Escrito por em 7 jun 2018 nas áreas CD/DVD, Lateral, Música sinfônica, Notícia, Programação, São Paulo

Sob regência de Cláudio Cruz, conjunto prepara seu quarto disco e se apresenta no dia 10 de junho, na Sala São Paulo.

 

A Orquestra Jovem do Estado de São Paulo escreve mais uma página importante de sua trajetória recente com a gravação de seu quarto CD e apresenta ao público no dia 10 de junho, na Sala São Paulo, o mesmo repertório: a Sinfonia n. 5, de Gustav Mahler. Em julho, o grupo interpreta a mesma peça no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Sob regência de seu diretor musical e maestro titular Cláudio Cruz, que está no posto desde 2012, ano em que a orquestra foi reestruturada, esta será a primeira vez que o grupo interpreta a Quinta de Mahler neste período: “Trata-se de uma das peças mais complexas da obra do compositor e que exige da orquestra grande experiência em repertórios sinfônicos para sua execução”.

Composta entre os verões de 1901 e 1902, a obra de Gustav Mahler (1860-1911) reflete a maturidade atingida pelo compositor que, aos 40 anos, era uma personalidade influente na Ópera de Viena e um dos mais importantes maestros da época. A Sinfonia n. 5 estreou em 18 de outubro de 1904, em Colônia, na Alemanha, sob regência do próprio compositor.

No que diz respeito aos movimentos, a obra mostra singularidade, uma vez que está organizada em cinco movimentos, porém divididas em três partes. Os primeiros dois andamentos são trágicos e sofridos, o scherzo do terceiro movimento contém momentos de júbilo e de ansiedade, é mais descontraído e muito bem estruturado, preparando e fortalecendo as bases para a terceira e última parte. Esta inicia com o famoso adagietto, que Luchino Visconti usou no seu filme Morte em Veneza, sobre a obra homônima de Thomas Mann, com andamento lento um remanso de paz, impregnado do desejo de se distanciar das tensões e lutas mundanas para delas triunfar no sereno e amado refúgio da intimidade. O final mescla temas musicais dos movimentos anteriores, funde o carácter angustiante dos primeiros dois movimentos com a alegria dos últimos, combinando assim os elementos tão díspares de escuridão e luz que convivem na sinfonia, concluindo a obra com uma grande explosão de alegria.

O CD será gravado no Teatro Caetano de Campos, que fica na região central da capital paulista. Em 2017, a Orquestra Jovem gravou obras modernas e contemporâneas, como Danças Romenas e Mandarim Maravilhoso, de Béla Bartók; Danças de Galanta, de Zóltan Kodály; e laçoentrelaço, escrita em 2013 pelo brasileiro Flo Menezes. Em 2016, acompanhada do pianista Cristian Budu, registrou obras de Berlioz e Tchaikovsky; e um ano antes inaugurou sua discografia com o violoncelista Antonio Meneses, com peças de Guerra-Peixe, Shostakovich e Villa-Lobos.

Em seu sétimo ano após a bem-sucedida reestruturação promovida no grupo pela Santa Marcelina Cultura, o conjunto de 90 bolsistas com idade até 25 anos, ensaia diariamente durante duas semanas seguidas que antecedem a cada concerto, prática comum adotada para toda sua temporada. Neste programa, em especial, os preparativos começam mais cedo por conta da gravação do CD.

 

ARTISTAS

Cláudio Cruz iniciou na música com seu pai, o luthier João Cruz, posteriormente recebeu orientações de Erich Lenninger, Maria Vischnia e Olivier Toni. Foi premiado pela APCA e recebeu os prêmios Carlos Gomes, Bravo, Grammy, entre outros. Foi regente titular das Sinfônicas de Ribeirão Preto e de Campinas. Atuou como diretor artístico e regente nas montagens das óperas Lo Schiavo e Don Giovanni, em Campinas; e Rigoletto e La Bohème, em Ribeirão Preto. Participa de festivais internacionais nos EUA e no Brasil. Atua como regente convidado em diversas orquestras no Brasil, América do Sul, Europa e Japão. Atualmente, é regente e diretor musical da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo e primeiro violino do Quarteto de Cordas Carlos Gomes.

 

Referência tanto por seu bem-sucedido plano pedagógico quanto por sua cuidadosa curadoria artística, a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo é sinônimo de excelência musical no Brasil. Desde sua reformulação, em 2012, passou a ter Cláudio Cruz como regente titular e diretor musical, o que ocasionou um expressivo salto de qualidade. Hoje, a orquestra apresenta uma marcante identidade sonora, e sua forte coesão interna permite a construção de repertórios cada vez mais desafiadores técnica e estilisticamente.

Esse sucesso é fruto da abrangência de suas atividades pedagógicas, que formam e inspiram os jovens instrumentistas. Na Emesp Tom Jobim, os bolsistas têm aulas com foco na temporada do grupo, que vão desde a prática instrumental até o estudo de história da música. Intensivos, os ensaios seguem o modelo de festival, com preparação de naipes, imersão no repertório e profunda interação com solistas e regentes convidados.

Ciente da importância da vivência internacional para a formação dos jovens músicos, a orquestra realizou diversas turnês no exterior. Com atuações elogiadas pelo público e crítica internacional, o grupo já se apresentou em importantes salas de concerto, como o Lincoln Center, em Nova York, o Kennedy Center, em Washington e a Konzerthaus, em Berlim – além de ter participado como orquestra residente do Festival Berlioz, na cidade natal do compositor francês, La Côte-Saint-André, interpretando a Sinfonia Fantástica.

 

Foto: Heloísa Bortz

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Jovem do Estado de São Paulo

Cláudio Cruz, regência

 

10 de junho, domingo, às 16h

Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos – São Paulo. Tel.: 11 3367-9500)

 

Ingressos: R$ 30, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Capacidade: 1.484 lugares

Duração aproximada: 65 minutos

Sugestão etária: para todos os públicos

 

 

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