela Universidade de Brasília. Foi professor e diretor do Centro de Educação Profissional/Escola de Música de Brasília, professor assistente premiado na University of Wyoming, na University of Kansas e na Indiana State University. Foi professor no curso de pós-graduação da Faculdade de Artes do Paraná, em Curitiba.

Foi diretor musical do grupo vocal Invoquei o Vocal e regente titular do Madrigal de Brasília e ganhou medalha de prata e medalha de ouro nas categorias coro misto e coro folclore, no Festival Internacional de Coros de Atenas, na Grécia, em 1994. Foi regente assistente do Coro Jovem Comunitário de Kansas City e maestro do Coro Lírico do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. Foi também o maestro titular do Coral Brasília e ganhou medalha de ouro no Festival Internacional de Coros em Atenas, Grécia, em 2004.

Regeu concertos na Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, nos Estados Unidos, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal, e Turquia. Foi regente titular do Coral Lírico de Minas Gerais e regeu concertos como maestro convidado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e da Orquestra de Câmara Opus. Lincoln Andrade foi o produtor musical, apresentador e entrevistador do programa “Conversa de Músico”, produzido e veiculado durante 12 anos pela TV Senado.

É constantemente convidado a ministrar cursos, palestras e workshops sobre regência nos diversos festivais de música pelo Brasil. É professor de
regência e coordenador da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG.

 

 

SERVIÇO:

 

Ars Nova – Coral da UFMG

 

25 de maio, sexta-feira, às 20h

Casa Thomas Jefferson (Setor de Grandes Áreas Norte 606 – Asa Norte, Brasília – DF)

 

Entrada gratuita

 

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