Escrito por em 29 jun 2018 nas áreas Minas Gerais, Música de câmara, Música sinfônica, Programação

Unindo países e épocas, Filarmônica de Minas Gerais interpreta compositores brasileiros e Beethoven.

 

Há 150 anos nascia, no Rio de Janeiro, Francisco Braga, compositor, regente e professor responsável pela formação de muitos músicos brasileiros. Pela passagem de seu aniversário, o público conhecerá seu poema sinfônico Paysage, Prelúdio sinfônico. Ainda no universo carioca, porém dos dias de hoje, a obra Concertino para oboé, fagote e cordas, de João Guilherme Ripper, tem a participação de dois instrumentistas da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais: Alexandre Barros, oboé principal, e Catherine Carignan, fagote principal da orquestra. Encerra o programa a Sétima Sinfonia, de Beethoven, o gênio de Bonn. O concerto ocorre nos dias 5 e 6 de julho, às 20h30, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, sob a regência do maestro Marcos Arakaki.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público pode ouvir os comentários do maestro Arnon Oliveira, graduado em Piano e Regência pela Escola de Música da UFMG, mestre em Musicologia, com ênfase em Música Brasileira, pela UniRio, regente e diretor artístico dos coros Madrigale e BDMG. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

REPERTÓRIO

Francisco Braga (1868-1945) e Paysage, Prelúdio sinfônico
Em 1890, o carioca Francisco Braga ficou entre os quatro primeiros colocados no concurso para a escolha de um hino comemorativo do advento da República, sendo recompensado com uma bolsa de estudos na Europa. Em Paris, obteve o primeiro lugar no concurso de admissão ao Conservatório, na classe de Jules Massenet. Ao final do curso, o jovem de 27 anos regeu na Salle d’Harcourt um programa apenas de compositores brasileiros. No ano seguinte, fixou residência em Dresden. Visitou por duas vezes Bayreuth, onde travou contato mais decisivo com a obra de Wagner. Em Capri, terminou Jupyra, ópera baseada em conto regionalista de Bernardo Guimarães. O sucesso da estreia, em 1900, no Rio de Janeiro, marcou o retorno do compositor ao Brasil, depois de dez anos de ausência. Foi constante e variada sua atuação no ambiente musical do país como maestro, animador cultural e professor. Artista de técnica sólida e acabamento refinado, Braga manteve-se fiel às normas estéticas românticas do final do século 19, mesmo vivendo no momento em que novas correntes modernistas surgiam na Europa e no Brasil. Paysage foi composta em Paris em 1892 e demonstra a vocação sinfônica do compositor – em sua produção variada e numerosa, o poema sinfônico é o gênero em que realizou suas obras principais.

João Guilherme Ripper (1959-) e Concertino para oboé, fagote e cordas
Consagrado compositor de óperas, o carioca João Guilherme Ripper expressa-se por meio de gêneros sinfônicos com igual inteligência musical e força poética. Prova disso é o Concertino para oboé, fagote e cordas, resultado da orquestração do primeiro e do terceiro movimentos de From my window n. 1. Produzida durante residência de Ripper na Kean University, em 2011-2012, a peça faz parte de uma série que compreende outras duas obras representativas de um momento de reavaliação de experiências artísticas e tendências estéticas do compositor. From my window n. 1, para oboé, viola ou fagote e piano, evoca elementos tipicamente cariocas: as pedaladas pela orla, o pôr do sol e a Bossa Nova. Orla, primeiro movimento do Concertino, explora a fluidez de dois temas complementares a partir de uma ideia modificada de forma sonata. Já Bossa Nova, o segundo movimento da obra, remete-nos ao celebrado gênero musical brasileiro por meio de seu tonalismo estendido e elementos rítmicos característicos. A obra estreou no dia 7 de março de 2013, na cidade argentina de Rosário, na abertura do Oboefest, pela orquestra do festival, tendo como solistas o oboísta Luis Carlos Justi e o fagotista Aloysio Fagerlande.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) e a Sinfonia n. 7 em lá maior, Op. 92
No dia 8 de dezembro de 1813, Beethoven realizou na Universidade de Viena a primeira audição da Sétima Sinfonia. A pedido do público, o segundo movimento foi repetido como bis. O sucesso teve um significado especial para o compositor, pois, ao eleger o ritmo como elemento dominante da sinfonia, ele o idealizou como fator socializante, capaz de moldar os sentimentos coletivos (coincidentemente, a estreia ocorreu por ocasião de um concerto beneficente para os inválidos das guerras napoleônicas). Sob o aspecto da predominância do elemento rítmico, a Sétima se assemelha à Quinta. Entretanto, há entre elas uma diferença estrutural. Na Sinfonia n. 5, a força e a unidade advêm da recorrência da mesma célula rítmica em todos os movimentos; na Sétima, ao contrário, cada andamento é modelado e diferenciado por um padrão rítmico próprio. A estratificação de uma figura rítmica persistente, facilmente perceptível em cada parte, define o perfil da sinfonia como um todo.

 

Solistas

O oboísta Alexandre Barros iniciou seus estudos com o pai, Joaquim Inácio Barros, e foi aluno de Afrânio Lacerda, Gustavo Napoli, Carlos Ernest Dias e Arcádio Minczuk. Com o Quinteto de Sopros da UFMG, venceu o 5º Concurso de Música da Câmara da universidade. Com o Trio Jovem de Palhetas, foi menção honrosa nos concursos Jovens Solistas da Faculdade Santa Marcelina e da Osesp. Recebeu ainda o Prêmio Eleazar de Carvalho. Foi solista das sinfônicas de Minas Gerais, da UFMG, da Ufop, Orquestra Sesiminas, Filarmônica Nova, Sinfônica de Ribeirão Preto e Osesp. Integrou a Osesp e foi primeiro oboé da Sinfônica de Ribeirão Preto. É oboé principal na Filarmônica desde 2008.

Natural do Canadá, Catherine Carignan iniciou seus estudos de fagote aos 12 anos. No Conservatório de Música do Québec, sua cidade natal, foi aluna de Michel Bettez e concluiu o bacharelado em 2007, sob orientação de Mathieu Harel, da Sinfônica de Montreal. Estudou também com a solista Nadina Mackie Jackson, na Glenn Gould School of the Royal Academy of Music, em Toronto, e participou de várias masterclasses na América do Norte, na Alemanha e no Brasil. Foi segunda fagotista da Victoria Symphony Orchestra durante um ano, e, pouco depois, tornou-se fagote principal na Filarmônica, em 2008, onde também integra o Quinteto de Sopros. É cofundadora do Grupo Harmona.

 

Foto: Alexandre Rezende

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Alexandre Barros (oboé) e Catherine Carignan (fagote)

Marcos Arakaki, regência

 

5 e 6 de julho, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (Coro – setor comercializados somente após a venda dos demais setores), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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