Escrito por em 5 jun 2018 nas áreas Literatura, Notícia

Violonista e educador Max Riccio lança método para ensino de violão com proposta de inclusão social e fundamentado no folclore brasileiro.

 

“Uma aula de música é como o trabalho de alfaiate: tem de ser elaborada sob medida para quem vai ‘usar’ o instrumento. Não existem fórmulas prontas ou padronizadas. É fundamental a sensibilidade do professor para saber como transmiti-la ao seu aluno. Ele deve avaliar o momento certo de avançar, marcar o passo ou buscar outros caminhos, mas incentivar sempre”, Luis Carlos Barbieri

 

Capa da publicação

No intuito de contribuir para a oferta de uma educação musical de qualidade que o violonista e educador Max Riccio lança o método O violão entrou na roda – Um guia prático para principiantes (Editora Irmãos Vitale), visando, principalmente, à inclusão e ao surgimento de novos bons profissionais, bem como à ampliação de novas plateias, conhecedora dos encantos e desafios que o instrumento apresenta.

Na publicação, o autor criou arranjos coletivos para grupos de violões, baseados no folclore brasileiro e estruturados de forma lúdica, podendo ser usados em diversas situações (como aulas individuais ou em grupo), permitindo aos professores a flexibilidade de manusear os conteúdos de acordo com as suas necessidades. A partir de sua experiência lecionando gratuitamente no Projeto Social da Associação de Violão do Rio (AVRio) para faixas etárias mais jovens (de 8 a 13 anos), o violonista oferece, neste guia, uma alternativa à literatura de iniciação ao violão existente no país, buscando proporcionar um aprendizado seguro para o iniciante e, ao mesmo tempo, versátil para o professor de ensino coletivo.

Para o guia foram selecionadas canções do livro 500 canções brasileiras, da pesquisadora Ermelinda A. Paz – publicação cujos pilares são o folclore e a cultura oral. Segundo Ermelinda, o guia de Max Riccio “é um método de grande importância e que deve estar à cabeceira dos violonistas que buscam introduzir, através da música de tradição oral, os pequenos aprendizes do instrumento violão”.

A partir de sua própria vivência e inicialização no instrumento, o autor aprimorou-se como educador, desenvolvendo metodologias que considerassem os diferentes públicos iniciantes. Após um aprendizado autodidata, usando cifra e “tocando de ouvido”, Riccio experimentou a dificuldade comum aos iniciantes de corrigir os próprios “vícios” desenvolvidos nessa iniciação inconsistente. Mesmo em aulas com professores qualificados, via colegas desistindo diante das dificuldades no aprendizado. “Nunca aceitei isso, temos que criar caminhos para atingir os objetivos desejados, principalmente quando há motivação para aprender”, aponta o autor.

Riccio notava ainda que cada aluno ou grupo de nível inicial demonstra dificuldades e interesses específicos. Algumas crianças querem apenas fazer uma prática musical divertida. Já determinados adolescentes pretendem ser músicos profissionais, enquanto outros somente desejam tocar músicas de seus ídolos. Uma parte dos adultos busca as experiências auditivas da sua adolescência, enquanto outros ambicionam poder exercer uma atividade profissional na música. E finalmente, alguns idosos visam exercer uma prática social por meio da música.

Foi pensando nesta amplitude e na importância da figura do educador nesta condução que este guia começou a se materializar. A diversidade de objetivos se amplia quando se aborda estilos ou linguagens musicais específicas que estão intimamente conectadas ao violão, como a música popular ou clássica, o flamenco ou samba, o choro e a bossa-nova. E ainda existem as variantes ligadas à situação didática, que a grosso modo podem ser simplificados para ensino coletivo ou individual. “São infinitas as combinações. Com isso, o didata é obrigado em muitas situações a trilhar diversos caminhos metodológicos, e não são raros os casos em que não consegue adequar o ensino às vontades e aspirações de determinados alunos”, ressalta o educador. “Foi pensando cuidadosamente em cada um desses pontos que arranjei as músicas da forma mais simples e progressiva possível. Entretanto, como o escopo do livro é limitado, nas suas atividades didáticas o mestre pode adaptar essa metodologia de arranjos para qualquer repertório”, afirma.

A publicação O violão entrou na roda – Um guia prático para principiantes está à venda no site da Editora Irmãos Vitale.

 

Três partes

O guia está dividido em três partes. Na primeira (Manual técnico) estão os índices organizados por assuntos e de forma progressiva, que norteiam a organização técnica, instrumental e musical dos arranjos da Parte II, e ajudam o professor na busca por conteúdos específicos, tanto musicais como os relativos à técnica violonística.

A segunda parte (Tocando e cantando) traz ilustrações lúdicas e os arranjos já apresentam várias vozes (partes), que podem ser tocados e cantados juntos. A terceira e última parte (Violão solo) contém arranjos que unem os conteúdos técnicos e musicais desenvolvidos na Parte II, desenvolvendo assim novas habilidades instrumentais de forma progressiva preparando o aluno para explorar o vasto repertório violonístico. Alguns destes arranjos são de autoria do consagrado professor, violonista e compositor Luis Carlos Barbieri.

 

Max Riccio

Natural de Natal, se formou bacharel em Violão pela Escola de Música da UFRJ. É mestre pela UniRio no programa de Mestrado Profissional (Proemus/UniRio), sob orientação de Nicolas de Souza Barros e Ermelinda Paz Zanini, no qual desenvolveu o livro O violão entrou na roda: um guia prático para principiantes.

Integrante do duo The Biedermeiers, com o csakanista e flageoletista Rubens Küffer, tem tido uma presença no cenário da música clássica nacional, com apresentações nos programas Partituras, da TV Brasil, e Antena MEC FM, da Rádio MEC FM (Rio de Janeiro).

Como solista, vem se apresentando regularmente em importantes séries de concertos do Rio de Janeiro e festivais internacionais e nacionais de violão pelo país. Também, tem participado de programas de rádio e TV, podendo destacar gravações de obras inéditas de Quincas Laranjeiras no programa Violões em Foco, da Rádio MEC FM, bem como a participação na trilha sonora de novelas da Rede Globo, como O Astro (2011) e Gabriela (2012) – nas quais toca alaúde árabe.

 

Foto do post: Clau Pavesi

 

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