Escrito por em 9 maio 2018 nas áreas Lateral, Notícia, Rio de Janeiro

Juízo Final, versão encenada do Réquiem de Verdi, estrearia no dia 18 de maio.

 

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro divulgou na terça-feira, 8 de maio, nota oficial na qual informa a suspensão do espetáculo Juízo Final, que, na verdade, é uma versão encenada do Réquiem de Giuseppe Verdi. Reproduzimos abaixo a íntegra do curto comunicado:

“Foi suspensa a apresentação de O Juízo Universal – previsto para estrear no dia 18 de maio. O Colegiado Artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro está estudando a reinserção da obra em data posterior”.

O primeiro rastro da possibilidade da suspensão da programação do TMRJ foi publicado por Ancelmo Gois, na edição do domingo, dia 6, do jornal O Globo. Em uma nota de sua coluna, o jornalista afirmou que a suspensão poderia acontecer porque o governo estadual não repassou ao Municipal uma verba prometida de R$ 3,6 milhões.

Conforme o próprio presidente da Fundação Teatro Municipal, Fernando Bicudo, admitiu no começo de março, quando divulgou a temporada da Casa (leia aqui), a referida verba seria suficiente para pagar apenas as três primeiras atrações do ano.

Na segunda-feira, 7 de maio, Gois voltou a falar do Municipal em sua coluna, mas, desta vez, como já aconteceu em inúmeras ocasiões, não apurou a informação com precisão. O jornalista incluiu na nova nota uma declaração do secretário de Cultura do estado do Rio, Leandro Monteiro, que teria dito que não poderia “autorizar gastos pedidos pelo Bicudo, como R$ 600 mil para um figurino da ópera Um Baile de Máscaras.

Ora, não é preciso ser um Sherlock Holmes para concluir que o valor citado pelo secretário referia-se a todos os figurinos da ópera, e não a um figurino específico, como a nota mal apurada dá a entender. Não se sabe se a notícia foi mal apurada por preguiça, por puro desconhecimento, ou porque o jornalista, inocentemente, simplesmente acreditou na declaração do secretário e considerou que não seriam necessários maiores questionamentos.

Teria bastado uma consulta ao Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Em sua edição de 13 de abril, o D.O. informa em duas publicações de contratos que o custo total da produção da ópera Um Baile de Máscaras foi de R$ 2.191.000,00, sendo que, deste valor, R$ 477 mil referiam-se exclusivamente aos figurinos da ópera. Percebe-se, portanto, e salvo por um erro na publicação do D.O., que até o valor citado pelo secretário de Cultura é passível de questionamentos. Afinal, vale o que o secretário diz, ou vale o que o que está no Diário Oficial?

Desde que Fernando Bicudo anunciou a temporada deste ano do Municipal, meio mundo da lírica brasileira (reforço: meio mundo) comenta em conversas informais que o dirigente foi, para dizer o mínimo, desprecavido, ao anunciar uma temporada completa que não poderia garantir que sairia do papel.

 

Resumo da ópera

1- A coluna de Ancelmo Gois até acertou na nota de domingo, mas, no dia seguinte, uma vez mais demonstrou como continua apurando mal as notícias referentes ao Theatro Municipal.

2- Leandro Monteiro não sabe exatamente quanto uma fundação subordinada à pasta que administra paga por um contrato publicado em Diário Oficial (!?!?).

3- Fernando Bicudo parece acreditar em promessas de políticos cariocas e fluminenses (!?!?).

 

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