Escrito por em 28 jun 2018 nas áreas Música de câmara, Programação, Rio de Janeiro

OSN UFF apresenta concerto concebido a partir do conceito de Hausmusik.

 

Hausmusik é o termo original alemão para uma prática social e um repertório musical para ser tocado e ouvido em casa, no círculo familiar ou entre amigos. Foi esta uma das principais atividades de lazer das sociedades europeias, especialmente nos países de língua germânica, antes do surgimento dos meios de comunicação de massa. Os membros da família e amigos, cada um ao seu instrumento, reuniam-se em casa para sua diversão tocando juntos nos momentos de lazer.

Nos países de inverno, com culturas musicais muito ligadas ao piano, esta atividade acabou ocorrendo muito em ambientes residenciais fechados, salas que nas línguas europeias eram denominadas como câmera, kammer ou chambre, explica o maestro Tobias Volkmann: “Seria, de certa maneira, a mesma motivação social que levou em nosso clima tropical ao surgimento das rodas de choro e de samba”. Esta é a origem da música de câmara, hoje entendida mais como uma denominação de repertório ligado a formações pequenas e a uma prática de performance do que uma prática sociocultural propriamente dita.

Esse é o espírito do concerto que a Orquestra Sinfônica Nacional da UFF (OSN UFF) apresenta no dia 1º de julho, domingo, às 10h30, no Cine Arte UFF, em Niterói. A regência é de Volkmann.

Neste primeiro concerto da série OSN Música de Câmara, a obra central do programa é Kammersymphonie, Op. 9, de Arnold Schoenberg. Em termos etimológicos, uma sinfonia de câmara já traz no nome tanto uma contradição como uma síntese. É esta síntese que norteia a concepção do programa: uma síntese daquelas que poderiam ser vistas como os principais elementos construtores de uma das maiores tradições musicais do Ocidente: Hausmusik, técnica contrapontística e sinfonismo germânicos.

Em sua obra, Schoenberg levou o estilo contrapontístico aos limites para expandir a tonalidade até a perda do referencial tonal – a obra ainda tem o tonalismo livre, que mais tarde se desenvolverá para um atonalismo, que enfim chegará ao desenvolvimento da técnica serialista do dodecafonismo. Em termos formais, o compositor condensou, em uma obra de movimento único e de maneira ambígua, todas as tradições formais de construção de uma sinfonia. Por meio da estrutura de alternância de movimentos lentos e rápidos, ele chegou à organização híbrida de exposição/scherzo/desenvolvimento/movimento lento/re-exposição (finale). Com tamanha capacidade de síntese, Schoenberg estabeleceu a unificação de elementos aparentemente contraditórios em uma obra única – o paradigma do gênero que influenciou tantos compositores no século 20.

A tradição de escrita contrapontística germânica tem seu maior referencial em Johann Sebastian Bach, cuja obra influenciou todos os grandes compositores germânicos desde então, a ponto de receber inúmeras versões como a transcrição de Anton Webern para Fuga a Seis Vozes n. 2 da Oferenda Musical, obra que também integra o programa do concerto. Tal tradição, principalmente por meio de Beethoven e Brahms, é um elemento fundamental na estruturação do assim chamado sinfonismo germânico: conjunto de práticas estéticas e formais de composição que se tornou o idioma comum dos compositores dedicados à escrita do repertório sinfônico. Mozart, Haydn, Schubert, Mendelssohn, Schumann, Dvórak, Strauss, Bruckner, Mahler e tantos outros, cada qual à sua maneira e com suas características pessoais, contribuíram para solidificar esta tradição.

 

PROGRAMA:

Richard Strauss (1864-1949)
Serenata Op. 7 para sopros

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Fuga ricercata n. 2, da Oferenda Musical BWV 1079 [orquestração de Anton Webern (1883-1945)]

Arnold Schoenberg (1874-1951)
Kammersymphonie Op. 9

 

Foto: Rafael L. G. Motta

 

3 (R. Miguel de Frias, 9, Icaraí – Niterói. Tels.: 21 3674-7511 e 3674-7512)

 

Ingressos: R$ 14, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Sugestão etária: livre para todas as idades

 

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