Escrito por em 7 jun 2018 nas áreas Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Filarmônica de Minas Gerais recebe Michal Nesterowicz e Pablo Ferrández (na foto) para concertos em Belo Horizonte.

 

Dois artistas dividem seus talentos com o público mineiro nos dias 7 e 8 de junho, na Sala Minas Gerais, às 20h30. Destaque na nova geração de violoncelistas, o espanhol Pablo Ferrández se apresenta pela primeira vez em Belo Horizonte e mostra as diferentes possibilidades do instrumento em duas obras: Concerto para violoncelo em dó maior, Hob. VII b:1, de Haydn, e Concerto para violoncelo em dó maior, Op. 37, de Korngold. O regente polonês Michal Nesterowicz retorna ao pódio da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e explora a obra de Sibelius com o poema sinfônico Pelléas et Mélisande, Op. 46, e a Sinfonia n. 3 em dó maior, Op. 52.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público pode assistir aos comentários do violoncelista Eduardo Swerts, que é graduado em Música pela Universidade do Estado de Minas Gerais, com mestrado e especialização em Música de Câmara em universidades da Alemanha. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

REPERTÓRIO

Jean Sibelius (1865-1957) e Pelléas et Mélisande, Op. 46
O finlandês Sibelius começou a escrever a música de cena para uma montagem de Pelléas et Mélisande, de Maurice Maeterlinck, em 1904. A obra é posterior à suíte homônima de Fauré (1898), à ópera de Debussy (1902) e ao poema sinfônico de Schoenberg (1903). O drama narra um amor impossível em tempo e lugar indeterminados. Se o enredo é simples, os locais (floresta, fonte, gruta, castelo), os objetos (coroa, anel, lampião) e as situações (cegueira, escuridão) carregam denso simbolismo. A estreia da montagem se deu em 17 de março de 1905, no Teatro Sueco de Helsinque, sob a regência do compositor. A suíte orquestral reteve nove dos dez movimentos da música de cena. Pelléas et Mélisande encerra o ciclo imediatamente anterior ao período intermediário da produção de Sibelius.

Joseph Haydn (1732-1809) e o Concerto para violoncelo em dó maior, Hob. VII b:1
Haydn serviu por 40 anos como músico da poderosa família Esterházy, combinando as funções de regente e compositor. Dispunha de uma excelente orquestra, permanentemente disponível para a imediata execução de suas obras. Na corte de Esterházy havia solistas brilhantes, como os violoncelistas Anton Kraft e Joseph Weigl, para quem o compositor escreveu vários concertos. Algumas dessas partituras, pelo caráter utilitário e imediatista de sua gênese, permaneceram apenas esboçadas; outras foram destruídas no incêndio da Casa de Ópera de Eszterháza (1779) e muitas se extraviaram. Alguns manuscritos só recentemente foram descobertos, como é o caso do Concerto para violoncelo em dó maior, cujo tema principal do primeiro movimento fora anotado pelo próprio Haydn no catálogo de suas obras, datado de 1765. A partitura foi reconstituída a partir das partes orquestrais encontradas por um zeloso bibliotecário de Praga, em 1961. Desde então, por suas inegáveis qualidades, o Concerto se impôs imediatamente ao repertório.

Erich Korngold (1897-1957) e o Concerto para violoncelo em dó maior, Op. 37
Nascido na República Tcheca, Korngold mudou-se com os pais, aos dois anos, para Viena. Foi comparado a Mozart como um dos mais notáveis fenômenos musicais da história. Alcançou precocemente a maturidade como compositor e, aos 13 anos, já havia criado obras sinfônicas complexas. Aos 37 anos, encontrou um lugar no qual poderia dar vazão à sua escrita fluente e orquestração precisa: os estúdios da Warner Brothers, em Hollywood. Um dos mais distintos trabalhos de Korngold – e o seu último para o cinema – é a trilha para Deception (Que o céu a condene, no Brasil), filme noir de 1946. Na trama, o violoncelista Karel Novak (Paul Henreid), envolve-se com a misteriosa pianista Christine Radcliffe (Bette Davis). Christine, negando um romance passageiro com o irascível compositor Alexander Hollenius (Claude Rains), assassina-o na noite de estreia de sua última criação: um concerto que tem Novak como solista. Para as cenas, Korngold escreveu uma obra que posteriormente transformou em uma composição autônoma. O Concerto para violoncelo em dó maior teve sua primeira execução em 29 de dezembro de 1946, com Eleanor Aller-Slatkin junto à Filarmônica de Los Angeles, sob regência de Henry Svedrofsky.

Jean Sibelius (1865-1957) e a Sinfonia n. 3 em dó maior, Op. 52
Em janeiro de 1905, Sibelius estava em Berlim, onde pôde assistir à Quinta Sinfonia, de Mahler, e a um concerto de Richard Strauss regendo suas obras Uma vida de herói e Sinfonia doméstica. Ficou tão fascinado com a modernidade dessas obras que se viu logo escrevendo uma fantasia sinfônica monumental. Mas, no ano seguinte, seu entusiasmo diminuiu. A imponência da música germânica já não mais o encantava. Ele agora buscava um tipo de composição mais simples e austera, em que a clareza formal e a economia de material melódico, harmônico e rítmico eram mais importantes do que a grandiosidade musical. Iniciava, assim, sua fase conhecida como classicismo moderno, da qual a Sinfonia n. 3 foi o primeiro fruto. A obra foi composta em 1907, mas os rascunhos mostram que alguns temas já se encontravam prontos desde 1904, oriundos de outras obras e reaproveitados. A estreia ocorreu no dia 25 de setembro daquele ano com a Sociedade Filarmônica de Helsinque.

 

ARTISTAS CONVIDADOS

Michal Nesterowicz (foto de Lukasz Rajchert)

Desde que venceu o Concurso de Regência de Cadaqués, na Espanha, em 2008, o polonês Michal Nesterowicz passou a conduzir muitas das principais orquestras europeias, com passagens aclamadas pela Itália, Polônia, França, Alemanha e Reino Unido. Recentemente, fez sua estreia com a Orquestra Real do Concertgebouw e realizou suas primeiras apresentações com a Orquestra do Konzerthaus, em Berlim, e com a Tonkünstler, de Viena. Principal regente convidado da Sinfônica de Basel (Suíça), Nesterowicz é mundialmente reconhecido por seu desempenho dinâmico e interpretações eloquentes do repertório sinfônico.

Vencedor do prêmio Jovem Artista ICMA em 2016 e do XV Concurso Internacional Tchaikovsky, Pablo Ferrández é tido pelos críticos como um dos melhores violoncelistas de sua geração. Elogiado por sua autenticidade, já se apresentou como solista com as orquestras do Teatro Mariinsky, Sinfônica de Viena, as Filarmônicas de Stuttgart e de Helsinque, entre outras. Em 2017, fez sua estreia no Berliner Philharmonie com a Sinfônica Alemã, em Berlim, e teve apresentações de destaque com as filarmônicas da BBC e de São Petersburgo, além de ter feito uma turnê pela Europa com a orquestra de câmara Kremerata Baltica e participado do Festival Maggio Musicale Fiorentino. Já colaborou com artistas como Zubin Mehta, Valery Gergiev, Yuri Temirkanov, Adam Fischer e Anne-Sophie Mutter.

 

Foto do post: Kirill Bashkirov

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Pablo Ferrández, violoncelo

Michal Nesterowicz, regência

 

7 e 8 de junho, quinta e sexta-feira, às 20h30

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (coro – setor com ingressos comercializados somente após a venda dos demais setores), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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