Escrito por em 19 jun 2018 nas áreas MPB, Música sinfônica, Notícia, TV/Vídeo

Maritaca Discos lança série documental sobre a música de Léa Freire pela Orquestra Sinfônica da Unicamp.

 

A Maritaca Discos lança a série documental do projeto Cartas Brasileiras na OSU, sobre a música da flautista e compositora Léa Freire e a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU), dirigido por Von Rabenhorst. Com a proposta de criar um diálogo entre o popular e o erudito, a s série é apresentada em oito episódios, com legendas em inglês, disponibilizados pelo canal da gravadora no YouTube.

A iniciativa reuniu 62 músicos sob a direção musical e a batuta do maestro Felipe Senna. Juntos, os artistas revisitam o repertório do disco homônimo, em arranjos atualizados e adaptados para a orquestra sinfônica, com participação dos convidados especiais: o pianista Amilton Godoy, o bandolinista Fábio Peron e o percussionista Vinícius Barros.

“É música brasileira das mais diferentes vertentes, traduzida para orquestra sinfônica, música composta no intuito de sensibilizar e surpreender o ouvinte, começando por mim mesma”, conta Léa.

O disco Cartas Brasileiras foi lançado em 2007. Nele, Léa explorou com suas composições uma ampla linguagem musical, partindo do duo de piano e voz até uma orquestra completa, e com diversidade de melodias e ritmos da música brasileira em cada uma das faixas. Disco que destacou seu valor e sensibilidade como compositora, evidenciando ainda sua capacidade para além do próprio instrumento que adotou.

“A música da Léa dispensa apresentações, tem que sentar e escutar. Tem uma ideia musical harmônica maravilhosa”, conta Felipe Senna. Pianista ex-Zimbo Trio, Amilton Godoy também comenta: “É um projeto muito bonito porque une a música sinfônica e a popular, uma grande orquestra, com a competência de um arranjador e maestro, que pode circular nessas duas áreas e com a experiência que a gente já tem de música erudita e popular”.

O documentário mostra depoimentos dos participantes, imagens de bastidores, como na sala de ensaio na Casa do Lago, e o concerto no Teatro Castro Mendes, em Campinas.

 

Maritaca Discos

A gravadora Maritaca vem dedicando-se, há 20 anos, a promover o rico cenário instrumental brasileiro. O selo foi criado em 1997 pela música Léa Freire e desde então produziu um número significativo de discos. Dos quase 50 álbuns lançados, somente dois tiveram algum tipo de incentivo externo. E a sua principal característica não é o volume no catálogo de títulos, mas especialmente a qualidade artística de cada um deles.

Grandes músicos já gravaram na Maritaca, sempre fazendo o que sabem fazer de melhor, sem restrições, com plena liberdade artística: Arismar do Espírito Santo, Amilton Godoy, Laércio de Freitas, Bocato, Mozar Terra, Teco Cardoso, Banda Mantiqueira, Trio Corrente (vencedor de dois Grammys Awards), Silvia Goes, Zéli, Nenê, Theo de Barros, Benedito Lacerda, entre outros.

Entre os últimos discos lançados em 2017 estão A Mil Tons, dueto piano e flauta de Amilton Godoy e Léa Freire com composições do pianista; Arraial, terceiro disco do Vento em Madeira; Flor de Sal, sétimo disco na carreira do compositor e multi-instrumentista, Arismar do Espírito Santo; Na Calada do Dia, do baterista e compositor Edu Ribeiro (também Trio Corrente); e Troubadour, do contrabaixista francês, estabelecido no Brasil, Thibault Delor.

 

Léa Freire

Uma das mais respeitadas instrumentistas brasileiras e compositora versátil, Léa Freire cresceu cercada pela música: desde cedo ouvia eruditos brasileiros como Camargo Guarnieri, Radamés Gnattali e Villa-Lobos, ao lado de Bach, Debussy e outros compositores estrangeiros. Depois adotou a flauta como instrumento. É autodidata e criou sua marca musical.

Cantou 15 anos em coral, ao mesmo tempo em que se interessava pelo jazz, que a levou para a bossa nova, que a chamou para o choro e que lhe mostrou o caminho para os inúmeros ritmos brasileiros. Tocando com a nata da música brasileira, tornou-se flautista improvisadora e celebrada compositora — suas parcerias com Joyce Moreno foram lançadas em Brasil, Japão, Alemanha e Inglaterra.

Lançou o primeiro disco, Ninhal, em 1997, quando também inaugurou a gravadora Maritaca, então vários outros discos vieram na sequência, entre eles, Cartas Brasileiras (2007), que tornou-se panorama da música instrumental paulista contemporânea, envolvendo mais de 60 músicos em diversas formações.

Seu mais recente trabalho é o disco A Mil Tons, lançado em parceria com Amilton Godoy, com composições do celebrado pianista executadas em duo com a flautista. O duo realiza turnês no exterior e parcerias com músicos estrangeiros como Harvey Wainapel e Jane Lenoir.

 

FICHA TÉCNICA

Cartas Brasileiras na OSU, série documental dividida em oito episódios
Duração total: 65 minutos
Idioma: Português, com legendas em inglês

Direção e edição: Von Rabenhorst
Direção musical: Felipe Senna
Cinegrafistas: Fábio Scucuglia, Cadu Byington e Nelson Kurose Jr.
Direção, edição de áudio e mixagem: Cadu Byington
Direção e edição de vídeo: Fábio Scucuglia
Coprodução: Orquestra Sinfônica da Unicamp e Maritaca Discos
Realização: Unicamp Cocen Ciddic
Apoio: Prefeitura de Campinas e Centro Cultural Casa do Lago

MÚSICOS

Solistas
Léa Freire (flautas), Amilton Godoy (piano), Fábio Peron (bandolim) e Vinícius Barros (percussões)

Orquestra Sinfônica da Unicamp
Artur Huf (spalla), Alexandre Chagas, Ana Eleonor Ramalho, Danielle Lessa Emerick, Eduardo Palatim Semencio, Henrique Trindade Correa, Ivenise Nitchepurenco, Julio César de Palma Daólio, Maurizio Maggio, Paulo Martins de Lima, Paulo Sérgio A. de Brito, Renato Régis de Almeida e Edmundo Castro (violinos); José Eduardo D’Almeida, Frederico Magalhães, Ivana Paris Orsi, Marcos Rontani e Vânia Cláudia Vera e Silva (violas); Lara Ziggiatti Monteiro, Daniel Pinto Lessa, Érico Amaral Junior e Meila A. Tomé (violoncelos); Sérgio Luiz Pinto, Ana Maria G. Chioquete Pinto e Walter Luiz Valentini (contrabaixos); Rogério Peruchi e João Batista de Lira (flautas); Martin Lazarov e João Carlos Goehring (oboés); Cleyton J. Tomazela e Eduardo P. Freitas (clarinetes); Francisco J. F. Amstalden e Alexandre J. Abreu (fagotes); Silvio Batista e Bruno Lopes Demarque (trompas); Samuel Brisolla e Oscarindo Roque Filho (trompetes); João José Leite e Fernando Orsini Hehl (trombones); Paulo César da Silva (tuba); Fernanda V. Vieira e João Bosco Stecca (percussão); Orival Tarciso Boreli (tímpanos)
Felipe Senna (regência)

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